Basta de más notícias, vamos com um pouco de optimismo.
Austeridade? Problemas economicos? Mas quem é que diz isso?
Bem pelo contrário, ao ler o relatório Merrill Lynch / CapGemini “Estado de riqueza do mundo”, o número de indivíduos com rendas altas (muuuuito altas…) subiu 17,1% no ano passado até atingir a fasquia dos 10 milhões. Os activos totais aumentaram 18,9%, o que equivale a 39 triliões de Dólares. Os EUA, o Japão e a Alemanha representaram 53,5% do mundo rico.
Estamos a ficar ricos.
Observem a tendências regionais:
- A riqueza da América Latina superou os níveis de 2007.
- Os Países da Ásia-Pacífico têm um crescimento maior do que as outras regiões.
- Os ricos em Hong Kong e Índia aumentaram significativamente em 2009, depois de testemunhar as maiores quedas durante a crise financeira.
- A Austrália subiu para o 10 º lugar na classificação dos milionário, ultrapassando o Brasil.
Não incluído no estudo é a informação segundo a qual mais de três bilhões de pessoas no mundo vivem com menos de 3,50 Dólares por dia ou a estimativa do Banco Mundial para a qual 1,4 bilião de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza. Mas admitimos: o que interessa? Estamos a ficar ricos e ponto final.
O estudo da Merrill é o tipo de manchete que bancos, corretoras e revistas de negócios adoram: os dados dizem que a riqueza está em subida, que a recessão global está ultrapassada, os valores dos mercado das acções e os dos imóveis estão em alta. Há 10 milhões de milionários e o mundo, se ainda não é um verdadeiro Paraíso, está ali perto.
E agora a cereja no topo do bolo: os super-ricos, os chamados ultra-HNWIs (aqueles cuja riqueza é, no mínimo, de 30 milhões de Dólares), aumentaram de 21,5%.
A verdade é que encontrar um pobre torna-se cada vez mais difícil.
Como os leitores milionários de Informação Incorrecta bem sabem, arte, vinhos e viagens entre os investimentos emocionais. Se a Ferrari tinha arrancado em 2005 e 2006 os investimentos emocionais dos novos-ricos chineses, em 2009 os ricos compraram menos itens de luxo no geral, e com uma atitude mais de coleccionador do que investidor. Em 2009 houve uma queda de 45% nas vendas de iates em todo o mundo. Muitos entre nós foram obrigados a utilizar o iate do ano anterior, e isso não fica nada bem.
A arte continua a ser um sector essencial para os HNWI tanto que representa 22% das compras feitas “com paixão” no mundo. Em 2009 as vendas através de leilões de obras de arte no Reino Unido e EUA tinham diminuído 1,9 e 1,6 bilhões respectivamente. No entanto, no início de 2010 houve uma recuperação. O mercado da arte cresce exuberante na China, com casas de leilões que aumentam os negócios 25%, atingindo 380 milhões de Dólares.
Finalmente, voltamos a investir na descoberta de lugares e culturas e as viagens de luxo (viagem à volta do mundo, para a lua) voltam a crescer (+45%).
E os pobres? Pois, os pobres…
Infelizmente há uma parte da população que, obstinadamente, fica pobre.
Verdade seja dita: eles querem ficar pobres, não há desculpas.
E os Europeus são entre os piores.
Um em cada seis Europeus fadiga para chegar até o final do mês, está sempre em apuros para pagar as contas domésticas, enquanto três quartos dos Europeus acreditam que a pobreza aumentou no próprio País durante o ano passado.
É o que emerge dum novo inquérito Eurobarómetro sobre as consequências sociais da crise, apresentado hoje pela Comissão Europeia. A pesquisa, realizada em Maio passado, coincide com o primeiro semestre do Ano Europeu do Combate à Pobreza 2010 e com a decisão dos líderes da UE, adoptada na cimeira da semana passada, para libertar 20 milhões de Europeus da pobreza e da exclusão social ao longo da próxima década.
A investigação mostra que os cidadãos da UE consideram que a pobreza aumentou em todos os níveis. Seis em cada 10 europeus acreditam que a pobreza aumentou na própria área, três quartos acreditam que a pobreza aumentou em todo o País e 60% que aumentou em toda a UE. Na Grécia, 85% dos entrevistados acreditam que a pobreza tem aumentado no País, em França 83%, na Bulgária 82%, na Roménia 77% e 75% na Itália.
É triste, mas é assim.
Os nosso leitores sabem que o problema é basicamente psicológico: a pobreza é um estado da mente, nada impede ser rico e depressa também.
E bem fazem estas manobras de austeridade com as quais os Estados europeus querem cortam os subsídios: estes são um incentivo à pobreza. Sem subsídio, o individuo será obrigado a trabalhar e ficará rico.
E se alguma vez aparecer o desejo de ser pobre, mesmo que seja só ao longo de poucos minutos, só para ver qual o efeito, lembrem: a riqueza tem as suas vantagens, já a pobreza, embora tenha feito algumas tentativas neste sentido, nunca provou ser vantajosa.
Por isso: por favor, continuem ricos, tremendamente ricos.
Ipse dixit.
Fontes: 24/7Wall Street, IlSole24Ore, ADN Kronos


