Bla bla bla.
Muitas palavras, muitas ideias. Mas afinal o que conta são os dados.
Deixamos de lado as especulações e as tendências de curto prazo e tentamos enfrentar a realidade, pois tudo é possível.
High Frequency Trading e inteligências artificiais dominam sem contraste (em caso de dúvidas ler aqui). E somente aqueles que não entendem como funciona a nova finança virtual ou os mais românticos podem estranhar.
Por aqui continuamos a pensar que o tempo irá dar razão à realidade.
Então vamos ver esta economia real.
InterMarket & More apresenta dois gráficos. Muito interessantes.
Dois gráficos? Em verdade um conjunto de muitos gráficos que têm como protagonistas os seguintes Países:
Estados Unidos (que ainda conseguiram não falir)
Zona Euro (que ainda não implodiu)
Japão (País em coma vegetativo)
Alemanha (quase saudável)
França (pré-coma)
Italia (coma)
Enfim: o top mundial da economia. O que diz muito acerca da nossa situação…
E agora o primeiro gráfico, directamente em versão extra-large para ser apreciado da melhor forma:
Em cada gráfico estão presentes o índice de crescimento da produção industrial (azul) e o indicador antecipado (12%, amarelo). Um indicador, este último, do qual nunca falámos até hoje mas que no passado deu para ver eventuais “travagem” da produção industrial e da economia. Um óptimo indicador.
Considerações: o crescimento industrial subiu, e muito, desde a fase negativa de 2009. O que é normal, uma vez que foi ultrapassado o ponto mais baixo da crise.
Todavia há uma inversão de tendência. Se o crescimento industrial continua em alta no Estados Unidos e na Zona Euro, o indicador antecipado inverteu o rumo em todas as áreas.
Avaliação pessoal:
Que significa? Recessão? Double Dip? Catastrofe?
Não. Significa que o impulso pós-ponto-mais-baixo-da-crise acabou.
Foi um impulso natural?
Em parte sim, é na natureza das coisas: depois duma queda há (quase) sempre uma subida.
Foi induzido?
Em parte sim. Em boa parte sim. Como seria hoje sem as ajudas da Administração americana? Sem o plano de resgate da União Europeia? Sem as intervenções com dinheiro público para salvar bancos, financiarias, empresas…?
Problema: as ajudas acabaram. Ah, pois é. Rien ne va plus, o cofre está vazio.
O Congresso americano já disse que não há espaço para novos “estímulos”.
E na Europa começa a ser difícil destilar outro dinheiro dos contribuintes.
Por isso a economia terá agora que caminhar com as próprias patinhas.
E aqui entra o segundo gráfico.
O assunto aqui é constituído por dois índices: o Empire State Manufacturing e o Philadelphia Fed.
O primeiro é um levantamento feito pela Federal Reserve de New York e é baseado numa sondagem realizada entre os gestores de empresas de manufactureira no Estado de New York.
O segundo é um índice que mede as condições actuais no sector industrial do distrito de Filadélfia, que é o terceiro maior dos Estados Unidos. Decorre duma investigação por parte da Federal Reserve de Filadélfia sobre a saúde geral da economia e das empresas.
Versão extra-large, outra vez:
O Empire NY (laranja), segundo os analistas, deveria ter alcançado o valor 18. Mas parou no 5,08.
O Philadelphia FED (verde) era suposto chegar ao nível 10 mas atingiu quota 5,1.
Mas o que preocupa aqui é a tendência: negativa, em ambos os casos.
Então? Recessão? Double Dip? Catástrofe?
Não, pois estamos perante dois índices estatísticos, válidos apenas para orientação, uma vez que são baseados em sondagens.
Mas…mas não deixa de ser curioso o facto, já realçado várias vezes, de que as Bolsas, muitas vezes assim sensíveis perante notícias bem menos relevantes, continuem a apresentar dados positivos (embora hoje tenha havido uma ligeira queda em Europa, enquanto Wall Street recuperou as perdas iniciais).
É o factor High Frequency Trading? Culpas das inteligências artificiais? Não pode ser só isso.
Há um optimismo “induzido” no ar, não baseado em factos reais.
O melhor é esperar para ver.
Como foi dito no início: continuamos a pensar que o tempo irá dar razão à realidade.
Novos indicadores hão de aparecer, e nós sempre aqui estaremos.
Sem pessimismo, só com realismo.
Ipse dixit.
Fonte: InterMerket&More



