GEAB 43 – Parte III: Os oito Países mais em risco

E agora a terceira parte do GEAB nº 43.

A primeira parte pode ser lida aqui, a segunda aqui.

O nosso team acha que no final de 2012, com as eleições nos Estados Unidos, Europa e China, haverá a última janela de oportunidade para aprender a lição que deriva destas controvérsias monetárias e provar, com novos leader, a refundar um sistema monetário mundial. Todavia, poderá ser um caso de oportunidade não explorada como na Primavera de 2009. Para o bem e para o mal o 2012 será o ano de transição deste assunto.

Ao mesmo tempo, os bancos mundiais e as instituições financeiras são maioritariamente insolventes (por causa da contínua desvalorização dos asset nos livros de balanço) embora já fornecidas (temporariamente) de liquidez pelos bancos centrais, e continuarão a reservar surpresas desagradáveis.

O rápido aumento das falências bancárias nos EUA (segundo o FDIC 10% dos bancos está hoje em dificuldade) será acompanhado com ulteriores insolvências em todo o mundo, em particular por parte dos actores financeiros que em 2006 e 2007 juntaram mais dívidas do que o permitido, no topo da bolha financeira, e que deverão ser pagas em 2010 e 2011.

Fase 2: Controvérsias comerciais – Q3 2010 / Q4 2013 

As guerras comerciais alimentadas pelo aumento indiscriminado de taxas alfandegárias, medidas de vingança (com cada vez mais recursos ao WTC), decisões políticas que limitam ou proíbem a transferência de capitais ou actividades económicas, um aumento de aquisições públicas com “prioridade nacional ou regional”, a exclusão de facto de alguns actores económicos ou financeiros por causa da nacionalidade…

Não comentamos o último aspecto, acerca do qual já falámos, segundo o qual alguns operadores financeiros ficam excluídos de alguns mercados (como os bancos americanos na zona Euro). O relacionamento comercial China-América ainda uma vez está no centro desta disputa.

A questão da paridade Yuan-Dólar é uma parte fundamental. Os Estados Unidos, com um presidente oriundo de um partido democrático em graves dificuldades na véspera das eleições de Novembro de 2010, aumentará a pressão sobre Pequim, incluindo taxas de alfândegas indiscriminadas caso não haja uma re-avaliação significativa do Yuan.

Em ambos os casos é certo que Pequim mostrará agressividade na defesa da própria quota de mercado, evidenciando mau estar. A opinião pública conta na China também.

Depois do colapso das soluções no âmbito ambiental relativas ao problema do sobreaquecimento global, os Europeus irão jogar a “carta ambiental” para justificar políticas de importação mais apertadas para a Ásia e os EUA também.

Embora todo o mundo tenha os olhos no eixo Washington-Pequim, as dimensões das transacções comercias nos dois lados do Atlântico acabarão por dar a melhor indicação do estado da guerra comercial.

Os recentes dissabores acerca dos meios aéreos de abastecimento das forças aéreas Estadunidenses mostra aos leader europeus (Britânicos também) que Washington não aceita o jogo dos mercados abertos e começa a pensar num jogo “no-win“.

Nestas duas zonas não faltam exemplos onde é possível ter fricção comercial: ao longo dos próximos três anos levarão a uma queda de valor e volume do comércio entre os Países do Atlântico Norte.

Fase 3: Crises dos Países – Q4 2009 / Q3 2010

Colapso ou enfraquecimento sério da capacidade de contrair dívida por causa dos deficit públicos, não pagamento pelas públicas autoridades…

Os eventos de Reino Unido e Estados Unidos não evolui segundo os tempos previstos pelo nosso team no ano passado, mas o rasto de pó (TNT?) deixado pela Irlanda, Dubai, Grécia…leva claramente em direcção de Londres e Washington.

A crise grega levará Eurozona a preparar os próprios instrumentos para moderar os riscos de outras crises de dívida soberana de Eurolândia. Ao olhar a lista dos oito Países, nesta edição do GEAB, cuja situação é pior que a da Grécia, podemos considerar que os Países da Eurozona irão beneficiar das condições criadas pela Grécia (e dos instrumentos utilizados em Europa: supervisão do budget e ajudas) e por isso ficarão “protegidos” contra um shock violento.

Os Países que não podem contar com a ajuda de ninguém (excepto o FMI) são: Estados Unidos, Reino Unido e Japão.

Como a crise parece crescer segundo uma curva em perigosa subida (antes os Países mais pequenos – as pequenas bombas – explodem), o Reino Unido seguido pelo Japão (logo a seguir) e por fim eventualmente os Estados Unidos constituem uma provável sequência. Todavia, como já vimos em Setembro de 2008, a crise pode ser alvo de uma repentina aceleração. Então não podemos ignorar o facto do Reino Unido poder antecipar-se ao longo da estrada da desconfiança geral.

Fase 4: Crise sócio-politicas  – Q1 2010 / Q4 2013

Um número crescente de greves e conflitos sociais cada vez mais violentos, o aumento do poder de partidos políticos com agendas extremistas ou xenófobas, a redução das pessoas da classe média e o aumento das classes mais débeis, forte subida dos crimes violentos e roubos, acidentes no limiar entre criminalidade e ataques políticos, terrorismo interno, ameaças de secessão por parte de estados federados ou regiões autónomas, utilização do exército para manter a ordem…

É triste escrever isso, mas a leitura diária da estampa de cada País Ocidental mostra que estes eventos estão a preparar-se.

Na Europa, as próximas eleições holandesas poderiam fornecer um outro exemplo caso uma grande parte de votos acabassem por favorecer o partido de Geerd Wilders (que poderia acabar em segundo lugar). Nos Estados Unidos o crescente poder dos movimentos dos “Tea Party”, o impacto do ataque suicida de Austin e as declarações políticas da pessoa responsável, Joe Stack, mostram o crescente extremismo das classes médias (baseado no crescente desemprego) e um certo sentimento anti-federal. Ao mesmo tempo, as classes desfavorecidas são atingidas pela crise em medida maior.

Nos Estados Unidos, estimativas do desemprego entre as classes desfavorecidas chegam ao 50% (até maior da Grande Depressão dos anos ’30) contra o 10% das classes superiores.
Na Europa, com o grande número de desempregados perto do fim dos subsídios de ajuda, 2010 mostrará um estado quase idêntico, embora temperado pela estrutura social, em particular pela da saúde.

Mas politicamente são a degradação da classe média (reformados incluídos) e a marginalização dos jovens no mercado do trabalho os eventos mais perigosos para a estabilidade democrática das nações Ocidentais, pois estas são as componentes que fazem e desfazem as maiorias dos governos. Na China será a ultrapassagem da crise que desencadeará violentas reacções no coração das populações.

Fase 5: Crises estratégicas – Q1 2011 / Q4 2013

Um rápido aumento do nível de choque diplomático (um período de trocas verbais no limite e ruptura de relacionamentos diplomáticos); uma mudança na temperatura das disputas, desde “fria” até “quente”; aparecimento de novas áreas de conflito; um número crescente de conferências internacionais ou summit adiados ou apagados; um número crescente de demonstrações de força militar em âmbito comercial; disputas monetárias e outras; crescente extremismo dos media e da opinião pública sobre diversos conflitos…

O aniversário do conflito Israel-Líbio-Palestiniano, a situação no Iraque, e as enormes dificuldades da NATO em Afeganistão constituem os nós estratégicos que ficarão mais claros ao longo do próximo ano, com os protagonistas mais potentes um contra o outro, e com os Estados Unidos na base: Israel e Irão, Irão e Arábia, Índia e Paquistão…
Ao mesmo tempo, a tensão crescerá em Taiwan, na Geórgia, na Colômbia e Venezuela, testes para a potência em declínio dos EUA.

O nosso team considera que o fracasso do summit de Copenhaga e o quase desaparecimento do G20 sinaliza um processo de grande queda de encontros internacionais ao alto nível: summit internacionais apagados, sempre adiados (WTC em Doha) onde as negociações sem fim irão aumentar e constituirão um fiável indicador-medidor desta fase.
Doutro lado, teremos mais summit regionais, o que indica a formação ou reforço de blocos; e um aumento do conflito latente entre China e Estados Unidos.

Europe2020 acha verosímil um conflito militar (que envolva duas ou mais das maiores potências) entre hoje e 2013, mas esta fase trará um aumento dos números de conflitos de baixo nível, com considerações estratégicas e militares em primeira linha perante outras crises: um sinal preocupante para o resto do decénio.

Nesta fase, pensamos que 2012/2013 oferecerá uma oportunidade política para os novos leader retomarem o controle desta perigosa deriva.

Focus

“Aviso de perigo”: uma lista de oito riscos soberanos mais perigosos que a Grécia

Com base nas informações mais recentes, Europe2020 afinou a lista dos Países em risco publicada no passado Outono. Com tal novo exame emergem oito Países cuja situação é pior que a da Grécia, confirmando assim quanto afirmado acerca do problema grego: uma árvore que esconde a floresta.

Estes oito Estados, em particular os primeiros cinco, serão notícia em 2010/2011.
A dívida deles é sem dúvida um investimento a evitar ou para “de-investir” o mais depressa possível.

Os mesmos Estados terão crescentes dificuldades para financiar os próprios deficit nos próximos meses, secando ao mesmo tempo uma quota significativa dos mercados capitais a partir dos quais dependem os próprios negócios.
Em síntese, é uma lista de “Estados canalhas da dívida pública“, com estatísticas falsificadas, excesso de dívida escondida, duvidosa credibilidade dos dados financeiros e de balanço…tal como os principais bancos falidos no período de 2008/2009, ou mantidos em vida só com a terapia intensiva da ajuda pública.

Ao preencher a lista, o nosso team concentrou-se nos desequilíbrios financeiros (dimensões actuais e trend fortes), não examinando outras estatísticas quais crescimento, inflação, taxa de desemprego ou dívida pública: todos factores já examinados nas antecipações de Outono de 2009.
Mas nesta altura, e também por como é vivido nos media e nos mercados o problema grego, preferimos concentrar a atenção na mera dívida soberana, mais sujeita à especulação.

Uma outra razão é a crescente tendência em “domestica-las” enquanto a crise avança: a taxa de crescimento ou de desemprego nos EUA são “re-elaboradas” assim como acontece com os títulos dos noticiários.
Em todo o mundo, a taxa de desemprego é “corrigida” para esconder a real situação do mercado do trabalho; a inflação revelada pelos indicadores outra coisa não é a não ser um farsa pois os bens essenciais (energia, alimentos) são muitas vezes excluídos nas estatísticas para permitir a publicação de taxas mais soft.

O nosso team já repetiu “ad nauseam” que ninguém pode confiar nas estatísticas macro-económicas dos Países Ocidentais hoje em dia.

[Nota: como não é possível confiar nas estatísticas dos outros Estados, a pergunta é como é que o FMI ou a WB possam apresentar as próprias previsões acerca da economia mundial sem nunca falar da falta de equilíbrio proporcionada pelo câmbio dos EUA. O (temporário) reforço do Dólar dos últimos 3 meses modifica de maneira radical diversos parâmetros e torna impossível qualquer avaliação económica séria.]  

Por isso escolhemos concentrar a atenção neste particular aspecto que anima os mercados financeiros e que pode ser medido com razoável exactidão.

[Nota: realçamos que o PIB dos EUA é sobrestimado. Métodos de cálculo mais eficientes, apresentados nos anteriores GEAB, chegam a um relacionamento deficit/PIB bem pior daquele mostrado no presente número, segundo o qual os EUA estão no topo dos Países em risco]

Para a classificação dos Países foram reunidos três factores: o deficit como percentagem do PIB em 2009 e 2010, os pedidos totais de empréstimo e a probabilidade que o deficit venha a ser mantido sob controle até 2012-2013. Os primeiros dois factores, que podem ser quantificados, determinam a posição na classificação; o terceiro determina a cor com a qual indicamos o País, isso é:

vermelho = trend negativo
laranja = trend estável
verde = trend positivo

Ou, em outras palavras: vermelho = ficará na lista até 2012-2013 e pode ganhar posições; laranja = ficará na lista; verde = provavelmente sairá da lista.

Em ordem crescente de perigosidade, os oito Estados com risco soberano superior ao grego são:

  1. Estados Unidos
  2. Reino Unido
  3. Irlanda
  4. Holanda
  5. Japão
  6. Espanha
  7. França
  8. Portugal

Notamos que por três dos Países presentes (dois dos quais no topo) o nosso team evidenciou a pesada vulnerabilidade desde 2006 (EUA, Reino Unido, Espanha).

Obviamente, fase após fase da crise (bolha imobiliária, bancos, economias e agora finança pública), alguns Países vêem diminuir credibilidade e riqueza, e é exactamente este processo que leva ao colapso económico, social e monetário ao centro desta fase de deslocação geo-política global, cujas vítimas principais são os EUA e o Reino Unido.

Recomendações estratégicas e operativas

Ainda uma vez desejamos realçar que as nossas recomendações não são criadas para especulações a curto prazo, nem para ganhar mais, mas para reduzir (ou evitar) as perdas pois este é o único objectivo realístico no meio de uma crise sistémica global.

Moedas

Como antecipado pelo nosso team, o Euro resistiu ao pior ataque frontal que a moeda alguma vez enfrentou desde a sua criação.

1. enquanto a crise grega estava no topo não perdeu muito perante o Dólar
2. conseguiu ganhar posições perante outras moedas como a Esterlina.

Agora entramos numa fase de contra-ataques, como as verificações pedidas pela UE acerca dos fundos e das instituições financeiras que especularam contra a dívida grega e o Euro – em particular com o mercado dos CDS – ou o reforço dos controles e das regras para os CDS criados pela dívida soberana.

Uma particular atenção será utilizada para a moeda britânica, que irá em frente com as perdas, e o Dólar, que pode ver invertido o trend negativo na medida em que será tomada consciência do estado de recessão da economia americana e da pioria da dívida pública.

Nada de novo para os leitores do GEAB.

A incerteza inerente ao Japão (economia e finança pública) confirma a posição do Yen como moeda muito perigosa.
A moeda brasileira é bem apreciada. É preciso continuar a observar a Ásia (Países ASEAN e Japão): a possível valorização do Yen e as especulações associadas serão um teste para a solidez da região (tal como aconteceu para a zona Euro) cujo êxito não é certo.

Acções e Obrigações

As economias ocidentais, tal como a China, ficarão mais frágeis nos próximos meses.

Os lucros estarão diminuídos pois em 2009 as empresas no geral limitaram-se a cortes nas despesas mais fáceis. É importante realçar que neste ano 28 empresas da classificação S&P500 irão pagar dividendos maiores que os lucros. Esta, naturalmente, é uma política de curto prazo que não pode prosseguir por muito. Nesta categoria encontramos muitos bancos e esta situação muito atípica mostra o estado irreal dos mercados financeiros os quais, tal como os Países, distribuem liquidez que não possuem na esperança que amanhã as notícias sejam melhores.

Europe2020 acha que as notícias podem só piorar, considerando a dívida dos consumidores, a saturação dos mercados de exportação, a inércia dos investimentos (falta de perspectivas de médio prazo) e/ou a carência de crédito.

É aconselhável, portanto, concentrar a atenção nas actividades que não dependem do sector público nem da disposição dos consumidores no retalho, isso é, dos bens essenciais.

Nos títulos de Estado é cada vez mais preciso limitar a escolha aos Países com rating AAA e/ou protegidos por uma condição regional forte (como ficou demonstrado na Europa e como será testado na Ásia).

Controle do grau de risco sócio-político dos Países

Desejamos agora tratar da questão do mau estar social e político, cada vez mais importante com a evolução desta fase de deslocação geo-politica global.

É preciso individuar critérios e indicadores neutrais e de confiança, cuja idêntica aplicação seja possível nos diversos contextos; caso contrário, será impossível obter um quadro objectivo do impacto da crise em cada País e nas principais áreas mundiais.

Os media internacionais não só não dispõem de tais instrumentos, mas pelo contrário têm tendência em manipular os factos para favorecer determinadas notícias ou desviar a atenção de outras.

Num mundo relativamente estável esta atitude não era correcta mas não era perigosa. Num mundo em plena crise torna-se uma questão grave pois impede qualquer previsão confiável dos eventos.

Fonte: Informazione Corretta
Tradução: Massimo De Maria
Agradecimentos: Markozu, Francesco, Eleonora

10 Replies to “GEAB 43 – Parte III: Os oito Países mais em risco”

  1. ainda não li tudo mas a desvalorização monetária é possível como solução obviamente acarreta problemas mas aguenta as coisas por mais uns anitos e esta é uma crise como as de 1889 mais localizada ou a de 29 por isso apesar de tudo os big boys tem aguentado bem

  2. está melhor que o anterior não esquecer que a China é o grande credor a nível mundial e não pode deixar cair as divisas das suas vítimas porque entesourou muito

    depois a lista dos 8 é que a Grécia a 5% necessita de 15mil milhões só para os juros e outro tanto para ir amortizando a dívida

    acho que as quebras de cumprimento começarão na Àsia e não falo do Dubai mas de países menos evidenciados nesta crise que começarão a revelar problemas internos a breve trecho filipinas birmânia tailândia indonésia e aqui estão 300 milhões de pessoas e uma produção de matérias primas importante embora comercialmente desprovida de valor acrescido
    a qwebra destes mercados levaria a um efeito dominó noutros picolos países da área e num só

  3. nem por isso swão opiniões
    é a próstata qwe já não ajuda a dormir os outros a estas horas ou estão na disko os mais novos ou estão a avaliar as tendências mundiais o asmo é o mais velho tinha ligações ao sinn féin e à antiga stasi creio tem uns 50 anos é o teórico das conspirações e das cifras

Obrigado por participar na discussão!

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