As vacinas são experimentais? Ehhhh… sim, são.

Na entrevista com a D.ra Loretta Bolgan publicada ontem é referido o estudo do Prof. P. Doshi publicado há algumas semanas pelo conceituado British Medical Journal (ver o artigo As vacinas Covid-19 salvam vidas? Os actuais ensaios não dizem isso, do dia 1 de Dezembro de 2020). O mesmo Dohi publicou uma opinião no passado dia 4 de Janeiro e mais um esclarecimento no dia de ontem, 5 de Fevereiro.

De acordo com o British Medical Journal (BMJ), a eficácia real das vacinas em circulação não seria de cerca de 95% mas entre 19% e 29%. Esta taxa muito baixa poderia explicar os muitos casos de infecção ou até de ré-infecção após a vacinação. Doutro lado, já foi aqui explicado que uma eficácia de 95% não significa que em 100 vacinados 95 não irão contrair a infecção.

Nesta óptica, uma das vozes mundialmente mais influentes é aquela do citado Professor Peter Doshi, associado da Universidade de Maryland e edito do BMJ, que trata da investigação sobre os serviços de saúde farmacêuticos: ao entrar na posse dos dados publicados por Pfizer e Moderna, Doshi notou discrepâncias que alteram grandemente o quadro contado até agora e também a dinâmica posta em marcha por toda a comunidade científica global.

Escreveu Doshi nas páginas do BMJ no passado 4 de Janeiro:

Há cinco semanas levantei questões sobre os resultados dos ensaios da vacina Pfizer e Moderna contra a Covid-19. Tudo o que era do domínio público eram os protocolos de estudo e alguns comunicados de imprensa. Hoje, duas revistas publicam 400 páginas de dados submetidos pela e para a Food and Drug Administration antes da aprovação de emergência dada pela agência às vacinas mRNA de cada empresa. Enquanto alguns dos detalhes adicionais são tranquilizadores, outros não são.

Os dados seriam de certa forma minados porque em parte a análise foi feita sobre “suspeitos de Covid-19”, em parte sobre “aqueles com sintomas de Covid-19 que não foram confirmados”. E os dados sobre as pessoas já doentes são muito incertos. Simplificando, a eficácia da vacina é muito menor do que a que foi até agora anunciada, com uma redução do risco relativo de 19%, “muito abaixo do limiar de 50% de eficácia fixado pelas autoridades reguladoras para autorização”.

Com uma eficácia de 19% (ou, em qualquer caso, abaixo de 50%), a autorização de emergência não poderia ter sido concedida. E Doshi acrescenta:

Mesmo após a remoção dos casos que ocorreram no prazo de 7 dias após a vacinação (409 na vacina Pfizer contra 287 no placebo), que deve incluir a maioria dos sintomas devido à reatogenicidade a curto prazo da vacina, a eficácia da vacina permanece baixa: 29%.

Segundo Doshi, a confusão entre falsos positivos e falsos negativos nas zaragatoas utilizadas e nos testes efectuados entre os participantes no ensaio, significa que os únicos dados fiáveis para compreender o curso da doença são as taxas de hospitalização, casos Urgências e mortes:

É a única forma de avaliar a capacidade real das vacinas para eliminar a pandemia.

Na prática: visto que os dados apresentados são confusos, a única maneira de avaliar a eficácia é ver quantos vacinados desenvolvem a infecção. O que faz sentido. Continua Dohi:

Há uma clara necessidade de dados para responder a estas questões, mas o relatório de 92 páginas da Pfizer não mencionava os 3410 casos de “suspeita de Covid-19. Nem a publicação da Pfizer no New England Journal of Medicine. Nem nenhum dos relatórios da vacina da Moderna. A única fonte que parece te-los relatado é a revisão da vacina da Pfizer pela FDA [“Food and Drug Administration”, a entidade reguladora dos EUA, ndt].

Nos estudos também existem dados que não são muito compreensíveis e não é claro como outros medicamentos afectam o curso da doença, assim como permanecem obscuros os resultados sobre os anticorpos, as informações sobre os sintomas dos doentes na primeira semana após a vacinação e como estes dados não foram rastreados por organismos independentes.

Precisamos dos dados em bruto para abordar as muitas questões em aberto sobre estes estudos que requerem o acesso aos dados em bruto.

Mas nenhuma empresa parece ter partilhado os dados com terceiros, até este momento.

A Pfizer diz que está a disponibilizar os dados a pedido e sujeitos a revisão […] e Moderna diz que os dados poderiam estar disponíveis a pedido uma vez concluído o estudo.

O que significa isso? Significa em meados ou finais de 2022, uma vez que os rastreio está programado durante 2 anos. O mesmo se aplica à vacina Oxford/AstraZeneca, que publicará os seus dados na conclusão do estudo, para não mencionar a vacina russa Sputnik V para a qual não há planos de partilha de dados individuais dos participantes.

Na opinião publicada ontem, Doshi esclarece a metodologia utilizada para calcular a eficácia da vacina em 19% – 29% após algumas ressalvas apresentadas no espaço do BMJ dedicado à discussão. Algo importante porque uma correcta interpretação dos (já escassos) dados apresentados pelas casas farmacêuticas é fundamental. Sem entrar em pormenores técnicos (o artigo completo pode ser visionado directamente nas páginas do BMJ), a resposta de Doshi é bastante esclarecedora: os dados fornecidos até agora permanecem largamente incompleto.

Se muitos ou a maioria destes casos suspeitos se verificassem em pessoas que tivessem um resultado falso negativo no teste PCR, isto diminuiria drasticamente a eficácia da vacina.

Incrivelmente, em quase 3.500 casos apresentados no estudo da Pfizer o teste utilizado foi a simples zaragatoa, a mesma que segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) pode fornecer falsos positivos (ou falsos negativos) e cujo inventor afirmava que não deveria ser utilizada para fins diagnósticos.

Se muitos ou a maioria destes casos suspeitos se verificassem em pessoas com um resultado falso negativo no teste PCR, isto diminuiria drasticamente a eficácia da vacina. O que devo acrescentar é que, mesmo que fossem apenas alguns (ou seja, não muitos ou a maioria) dos 3410 casos, isto também teria o efeito de reduzir a eficácia da vacina contra a Covid-19, mas certamente menos dramaticamente do que se “muitos ou a maioria” fossem falsos negativos. Obviamente, quanto maior a taxa de falsos negativos, maior a redução da eficácia contra a Covid-19, e ninguém conhece a verdadeira taxa de falsos negativos nos ensaios, nem é claro para mim se todos os 3410 casos suspeitos de Covid-19 foram sequer testados (eu arriscaria um palpite de que a grande maioria foi testada, mas só sabemos que “não foram confirmados por PCR”).

Em última análise, os cálculos e as declarações sobre a eficácia reduzida da vacina destinam-se a realçar a necessidade de compreender melhor como foram conduzidos os estudos, e confirma Doshi:

Isto aplica-se a todos os ensaios de vacinas anti Covid-19, e não apenas ao ensaio da Pfizer e não apenas às vacinas mRNA, pois penso justo assumir que casos semelhantes ocorram em todos os ensaios.

Que se goste ou não, a população está a ser inoculada com vacinas cujos estudos estão longe de ser completo, com anexos dados insuficientes ou até duvidosos. As vacinas estão ainda numa fase experimental, o que não admira pois numa vacina “normal” todo o processo precisa de anos antes que seja possível apresentar dados definitivos.

Pessoalmente continuo a pensar que as vacinas anti-Covid serão um sucesso, construído também com o silêncio sobre as reacções adversas dum lado e o natural desaparecimento (ou melhor, a endemização entre a população) do SARS-CoV-2 do outro. Ficaria muito surpreendido no caso contrário, porque a inoculação representa um passo fundamental tendo em conta os futuros desenvolvimentos. Mas esta é outra história.

 

Ipse dixit.

17 Replies to “As vacinas são experimentais? Ehhhh… sim, são.”

  1. ‘Ficaria muito surpreendido no caso contrário, porque a inoculação representa um passo fundamental tendo em conta os futuros desenvolvimentos. Mas esta é outra história.’

    Max, sobre esta afirmação, não queres levantar a pontinha do véu?

  2. Aproveito para perguntar pelo P. Lopes? Onde anda? Eu não tenho vindo aqui ultimamente mas estou a estranhar a sua ausência.

    1. P.Lopes abandonou Informação Incorrecta.

      Vítima do Totalitarismo do autor (eu), pediu que houvesse um julgamento público com os Leitores como júri, mas este foi recusado pelo déspota (sempre eu). Heroicamente, escolheu o exílio. Pena, mas temos que respeitar a decisão, esperando que não seja definitiva e, entretanto, tentar sobreviver.

      1. Abandonei ? Exílio ? Bem … Eu tive de emigrar , ando um pouco ocupado mas não queria deixar passar a opurtunidade de brindar o meu amigo JF e sua eleita vacina Sputnik … parece quase uma história de amor entre um homem é uma vacina …

        1. P.Lopiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!!!!!!!!!

          As portas do blog sempre estão abertas para si. E quando não estiverem abertas é porque estão fechadas LOLOLOLOLOL

          Sério: bem vindo de volta.

          1. Ola Max. Olá Pessoal , tenho passado por aqui mas ando sem inspiração , tive de imigrar , ja tinha idade para ter algum sossego mas não só se vivem tempos difíceis como vão piorar, antes que o problema me atingisse saltei para cima dele … Epa … mas ando sem inspiração… o JF merecia melhor …enfim é o que se pode arranjar.
            P.S. Evitem injetar coisas no corpinho…

            1. P.Lopes,
              Caríssimo, bem aparecido!!!
              Olhei para a coluna da direita, e interrompi de imediato a leitura do ultimo post, para vir aqui comentar.
              Durante algum tempo cheguei a pensar que a Covid existia mesmo, para obrigar o pessoal a ficar de molho. LoL

            2. Ora bem-vindo P.Lopes… Já cá fazia falta a tua crítica mordaz e versos de “arrasar”.
              Tou falando sério… por tua causa, finalmente, já me ri a bom rir… grato.

        2. Seja bem-vindo (de novo) Sr. P. Lopes.

          Cheguei a pensar que finalmente tinha sido condecorado com a Medalha de Dom Afonso Henriques e o tivessem enviado para uma missão de paz, lá longe, tipo Líbano, dada a sua prolongada ausência neste blogue.

          1. Obrigado JF ! Sabes bem que nem que me enviassem para Marte assim que pudesse enviava te um poema. Não sou muito chegado a condecorações o mais próximo que estive disso foi uma repreensão agravada que levei no exército , uma perfeita injustica como deves calcular… e só aconteceu porque eu não consegui cumprir a minha promessa se tivesse conseguido cumprir a minha promessa teria sido crime militar … e aí sim seria famoso . Enfim … não tenho sorte nenhuma .
            Grande abraço JF e toma juízo… mantém te longe de seringas e próximo de enfermeiras … 😉

    1. JF tenho um conselho para ti
      Que fazias bem experimentar
      Se a vacina Sputnik já é boa
      Com 2 então, não vai falhar .

      Na nadega esquerda a Sputnik deves levar
      Na direita , uma capitalista qualquer
      Na nadega esquerda uma foice e um martelo tatuar
      Pois fica bem e a condizer

      Uma em cada nadega sem receio
      E no meio o que vais enfiar ?
      Uma garrafa de água de litro e meio …
      Que é para não desidratar !

      Quero apenas com isto dizer
      Que não tens noção do ridículo
      E se o meu poema te aborrecer …
      Enfia mais uma garrafa de litro !

      1. P.Lopes, nesse poema sinto que abusou da ternura, onde é que você arruma inspiração para compor versos tão bonitos?

        O J.F. andar por aqui e dizer que vai tomar vacina é a mesma coisa que um homem ir num bordel e na “melhor hora” dizer que é homossexual, a pergunta geral que fica é:

        “O que que esse cara tá fazendo aqui?”

  3. Para acompanhamento do estado de desenvolvimento das diversas vacinas e percepção da tecnologia usada, sugiro a consulta ao seguinte site… https://www.covid-19vaccinetracker.org/
    Atenção, existe alguns erros decorrentes do que me pareceu uma atualização tardia (não corrente).
    Exemplo, nas vacinas cubanas (Soberana 1, Soberana 2, Mambisa, Abdala), há diferenças entre o estado atual dos testes e o estado reportado na tabela (ver Soberana 2).
    Relativamente ás tecnologias usadas, é dada explicação demasiado simplificada, que no entanto permite distinguir os métodos mais tradicionais e/ou menos arriscados dos mais experimentais e/ou de maior risco.
    Refiro aqui como exemplo, explicitamente as vacinas cubanas, pois em função do método e tecnologia, parecem-me em 1ª instância, ser as que menos riscos apresentam entre as já disseminadas ás cobaias e as próximas a sê-lo.
    Para já nenhuma das que estão no mercado me oferece um mínimo de confiança… muito pelo contrário.

  4. “Segundo Doshi, a confusão entre falsos positivos e falsos negativos nas zaragatoas utilizadas e nos testes efectuados entre os participantes no ensaio, significa que os únicos dados fiáveis para compreender o curso da doença são as taxas de hospitalização, casos Urgências e mortes:”

    Essas taxas reais Max, serão sempre ocultadas, caso contrário poria em risco o plano todo.
    Basta o fracasso do vírus, que deveria matar muito mais gente.
    A esperança de aumentar substancialmente o número de mortes é a vacinação.
    Sussurra-se aqui e ali que a inoculação está a dar problemas, mas só. E cada vez mais, pelo menos no Brazil, são abertas covas rasas para as vítimas esperadas.
    Daqui a uns 50 anos, quando um Trump da vida, desclassificar documentos, esta história poderá ser contada. E dirão: que lástima. Tá vendo como os especialistas científicos também se enganam! Mas ainda assim, o povo insensato persistirá na confiança depositada na narrativa científica predominante. Quem sabe depois, muito depois, acordem.

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