Uma número 45 do GEAB muito polémico.
As analises são, no mínimo, “puxadas” e não é fácil concordar com todas as teorias apresentadas.
Aliás, a primeira reacção pode ser mesmo do tipo “mah…” ou até “mas que fumaram os rapazes de Europe2020?”.
Começamos com a leitura da primeira parte e deixamos as considerações para a parte final deste relatório que, como sempre, será apresentados ao longo de alguns dias.
Crise sistémica global:
desde o golpe de Estado na zona Euro ao trágico isolamento do Reino Unido, o desmembramento geopolítica mundial acelera o próprio ritmo.Como antecipado pelo LEAP/E2020 no GEAB N º 40 (Dezembro 2009) e n º 42 (Fevereiro de 2010), a Primavera de 2010 marca um ponto de curvatura da crise sistémica global, caracterizado pela sua escalada brutal devido à amplitude intolerável dos deficit públicos (ver GEAB N º 39, Novembro de 2009) e da não-existência da tanto anunciada retoma (ver GEAB N ° 37, Setembro 2009).
As dramáticas consequências destes desenvolvimentos sociais e políticos, por outro lado reflectem o início do processo de desmembramento geopolítico mundial, como previsto no GEAB n º 32 (Fevereiro 2009). Finalmente, as recentes decisões tomadas por líderes da zona Euro confirmam as projecções do LEAP/E2020, ao contrário do discurso dominante nos últimos meses, que não só o Euro “não teria explodido” por causa do problema grego mas, pelo contrário, a zona Euro iria sair da crise mais forte dela.
É também possível considerar a partir da decisão da zona Euro, uma espécie de golpe de estado da Eurozona, apoiado pela Suécia e pela Polónia, para criar este vasto sistema de garantias dos interesses dos 26 Estados Membros da UE, a deslocação geopolítica na Europa mudou radicalmente. Porque esta vai contra os preconceitos que moldam a visão de mundo, é claro que vai demorar vários meses para a maioria da média e dos operadores perceberem que por trás da aparência de uma decisão puramente financeira, opera uma ruptura geopolítica de impacto mundial.
Golpe de Estado da Eurozona em Bruxelas: os fundadores da UE recuperam o controle
Analisamos assim em detalhe, neste GEAB N ° 45, as muitas consequências para os europeus e o mundo do que pode ser chamado de “golpe de Estado” dentro da Zona Euro da UE: perante o agravamento da crise, os dezasseis assumiram o controle das alavancas da UE, com a construção de novas ferramentas que não deixam outra alternativa aos outros membros senão juntar-se ou ficar perigosamente isolados. Dez dos onze outros Estados-Membros decidiram juntar-se, a imagem dos dois mais importantes entre eles, a Suécia e a Polônia que decidiram participar activamente no mecanismo realizado pela Eurozona (os outros oito estão actualmente ou a negociar a própria entrada na Zona como a Estónia em 2011, ou a receber uma intervenção directa da zona Euro como a Letónia, a Hungria, a Roménia…). É uma (r)evolução que o nosso grupo tinha avançado há mais de três anos.
Recentemente, também, afirmámos que era conveniente esperar uma rápida mudança de posição da zona Euro após as eleições regionais na Alemanha e as eleições gerais do Reino Unido. No entanto, não imaginávamos que tudo iria ser feito em poucas horas, ou nesta audaciosa quantia (750 mil milhões de Euros, ou seja, 1 trilião de Dólares) e qualidade (UE que toma o controle da Zona Euro e salto em frente em termos de integração financeira e económica).
É, sem te-lo afirmado e sem ter sido solicitada a opinião deles, de 440 milhões de Europeus empurrados para um País novo, Eurolândia, alguns dos quais já partilham a sua moeda, o Euro, e do qual agora todos partilham a dívida e os meios para superar as questões importantes que surgem no contexto da crise sistémica global.
As escolhas orçamentais e financeiras efectuadas durante a cimeira do fim de semana de 08 de Maio, em termos de resposta à crise da dívida pública europeia podem ser avaliadas de forma diferente de acordo com a análise da crise e das suas causas. LEAP/E2020 desenvolve a própria análise neste GEAB n º 45.
Mas não está mais em discussão a ruptura radical da governance na Europa: uma gestão colectiva continental emerge brutalmente clara e, ironia da história, exactamente 65 anos após o fim da II Guerra Mundial, entretanto celebrado com grande pompa em Moscovo, e nos mesmos dias da celebração da criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, o ancestral comum da UE e da Eurolândia.
Esta sobreposição não é uma coincidência e marca uma etapa importante no desmembramento geopolítico mundial e na reconstituição de novos equilíbrios globais. Sob a pressão dos eventos começados com a crise, a Zona Euro iniciou a sua independência em relação ao mundo que fala Inglês. Estes 750 bilhões de Euros e este nova governance europeia (dos 26) são a activação duma protecção contra as tempestades futuras geradas pelo endividamento insustentável do Ocidente, e que irá afectar o Reino Unido e os EUA (cf. GEAB N ° 44 ), criando desordens dos quais a crise grego é só uma percepção fraca.
A segunda parte deste GEAB nº 45 pode ser lida aqui.
A terceira parte aqui.

