As grandes guerras da história, tivemos uma guerra a cada 100 anos nos últimos quatro séculos, são o resultado directo ou indirecto do crescimento desigual das nações, e o crescimento desigual não é inteiramente devido ao aumento do génio ou da energia de algumas nações em comparação com as outras, é essencialmente o resultado da distribuição desigual da fertilidade e da oportunidade estratégica na face do nosso globo.
Em outras palavras, na natureza não existe algo como a igualdade das oportunidades para as nações.
A menos que eu tenha entendido completamente mal os factos da geografia, gostaria de ir mais longe e dizer que o agrupamento das terras e dos mares, e da fertilidade e das estradas naturais, é tal que implica o crescimento dos impérios, para acabar com um único império mundial.
Se desejarmos realizar o nosso ideal duma Liga das Nações para impedir a guerra no futuro, temos de reconhecer estas realidades geográficas e tomar medidas para neutralizar a influência delas.
No dia 17 de Setembro de 2009, houve público suspiros de alívio ao redor do mundo e dos povos da Europa Oriental, quando o Presidente Barack Obama disse que o escudo anti-mísseis dos EUA na Polónia e na República Checa tinha sido anulado.
Parecia que o planeta estivesse a caminho da paz. Conrad Black, num editorial no Canadá, até foi tão longe ao ponto de sugerir a criação de novas esferas de influência na Eurásia com Moscovo:
Devemos, portanto, retornar a uma versão benigna da antiga arte da subdivisão da Eurásia (mas não da Polónia) com a Rússia. Devemos cooperar com a Rússia na eliminação do extremismo nas ex-repúblicas soviéticas da Ásia, incluindo a Chechênia, e deixar que eles mantenham duas províncias da Geórgia, as que de facto tomaram em 2008, e a metade oriental, de língua russa, da Ucrânia e da Bielorrússia, se é isso que aqueles povos querem, e trazer o resto de forma permanente na NATO e na UE.
Mas o projecto dum escudo anti-mísseis perto da fronteira com a Rússia não está abandonado.
O projecto militar dos EUA está em fase de expansão, como tinha sido originalmente planeado na década de ’90. Envolverá uma frota de navios que circundam a Eurásia desde o Mar Báltico, Mar Negro e Mediterrâneo oriental, até o Golfo Pérsico, Mar da China Meridional e Mar Amarelo. Os componentes terrestres do escudo anti-mísseis também serão mantidos e ampliados nos Balcãs, Israel, Coreia do Sul e Japão.
As peças de xadrez para um colossal projecto geo-estratégico são implementadas e reunidas. O objectivo último deste projecto é o cerco e o controle da Eurásia por meio duma infinita expansão da máquina militar. Embora estes desenvolvimentos são mal coberto pelos media, o destino da humanidade está literalmente no fio da navalha.
É por causa deste projecto para a conquista da Eurásia que a Rússia, a China e o Irão aproximaram-se uns dos outros, e levou a uma frente unida contra os EUA e os seus companheiros na Eurásia.
Todas as três nações da Eurásia estão rodeadas por um anel de bases militares dos EUA, alianças militares dominadas pelos EUA e a NATO, por governos hostis apoiados e armados tanto pelo governo quanto pelos militares dos Estados Unidos.
A guerra entre a Rússia e a Geórgia na Ossétia do Sul, os ataques terroristas nas províncias da fronteira iraniana, as tensões entre Coreia do Norte e Coreia do Sul, os motins no oeste da China, e as ondas das chamadas “revoluções coloridas” no Líbano e na Moldávia, até a Ásia Central e do Sul, são partes integrantes deste confronto geo-político.
A dimensão global do processo de militarização não se limita à Eurásia.
Desde a América Central e do Sul até a África, do Círculo Polar Ártico até o Oceano Índico, os principais ingredientes para a III Guerra Mundial são montados.
A Rússia, após o reaparecimento no dia 26 de Dezembro de 1991, tem sido inundada com incertezas. A sua elite foi confrontada com a questão de não sucumbir à UE e aos EUA, para não tornar-se um parceiro menor ou até um Estado dependente.
A re-emergente nova Rússia também enfrentava todas as condições do colapso econômico e social dos chamados “Estados falidos”.
Após a desintegração da URSS, a política atlantista e ocidental e a politica eurasiática, na Rússia e em outras ex-repúblicas soviéticas, estavam em conflito, quando os leaders começaram a procurar um lugar na ordem mundial do pós-guerra fria.
Os círculos pro-Ocidente no espaço pós-soviético estavam a empurrar para um alinhamento estratégico com o Ocidente. Favoreciam uma política pró-europeia, incluindo uma forma de integração com a UE, bem como um movimento em direção do sistema político da Europa.
Por outro lado, os círculos pro-Euroásia eram a favor duma cooperação estratégica com as potências asiáticas, e a cooperação com a Europa.
Esta abordagem era motivada pelo carácter dual europeu e asiático da Federação russa e do espaço post-soviético. Os pro-Euroásia também sabiam que o próximo século é o que vai ver a ascensão da China como uma superpotência mundial, e que a região da Ásia-Pacífico será o centro da economia mundial e das relações internacionais.
A Rússia enfrenta a Europa e a Ásia e os pro-Ocidente e os pro-Euroásia lutam para conquistar os círculos políticos do Kremlin.
Com a expansão da NATO e uma vez percebido que a Federação Russa era um alvo dos Estados Unidos, a balança começou a inclinar-se a favor da Eurásia.
A visão pro-Euroásia, a que mais tarde seria chamada doutrina Primakov, pode prevalecer sobre a visão politica pro-Ocidental e europeísta em Moscou.
O arquitecto da doutrina foi Evgenij Primakov. Primakov foi ministro das Relações Exteriores da Rússia entre 1996 e 1998 e, mais tarde, tornou-se primeiro-ministro da Rússia, em 1998. Primakov cumpriu todos os esforços para a Rússia adoptar a política estratégica do multilateralismo global e aprovar o conceito duma política estratégica pro-Euroásia no Kremlin.
Acaba aqui a primeira parte do artigo. A segunda parte está disponível neste link.
Fonte: Global Research via Eurasia
Tradução: Informação Incorrecta





