Como antecipado anteontem, a Grã Bretanha decidiu enfrentar o grande problema da dívida pública.
Como?
De uma forma não muito original, em verdade: cortes e impostos, uma receita já vista nos últimos tempo.
O ministro das Finanças britânico, George Osborne, apresentou um orçamento muito agressivo: cortes nos gastos, impostos maiores e uma taxa sobre os bancos.
O objectivo: deficit zero dentro de cinco anos (!!!).
Vamos com ordem.
Sector público• Dois anos de salários congelados na função pública para quem ganha mais de £ 21.000.
• subsídio operacional para as tropas no Afeganistão dobrou para £ 4,800.
• Aumento da idade de reforma para 66 será acelerada.
• Injecções de capital privado no Royal Mail Group, os correios.
Welfare• O abono de família será congelado ao longo dos próximos três anos.
• “Sure Start Maternity”, o subsidio de maternidade, será válido só para o primeiro filho.
Impostos• IVA (VAT) irá aumentar para 20% (desde 17,5%) em Janeiro do próximo ano.
• Taxa sobre os ganhos de capitais, actualmente 18%, aumenta para 28%.
• A taxa standard sobre os prémios de seguros aumenta de 5% a 6%.
• Imposto sobre as sociedades, actualmente de 28%, vai cair 1 ponto por ano durante quatro anos consecutivos até atingir 24%.
Bancos e poupança• Uma taxa sobre os bancos será introduzida em Janeiro do próximo ano, aplicada nos balanços dos bancos do Reino Unido e nas operações feitas a partir do estrangeiro e dirigidas para bancos ingleses.
Estado• Corte de 25% nas despesas do governo
• Gastos da família real sujeitos a exames mais detalhados
Estes são os principais pontos do novo programa de austeridade.
Algumas considerações.
Aqueles com rendimentos muito elevados, acima de £ 150,000, afinal não saem assim prejudicados desta manobra, anunciada como “o mais rico paga mais e os vulneráveis são protegidos”. A grande subida de impostos, IVA, atinge mais os pobres do que os ricos, que gastam uma proporção menor da própria renda em bens sujeitos à IVA. A única mudança real para as suas finanças pessoais é o aumento do imposto sobre os ganhos de capital, 28% , mesmo assim inferior a 40% ou 50% do contexto internacional.
Os bancos podem ficar satisfeitos. Há uma taxa que incide sobre o balanço, mas não será um problema descarregar este novo custo nas contas dos clientes.
E também as empresas, em particular as maiores, não podem queixar-se muito: ao longo dos próximos quatro anos assistirão a uma queda do imposto sobre as sociedades, actualmente de 28%, até 24%.
Com a redução do crédito das crianças nos impostos para famílias com renda superior aos £ 40.000, o governo suprimiu uma subvenção chave da classe média. Mais de 600 mil famílias de renda média será atingida por novos cortes. Isso significa, juntamente com a subida da IVA, uma perda real de £ 1,200 por ano no orçamento familiar.
Por isso: nada de novo debaixo do sol. Os custos da crise são socializados e de atingir quem realmente causou a crise ninguém fala.
Ipse dixit.
Fonte: The Guardian


