Superpopulação

Falamos de excesso de população. Ou de Superpopulação. É um problema real?

Uma das frases gravadas no granito das Guidestones propõe a uma elite: “Manter a Humanidade abaixo de 500 000 000 em equilíbrio perpétuo com a natureza” e mais abaixo: “Orientar a reprodução com sabedoria, melhorando a saúde e a diversidade”.

Quinhentos milhões de pessoas. A população mundial não deveria exceder este número, tido como ideal de acordo com demógrafos e ambientalistas de todo o mundo. Em comparação com os oito mil milhões de pessoas no planeta, imaginar descer para 500 milhões significaria reduzir a população em pelo menos 94% do total. Nos seus Objectivos para a Humanidade, o Clube de Roma afirma que “a população ideal deve estar entre quinhentos milhões e um bilião para que a sustentabilidade seja assegurada”.

O fundador da CNN,Ted Turner, foi ainda mais longe com o seu ideal de uma população: um total de duzentos e cinquenta ou trezentos milhões de pessoas, o que representa uma diminuição de 95% em relação aos números actuais, seria perfeito.

O co-fundador de Earth First, Dave Foreman, pode encarnar o derradeiro sociopata amantes da morte quando afirma que os seus três principais objectivos seriam reduzir a população humana para cerca de 100 milhões à escala global, destruir a infra-estrutura industrial e depois ver o regresso da vida selvagem ao planeta, com toda a sua complementaridade e variedade de espécies.

Agora, é verdade que a humanidade está a atravessar um dos períodos mais complicados, se não o mais complicado de toda a história conhecida (ou pensada para ser conhecida). Por um lado, as causas são identificadas no estilo de vida absurdo que caracteriza a humanidade nos Países desenvolvidos e naqueles que aspiram a um forte crescimento económico, como a China, a Índia e o Brasil. Do outro lado, os Países mais avançados são acusados de ser os verdadeiros detentores do poder, sobretudo com a obra das multinacionais. Sabendo quem está por detrás das multinacionais, culpam-se o Clube Bilderberg, ou ainda mais acima, os Illuminati.

Estes problemas são analisados a todos os níveis, económico, social, psicológico, espiritual, religioso e assim por diante. No entanto, pouco fala-se da superpopulação do planeta. No geral, o excesso de população é chamado em, causa ao atingir uma marca demográfica, como os próximos 8.5 biliões de seres humanos ou os sucessivos 9 biliões. Depois as atenções são todas focadas em outros problemas, a começar pelo alegado excesso de dióxido de carbono e o consequente Aquecimento Global.

Repetimos a pergunta e, desta vez, tentamos dar uma resposta: a superpopulação é um problema real?

Resposta pessoal: sim. E não.

Se não reduzirmos a população mundial a um nível sustentável nas próximas décadas, Illuminati ou não, conspirações ou não, guerra nuclear ou não, a humanidade não terá mais recursos para se sustentar. Esta não é uma opinião, é uma observação baseada na mais simples aritmética: porque duas pessoas comem com um frango, até três pessoas comem com um frango, mas 10 já passam a fome. E o que acontece quando acabam os frangos? Sendo o nosso planeta um espaço finito, mais cedo ou mais tarde os recursos vão acabar, frangos incluídos.

Em 1958, Aldous Huxley escreveu em The Return to the New World:

Se o problema da superpopulação não for resolvido, todos os outros problemas não serão resolvidos e, de facto, as coisas vão piorar…

No livro Gaia de James Lovelock, publicado nos anos ’70, e no livro Our Final Hour de Marteen Rees, publicado em 2004, é bem presente o alerta acerca do perigo representado pelo número excessivo de seres humanos no planeta.

Portanto, parece que a resposta seja “sim, a superpopulação é um problema real”. Mas seria uma conclusão apressada porque nesta equação falta uma variável determinante: o nosso estilo de vida. Se for verdade que 8 biliões de pessoas são muitas, é também verdade que o nosso planeta é grande. Mas grande mesmo. As distâncias são encurtadas com os modernos meios de locomoção, mas a Terra tem muito espaço. E suspeito que, com um estilo de vida mais sustentável, poderia receber muito mais do que 8 biliões de indivíduos.

Todavia vamos dar um salto: imaginemos a Terra com uma população que vive segundo um estilo realmente sustentável mas já próxima do limiar que o planeta pode acolher. Mais cedo ou mais tarde este cenário irá tornar-se realidade: mais cedo no caso dum estilo não sustentável, mais tarde no caso do sustentável. Mas não se fala disso. Por qual razão?

Em parte porque estamos convencidos de que este é um problema não nosso. E provavelmente é verdade, mas não é simpático descarregar nos ombros das futuras gerações um fardo como este.

Em parte porque a nossa formação judaico-cristã, como todas as religiões monoteístas que estruturam profundamente as nossas mentes, opõem-se fortemente ao controlo da natalidade:no máximo fala-se apenas de escolhas individuais, nunca de uma estratégia útil a toda a humanidade a fim de sobreviver.

Em parte porque há o medo de ser acusado de ser apoiante da Eugenia, que coisa simpática não é.

E em parte porque a Ciência farta-se de prometer um futuro brilhante, apresentando cenários de sonho. Veja-se os recentes primeiros turistas espaciais: a ideia é que no futuro as coisas irão encontrar o caminho certo, quando na verdade a colonização espacial será uma empresa demorada e repleta de riscos (e perdas de vidas).

As religiões institucionalizadas e o Capitalismo têm baseado boa parte das suas estratégias para ampliar o seu poder na superpopulação e na consequente pobreza. Então sim, somos demais porque o nosso planeta não pode conseguir suportar um modelo de sociedade onde hiperprodução e desperdício constituem a norma, onde são artificialmente criadas necessidades que possam alimentar a produção ou o mercado financeiro. Não há um número mágico que pode servir para determinar quantos indivíduos possam ou não ocupar o planeta. 500 milhões? 300 milhões? 100 milhões? Isso não tem cabimento: o total depende da nossa capacidade de optimizar os recursos, deixando que Mãe Natureza tenha o tempo para substituir os gastos.

Actualmente, há quem diga que por detrás da fachada “democrática” estão a agir para exterminar 90% da população. Não sei se isso for verdade ou não. O que sei é que deveríamos ser nós, que estamos à procura de formas de mudar este mundo, a começar também a colocar a questão da superpopulação. Temos que fazer isso para nós, porque é justo tentar viver numa sociedade mais justa, e temos que fazer isso para as próximas gerações.

É preciso propor soluções, o que, na minha óptica, passa por escolher uma sociedade realmente sustentável. Que não pode ser aquela dos automóveis eléctricos, porque os problemas são outros.

 

Ipse dixit.

6 Replies to “Superpopulação”

  1. Olá Max!

    No meu ver, este é o supra-sumo dos temas a serem discutidos enquanto humanos que somos. Nunca antes da história registrada tivemos tantas pessoas. Qualquer que seja o desfecho, não temos histórico de situação semelhante.

    Eu sei que temos muito espaço sem ocupação humana ainda, mas tenho dúvidas se é possível continuar a crescer o número de pessoas, mesmo fazendo a gestão perfeita de recursos, mesmo se passemos a aumentar nosso cardápio e incluir insetos, como vem sendo incentivado aí no velho continente. Se a população cresce, logo iremos ocupar ainda mais o espaço destinado a fauna e a flora, e para o equilíbrio do planeta, é importante termos espaços exclusivos para estes tipos.

    Iniciativas “seasteading” propõe “criar espaços e viver onde hoje é mar”. Isto em tese aumenta expressivamente o espaço de vida humana, mas temo que talvez poderíamos a criar ainda mais desequilíbro.

    Infelizmente, tenho dúvidas se nós como humanidade vamos passar ilesos dessa. Em algum momento, a qual espero já ter morrido, ou o planeta irá dar cabo de nós, através de desastres ambientais, ou nós mesmos, com a elite a matar todos que não são eles. Ou quem sabe os dois efeitos juntos.

  2. Do meu ponto de vista afirmar que há superpopulação equivale a afirmar que a vacina mRNA é ótima para os picados por ela, ou que a temperatura no planeta está aumentando globalmente.
    Quem conscientemente afirma isso precisa conhecer a América de baixo, viajar na Patagônia mais de 400Km por terra fértil e cheia de rios, sem ver uma única alma viva chamada gente.
    Ou ter a coragem de atravessar os milhares de km por densas florestas e terras razoavelmente aproveitáveis a`vida humana, completamente desabitadas. sem nenhum sinal de vida humana
    Não é preciso matar gente para viver bem no planeta. É urgente matar o jeito de viver de muitos humanos que acabam com o planeta jogando milhares de bombas sujas, destruindo a natureza para enriquecer exponencialmente, consumindo e poluindo sem cessar, produzindo voluntariamente a escassez e consequentemente a desintegração social e as ondas de migrantes forçados.
    Resolvendo estas formas de viver estúpidas, a humanidade poderia viver em paz e saudavelmente. Caberia também controlar a natalidade, vivendo o prazer de fazer sexo a vontade, impedindo a concepção.
    É tão simples agir de forma realmente civilizada, é só acabar com aqueles famosos 1%, que produzem toda a m. do mundo, e depois resolvem acabar com o mundo para eles não se verem ameaçados.

    1. Subscrevo…
      É tratando de mudar o nosso “modo de vida” que protegemos e cuidamos da vida na Terra.

      Sem acabar com o sistema contínuo de produção/consumo insustentável, sem acabar com a contínua educação de exacerbação do “EU” (antropocentrismo humano), sejamos 100 milhões ou 10 bilhões a situação permanecerá igual. Acrescento também como factor crítico, o monopólio do materialismo na visão atual da existência humana, pois pese embora a existência de inúmeros “crentes” de diferentes tipos, na generalidade e por interesse mundano, abdicam de suas “crenças” na rotina dos seus dias com a mesma facilidade com que trocam de roupa interior.

      A componente espiritual, energética, filosófica não advém com o quanto se detém.
      Adquire-se no respeito e busca pela simbiose com os seres vivos com quem partilhamos o planeta.

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