Covid: fake news? The Guardian na primeira linha

Eis um óptimo exemplo de pura desinformação perpetrado por um dos mais conceituados órgãos de comunicação.

Na páginas do The Guardian do passado dia 21 de Novembro podemos ler um artigo no qual são feitas afirmações importantes por parte dum profissional de saúde:

 

A UCI* está cheia de não vacinados – a minha paciência com eles está a esgotar-se

[*Unidade de Cuidados Intensivos)

No hospital, a Covid-19 tornou-se em grande parte uma doença dos não vacinados. O homem na casa dos 20 anos que sempre escolheu o que comeu, fazia exercício físico no ginásio, era demasiado saudável para alguma vez apanhar a Covid. O homem de 48 anos que nunca chegou a fazer uma consulta.

A pessoa na casa dos 50 anos, cujo amigo tinha efeitos secundários. A mulher que queria esperar por mais provas. A jovem grávida preocupada com o efeito sobre o seu bebé.

A jovem de 60 anos, levada ao hospital com saturações de oxigénio de 70% pela ambulância que inicialmente chamou pelo seu parceiro, que tinha morrido quando chegou; ambas acreditavam que as empresas farmacêuticas subornavam o governo para que a vacina fosse aprovada.

Todos gravemente doentes com Covid. Todos não vacinados e anteriormente saudáveis. Tudo completamente evitável.

É claro que há pessoas que têm as vacinas mas que ainda assim adoecem. Estas pessoas podem ser idosas ou frágeis, ou ter problemas de saúde subjacentes. As pessoas com doenças que afectam o sistema imunitário, particularmente os doentes que fizeram quimioterapia para cancros sanguíneos, são especialmente vulneráveis. Algumas pessoas com pouca sorte e saudáveis acabarão também nas nossas enfermarias gerais com Covid depois de terem sido vacinadas, necessitando geralmente de uma quantidade modesta de oxigénio durante alguns dias.

Mas a história é diferente na nossa unidade de cuidados intensivos. Aqui, a população de doentes é constituída por algumas pessoas vulneráveis com graves problemas de saúde subjacentes e uma maioria de pessoas em forma, saudáveis e jovens não vacinadas por opção. Ao observar a mistura de doentes a entrar com Covid, parece-me que quase ninguém foi vacinado hoje em dia; claro que isto se deve ao facto de as pessoas que foram vacinadas estarem a seguir com a sua vida em casa. Se todos fossem vacinados, os hospitais estariam sob muito menos pressão; isto está fora de debate. A sua espera pela consulta/operação/diagnóstico da sua clínica seria mais curta. A sua ambulância chegaria mais cedo. Os relatórios da pressão sobre o NHS não são exagerados, prometo-lhe.

Além disso, lançámos recentemente um novo medicamento para doentes sem anticorpos contra a Covid. Custa cerca de £2,000 um tratamento e está sujeito a um rigoroso e moroso processo de aprovação para cada caso que tratamos. Adivinhe quais os doentes que não têm estes anticorpos (spoiler: não são os que foram vacinados).

A maior parte dos recursos que dedicamos à Covid no hospital estão agora a ser gastos com os não vacinados.

Sim, as vacinações são desagradáveis. Provocam efeitos secundários. Doem. Pode mesmo assim apanhar Covid depois. Tenho muitos colegas que se sentiram horríveis após a vacinação e alguns que tiveram de tirar um dia ou dois do trabalho. No entanto, ainda não ouvi falar de nenhum que tenha sido hospitalizado com Covid depois ou que tenha tido graves efeitos secundários. O processo de aprovação foi incrivelmente rigoroso e temos agora uma quantidade inacreditável de dados do mundo real de que estas vacinas funcionam. A ciência que tem sido aplicada aqui não é nada menos que inspiradora para mim. No entanto, compreendo que nenhum destes argumentos racionais mudaria a mente de alguém que está decidido a não a ter, embora suponho que isso possa empurrar alguém que permanece indeciso.

Como médico respiratório, passei toda a minha carreira a tratar pessoas cujas doenças pulmonares foram causadas pelo tabagismo, inclusive muito depois de conhecerem os riscos. […]

Traduzindo isto para a escolha de não tomar a vacina, no entanto, acho que a minha paciência está a esgotar-se. Penso que isto se deve a uma série de razões. Mesmo que não esteja preocupado com o seu próprio risco de Covid, não pode saber o risco das pessoas em cuja cara pode tossir; há um elemento perigoso e egoísta nisto que eu acho difícil de suportar.

Parte da minha frustração é dirigida para cima, para a desinformação flagrante que floresce em certos lugares e para o exemplo absolutamente lamentável que os nossos líderes continuam a dar. Nunca ouvi uma razão para não tomar a vacina com a qual concordei. Acima de tudo, porém, estou agora de volta vencido, exausto, desgastado pelo fluxo contínuo de pessoas que lutamos para tratar, quando elas deixaram conscientemente de ter a oportunidade de se salvarem. Isso deixa-me mesmo zangado. […]

Mas, fundamentalmente, para mim, tudo se resume a isto. Não consigo pensar num único caso de uma pessoa que anteriormente estava em forma e saudável e que acabou por necessitar de cuidados intensivos depois de ter sido totalmente vacinada. Isso não o pode impedir de apanhar o Covid. Mas pode salvar-lhe a vida quando o fizer.

 

Muito emotivo, sem dúvida. E rigorosamente anónimo: tudo o que o The Guardian diz é que o autor é “um consultor respiratório do NHS [o sistema de saúde público inglês, ndt] que trabalha em vários hospitais”.

NHS? Interessante, porque há um departamento do sistema de saúde inglês que publica regularmente um relatório acerca da evolução da Covid no Reino Unido: é o Covid-19 vaccine surveillance report, cujo último número apresenta os dados actualizados até a semana 46 (21 de Novembro de 2021). E vamos vê-los estes dados.

Comecemos com aquele que mais interessa neste artigo. O que diz o anónimo “consultor respiratório”? Que “no hospital, a Covid-19 tornou-se em grande parte uma doença dos não vacinados”? Que as “as pessoas que foram vacinadas” estão “a seguir com a sua vida em casa”? Pegamos no relatório publicado pelo sistema de saúde inglês e vamos ver.

  • Página 20, Quadro 4, Casos de Covid-19 que se apresentam aos cuidados de emergência (no prazo de 28 dias após um espécime positivo) resultando num internamento nocturno, por estado de vacinação entre a semana 42 e a semana 45 de 2021:

Totais não vacinados: 3.200

Totais vacinados (1 ou 2 doses): 6.560

Os vacinados com uma ou duas doses são o dobro dos internados de emergência nos hospitais.

Portanto, acerca do artigo do The Guardian: não há muito para acrescentar, trata-se dum falso clamoroso (não acaso anónimo) desmentido pelos dados do mesmo sistema sanitário inglês. Tanto as pessoas que se apresentam aos cuidados de emergência, quanto aquelas que são internadas e que morrem são maioritariamente vacinadas. Ponto final.

Dúvida: qual a necessidade de mentir de forma tão descarada? Por qual razão difundir informações que vão exactamente na direcção oposta àquelas apresentadas pelos dados? Para que pôr em risco a (já escassa) credibilidade dum meio informativo de renome mundial? Para quê enganar o público com um artigo inventado?

O que impede uma comunicação baseada apenas em factos cientificamente provados, substituídos por mentiras que distorcem a realidade e visam atingir emocionalmente o público?

Diz o anónimo: “Parte da minha frustração é dirigida para cima, para a desinformação flagrante que floresce em certos lugares”. Concordo: um destes lugares é The Guardian.

“A minha paciência com eles está a esgotar-se”. A minha já esgotou.

 

Os restantes dados

Mas já agora, vamos espreitar outros dados.

  • Página 19, Quadro 3, casos de Covid-19 por estado de vacinação entre a semana 42 e a semana 45 de 2021:

Casos de Covid-19:

Entre os não vacinados: 340.374

Entre os vacinados (1 ou 2 doses): 513.094


  • Página 21, Quadro 5a, Mortes por Covid-19 no prazo de 28 dias após a comunicação do espécime positivo ou com Covid-19 no certificado de óbito, por estado de vacinação entre a semana 42 e a semana 45 de 2021:

Mortes por Covid-19 no prazo de 28 dias após a comunicação do espécime positivo ou com Covid-19 no certificado de óbito:

Ente os não vacinados: 675

Entre os vacinados (1 ou 2 doses): 2.972


  • Página 22, Quadro 5b, Mortes por Covid-19 no prazo de 60 dias após a comunicação do espécime positivo ou com Covid-19 no certificado de óbito, por estado de vacinação entre a semana 42 e a semana 45 de 2021:

Mortes por Covid-19 no prazo de 60 dias após a comunicação do espécime positivo ou com Covid-19 no certificado de óbito:

Ente os não vacinados: 783

Entre os vacinados (1 ou 2 doses): 3.548


Acerca deste últimos dados, é preciso contextualizar os resultados. Na página 23 do relatório é possível encontrar o mais complexo Quadro 6, que reporta as taxas não ajustadas de infecção Covid-19, hospitalização e morte em populações vacinadas e não vacinadas por 100 mil casos.

Eis o Quadro 6:

O relatório afirma que as taxas desta tabela são “brutas” e que não têm em conta “subjacentes enviesamentos estatísticos”, sendo “provável que haja diferenças sistemáticas entre estes dois grupos populacionais” (vacinados e não vacinados), como por exemplo comportamentos e atitudes diferentes entre os dois grupos (página 24).

Além destas variáveis há uma outra que o relatório não cita: continuemos sem saber quantas pessoas morrem “de Covid” e quantas “com Covid”. Mas é evidente que este factor pode ter relevância apenas na taxa dos óbitos.

Tendo isso em conta, as taxas apresentadas no Quadro 6 mostram uma maior incidência de infecção, internamento e mortes entre os não vacinados, com uma maior prevalência entre as faixas etárias mais avançadas (a partir dos 60 anos, com o pico entre os maiores de 80 anos). Até os 50 anos de idade as taxas também entre os não vacinados são residuais, confirmando que a Covid-19 representa um perigo no caso de pessoas que somam outras patologias, portanto indivíduos já enfraquecidos.

No caso dos vacinados, as taxas de infecção e morte são inferiores, mas não podem ser ignoradas nas faixas etárias superiores: 17.2 e 20.3 entre 70 e 79 anos (nos não vacinados: 60.4 e 60.5. Em ambos os casos ignoramos a presença de eventuais doenças preexistentes); 56.5 e 66.6 para os maiores de 80 anos (140.1 e 155.5 entre os não vacinados).

Mesmo numa altura em que é discutida a opção para vacinar as faixas de crianças e adolescentes, é interessante notar como, segundo este relatório, as mortes entre quem tiver menos de 18 anos fica na casa de 0.1 em cada 100.000. E deste 0.1 não sabemos se tinha patologias preexistentes. Mesmo discurso em relação à faixa etária dos 18-29 anos: 0.3 casos (com anteriores problemas de saúde ou não?) em cada 100.000.

Mas tranquilos: com uma informação como aquela do The Guardian conseguirão convencer todos de que vacinar as camadas mais jovens também é imprescindível.

 

Ipse dixit.

4 Replies to “Covid: fake news? The Guardian na primeira linha”

  1. Nesta hora do campeonato, em que a Europa caminha para um estado bem pior que no ano passado, mesmo com mais de metade da sua população vacinada e da disponibilidade de “medicação”, que a impossição de um “passaporte” que apenas certifica que foi picado e em nada tem de fundamento em saúde ou medida de prevenção (pelo contrário, até dá relaxamento a quem o detêm), e que são utilizados todos meios, incluindo medidas de fazer inveja ao Josef, hoje fica apenas uma pergunta por responder: O que está dentro da vacina para forçar injectar toda a população?

  2. Inicialmente recusei a vacina, por suscitar-me inumeras dúvidas: Como aparecem vacinas em poucos meses, quando são necessários anos de pesquisa, experimentação e validação? Porque não surgiram previamente medicamentos? A linha temporal de descoberta, experimentação, validação e aplicação é-lhes 100% favorável. Como surge do “nada” a utilização do RNA m? Como não há debate científico? De onde vem toda esta unanimidade?
    Ontem fui convocada à Saúde Ocupacional. A partir de agora sou obrigada a fazer teste de COVID de 15 em 15 dias. Perguntei porque a obrigatoriedade só para os não vacinados? Resposta: Porque quem está vacinado, está imunizado!!!!
    E Não….quem me respondeu não foi um simples cidadão com a cabeça moldada pela informação veiculada. Foi um Médico!
    Vou parafrasear o Asterix “Estes Romanos estão loucos”
    O que se está a passar? Hipnotização mundial?

    1. Lembram-se de a uns meses? Só 10 dias para achatar a curva…. A esperança é a vacina para a imunidade de grupo…
      Pois bem, passado este tempo todo, e como a palavra imunidade de grupo deixou de existir na “ciência”, o que se passa é simples: Politicamente correcto! Para não seres rotulado de negacionista, conspiracionista, anti-vacinas, por mais que tenhas ainda 1 palmo de testa, acha-se que mentir/enganar é o único caminho.
      E assim está aberto o caminho para a ESTUPIDEZ DE GRUPO, onde só através da mentira e do engano a narrative flui. Como diz-se, para esconder uma mentira crian-se novas.

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