A Guerra (quase) Fria

Quem é Shahram Amiri?

É um cientista nuclear iraniano que foi raptado pela CIA. Talvez não. Talvez seja só um cientista que decidiu voar até os EUA para um doutorado. Talvez voou até os EUA e ali foi raptado pela CIA. Ou foi o cientista que raptou a CIA enquanto deixava os EUA? E que tema  ver com tudo isso Hillary Clinton?

Uma história confusa.
O que é certo é que já não há as bonitas operações de uma vez. As entre EUA e União Soviética.
Ahhh, que saudade: aquela era uma guerra fria à sério, com serviços secretos há maneira. Não estes….

A espia que nada sabia

Às 18:30 da passada Segunda-feira, um táxi anónimo descarregou um pesquisador iraniano na frente da embaixada paquistanesa em Washington, onde se encontra a sede diplomática de Teheran que cuida dos interesses da República Islâmica nos Estados Unidos. Cientista nuclear com um papel não totalmente claro em pátria, 32 anos de idade, Shahram Amiri tinha desaparecido de repente na Primavera de 2009 durante a ‘umra (peregrinação) para Medina, Arábia Saudita, levantando mais de um suspeito imediato sobre o envolvimento da CIA na sua morte.

O desaparecimento de Shahram Amiri do seu quarto do hotel saudita, no dia 03 de Junho do ano passado, abriu um novo capítulo no conflito entre Irão e EUA. De acordo com o governo de Teheran, a operação tinha que ser atribuída à principal agência de intelligence americana, orquestrada para obter uma valiosa fonte de informações acerca no programa nuclear iraniano. Segundo Washington, por outro lado, Amiri havia desertado de sua própria vontade e, igualmente, sem pressão tinha escolhido contar o que tinha aprendido ao longo da sua utilização no Irão.

Shahram Amiri

Imediatamente após o provável sequestro, o Irão manifestou a sua decepção com o comportamento americano, pedindo ao Secretário-Geral das Nações Unidas de trabalhar para o retorno do pesquisador. Assumindo um qualquer papel na história, a CIA tinha confirmado a transferência imediata de Amir da Arábia Saudita para os Estados Unidos. Aqui, de acordo com Teheran, ele tinha sido preso e torturado para obter informações secretas.

Seja como for, numa certa altura a CIA inseriu Amiri num programa de protecção para fugitivos, encontrando residência em Tucson, Arizona. De acordo com a reconstrução, no início de 2010, o desejo de colaboração do cientista iraniano começou a enfraquecer, pois havia preocupações acerca de possíveis represálias por parte das autoridades de Teheran contra a mulher e o filho que tinham ficado em pátria.

Para adensar o mistério criado em torno do destino do cientista, desaparecido no território do principal aliado americano no mundo árabe, tinha sido então o aparecimento de uma série de vídeos contraditórios em internet. No primeiro, datado de 05 de Abril de 2010, um Amiri cansado descrevia em idioma persa o seu sequestro. A operação, segundo ele, tinha sido organizada pela CIA e pela intelligence da Arábia Saudita. Após a injecção duma substância desconhecida, Amiri tinha caído no sono e ao acordar, percebeu de estar a voar em direcção dos EUA.

Apenas algumas horas após o primeiro vídeo, no YouTube  aparece um segundo, feito de forma muito mais profissional, o que pode sugerir a contribuição da própria CIA. Meticulosamente bem mantido na aparência, Amiri falava numa sala bem iluminada, possivelmente uma biblioteca, com um globo e um tabuleiro no fundo. Neste vídeo, negava que ele tivesse sido raptado, dizendo ao contrário de ser espontaneamente chegado nos Estados Unidos para assistir a um doutorado e, uma vez concluído, retornar à sua família no Irão.

Definia como falsos os vídeos difundidos anteriormente e negava ter qualquer interesse na política ou ter alguma experiência em armas nucleares. Posteriormente, um terço vídeo foi carregado, cujo conteúdo parece semelhante ao do primeiro.

Se para os Iranianos o primeiro e terceiro vídeo eram a prova do rapto de Amiri, para a intelligence americana foram ditados unicamente pelo medos acerca da família, até que no fim teria chegado um pedido para regressar ao Irão. Uma vez na Embaixada do Paquistão, Amiri disse à televisão estatal iraniana de ter sido submetido a “enorme pressão psicológica, sob a supervisão de guardas armados durante os últimos 14 meses” e acrescentou que o seu sequestro era um acto inaceitável”.

A negar qualquer acto ilícito tem sido o Secretário de Estado em pessoa, Hillary Clinton, insistindo que o cientista iraniano tinha chegado do seu próprio país e que estava livre de sair a qualquer momento, coisa que depois fez. Os meios de comunicação iranianos, em contrapartida, alegam que as autoridades americanas decidiram libertar Amiri depois de constatar o próprio fracasso “de plano de propaganda para desacreditar o programa nuclear iraniano”, criando artificialmente entrevistas com um cidadão da República Islâmica.

Se por trás da história de Amiri permanecem zonas obscuras, é possível que os serviços de intelligence norte-americanos nas últimas semanas tivessem começado a sentir alguma pressão, o que levou o alegado exilado a acabar na embaixada do Paquistão. As acusações do Irão estavam de facto a aumentar e, no início de Julho, o Ministério das Relações Exteriores tinha convocado o responsável dos negócios da embaixada da Suíça, que cuida dos interesses americanos no Irão, apresentando uma série de documentos que teriam provado a responsabilidades da CIA no rapto.

A Clinton comenta a operação da CIA

No dia após o aparecimento de Amiri em Washington, o network iraniano Press TV emitiu um comunicado dos serviços secretos do Irão, no qual foi explicado como ao pesquisador tivessem sido prometidos dez milhões de Dólares para aparecer na CNN e anunciar a intenção de desertar para os Estados Unidos. A prática de rapto de pessoas capazes de fornecer informações classificadas sobre o programa nuclear do Irão por parte da CIA, por outro lado, não é nova. No início de 2007, por exemplo, o ex-vice-ministro da Defesa, Ali Reza Asgari provavelmente foi sequestrado com uma acção conjunta da CIA e do Mossad durante uma viagem a Istambul, na Turquia.

A diminuir o interesse dos serviços em Shahram Amiri, e a decretar o fracasso substancial da operação inteira, foi também a provável falta de conhecimento do suposto “segredo” nuclear do Irão. Pesquisador da Universidade Malek Ashtar de Teheran, segundo alguns ligada ao Ministério da Defesa e ao Corpo da Guarda Revolucionária, Amiri não teria a experiência suficiente para entrar em contacto com os dirigentes do programa nuclear.

Talvez algumas indicações poderão ser obtidas após a sua chegada no Irão, do qual Amir falta há treze meses. O certo é que a controvérsia em torno da sua história continuará a alimentar a guerra fria das últimas três décadas entre os dois Países inimigos.

Fonte: Fantapolitik

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