GEAB nº 45 – Parte II: O Fundo Monetário Europeu

Prontos? Então vamos: segunda parte do polémico GEAB.
A primeira parte pode ser lida aqui.

O FME vai privar em breve o FMI do 50% das contribuições, as entradas dos Europeus

A este respeito, o LEAP/E2020 quer lembrar uma verdade que a maioria da media ignora há várias semanas: ao contrário do discurso dominante, o FMI é antes de mais dinheiro europeu. Na verdade, um dólar em cada três do FMI é de origem europeia, contra apenas um em cada seis dos EUA (a parte foi dividida por dois em 50 anos). E uma das consequências das decisões europeias destes dias, é que isso não irá durar mais tempo.

O nosso grupo acredita que nos próximos três anos no máximo, quando será o momento de estabilizar o Fundo Monetário Europeu, o fundo de intervenção criado no dia 8 de Maio de 2010, a UE reduzirá do mesmo valor a própria contribuição ao FMI.

Podemos acreditar desde já que essa redução do contributo da União Europeia (à excepção do Reino Unido) será de pelo menos de 50%: isso permitirá que o FMI se torne mais global reequilibrando automaticamente as quotas dos BRIC, e forçando os EUA a abandonar o próprio direito de veto; mas isso também significará torna-lo muito marginal, porque a Ásia já criou o próprio fundo de intervenção.

É um exemplo que ilustra como as decisões europeias de início de Maio de 2010, determinarão grandes mudanças geopolíticas nos próximos anos.

Na verdade, é improvável que a maioria dos envolvidos “no golpe de Estado da zona euro” tinha entendido as consequências das suas decisões. A história foi escrita em grande parte por pessoas que não entenderam as implicações das próprias escolhas.

Reino Unido: agora isolado perante uma crise histórica

Uma das causas e ao mesmo tempo das consequências desta evolução é a marginalização completa do Reino Unido. O seu declínio acelerado desde o início da crise, juntamente com o do seu padrinho americano, criou a possibilidade de uma recuperação integral e sem concessões da evolução do projecto europeu dos “continentais”. Esta perda de influência reforça a marginalização da Grã-Bretanha, porque a elite britânica é presa pela rejeição de uma realidade que partilharam com o povo.

Nenhum do lado britânico, nem o Partido Liberal Democrata, o mais lúcido entre as forças políticas no Reino Unido, pode considerar o retorno à discussão da Europa e do Euro como origens de todos os males. Mesmo que os seus líderes percebam a loucura duma estratégia de isolamento da Grã-Bretanha, enquanto a crise global avança para uma fase mais complexa, isso seria contrário ao eurocepticismo público que tem sido estimulado durante os anos passados.

A ironia da história está ainda bem presente durante este fim de semana histórico de 08 de Maio de 2010: ao recusar-se a aderir às medidas de defesa e protecção da Zona Euro, as elites britânicas, de facto, recusaram agarrar a última bóia que tinha ficado ao alcance deles.

O continente europeu agora ficará a observa-los enquanto tentam encontrar os 200 bilhões de Euros de que o País precisa para fechar o orçamento deste ano. E se os dirigentes londrinos pensarem que os especuladores de Londres terão remorso para enfraquecer a libra e vender Gilts, estão enganados: o que eles não entenderam é a essência da globalização financeira, que vai além da nacionalidade dos operadores. Entre Wall Street que está pronta a fazer qualquer coisa para atrair o capital mundial (basta perguntar a opinião da praça suíça sobre a guerra que irá explodir entre os centros financeiros mundiais), Washington que agita-se para sugar toda a poupança mundial disponível e um continente europeu que, doravante, colocou-se sob a protecção de uma moeda comum e de uma dívida, os jogos já estão feitos.

Estamos ainda na fase do drama, com os principais actores britânicos que ainda não perceberam a armadilha em que estão presos; e no prazo de algumas semanas, irá ser a tragédia britânica pois no Verão todo o Reino Unido terá identificado a armadilha histórica em que o País colocou-se. Assim, enquanto Eurolândia nasce em Bruxelas, o Reino Unido tem problemas com um Parlamento indeciso, forçando-o a ir para um governo de coligação não visto desde 1945 e que obrigará o País a novas eleições até o final de 2010.

Lembramos que já foi publicada a primeira parte deste GEAB nº 45: Parte I: O Golpe de Estado da Zona Euro.
Amanhã a terceira e última parte.

Ipse dixit.

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