Farm to Fork: a edição dos genes e o controlo da agricultura

De vez em quando o pesquisador F. William Engdahl brinda-nos com um artigo de interesse. É o caso do recente Farm to Fork: How the EU and the Davos Cabal Plan to Control Agriculture (“Farm to Fork: como a UE e a Cabala de Davos planeiam o controlo da agricultura”).

Não que haja novidades estrondosas por aqui: o controle dos recursos alimentares são algo básico em qualquer tipo de conflito, desde sempre. E nos últimos anos foi possível observar repetidos ataques (quase sempre bem conseguidos) por parte das multinacionais do sector contra a agricultura tradicional. Pensamos à saga da Monsanto e das suas sementes OGM, às intervenções da Finança nas commodities alimentares ou à questão da privatização dos recursos hídricos: estes são apenas alguns exemplos.

Uma nota antes da leitura: no artigo, Engdahl fala repetidamente de CRISPR ou CRISPR /Cas. Esta é uma ferramenta de edição do genoma com o qual os pesquisadores podem controlar onde a proteína parte o genoma, inserir um novo gene no corte e juntá-lo novamente. A “faca” é a Cas9, uma proteína.

Farm to Fork: como a UE e a Cabala de Davos planeiam o controlo da agricultura

Sempre que ouvimos o termo “sustentável”, faríamos bem em olhar criticamente por detrás das palavras bonitas. No caso da agenda globalista para 2030, com os seus 17 objectivos sustentáveis até 2030, aquele de criar uma “agricultura sustentável”, se analisado de perto, revela como destruirá uma enorme parte da produção agrícola da UE e fará subir os preços dos alimentos na escala mundial. A Comissão Europeia chama ao seu Acordo Verde para a alimentação com o título amigável Farm to Fork [literalmente: “da Quinta ao Garfo”, ndt]. É apoiado pelo omnipresente Fórum Económico Mundial de Klaus Schwab e pelo seu Great Reset.

É preciso ter em mente que “sustentável”, tal como definido pelas Nações Unidas e pelo Fórum Económico Mundial em Davos, significa alcançar zero emissões de carbono até 2050. Contudo, não há nenhum estudo científico independente que demonstre que o CO2 está a pôr em perigo o nosso planeta ao criar o aquecimento global. Apenas uma miríade de modelos informáticos duvidosos e bem financiados. Aquele gás inofensivo é essencial para toda a vida humana, animal e vegetal. Agora, a Comissão da UE está a empurrar uma agenda radical de cima para baixo no coração agrícola do segundo maior produtor mundial de alimentos como parte do seu mal-concebido Acordo Verde da UE. Se implementado como é provável, provocará uma redução drástica da produção agrícola, uma redução acentuada das proteínas da carne e, talvez mais perigosamente, uma derrubada da actual legislação da UE que rege novas culturas geneticamente modificadas, ou OGM. Isto terá consequências globais.

Da quinta à mesa…

Em Maio de 2020, a Comissão Europeia publicou a sua estratégia Farm to Fork. A retórica oficial de Bruxelas faz parecer que o nirvana alimentar está a chegar. Afirmam: “A estratégia Farm to Fork está no centro do Acordo Verde Europeu, que visa tornar os sistemas alimentares justos, saudáveis e amigos do ambiente”.

Uau, isso soa bem. Assim, chegam à verdadeira agenda: “Precisamos de redesenhar os nossos sistemas alimentares, que hoje representam quase um terço das emissões globais de gases com efeito de estufa (Green House Gas), consomem grandes quantidades de recursos naturais, causam perda de biodiversidade e impactos negativos na saúde”.

Esta é uma forma inteligente de demonizar os agricultores e a nossa produção alimentar como violadores de CO2. A solução? “Novas tecnologias e descobertas científicas, combinadas com a crescente consciencialização do público e a procura de alimentos sustentáveis, beneficiarão todos os interessados”.

Quais novas tecnologias será explicado.

Como é que os burocratas não eleitos em Bruxelas pretendem “redesenhar os nossos sistemas alimentares” para eliminar um terço das emissões globais de gases com efeito de estufa até 2050? Ao forçar os agricultores à falência, exigindo novos caros input para a produção e plantas patenteadas geneticamente manipuladas de forma radical com segurança não comprovada. Acima de tudo, tencionam levantar a actual proibição de facto do cultivo de plantas geneticamente modificadas. Para aqueles que não sabem, esta é a mesma tecnologia de risco não comprovado utilizada nas vacinas Covid-19 da Pfizer e Moderna mRNA modificados pelo CRISPR.

Janusz Wojciechowski, Comissário da UE para a Agricultura, afirma sobre a agenda verde da Farm to Fork: “Os agricultores terão de transformar radicalmente os seus métodos de produção e fazer o melhor uso possível das soluções tecnológicas, digitais e espaciais para iniciar a nova transição agrícola“.

Por isso, planeiam uma transformação radical. Isto já soa ameaçador.

Aumentar a percentagem de agricultura biológica sem pesticidas para 25% do total da UE, reduzindo ao mesmo tempo o uso de pesticidas químicos em 30% até 2030, parece bom para os não informados. Tal como as alegações da Monsanto e da indústria de OGMs, de que as suas culturas geneticamente modificadas reduzem a necessidade de pesticidas, é uma mentira. A UE está a usar isto como isco para introduzir uma mudança radical nas actuais regras apertadas da UE para permitir a aprovação de plantas e animais geneticamente modificados na agricultura. No documento Green Deal Farm to Fork de Maio de 2020, a UE declara que a Comissão está “a realizar um estudo que irá examinar o potencial das novas técnicas genómicas para melhorar a sustentabilidade ao longo da cadeia de abastecimento alimentar”. Isto significa modificação genética CRISPR/Cas9.

Novas Técnicas Genómicas

Em Abril deste ano, a Comissão Europeia publicou o seu estudo sobre as Novas Técnicas Genómicas (NGT). As NGT produzem plantas e até animais geneticamente modificados. O relatório afirma que as NGT, “técnicas para alterar o genoma de um organismo, têm o potencial de contribuir para um sistema alimentar mais sustentável como parte dos objectivos do Green Deal europeu e da estratégia Farm to Fork”. O relatório apela a um “debate público” para alterar as rigorosas leis da UE sobre a aprovação de culturas OGM que exigem testes e rotulagem extensivas das culturas geneticamente modificadas.

Essa lei de 2001 restringiu com sucesso a utilização de OGM em toda a UE, em contraste com os EUA onde os OGMs não regulamentados são dominantes para as culturas-chaves. Em 2018, o Tribunal de Justiça Europeu, o tribunal da UE, decidiu que as culturas geneticamente modificadas deveriam estar sujeitas às mesmas regras apertadas que os organismos geneticamente modificados (OGMs) de primeira geração. A chave para a agenda Davos e do Farm to Fork da UE é uma redução radical dos pesticidas, substituídos por culturas geneticamente modificadas supostamente capazes de substituir os pesticidas.

A Comissão da UE, em colaboração com a Bayer-Monsanto e outros membros da lobby dos OGMs do agronegócio, está a trabalhar arduamente para eliminar esta restrição do tribunal. A Comissária para a Saúde e Segurança Alimentar, Stella Kyriakides, afirmou acerca do estudo de Abril da UE: “O estudo que publicamos hoje conclui que novas técnicas genómicas podem promover a sustentabilidade da produção agrícola, em conformidade com os objectivos da nossa estratégia Farm to Fork.” [nota: sim, é a mesma Stella Kyriakides que encontrámos no artigo Ursula, a perseguida, aquela cujo marido e Presidente da Comissão Geral de Democracia, Direitos Humanos e Questão Humanitária da OSCE recebeu um empréstimo no valor de 4 milhões de Euros sem ter garantias, dono da empresa Faram, Ldt sediada no offshore das Ilhas Virgens Britânicas e que trata de saúde global, estando também ligada ao sector das biotecnologias, ndt].

Novas Técnicas Genómicas é o eufemismo para as culturas geneticamente modificadas.

O Vice-Presidente da UE responsável pelo Acordo Verde, Franz Timmermans, admitiu abertamente o fascínio de poder prometer grandes cortes de pesticidas, o que implica o levantamento das restrições à edição genética. Numa recente conferência da Semana Verde da UE disse que a União pretende dar aos agricultores os instrumentos para adoptarem uma agricultura de precisão e explorarem as descobertas científicas para optimizar as sementes: “É assim que limitamos a nossa dependência dos pesticidas”. A agricultura de precisão e as descobertas científicas para optimizar as sementes são o duplo sentido de Bruxelas para a introdução maciça da edição não regulada dos genes. Continuou: “Tornarmo-nos verdes não significa que todos tenhamos de mastigar erva e viver em cavernas, temos de utilizar a tecnologia mais recente para lá chegar”. Isto significa modificar o gene CRISPR.

Traduzido para simples português, o coração de Farm to Fork é a planeada derrubada do acórdão do Tribunal de Justiça de 2018 que trata plantas ou animais geneticamente modificados pelo CRISPR sob as mesmas apertadas regras do “princípio de precaução” para os OGMs. Sem restrições, empresas de edição de genes como a Bayer-Monsanto serão livres de introduzir plantas e animais geneticamente modificados, experimentais e não comprovados, nas nossas dietas sem rotulagem.

Tal regime livre de edição dos genes já existe nos EUA, onde o USDA [o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, ndt] e os reguladores permitem o óleo de soja geneticamente modificado CRISPR, cogumelos que não escurecem, trigo com mais fibra, tomate com maior produção, colza e arroz que toleram herbicidas, não absorvem a poluição do solo à medida que crescem. Os projectos americanos de peixes e animais geneticamente modificados incluem projectos duvidosos, tais como vacas que só têm vitelos machos, usando a tecnologia CRISPR; porcos que não precisam de castração; vacas leiteiras sem chifres e peixes-gato de crescimento melhorado que usam CRISPR para desenvolver peixes-gato com mais células musculares.

CRISPR Riscos Enormes, Não Recompensas

O principal esforço da lobby para remover os regulamentos da UE sobre culturas ou animais geneticamente modificados vem da Bayer-Monsanto e dos outros gigantes do agronegócio OGM, incluindo Syngenta, BASF e Corteva de DowDupont. Em Novembro de 2020, Liam Condon, Presidente da divisão de ciência agrícola da Bayer-Monsanto, disse numa conferência da Bayer Future of Farming que a Bayer está a exercer “muito pressão” para alterar os regulamentos da UE sobre os OGMs para isentar a edição genética. Condon disse, “[Estamos] a promover fortemente que as novas regulamentações deveriam alcançar a tecnologia e permitir a sua utilização, para benefício dos europeus mas também para benefício de outros em todo o mundo que observam a Europa para a regulamentação”. Condon chamou à edição genética e à tecnologia CRISPR um “incrível avanço” que permitiria à agricultura ser mais sustentável. O que omitiu foi que a desregulamentação das culturas OGM permitirá à Bayer-Monsanto e a outras grandes empresas cobrar aos agricultores pelas suas sementes “sustentáveis” patenteadas.

A edição genética de plantas ou animais não é, de forma alguma, isenta de riscos, como se afirma. A tecnologia não é de forma alguma precisa ou controlada e tem frequentemente resultados não intencionais, tais como alterações genéticas involuntárias, até mesmo a adição inadvertida de DNA de outras espécies ou de inteiros genes ao genoma de organismos geneticamente modificados.

Esta é ainda uma nova tecnologia experimental. Os seus proponentes, tais como a Bayer-Monsanto, afirmam que a edição genética das plantas é precisa. No entanto, as investigações consideram-na longe de estar provada. A Dra. Allison K Wilson do The Bioscience Resource Project, diz: “Os métodos de edição de genes de plantas também são propensos a introduzir UTs (traços não intencionais ou danos genéticos).[…] Novas provas tanto em animais como em plantas indicam que a própria edição de genes pode causar mutações indesejadas no alvo local ou perto dele. Estes incluem a inserção vectorial, bacteriano de DNA supérfluo e a introdução involuntária de grandes supressões e rearranjos de DNA”.

Estes não são defeitos menores que possam ser ignorados. Wilson conclui: “Os resultados da edição genética nas plantas são imprecisos e imprevisíveis, e dependendo da combinação das técnicas utilizadas, a edição genética pode ser altamente mutagénica. Embora em teoria possa um dia ser possível criar uma cultura geneticamente modificada que satisfaça as amplas exigências da agricultura sustentável, na prática parece altamente improvável que tal venha a acontecer”.

De acordo com uma análise da estratégia da UE Farm to Fork feita pela Global Ag Media, “o efeito destas estratégias será uma redução sem precedentes na capacidade de produção da UE e no rendimento dos seus agricultores. Todos os sectores mostram uma queda de 5% a 15% na produção, sendo os sectores pecuários os mais atingidos”.  Entretanto, qualquer que seja o cenário, os preços do produtor mostram um aumento líquido de cerca de 10% com um impacto negativo nos rendimentos da maioria dos agricultores. O sindicato dos agricultores da UE, Copa-Cogeca, adverte que a política resultará numa redução sem precedentes na capacidade agrícola. Mas esta é a verdadeira intenção da “agricultura sustentável”.

Davos e EU Farm to Fork

A agenda radical da EU é ecoada pelo Fórum Económico Mundial (WEF) em Davos, que já em 2014 promoveu aquilo a que chamou Enabling Trade: Farm to Table [“Habilitando o Comércio: da Quinta à Mesa”, ndt]. Um relatório do WEF de Janeiro de 2018 afirma: “As tecnologias de edição genética como o CRISPR-Cas poderiam fornecer uma forma de alcançar melhorias multi-tractos, produzindo uma mudança de etapa na produtividade e melhorando a resistência à seca e o conteúdo nutricional dos alimentos”. O relatório foi preparado em conjunto com a McKinsey & Co. como parte das iniciativas de segurança alimentar e da agricultura do WEF e do seu Great Reset. Os parceiros do fórum do WEF incluem as europeias Bayer e Basf e a Syngenta (propriedade da empresa estatal China National Chemical Corporation). De acordo com o website do WEF: “O Fórum Económico Mundial na sua reunião anual em Davos, em Janeiro de 2020, reuniu líderes industriais e empresariais com o Vice-Presidente Executivo Frans Timmermans para explorar a forma de catalisar o Acordo Verde Europeu”.

Se o sector agrícola da UE for introduzido no regime OGM e a sua produção for drasticamente reduzida, provocará uma escassez alimentar cada vez maior em todo o mundo. Este é o plano de Davos juntamente com a sua agenda eugénica para o Great Reset da COVID-19. Chamá-lo Farm to Fork torna-o inofensivo. Obviamente que não é.

Ok, ok, vamos ver.

Engdahl vê a “pandemia” Covid como parte do mais amplo Great Reset. Não concordo mas este é um ponto de vista pessoal. Todavia é interessante falar do psicodrama covidiano, porque hoje sabemos que no laboratório de Wuhan estavam a ser estudados e manipulados os vírus patogénicos dos morcegos, aqueles que, segundo a narrativa oficial, através dum hospede temporário (nunca identificado) deram o “salto” que permitiu infectar a espécie humana, a partir dum mercado casualmente sediado na mesma cidade de Wuhan.

As pessoas que pensam como Engdahl podem ver este episódio como a prova de que a edição genética é de facto uma arma. Quem, como eu, acha que a libertação do SARS-Cov-2 foi acidental, também não pode não ficar preocupado: porque no laboratório de Wuhan o estudo e a manipulação genética dum simples vírus provocaram a fuga de algo capaz de espalhar-se pelo planeta todo e de incidir de forma radical em todos os sectores da sociedade, ao ponto de ter sido invocado pelas autoridades como razão de supressão das mais básicas liberdades civis.

Na melhor das hipóteses, estamos a falar de consequências que escaparam totalmente ao controle dos cientistas e que ainda provocam alarme por causa das mutações genéticas naturais (as conhecidas “variantes”). Esquecendo momentaneamente a dramatização mediática e as estatísticas inflacionadas acerca dos óbitos, o que fica é uma edição genética com efeitos inesperados e repercussões globais como nunca antes observadas.

A proposta agora é aquela de utilizar a mesma técnica para ir muito além disso, modificando de forma radical aquela actividade que fornece os recursos alimentares para toda a Humanidade. A razão? O Aquecimento Global. E a eventual capacidade para continuar a nutrir um planeta que mais cedo ou mais tarde terá que enfrentar o problema da superpopulação (não cito a luta contra a fome no mundo porque esta não interessa a ninguém).

Mais uma vez: esquecemos o Aquecimento Global e a dióxido de carbono. Sobra o problema de proporcionar comida a uma população cada vez mais numerosa. Um problema que é lícito pôr-se e tentar enfrentar.

Mas há por aqui um problemito porque quem sugere as soluções são aquelas mesmas empresas que do outro lado do oceano esforçaram-se (mais uma vez com sucesso) para erradicar a agricultura tradicional e substitui-la pelas monoculturas. E entre os cérebros desta mudanças temos o World Economic Forum, que não é propriamente a Cruz Vermelha mas o conjunto político-económico mais poderoso do planeta, onde têm assento as maiores multinacionais. E nós sabemos que no velho Capitalismo as multinacionais, como qualquer empresa, tinham só um objectivo: o lucro (agora já não é assim: também há o controle. Mas não compliquemos).

Então não é correcto duvidar da edição genética por preconceito: é uma técnica ainda demasiado jovem mas que no futuro poderá ter (e terá, não tenham dúvidas) um papel excepcionalmente valioso em muitos campos. No futuro. Agora não. Agora temos o direito de pedir as máximas garantias, não fornecidas pelos mesmos privados que vendem os frutos da edição genética. Agora temos o dever de pretender que a introdução da edição genética na escala global num sector absolutamente vital como aquele da alimentação seja unicamente o fruto de décadas de experiências: porque se a intenção dos legisladores for “uma nova estratégia de crescimento sustentável e inclusivo para impulsionar a economia, melhorar a saúde e a qualidade de vida das pessoas, cuidar da natureza e não deixar ninguém para trás”, então antes de mexer algo no sector mais delicado da vida (falamos aqui do DNA) temos que ter certezas inabaláveis para que no futuro ninguém passe o tempo a amaldiçoar a nossa geração.

 

Ipse dixit.

3 Replies to “Farm to Fork: a edição dos genes e o controlo da agricultura”

  1. Simplesmente mais um golpe baixo no povo que não vai poder ter toda a alimentação baseado em alimentos “orgânicos” não OGM, no futuro (se houver) é que vão reconhecer o tamanho da cagada em que se enfiaram, será tarde.

  2. Chegará o dia em que com a brincadeira do homem em querer ser Deus ao transformar a natureza em modo artificial (plantas e animais geneticamente modificados) ditará a extinção. Até lá se não se livrar desse cancro de corroi a humanidade na busca do lucro, o numéro de cancros e doenças do foro genético terá o seu boom.

  3. Olá Max e todos juntando as vacinas mRNA, e o CRISPR/Cas9 entraremos na década na qual a humanidade submeter-se-á a uma modificação da qual já muito se fala, o transhumanismo. No caso aqui tratado transhumanos condenados à extinção. Não só o homo sapiens mas plantas e animais de uso alimentar.
    Vai se fechar o ciclo da aniquilação para as maiorias que aceitam serem enganadas e submetem-se aos tratamentos da morte.
    Mas ainda não será o apocalipse. Há um número maior do que se pensa de gente que está fugindo das grandes cidades, metendo-se em lugares onde predomina alimentação orgânica, pastos naturais, solos difíceis de cultivar, mas por causa disso mesmo ainda vivos.
    No novo mundo estas fugas têm mais chance de prosperar. A destruição dos solos é localizável, ao longo de poucos séculos, e os solos pouco ou não prejudicados também.
    Aqui onde estou pode-se construir uma história da terra: foi dominada por índígenas até a chegada dos brancoa o que é bem recente (século xvIII , em seus finais). Depois a extração da boa madeira aqui existente ( cedro, canela…) puxada a carro de boi nas picadas abertas em meio a floresta, concomitante ao genocídio dos donos da terra e apropriação de grandes espaços por portugueses açorianos. Como o terreno é muito acidentado, sobraram ainda poucas unidades de madeira boa, xaxins (substrato ideal para cultivo), e espécies caras como bromélias e orquídeas, além de caetés, próprio para o consumo do gado.
    O resto é madeira ruim, que serviu a posteriores carvoeiras.
    E finalmente sobrou barranco e pedra, muitíssimo granito, que deu lugar à pedreiras.
    Hoje a floresta secundária cresceu, e também produziu bananeiras perto de rios antigos ou ainda superficiais.
    Por ser considerado solo impróprio ao cultivo (no Brazil é assim, só se usa planície ou planalto, sem pedras para cultivo), esse chão não foi envenenado, as sementes podem provir dos cultivadores orgânicos de longa data, e a alimentação pode ser saudável.
    As dificuldades do terreno foi uma das razões pelas quais minha intensão de desenvolver uma propriedade auto regulada falhou. Dava muito trabalho o cultivo, e os locais não estavam interessados em solo vivo.
    Estou aqui faz 21 anos e a estrada de chão construída a mais 30 anos, antes vazia, está dando lugar a muitas chácaras, cujos donos vêm fugindo até de cidades médias. Não se preocupam em auto regulação mas querem comer frutas, legumes e hortaliças cultivados em casa. Querem saber de onde provém a carne que comem, e a quanto tempo o gado foi abatido, onde era o pasto, se houve ou não refrigeração, por quanto tempo… Somos sobreviventes homo sapiens, o que não é grande coisa, mas ainda não conseguirão por bom tempo nos transhumanisar, nos aniquilar.

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