O império de BlackRock e Vanguard

Não é o primeiro artigo acerca da BlackRock e não vai ser o último: a empresa, juntamente com a irmã Vanguard, está em qualquer lugar ao ponto de ter-se tornado incontornável. Pensem numa multinacional, uma qualquer: BlackRock está aí também. Ou ela ou a Vanguard, nada muda.

Mas BlackRock é mais do que uma empresa de investidores presentes em todos os conselhos de administração dos campeões da Globalização. BlackRock/Vanguard é política também. E saúde.

Resumindo:

  • Big Pharma e os principais meios de comunicação social são em grande parte propriedade de duas empresas de gestão de activos: BlackRock e Vanguard.
  • As empresas farmacêuticas estão por detrás das vacinas anti-Covid e os principais meios de comunicação social têm sido cúmplices na divulgação da propaganda, da falsa narrativa oficial que engana o público e alimenta o medo baseado.
  • Vanguard e BlackRock são os dois maiores proprietários-accionistas de Time Warner, Comcast, Disney e News Corp, quatro das seis empresas de comunicação social que controlam mais de 90 por cento da comunicação social dos EUA.
  • BlackRock e Vanguard constituem um monopólio que possui praticamente tudo aquilo em que o Leitor pode pensar. No total, possuem participações em 1.600 empresas só nos EUA, com receitas combinadas que já em 2015 ultrapassavam 9.1 triliões de Dólares.
  • Acrescentamos o terceiro maior grupo do planeta, State Street: em total estas três empresas detêm quase 90% de todas as empresas do S&P 500.

Vanguard é o maior accionista de BlackRock. A própria Vanguard, por outro lado, tem uma estrutura única que torna a sua propriedade difícil de identificar. Podemos sintetizar com uma palavra: “elite”, sobretudo aquela parte que inclui as famílias mais antigas e ricas do planeta.

Não é teoria da conspiração: é Finança. As acções das maiores empresas do mundo são propriedade dos mesmos investidores institucionais. Todos eles são donos uns dos outros. Isto significa, por exemplo, que as marcas “concorrentes”, como podem ser Coca-Cola e Pepsi, não são de todo concorrentes, uma vez que as suas acções são de propriedade das mesmas empresas de investimento, fundos de investimento, companhias de seguros, bancos e, em alguns casos, governos.

Os pequenos investidores são propriedade de grandes investidores. Estes são propriedade de investidores ainda maiores. O topo visível desta pirâmide mostra apenas duas empresas cujos nomes temos visto com frequência: Vanguard e BlackRock.

Não apenas são proprietários da maioria das acções de quase todas as grandes empresas, como também possuem as acções dos investidores nessas empresas. Isto dá-lhes um monopólio completo.

A elite que possui Vanguard não gosta de estar no centro das atenções. Os relatórios da Oxfam e da Bloomberg dizem que o 1% do mundo combinado possui mais dinheiro do que os outros 99%. Pior ainda, Oxfam diz que 82% de todo o dinheiro ganho em 2017 foi para este 1%.

Por outras palavras, estas duas empresas de investimento, Vanguard e BlackRock, detêm um monopólio em todos os sectores do mundo e, por sua vez, são propriedade das famílias mais ricas do mundo, algumas das quais têm sido muito ricas desde antes da Revolução Industrial.

Estão a pensar nos Rothschild? Calma: não há apenas os Rothschild, a elite é mais do que isso. Embora um olhar rápido para examina todos os fundos da Vanguard possa sugerir a presença da Rothschild Investment Corp. e da Edmond De Rothschild Holding, aparecem também outros nomes: a família italiana Orsini, a família americana Bush, a família real britânica, a família du Pont, os Morgans, os Vanderbilts e os Rockefellers. Todos estes são também proprietários da Vanguard.

BlackRock/Vanguard e Big Pharma

Em Fevereiro de 2020, BlackRock e Vanguard eram os dois maiores accionistas da GlaxoSmithKline, com 7% e 3.5% das acções, respectivamente. Podem parecer percentagens pequenas, mas a propriedade “difundida” das acções torna possível ter o controlo das grandes empresas nos mercados das Bolsas com apenas uma participação mínima em acções, como é o caso. Na Pfizer, a propriedade é invertida, sendo Vanguard o maior investidor e BlackRock o segundo maior accionista.

Mas disso já falámos em BlackRock: a dona das vacinas.

BlackRock/Vanguard e meios de comunicação

Pegamos num dos diários mais difundidos dos EUA, o The New York Times: em Maio de 2021, a BlackRock é o segundo maior accionista com 7.43% do total de acções, logo atrás de Vanguard que detém a maior quota (8.11%).

Para além do The New York Times, Vanguard e BlackRock são também os dois maiores proprietários da Time Warner, Comcast, Disney e News Corp, quatro das seis empresas de comunicação social que controlam mais de 90% do panorama da comunicação nos EUA: cada um deste nome representa só por si um império feito de canais televisivos espalhados pelo mundo todos. Escusado será dizer que com o controlo de tantos canais (com relativos noticiários) significa um imenso poder de condicionamento sobre inteiros Países, com uma propaganda cuidadosamente orquestrada e disfarçada de jornalismo.

Contudo, a mensagem chave é à consciência é que BlackRock e Vanguard, com as suas participações cruzadas, formam um monopólio oculto sobre os patrimónios globais. Além disso, este monopólios minam a concorrência através da propriedade de acções de empresas concorrentes e esbatendo as fronteiras entre o capital privado e as empresas governamentais, trabalhando em estreita colaboração com os reguladores locais. São estes os vectores através dos quais é difundida não apenas a “pandemia” como também a “revolução verde” (Greta e relativos gretinos, automóveis eléctricos, etc.) e o Great Reset.

É importante notar que BlackRock também trabalha em estreita colaboração com bancos centrais de todo o mundo, incluindo a Reserva Federal dos EUA, que como sabemos é uma entidade privada e não federal. BlackRock, por exemplo, actua como consultor e desenvolve o software do banco central.

É o binómio BlackRock/Vanguard que possui as acções de empresas quais Microsoft, Apple, Amazon, Facebook e Alphabet Inc. 21 (Google): é quase impossível lista-las todas. De facto, BlackRock e Vanguard representam o braço financeiro da elite e um recente artigo de F. William Engdahl tenta fazer luz acerca destes dois colossos, focando-se num nome: BlackRock (que, como vimos, implica o outro nome, Vanguard).

BlackRock: muito mais do que você poderia imaginar

Uma empresa de investimento praticamente não regulamentada tem agora mais influência política e financeira do que a Reserva Federal e a maioria dos governos deste planeta. Esta empresa é a BlackRock., a maior gestora de activos do mundo, com cerca de 9 triliões de dólares em fundos de investimento a nível mundial, uma soma superior ao dobro do PIB anual da República Federal da Alemanha. Este mastodonte situa-se no topo da pirâmide da propriedade corporativa global [ocidental], e recentemente, daquela chinesa. Desde 1988, a empresa tem sido capaz de controlar, com efeito, a Reserva Federal, a maior parte dos mega-bancos de Wall Street, incluindo Goldman Sachs, o Great Reset do Fórum Económico Mundial em Davos, a Administração Biden e, se não travada, todo o futuro económico do nosso planeta. BlackRock é o epítome do que Mussolini chamou de Corporativismo, onde uma casta corporativa não eleita decide o destino de inteiras populações.

A forma como o maior “banco sombra” do mundo exerce este enorme poder sobre todo o planeta é algo que nos deve preocupar. Desde que foi fundada por Larry Fink em 1988, BlackRock conseguiu reunir um software financeiro específico e uma quantidade de activos que nunca visto antes. O seu sistema Aladdin de gestão de risco é uma ferramenta de software que pode acompanhar, analisar e monitorizar transacções comerciais por mais de 18 biliões de Dólares de 200 empresas financeiras, incluindo a Reserva Federal e os bancos centrais europeus. “Monitorizar” também significa saber, como podemos bem imaginar. BlackRock tem sido chamada de “faca do exército suíço” financeira: investidor institucional, gestor de capital, empresa de private equity e parceiro governamental global, todos eles reunidos num só. No entanto, os principais meios de comunicação social tratam a empresa como um normal grupo financeiro de Wall Street.

Existe uma interface sem interrupções que liga a Agenda das Nações Unidas para 2030, a Grande Reposição do Fórum Económico Mundial em Davos e as nascentes políticas económicas da Administração Biden. Esta interface é chamada BlackRock.

A equipa Biden e BlackRock

Nesta altura já deve ser claro para qualquer pessoa que tenha vontade de ver que a pessoa que afirma ser o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de 78 anos, não é quem manda. Tem mesmo dificuldade em ler um teleponto ou em responder a perguntas preparadas pelos meios de comunicação cumpridores sem confundir a Síria com a Líbia. É microgerido por um grupo de supervisores para manter a “imagem” coreografada de um Presidente enquanto a política é levada a cabo por outros actores nos bastidores. Faz lembrar de forma sinistra o personagem do jardineiro Chance, interpretado por Peter Sellers no filme Beyond the Garden, de 1979 [nota: se ainda não viram, aconselho vivamente procurar este filme cujo título é Bem-Vindo Mister Chance em Portugal e Muito Além do Jardim no Brasil, ndt]

Aquelas que menos visados pelo público são as figuras-chave que dirigem a política económica de Biden. Todas elas fazem parte da BlackRock. Tal como Goldman Sachs tinha gerido a política económica nas Administrações Obama e Trump, esse papel-chave é agora preenchido por BlackRock. O acordo tinha aparentemente sido selado em Janeiro de 2019, quando Joe Biden, então candidato presidencial com poucas hipóteses de derrotar Trump, viajou para New York para encontrar Larry Fink […].

Assim que foi eleito Presidente, num dos seus primeiros actos legislativos, Biden tinha nomeado Brian Deese como Director do Conselho Económico Nacional, um cargo que cabe ao principal conselheiro de política económica do Presidente. Uma das primeiras ordens executivas presidenciais tinha tratado da política económica e climática. Isso não deve ser uma surpresa, dado que Deese vem da BlackRock de Fink, onde tinha dirigido o “investimento sustentável”. Antes de se juntar à BlackRock, Deese tinha ocupado posições económicas chave sob Obama e, entre outras coisas, substituiu John Podesta como conselheiro principal do Presidente, trabalhando ao lado de Valerie Jarrett. Sob Obama, Deese tinha desempenhado um papel fundamental na negociação dos acordos de Paris sobre o aquecimento global.

Num posto político chave, como Secretário adjunto do Tesouro reportando directamente a Janet Yellen, encontramos Adewale “Wally” Adeyemo, nascido na Nigéria. Adeyemo também provém da BlackRock, onde, de 2017 a 2019, após deixar a Administração Obama, tinha sido conselheiro sénior e chefe de gabinete do CEO da BlackRock, Larry Fink. Os seus laços pessoais com Obama são fortes: de facto, em 2019, o próprio Obama tinha-o nomeado o primeiro presidente da Fundação Obama.

Depois há uma terceira pessoa da BlackRock, de certa forma bastante invulgar, que dirige a política económica da Administração: É Michael Pyle, conselheiro económico sénior da Vice-Presidente, Kamala Harris. Veio para Washington da posição de Estrategista Chefe do Investimento Global da BlackRock, da qual supervisionou cerca de 9 triliões de Dólares em investimento de fundos. Antes de subir aos mais altos níveis da BlackRock, também tinha servido na Administração Obama como conselheiro principal do Subsecretário do Tesouro para assuntos internacionais e, em 2015, tornou-se conselheiro da então candidata à presidência Hillary Clinton.

O facto de três dos conselheiros económicos mais influentes da Administração Biden virem todos da BlackRock e, antes disso, da Administração Obama, é digno de nota. Há aqui um padrão definido que deixa claro que o papel da BlackRock em Washington é muito maior do que nos é dito.

O que é BlackRock?

Nunca antes uma empresa financeira com tanta influência nos mercados mundiais tinha sido tão escondida do escrutínio público. Isto não é um acidente. Uma vez que não é tecnicamente um banco que faz empréstimos ou recebe depósitos, não está sob a normal supervisão da Reserva Federal, embora, como a maioria dos mega-bancos (como HSBC ou JP MorganChase), compre e venda títulos com fins lucrativos. Quando, após a crise de 2008, houve pressão do Congresso para incluir gestores de activos como BlackRock e Vanguard na Lei Dodd-Frank como “instituições financeiras sistemicamente importantes”, um enorme esforço de lobby por parte de BlackRock tinha acabado com a ameaça. A BlackRock praticamente escreve as suas próprias leis. É “sistemicamente importante” como nenhum outro, com a possível excepção da Vanguard, que também é um importante accionista da BlackRock.

O fundador e CEO da BlackRock, Larry Fink, está claramente interessado em obter favores a nível mundial. Tinha colocado o antigo deputado alemão da CDU, Friederich Merz, à frente do BlackRock na Alemanha quando parecia que iria suceder ao Chanceler Merkel e contratou o antigo Chanceler britânico do Tesouro, George Osborne, como “conselheiro político”. Fink tinha trazido a antiga Chefe de gabinete de Hillary Clinton, Cheryl Mills, para a direcção da BlackRock quando parecia certo que Hillary tomaria posse na Casa Branca.

Fink trouxe antigos banqueiros centrais para o seu conselho de administração e conseguiu contratos lucrativos com as instituições que anteriormente dirigiam. Stanley Fisher, antigo chefe do Banco de israel e mais tarde Vice-Presidente da Reserva Federal, é agora um conselheiro sénior da BlackRock. Philipp Hildebrand, antigo presidente do Banco Nacional Suíço, é vice-presidente da BlackRock, onde supervisiona o Instituto de Investimento BlackRock. Jean Boivin, o antigo Vice-Governador do Banco do Canadá, é chefe global de investigação no Instituto de Investimento BlackRock.

BlackRock e a Fed

Em Março de 2019, foi esta antiga equipa de BlackRock que desenvolveu um plano de salvamento “de emergência” para o Presidente da Fed, Jerome Powell, uma vez que os mercados financeiros pareciam estar à beira de mais uma “crise Lehman” como em 2008. Como “agradecimento”, o Presidente da Fed Jerome Powell tinha nomeado BlackRock como o único gestor de todos os programas de compra de obrigações empresariais da Fed, incluindo as obrigações negociadas pela própria BlackRock. Conflito de interesses? Um grupo de cerca de 30 ONGs tinha escrito ao Presidente da Fed:

Ao dar à BlackRock o controlo total deste programa de compra de dívidas, a Fed […] torna a BlackRock ainda mais importante do ponto de vista sistémico para o sistema financeiro. No entanto, a BlackRock não está sujeita ao escrutínio regulamentar que as instituições financeiras menos importantes do ponto de vista sistémico devem sofrer.

Num relatório detalhado de 2019, um grupo de investigação sem fins lucrativos de Washington, a Campaign for Accountability, observou que

BlackRock, o maior gestor de activos do mundo, implementou uma estratégia de lobbying, contribuições para campanhas e contratações destinadas a combater a regulamentação governamental até tornar-se uma das empresas financeiras mais poderosas do mundo.

Em Março de 2019, a Fed de New York tinha contratado BlackRock para gerir os seus títulos comerciais garantidos por hipotecas no valor de 750 mil milhões de Dólares e as suas compras primárias e secundárias de obrigações de empresas e de ETF (Exchange Traded Funds). Os jornalistas financeiros norte-americanos Pam e Russ Martens, em 2019, criticando o salvamento obscuro de Wall Street por parte da Fed, tinham notado que “pela primeira vez na história, a Fed contratou BlackRock para ir e comprar directamente 750 mil milhões de Dólares em obrigações de empresas, tanto primárias como secundárias, e fundos de obrigações ETF, um produto do qual BlackRock é um dos maiores fornecedores do mundo”. Continuaram: “Como num embuste, o programa BlackRock poderá utilizar 75 mil milhões dos 454 mil milhões de Dólares do dinheiro dos contribuintes para sanar as perdas nas suas compras de obrigações empresariais, que incluirão os mesmos ETF que a Fed está a permitir que sejam comprados”.

O chefe federal Jerome Powell e Larry Fink conhecem-se aparentemente bem um ao outro. Mesmo depois de dar em exclusiva à BlackRock o negócio muito lucrativo, Powell tinha continuado a deixar que BlackRock gerisse os seus cerca de 25 milhões de Dólares em investimentos de títulos privados e pessoais. Os registos públicos mostram que, durante este período, Powell tinha tido chamadas telefónicas directas confidenciais com o CEO da BlackRock, Fink. Segundo documentos tornados públicos, a BlackRock tinha conseguido, num ano, duplicar o valor dos investimentos de Powell. Não há conflito de interesses?

O verdadeiro BlackRock está no México

A história obscura da BlackRock no México mostra que os conflitos de interesse e o reforço dos laços com as principais agências governamentais não se limitam apenas aos Estados Unidos. Em Novembro de 2011, o candidato presidencial do PRI [o Partido Revolucionário Institucional] Peña Nieto, como parte da sua campanha, foi até Wall Street onde encontrou Larry Fink. Após a sua vitória nas eleições de 2012, uma estreita relação entre Fink e o próprio Nieto, caracterizada por conflitos de interesses, compadrio e corrupção, tinha-se consolidado.

Para garantir que BlackRock estivesse do lado vencedor do novo regime corrupto de Nieto, Fink tinha trazido Marcos Antonio Slim Domit, 52 anos, o filho bilionário de Carlos Slim, o homem mais rico e indiscutivelmente mais corrupto do México, para se juntar ao conselho de administração da BlackRock. Marcos Antonio, juntamente com o seu irmão Carlos Slim Domit, dirige agora o império empresarial massivo do seu pai. Carlos Slim Domit, o filho mais velho, foi co-presidente do Fórum Económico Mundial América Latina em 2015 e é actualmente o presidente do conselho da America Movil, da qual BlackRock é um grande investidor. É realmente um mundo pequeno.

O pai, Carlos Slim, na altura nomeado por Forbes como a pessoa mais rica do mundo, tinha construído um império baseado na sua empresa favorita, a Telemex (mais tarde America Movil). Em 1989, o então Presidente Carlos Salinas de Gortari tinha, com efeito, doado o império das telecomunicações à Slim. Salinas tinha depois fugido do México sob a acusação de roubar mais de 10 mil milhões de Dólares dos cofres do Estado.

Desde os anos ’80, e como em quase todos os negócios no México, o dinheiro da droga parece ser muito importante para o mais velho Carlos Slim, pai do Director da BlackRock Marcos Slim. Em 2015, WikiLeaks tinha divulgado alguns e-mails internos da empresa privada de informação Stratfor. A Stratfor tinha escrito num e-mail de Abril de 2011, o período em que a BlackRock estava a finalizar os seus planos para o México, que um agente especial da DEA dos EUA, William F. Dionne, tinha confirmado os laços de Carlos Slim com os cartéis de droga mexicanos. A Stratfor tinha perguntado a Dionne, “Billy, o bilionário MX [mexicano] Carlos Slim está ligado aos narcos?”  e Dionne tinha escrito: “Em resposta à sua pergunta, o bilionário de telecomunicações MX está”. Num país onde 44% da população vive na pobreza, ninguém se torna o homem mais rico do mundo em apenas vinte anos vendendo biscoitos dos escuteiros.

Fink e a público/privada mexicana

Com Marcos Slim no conselho da BlackRock e o novo presidente Enrique Nieto Peña como parceiro mexicano de Larry Fink na aliança público privada de 590 bilhões de Dólares, BlackRock estava pronta para colher os benefícios. Em 2013, para coordenar as novas operações mexicanas, Fink tinha nomeado o antigo subsecretário das Finanças mexicano, Gerardo Rodriguez Regordosa, para chefiar a BlackRock Emerging Market Strategy. Depois, em 2016, Peña Nieto tinha nomeado Isaac Volin, então chefe da BlackRock México, para número 2 da PEMEX [companhia petrolífera pública do México] e aqui Volin tinha contribuído com corrupção, escândalos e a maior perda na história da PEMEX: 38 mil milhões de Dólares.

Peña Nieto tinha aberto o enorme monopólio estatal do petróleo da PEMEX aos investidores privados pela primeira vez desde a nacionalização da empresa na década de 1930. O primeiro a beneficiar foi a BlackRock de Fink. No prazo de sete meses, a BlackRock tinha assegurado mil milhões de Dólares em projectos energéticos da PEMEX, muitos deles como único proponente. Durante o mandato de Peña Nieto, um dos Presidentes mais controversos e menos populares, a BlackRock tinha prosperado: durante o mandato de Peña Nieto, BlackRock tinha-se envolvido em projectos de infra-estruturas altamente lucrativos (e corruptos), incluindo não só oleodutos, mas também estradas com portagem, hospitais, oleodutos e até prisões.

Nomeadamente, o “amigo” mexicano da BlackRock, Peña Nieto, era “amigo” não só de Carlos Slim, mas também do chefe do famoso cartel de Sinaloa, “El Chapo” Guzman. Em 2019, durante um testemunho num tribunal de New York, Alex Cifuentes, um barão da droga colombiano que se intitulava “braço direito do El Chapo”, declarou que em 2012, logo após a sua eleição, Peña Nieto tinha pedido 250 milhões de Dólares ao cartel de Sinaloa, apenas para ficar com 100 milhões de Dólares. Só podemos imaginar para quê.

Larry Fink e o grande WEF reiniciam

Em 2019, Larry Fink juntou-se à direcção do Fórum Económico Mundial em Davos (o WEF), a organização baseada na Suíça que tem vindo a seguir uma agenda de globalização económica há cerca de 40 anos. Fink, que está próximo do chefe tecnocrata do WEF, Klaus Schwab, proponente do famoso Great Reset, tem agora a oportunidade de usar o enorme poder da BlackRock para criar o que poderá tornar-se, se não colapsar primeiro, o maior esquema Ponzi do mundo: o investimento empresarial ESG, Environmental Social and Governance. Fink, com 9 triliões em alavancagem financiera, está a trabalhar na maior transferência de capital da história, num esquema conhecido como ESG Investing. A agenda da “economia sustentável” da ONU está a ser discretamente prosseguida pelos mesmos bancos globais que criaram a crise financeira de 2008. Desta vez estão a preparar o Greta Reset de Klaus Schwab e do WEF, redireccionando centenas de biliões, e em breve triliões, de investimentos para as suas empresas woke (“acordadas”) cuidadosamente seleccionadas, retirando-as daquelas “ainda não acordadas”, tais como as empresas da indústria do petróleo, gás e carvão. Desde 2018, a BlackRock tem estado na vanguarda da criação de uma nova infra-estrutura de investimento que escolhe “vencedores” ou “perdedores” para investimentos com base na seriedade com que a empresa está empenhada no ESG, ambiente, valores sociais e governação.

Por exemplo, uma empresa pode obter classificações positivas com base no seu compromisso de contratar gestores e empregados com diversidade de género ou de tomar medidas para eliminar a sua “pegada” de carbono através da exploração de fontes de energia “verdes” ou “sustentáveis”. A forma como as empresas podem contribuir para uma governação global sustentável é a coisa mais vaga dos ESGs e pode incluir tudo, desde doações empresariais em favor de Black Lives Matter ou para apoiar agências da ONU como a OMS (a Organização Mundial da Saúde). Empresas petrolíferas como a ExxonMobil ou empresas de carvão, isto é evidente, estão condenadas, enquanto Fink e companhia estão agora a promover o seu Great Financial Reset ou Green New Deal. É por isso que, em 2019, Fink tinha feito um acordo com o futuro Presidente Biden.

Carl Icahn, um implacável comprador de activos de Wall Street, tinha dito uma vez sobre a BlackRock:

Uma empresa extremamente perigosa… Eu costumava dizer-lhes, vocês sabem rapazes, a máfia tem um código de ética melhor do que o vosso.

 

As acções de BlackRock

Como vimos, BlackRock e Vanguard constituem um emaranhado que é difícil desenrolar. Mas vamos espreitar em quais actividades estão directamente envolvidas, só para ter uma ideia um pouco mais precisa acerca dos nomes em que estamos a falar. A seguinte lista está muito longe de ser completa pois inclui apenas as empresas mais conhecidas ao público; e refere-se exclusivamente às participações da BlackRock, não da Vangaurd:

Apple
Microsoft Corporation
Amazon
Facebook
Alphabet (Google)
Tesla Motors
Johnson & Johnson
JPMorgan Chase & Co.
Visa Com
Mastercard Incorporated
NVIDIA Corporation
Procter & Gamble Company
Walt Disney Company
Intel Corporation
Paypal Holdings
Bank of America Corporation
Alibaba Group Hldg Options Call Option
Adobe Systems Incorporated
Verizon Communications
Cisco Systems
Comcast Corp
Abbott Laboratories
Exxon Mobil Corporation
Netflix
Merck & Co
At&t
Coca-Cola Company
Pfizer
Pepsi
Chevron Corporation
Texas Instruments Incorporated
Nike
Wal-Mart Stores
Citigroup
McDonald’s Corporation
Bristol Myers Squibb
Qualcomm
Wells Fargo & Company
Lowe’s Companies
Honeywell International
Morgan Stanley Com New
United Parcel Service
Oracle Corporation
Linde
Starbucks Corporation
Boeing Company
Caterpillar
Philip Morris International
3M Company
Micron Technology
General Electric Company
Goldman Sachs
Charles Schwab Corporation
Advanced Micro Devices (AMD)
Booking Holdings
Fidelity National Information Services
American Express Company
S&P Global
General Motors Company
Lockheed Martin Corporation
Charter Communications Inc
Automatic Data Processing
FedEx Corporation
Vertex Pharmaceuticals Incorporated
Boston Scientific Corporation
Colgate-Palmolive Company
Capital One Financial
Air Products & Chemicals
Illumina
Dominion Resources
Global Payments
Kimberly-Clark Corporation
Biogen Idec
Zoom Video Communications
Exelon Corporation
Ford Motor Company
Uber Technologies
HP
PPG Industries
Twitter
Moody’s Corporation
Synopsys
Electronic Arts
Northrop Grumman Corporation
Microchip Technology
Motorola Solutions Com
Schlumberger
Prudential Financial
Dow
Baidu
eBay
Bank of New York Mellon Corporation
Moderna
General Dynamics Corporation

…praticamente: como afirmado na abertura, BlackRock está em qualquer lugar. E Vangaurd é mais do mesmo. Só como curiosidade destacamos: Pfizer, Moderna e Johnson & Johnson. E quem quiser entender, que entenda.

Muito bem. Agora o Leitor pode juntar tudo: um Grupo com receitas de triliões, que controla as maiores empresas do planeta (farmacêuticas, comunicação), que determina as políticas económicas da maioria dos Países, empenhada no Great Reset ao lado das instituições quais o Fórum Económico de Davos e as Nações Unidas. Atrás dela: a chamada “elite”.

Conspiração? Não: dados.

 

Ipse dixit.

 

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2 Replies to “O império de BlackRock e Vanguard”

  1. Meus deuses!!!!!!
    Então posso dar nome próprio à corporação que governa o nosso mundo : Majestade BlackRock. A elite já estabeleceu o governo mundial mediante as suas regras. E como foi rápido! Começou em 1988. A coisa não é projeto, é processo em curso.
    Max, fiquei pasma com a minha ignorância!
    Agora entendi ” a cause de quoi” Putin declarou que Biden tem “uma grande experiência política”. Ele sabe muito bem a quem responde o alto funcionário público.
    E eu que associava esta corporação à forças armadas, mercenários e tráfico de armas. A coisa é muito…muito maior.
    Muitíssimo obrigada pela tua investigação.

  2. Durante anos, sempre que se discutia quem era o inimigo, chegava-se à mesma conclusão, que era um polvo com mil cabeças e por isso mesmo, difícil de identificar e combater.

    Agora posso finalmente afirmar que o inimigo tem nome, aliás, dois nomes:

    – Blackrock
    – Vanguard

    É obvio que afirmar isto é um pouco redutor e simplista, mas dado o usual deserto intelectual do cidadão comum (triste realidade), isto já vai ajudar bastante.

    Obrigado Max, continua o bom trabalho e um abraço.

Obrigado por participar na discussão!

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