Nanotecnologia hoje. A amanhã?

A notícia é esta: os investigadores da Universidade John Hopkins fabricaram uma máquina muito pequena, menos do que um grão de pó, que até com uma zaragatoa (o “esfregaço” nasal para detectar a terrível Covid-19) poderia ser inserida perto do cérebro. No caso do paciente ter um cérebro. Oh, que fique claro: é tudo para o nosso bem pois a máquina é um dispensador de medicamentos e de vacinas.

Lembramos: o Johns Hopkins Center for Health Security foi o anfitrião do Event 201, uma simulação pandémica de alto nível (colaboração do Fórum Económico Mundial e da Fundação Bill e Melinda Gates) que teve lugar em New York no dia 18 de Outubro de 2019. Um mês antes da descoberta do Coronavirus em Wuhan, na China. Estes conspiradores têm uma sorte desgraçada também: tudo parece coincidir.

Mas voltemos à micro-máquina com as palavras dos inventores, os investigadores da Escola de Medicina John Hopkins:

Inspirados por um verme parasita que escava com os seus dentes afiados no intestino do hospedeiro, os investigadores da John Hopkins conceberam minúsculos micro-dispositivos em forma de estrela que podem ligar-se à mucosa intestinal e libertar medicamento no corpo.

“Ehi!” dirá o esperto Leitor, “Aqui fala-se de micose intestinal, não do cérebro!”. Calma, querido Leitor, calma. Em primeiro lugar é “mucosa intestinal” e não “micose”. Depois: um pouco de paciência, pode ser? Em frente.

Esquerda: theragrippers triste (fechado). Direita: theragrippers feliz (aberto)

Feitos de metal, duma fina película que muda de forma e revestidos com uma parafina sensível ao calor, os theragrippers (este o nome dos coisos), cada um com aproximadamente o tamanho de um grão de pó (entre 1.6 e 3.1 μm), podem potencialmente transportar qualquer medicamento e libertá-lo gradualmente no corpo. A equipa publicou esta semana os resultados do ensaio com animais na revista Science Advances.

A libertação gradual ou prolongada de um medicamento é um objectivo há muito procurado na Medicina. Florin M. Selaru, um dos inventores, explica que um problema com os medicamentos de libertação prolongada é que muitas vezes atravessam inteiramente o tracto gastrointestinal antes de ter libertado os medicamentos:

A constrição e o relaxamento dos músculos do tracto gastrointestinal tornam impossível que os medicamentos de libertação prolongada permaneçam no intestino tempo suficiente para que o paciente receba a dose completa. Trabalhámos para resolver este problema concebendo estes pequenos transportadores de medicamentos que podem fixar-se à mucosa intestinal e manter a carga medicamentosa no interior do tracto gastrointestinal durante o tempo que for desejado.

“Ehi!” dirá o astuto Leitor, “Aqui fala-se de tracto gastronómico, não do cérebro!”. Calma, querido Leitor, calma. Em primeiro lugar é “gastrointestinal” e não “gastronómico”. Depois: mais um pouco de paciência, pode ser? Em frente.

Milhares de theragrippers podem ser utilizados no tracto gastrointestinal. Quando a parafina que reveste os grampos atinge a justa temperatura no interior do corpo, os grampos fixam-se à parede do cólon com uma força de pmax=1/π(6FE*2/R*2)*1/3, exactamente o que estava a pensar esta manhã enquanto aparava a barba, olhem as coincidências. A acção faz com que os minúsculos dispositivos penetrem na mucosa e permaneçam presos ao cólon, onde são retidos e onde libertam gradualmente as úteis cargas do medicamento. Finalmente, os theragrippers perdem a aderência ao tecido e são expulsos do intestino através da função muscular gastrointestinal. Deixo ao perspicaz Leitor imaginar qual a saída utilizada.

Explica David Gracias, outros dos inventores, que ao longo dos últimos anos tínhamos assistido à introdução de micro-dispositivos dinâmicos inteligentes que podiam ser controlados por sinais eléctricos ou químicos mas, como ele mesmo diz:” Estes grampos são tão pequenos que pilhas, antenas e outros componentes não se aplicam”. De facto, os theragrippers não dependem da electricidade ou de controlos externos:

Em vez disso, funcionam como pequenas molas comprimidas, com um revestimento activado pela temperatura, que libertam a energia armazenada de maneira independente.

Os investigadores da John Hopkins fabricaram os dispositivos com cerca de 6.000 theragrippers para cada biscoito de silício de 3 polegadas (um pouco mais de 7.6 centímetros). Nas experiências com animais, foi inserido um medicamento analgésico nos grampos. O fármaco permaneceu nos sistemas dos sujeitos em teste durante quase 12 horas contra as duas horas do grupo de controlo.

“Ehi!” dirá o genial Leitor, “Aqui fala-se…” Ó querido Leitor, não confia naquilo que digo? Então observe isso:

“Ehi!” dirá o inteligente Leitor, “Mas o vídeo está em polaco e eu não falo polaco!”. Calma, querido Leitor, calma. Em primeiro lugar é inglês e não polaco. Depois: vamos ler uns artigos relacionados, pode ser?

O assunto é a Nanoterapia e não é novo: há anos que os pesquisadores trabalham nisso. Os artigos disponíveis são vários e aqui sinalizo um par deles:

Juntos vamos ler este:

Abordagem nanoterapêutica para a entrega directa do nariz ao cérebro

Autores: Shadab Md, Gulam Mustafa, Sanjula Baboota, Javed Ali

Síntese

Antecedentes: As doenças cerebrais continuam a ser a principal causa de incapacidade no mundo e constituem mais hospitalizações e cuidados de longo prazo do que quase todas as outras doenças combinadas. A maioria dos medicamentos, proteínas e péptidos não penetram facilmente no cérebro devido à presença da barreira hemato-encefálica (BBB), impedindo assim o tratamento destas condições.

Objectivo: O foco tem sido o desenvolvimento de novos e eficazes sistemas de entrega para proporcionar uma boa biodisponibilidade no cérebro.

Métodos: A subministração intranasal é um método não invasivo de subministração de medicamentos que pode contornar o BBB, permitindo às substâncias terapêuticas o acesso directo ao cérebro. Contudo, a administração intranasal produz concentrações bastante baixas de medicamentos no cérebro devido à permeabilidade limitada da mucosa nasal e ao severo ambiente da cavidade nasal. Estudos pré-clínicos usando encapsulamento de medicamentos em sistemas de nanopartículas melhoraram a transicção do nariz para o cérebro e a biodisponibilidade cerebral. No entanto, os efeitos tóxicos das nanopartículas na função cerebral são desconhecidos.

Resultado e conclusão: Esta revisão destaca a compreensão de várias doenças cerebrais e os importantes mecanismos fisiopatológicos envolvidos. A revisão discute o papel da nanoterapia no tratamento de doenças cerebrais através do fornecimento do nariz ao cérebro, os mecanismos de absorção de medicamentos através da mucosa nasal ao cérebro, estratégias para ultrapassar a barreira hemato-encefálica, estratégias de nanoformulação para uma melhor orientação do cérebro através da via nasal, e problemas de neurotoxicidade das nanopartículas.

Pelo que, querido Leitor, a síntese é que há anos é estudada a possibilidade de introduzir no nosso corpo nanopartículas capazes de atravessar as naturais barreiras orgânicas. Uma das estradas em foco tem sido a subministração nasal e hoje, com a invenção da Universidade John Hopkins, é possível introduzir estas nanoparticulas (os tais theragrippers) também no cérebro através duma simples zaragatoa.

Conclusão

Agora, abandonando a fácil ironia, perguntamos: tudo isso é bom ou mau? Na minha óptica é excelente porque amplia enormemente as capacidades terapêuticas contra doenças que são terríveis. Mais: isso tem o potencial de facilitar e optimizar a subministração de medicamentos no geral.

A Nanotecnologia pode ser utilizada para fins médicos lícitos tal como ilícitos? É evidente, mas esta é a história de qualquer invenção humana, não há por aqui novidade nenhuma. O que queria realçar com este artigo é outro ponto.

Quantos entre nós sabiam disso? Quantos sabiam da Nanoterapia e das suas potencialidades? Quantos sabiam de micro-máquinas que podem fixar-se com grampos nos nossos órgãos internos ao longo dum tempo estabelecido? Quantos sabiam que com uma simples zaragatoa é possível inserir na zona do cérebro uma minúscula máquina que desenvolve uma função pré-determinada (não por nós, claro)?

Isso significa que a Covid-19 é apenas um disfarce para introduzir nos cérebros dos testados os     theragrippers para estes poderem ler, transmitir e/ou induzir pensamentos? Absolutamente não: não acredito em algo assim, de forma nenhuma. A pantomina Covid/zaragatoas tem outros objectivos (inclusive: se os theragrippers tivessem já hoje a capacidade de ler ou transmitir o pensamento, nem haveria a necessidade de espalhar pânico com Coronavirus) e acho que estamos ainda longe dum cenário como este.

Mas, talvez, não tão longe de como teríamos imaginado antes de ler este artigo, não acham?

 

Ipse dixit.

8 Replies to “Nanotecnologia hoje. A amanhã?”

  1. Meu caro isso é absolutamente aterrador , vou ja beber mais um conhaque para me fortalecer , por isso e porque esta um aborrecido dia de chuva, mas meu caro, a investigação científica é cara … se calhar existem outros métodos mais baratos e que conseguem fazer os efeitos desejados e alguns deles bem simples como a capacidade de legislar e empurrar os tribunais a polícia o exército a opinião pública e mais um par de botas para cima dos ” vilões ” senão veja este simples método.

    https://elpais.com/internacional/2020-12-09/putin-acorrala-a-los-opositores-con-una-ley-que-permitira-etiquetarlos-como-agentes-extranjeros.html

    Veja lá se isto não é bem mais barato e eficaz do que investigação científica.

    1. Vão-se “cavando” as trincheiras…
      E, trabalha-se afincadamente em alternativas económico-financeiras de desenvolvimento, cativando influências e posições para a imprescindível geo-estratégica de “amanhã” (2030 deadline)…
      *ttps://www.zerohedge.com/geopolitical/escobar-us-hits-search-destroy-against-new-silk-roads
      P.S. Não desconsiderar o descrito, só porque advém de uma posição anti-império ocidental e pró-império oriental.

      1. P.S. Como não desconsiderar algo que é pró-império ( seja ele qual for) quando sabemos que o império é contra as pessoas …continua a ser merda, apenas com um cheiro diferente…
        Muda-te para lá e vai pregar esse discurso aos milhões de empregados/escravos chineses que tem uma existência miserável ligados as maquinas, sem vida própria, para produzir esse resultado que o governo de Xi Xi Ping tanto se orgulha.

        transcrição : ( só um pequeno excerto)
        6. Reinforcing Hong Kong and Taiwan as Trojan Horses to destabilize China.

        Portanto Hong Kong e especialmente Taiwan estão a destabilizar a China ? China não esta destabilizar ninguém?

        1. Não desconsiderar é uma sugestão, desconsiderar é um risco.
          Não falo de escolhas ou preferências, falo de factos, desenvolvimentos que fazem o seu caminho.
          A China faz o seu papel, tal como os EUA o fizerem a partir dos anos 50.
          Portugal está na UE e tem feito concessões e privatizações a corporações chinesas.
          Nem de perto somos os únicos, pelo contrário parece prática comum entre os países da UE.
          O cenário financeiro desconheço, mas até ver nós estamos com o “garrote” do BCE/BIS no pescoço.
          Ao nível social, já estivemos mais longe do autoritarismo chinês e a diferença tende a desaparecer.
          Aliás, é precisamente isso que penso ser um dos grandes objectivos do “The Great Reset”.
          Por isso… pensar em emigrar é opção? Para mim sim, só não sei para onde (ainda).

          1. Meu caro alfbber emigrar é sempre opção… mas não para a China . China está a fazer o mesmo caminho dos EUA e a cometer os mesmos erros , peço desculpa pelo excesso de linguagem e aceito os seus argumentos de que desconsiderar é um risco , mas ver a propaganda manhosa desses assalariados chineses que vendem propaganda travestida de informação é desconcertante , tenho respeito por uma prostituta que a isso se vê forçada mas nenhum respeito por esses pseudo ” jornalistas” meu caro alfabber se tiver que ir desejo lhe o melhor , desejo lhe a Escandinávia.

            1. Agradeço a sugestão. É por demais evidente. Mas…
              Mesmo sendo as melhores sociedades, também para mim seriam a escolha certa, mas não há bela sem senão. Demasiado próximas do “problema” NATO/OTAN, logo no meio da “refrega”.
              Uma, a Dinamarca, já totalmente rendida ao “Império das Sombras”. Valeu-lhe povo, desta vez. Podessemos nós dizer o mesmo do nosso e emigrar não precisava de ser opção.
              E, lá faz frio e muito :)… confesso-me um “animal” de climas mais amenos.
              As opções sofríveis, ficam-se pelo hemisfério sul. O do norte caminha prás sombras.
              Ainda há tempo para ponderação e preparação (alguns anos)… penso eu de que.

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