Alguém não paga

Um artigo de Bimbo Alieno. Para ser lido, assimilado e reflectido:

As reformas de corte do deficit em cada País da Zona Euro são apresentados aos cidadãos como, justamente, necessária para evitar um agravamento da dívida.

Para fazer os cortes necessários, passamos por uma redução nos serviços (escolas pensões, saúde, etc) em formas diversas, e um corte nos salários dos funcionários públicos. Alguém chegou a propor de cortar os prémios aos jogadores que jogam a Copa do Mundo com a selecção nacional (caso da Italia, NDT). Simbólico, populista, certamente não conclusivo.

Alguém poderia pensar que a causa da crise, o peso da dívida, encontra-se no comportamento dos cidadãos, funcionários públicos e jogadores.

Devem ter sido eles que não aplicaram uma gestão sã e prudente do sistema financeiro, que levou os Estados a assumir uma dívida enorme para ajudar os bancos e as companhias de seguros.
Devem ter sido eles que inflacionaram a bolha imobiliária nos EUA, Reino Unido, Espanha.
Certamente devem ter sido eles que enriqueceram trimestralmente com o CDS, até inverter a relação entre os títulos do governo e CDS no papel de derivado e inferior.

Ou talvez não?

Todos viveram acima das possibilidades objectivas, todos. Portanto, todos devem pagar uma taxa, em termos de dinheiro ou em termos de uma redução do standard de vida. Seria desejável uma proporção correcta na tarefa de reconhecer as culpas da crise e assim na distribuição dos relativos custos.

Mas tenho uma estranha sensação de que um ano de trégua na crise tinha sido quase utilizado para tentar fazer-nos crer que a crise de 2008 e de 2010 são crises diferentes e não a mesma. Porque caso contrário seria preciso perguntar porque no plano de intervenção pouco ou nada será feito para as instituições do sistema financeiro: foi para salvar estas que a dívida pública explodiu.

Certamente não salva-las teria representado um custo para os cidadãos. A questão aqui é que não só vê qual o custo previsto para os bancos e os seus gestores de topo.
Nenhuma intervenção nos super-bónus e a seguir um corte no salário dos funcionários públicos, dos professores e na reforma de todos os outros.

Tento, mas não vejo qualquer equidade nisso.

Subscrevemos cada palavra e até as virgulas.

Fonte: Bimbo Alieno

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