Covid: Unicef, medidas de prevenção mataram centenas de milhares de crianças

Não tinha intenção de falar da Covid hoje. E que raio, de vez em quando uma pausa…

Depois, eis que encontro um relatório da Unicef, o Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância. O relatório apresenta dados sobre os quais é preciso reflectir. Ou melhor: sobre os quais deveriam reflectir todos aqueles que apoiam as medidas de distanciamento social, como o confinamento, mas não só.

O documento é disponível em duas versões, ambas em língua inglesa: uma versão completa e outra resumida (quatro páginas). Por uma questão prática, vamos observar a versão mais curta.

O estudo centra-se nos seis Países mais populosos do Sul da Ásia: Afeganistão, Bangladesh, Nepal, Índia, Paquistão e Sri Lanka.

Quando a pandemia global foi declarada pela Organização Mundial de Saúde a 11 de Março de 2020, os serviços essenciais de saúde materna, neonatal, infantil e adolescente (SRMNCAH) em todo o Sul da Ásia já estavam a ser encerrados. Durante o segundo trimestre de 2020, o acesso a todos os serviços SRMNCAH essenciais diminuiu substancialmente, e por vezes de forma precipitada. Mesmo onde os serviços permaneceram abertos, a utilização diminuiu. No Bangladesh e no Nepal, por exemplo, o número de crianças pequenas a serem tratadas por desnutrição aguda grave diminuiu em mais de 80 por cento. Tanto a Índia como o Paquistão registaram reduções no número de crianças que receberam a vacina DPT3/Penta 3 [contra difteria, tétano e pertússis, ndt] de cerca de 35 e 65 por cento, respectivamente.

As nossas estimativas indicam que, até ao final de 2020, uma perturbação desta dimensão terá provavelmente contribuído para mais de 228.000 mortes adicionais de crianças com menos de cinco anos nos seis maiores países do Sul da Ásia, em comparação com o ano anterior. Espera-se também um pico no número de mortes maternas de mais de 16%, com mais 7.750 na Índia e mais de 2.000 no Paquistão, perfazendo um total de cerca de 11.000 mortes maternas adicionais estimadas em todo o Sul da Ásia.

É provável que tenham ocorrido mais 3.5 milhões de gravidezes involuntárias durante o ano 2020. Durante o segundo trimestre de 2020, as taxas de anemia materna por deficiência de ferro aumentaram mais de 40 por cento no Nepal e 22 por cento no Bangladesh em comparação com o mesmo período de 2019. Entre os adolescentes, é provável um aumento da mortalidade relacionada com doenças, com quase 6.000 mortes adicionais por malária, tuberculose, VIH/SIDA e febre tifóide. Cerca de 420 milhões de crianças do Sul da Ásia foram afectadas pelo encerramento de escolas desde o início da pandemia, e estima-se que cerca de 9 milhões abandonarão definitivamente a escola. Cerca de 50 por cento delas serão raparigas.

Dado o contexto cultural e social da Ásia do Sul, espera-se que isto leve a um aumento dos casamentos de crianças, resultando em mais 400.000 gravidezes adolescentes, bem como um aumento do número de mortes maternas e neonatais, e em taxas de atrofiamento de crianças. As medidas de mitigação Covid-19, incluindo restrições de viagens e bloqueios, tiveram também consequências mais amplas para a saúde pública, devido ao aumento dos níveis de desemprego, pobreza e insegurança alimentar. Espera-se que as maiores nações do Sul da Ásia registem um aumento das taxas de pobreza entre 0.6 e 3.7 por cento, e um aumento médio da insegurança alimentar de 18 por cento.

A Unicef reconhece que os modelos utilizados no estudo “têm várias limitações, a maioria se não todas, resultantes de restrições em torno da disponibilidade de dados, especialmente a nível subnacional” (página 35 do relatório completo).  No caso do abandono escolar, por exemplo, foram aplicados como pressupostos os dados do abandono na Indonésia durante a crise financeira asiática de 1997. O resultado é que as conclusões “podem muito bem ser subestimadas”: um documento muito recente do Bangladesh, por exemplo, indica que a proporção de famílias que ganham menos de 1.90 Dólares por dia aumentou de <1% para quase 50% e as que sofrem de insegurança alimentar aumentaram em mais de 50%”. Além disso, o modelo de impacto económico não inclui as distinções relacionadas com o género e esta é uma limitação importante “uma vez que o tipo de indústria, posição hierárquica, nível de pagamento e percentagem de cada sector são todos afectados pelo género”.

Sendo a Unicef uma organização no seio da ONU, as conclusões são previsíveis (pág . 36 do relatório completo):

Aumentar a cobertura das medidas de mitigação da Covid-19, tais como a utilização de máscaras e a higiene das mãos, o que pode levar a ~400.000 mortes a menos no próximo ano.

O que é ridículo: os efeitos negativos apresentados não dependeram da utilização de máscaras ou da limpeza das mãos. É exactamente o contrário: a falta de serviços, de assistência, o fecho das escolas, as interrupções das cadeias de abastecimento… todas estas foram as medidas “preventivas” na luta à “pandemia”, todas elas foram as responsáveis pelos impressionantes números contidos no relatório da Unicef.

Para ter uma ideia, vejamos os dados oficiais (WorldoMeters) relativos aos Países que o relatório analisou:

  • Afeganistão: 2.462 mortos por Covid-19
  • Bangladesh: 8.624 mortos
  • Nepal: 3.016 mortos
  • Índia: 159.594 mortos
  • Paquistão: 13.757
  • Sri Lanka: 537 mortos

O que perfaz um total de 187.990 óbitos provocados pela Covid. Se os dados do relatório da Unicef estiverem correctos (o condicional é obrigatório porque 1. é um organismo da ONU 2. trata-se de estimativas), as medidas de “prevenção” mataram mais da doença e isso considerando só as faixas etárias dos mais jovens.

Paradoxalmente, por terem uma demografia dominada pelos jovens, os Estados da Ásia do Sul nunca estiveram em alto risco de Covid-19. A tragédia é que tenham sido seduzidos a fechar pela campanha de terror espalhada a o nível global.

Os encerramentos têm sido frequentemente justificados no último ano com base no princípio da precaução, criando o mito de que não têm qualquer custo, pelo menos em termos de vidas, e que qualquer custo financeiro deve valer a pena porque as medidas salvariam “centenas de milhares” de vidas. Um ponto de vista profundamente errado: o encerramento “por precaução” é mortífero, assim como a ideia de proibir a interacção e as actividades humanas durante meses de cada vez.

Todos os estudos com dados reais não mostram qualquer correlação entre restrições e mortalidade por Covid. Também não há provas de que estas “centenas de milhares” de mortes tenham ocorrido em lugares que evitaram restrições severas, tais como a Suécia, o Dakota do Sul, a Coreia do Sul, a Tanzânia ou a Florida. No entanto, este mito básico do isolamento persiste, não porque haja provas reais que o apoiem, mas para preservar a consciência daqueles que apoiaram medidas que tanto prejudicaram os Países e as pessoas mais vulneráveis em todo o mundo.

Mas, passado um ano, é altura de começar a ter a coragem para fazer as contas.

 

Ipse dixit.

Imagem de abertura e tabela original: © Unicef

15 Replies to “Covid: Unicef, medidas de prevenção mataram centenas de milhares de crianças”

  1. E as contas vão subir e muito…
    Original…https://echelledejacob.blogspot.com/2021/03/dr-mark-trozzi-urgentiste-en-ontario.html
    Traduzido…https://queonossosilencionaomateinocentes.blogspot.com/2021/03/dr-mark-trozzi-medico-de-urgencia-de.html

    Foco em “Terapia genética experimental de Covid-19 mRN”…
    “consulte a página 11 em qualquer um dos briefings de covid “vacina” dos Emirados Árabes Unidos (Moderna; Pfizer) para encontrar na secção 4.1 Composição da vacina: “A vacina contém um RNA mensageiro nucleosídeo modificado (modRNA) codificando glicoproteína avançada viral (S) para SARS-CoV-2.” ou “A vacina contém um ácido ribonucleico mensageiro sintético (mRN) codificando glicoproteína avançada estabilizada pré-fusão (S) do vírus SARS-CoV-2.”
    “Portanto, essas novas injecções são material genético covid-19. Elas são uma parte modificada do código genético do vírus covid-19″… “o ponto de venda optimista aqui é que você acaba com partes do vírus covid-19 a flutuar no seu corpo para, esperançosamente, estimular uma resposta imune saudável.”

    Mas não, a resposta não é saudável num grande número de casos…
    Ver e acompanhar os dados de Israel pré e pós vacinação da PFizer (comparar judeus vs palestinianos).
    Para lá da mRN, a técnica do adenovírus também é muito distinta entre os vários fabricantes.

    Conclusão (a minha)…
    A vacinação experimental (mRN e “amigas” próximas), são na verdade vectores virulentos, constituindo-se como agentes catalizadores das mutações naturais, com a vantagem de induzirem a mutação por adaptação do RNA viral ao RNA humano.

    Consequências:
    1 – As reacções adversas conhecidas e as inúmeras mortes em curso (qd a coisa dá pró torto);
    2 – Incremento nas mutações, infecciologia e propagação de inúmeras estirpes;
    3 – Criação do ciclo virulento permanente (+ vacinas,+mutações,+estirpes,+infeções, etc, etc, etc)

    Eugenia à escala mundial… permanentemente.
    (e ainda só lançaram o SARS-Cov-2)

    Todos a bordo.
    (eu cá só conheço uma solução para isto)

    1. Olá Anónimo!

      Fui ver os comentários e não há nada lá que não esteja publicado, nem no lixo onde por vezes acaba o spam. Entretanto ficou visível?

  2. Não discordo da sua análise, como sempre vc fez um bom embasamento das suas idéias e acho que há grande chance de vc estar certo. Mesmo assim , são só conjecturas.

    A minha crítica ao seu trabalho e me vejo confortável para faze-lo, porque também te elogio bastante, é que quando as notícias são contra a sua maneira de pensar ,vc aceita as estatísticas facilmente e as vezes elas não são muito confiáveis.
    (vide caso da VAERS, do teste positivo da Coca-Cola p/ Covid ) . No entanto , a mesma imparcialidade não se aplica quando os dados aparentemente discordam da sua opinião e nesse caso, são minuciosamente analisados.

    Vc já observou que 99% dos comentários com relação ao assunto Covid/Vacina concordam com suas opiniões?
    Será que não existe leitores ( aqueles que nunca comentam ) que se sentem acuadas em escreverem algo contra a opinião do blogueiro ? Milhões de brasileiros concordam com o isolamento e será que não há nenhuma ovelhinha que se arrisque a escrever algo defendendo a opinião dela ?

    Talvez, se eu não fosse leitor desse blog há vários anos, será que eu teria coragem de escrever algo que contestasse a sua opinião ? Se vc enfatiza muito mais o seu lado?

    Certamente Max , que não te acho uma pessoa imparcial , nem almejo que sejas santo. Mas vc como um bom blogueiro, deveria mostrar os dois lados da moeda em seus post, especificamente com relação a um assunto que é excepcional em todos os seus aspectos . Até porque, vc sempre agiu assim , mas acho que essa questão da Covid , talvez tenha feito vc se perder um pouco e o lado emocional tenha prevalecido.

    Lógico , posso estar enganado, também não sei o que a maioria dos leitores pensam.

    Gostaria muito que vc entendesse minhas palavras como uma critica construtiva de quem aprendeu a gostar do II e deseja sempre o melhor para este blog.

    Abraço.

      1. A imparcialidade entre homens é uma utopia, no máximo que alcançamos é um mínimo de justiça, numa sociedade cuja sensibilidade divide-se entre os meus e os outros…

    1. Olá Sérgio!

      Uhi, aqui é precisa uma resposta comprida! Vamos a isso então 🙂

      Não sou imparcial? Claro que não! Ninguém é imparcial, por uma razão muito simples: todos temos as nossas ideias, as nossas preferências. E não é que um pessoa, pelo facto de ter um blog, de repente possa ficar imparcial. O máximo que todos podemos fazer é tentar ser imparciais (o que raramente é conseguido), mas isso é tudo.

      Quando conseguimos ser imparciais com um mínimo de sucesso? Quando não conhecemos o assunto do qual estamos a falar, na altura da pesquisa. Depois, uma vez recolhidos os dados, ficamos com uma ideia e a imparcialidade foi-se, mesmo com toda a boa vontade. Porque somos seres humanos e assim funcionamos.
      Mas não é assim que pretendo responder ao Sérgio, ora essa. Como sempre, vamos com ordem.

      – VAERS:

      Acho que Sérgio fala do facto deste ser um sistema de recolha de dados “passivo”. Mas também a EMA (a agência europeia, acerca da qual Sérgio não me critica) utiliza um sistema passivo. Ou seja: nem o VAERS e nem a EMA vão pedir os dados, são outros que enviam os dados ao VAERS e à EMA. A única diferença que encontrei é esta: nas páginas do VAERS é especificado que os casos são “verificados”. Não sei o que isso significa, não sei se o VAERS verifica quem sinalizou o caso, se analisa cada ficheiro, se contacta o paciente (se estiver vivo) ou mais. O que sei é que na EMA nem isso encontrei e não me admiro sendo um ente do circo de Bruxelas.

      Em qualquer caso: isso não é muito importante porque podemos gostar ou não do VAERS mas entretanto é o único recurso oficial para avaliar a campanha de vacinação nos EUA. Não há outros. É o equivalente norteamericano da EMA. Não aceitamos os dados do VAERS? Ok, então temos que recusar também a EMA, que funciona segundo o mesmo princípio.

      Resultado: o blogueiro aqui deveria dizer “Não há dados acerca das campanhas de vacinações”. Ou seja: deveria mentir. E não acho correcto porque existem dados oficiais (verdadeiros ou falsos que sejam) e a coisa mais lógica do mundo é publica-lo e compara-los, o que eu fiz. Se depois há fortes discrepâncias, como neste caso, não podemos dizer “não gosto, vou procurar outros”: não há, temos que raciocinar com o que temos.

      O que não entendo é criticar o blogueiro por este publicar dados oficiais. Repito: o VAERS é o sistema oficial dos EUA para a segurança das vacinas; é uma emanação directa do CDC (Centers for Disease Control and Prevention), a agência nacional de saúde pública dos EUA que co-gere a recolha e a análise dos dados. Nada e ninguém nos EUA sabe mais (oficialmente) acerca das vacinas no território federal.

      – COCA COLA:

      Sugestão: em vez que criticar o mensageiro (o blog), acho que Sérgio deveria perguntar-se: como é possível que um teste para detectar uma doença terrível como a Covid-19 encontre o vírus numa lata de refrigerante ou em pedaços de fruta?

      Não é uma notícia digna de ser relatada? Mas eu não relatei só a notícia: pôs um vídeo onde três profissionais de saúde executam o teste em directo. Não deveria ter publicado isso? Posso saber por qual razão? Se existir um vídeo no qual alguém for capaz de replicar o mesmo teste e obter resultados diferentes, façam o favor de enviar o link: publico já, isso é óbvio.

      E se um tal vídeo não existir? Então não temos que acusar o blogueiro mas temos que perguntar: como é possível que um teste para detectar uma doença terrível como a Covid-19 encontre o vírus numa lata de refrigerante ou em pedaços de fruta e ninguém consiga desmentir este facto? Eu conheço a resposta.

      – LEITORES

      “Vc já observou que 99% dos comentários com relação ao assunto Covid/Vacina concordam com suas opiniões?
      Será que não existe leitores ( aqueles que nunca comentam ) que se sentem acuadas em escreverem algo contra a opinião do blogueiro ? Milhões de brasileiros concordam com o isolamento e será que não há nenhuma ovelhinha que se arrisque a escrever algo defendendo a opinião dela?”

      Como Sérgio deve ter reparado, qualquer pessoa pode comentar neste blog. Em quase 11 anos de actividade só foram três ou quatro os casos de censura. E sempre foi censura temporária. Exemplo: P.Lopes voltou, K (um dos últimos nicks utilizados) também só que agora comenta como “Anónimo”. Sérgio sabe que não foram censuras justificadas por opiniões diferentes das minhas mas baseadas em outros pressupostos.

      Sérgio acha que a minha atitude assusta potencias comentadores? Posso sempre deixar de comentar se este for o problema. Sérgio deve ter reparado também que costumo defender as minhas ideias utilizando a pouca lógica que tenho. É este o problema? Deveria ser mais condescendente com as opiniões apresentadas? Pode ser e, repito, se for este o problema é possível falar do assunto, sem crise.

      A maioria dos Leitores que comenta concorda comigo? Não acho particularmente estranho. Além de gerir um blog sou também leitor de outros blogues. Por minha natureza costumo seguir também blogues que vão contra às minhas ideias: sigo blogues declaradamente de Esquerda e de Direita. Mas a maioria das pessoas não faz isso: tende a seguir publicações que reflectem o seu próprio modo de pensar. Quem vota à Direita não costuma comprar um diário de Esquerda. Da mesma forma, quem segue I.I. provavelmente concorda com a maioria das coisas publicadas.

      Quem não concorda não comenta? Pode ser, mas o que posso fazer em relação a isso?

      Para facilitar os comentários deveria apresentar sempre os dois lados da moeda? Talvez. Mas então deveria valer sempre, em qualquer caso.

      Vamos fazer um exemplo: critico Papa Francisco? A seguir tenho que publicar um artigo que defenda Papa Francisco. Critico Biden? Mesma coisa. Os EUA? Ídem. A Nato? Idem. Lula? Idem. A China? Idem. Critico os racistas? A seguir é preciso um artigo que defenda os racistas. Todos os assuntos deveriam ser tratados duma forma dupla, porque o que não podemos fazer é dizer “Max, tens que publicar os dois lados da moeda para os assuntos X, Y e Z, enquanto no caso dos assuntos W, X e K podes ignorar”. Mas quem decide os assuntos para os quais é preciso sempre um duplo ponto de vista? Eu? Sérgio? Ou quem? Ou será que a Covid é uma caso especial?

      – COVID

      “Mas vc como um bom blogueiro, deveria mostrar os dois lados da moeda em seus post, especificamente com relação a um assunto que é excepcional em todos os seus aspectos . Até porque, vc sempre agiu assim , mas acho que essa questão da Covid , talvez tenha feito vc se perder um pouco e o lado emocional tenha prevalecido”.

      Absolutamente sim, concordo 100%: a Covid é um caso excepcional, fez-me perder ainda mais do lado imparcial. E acrescento: ainda bem. Porquê? Porque é um ponto de viragem. Não vou tentar convencer Sérgio do meu ponto de vista, desejo apenas esclarecer um único aspecto, este: todos os artigos acerca da Covid não devem ser lidos como “entidades” autónomas mas como partes dum quadro bem mais amplo. O que quero dizer é que está em curso uma transformação radical da sociedade, uma transformação que não é espontânea mas provocada e dirigida.

      Posso estar errado? Sim, sempre: é uma hipótese que não posso descartar (não seria honesto comigo mesmo), mas doutro lado esta é uma altura em que temos que fazer umas escolhas. E a minha escolha não é aquela de acompanhar a versão oficial simplesmente porque vejo-a como criminosa. Não simplesmente “errada” mas criminosa mesmo.

      Sérgio pode ficar descansado: o planeta continuará a precipitar na nova ordem que foi desenhada, com ou sem a aprovação do Max. Mas o que não pode ser-me pedido é ser cúmplice especialmente neste caso, que considero o mais grave desde a Segunda Guerra Mundial. Não vou repetir aqui todas as razões que me levam a pensar nisso, Sérgio lê o blog e com certeza as conheces. Aos meus olhos o que está a acontecer é extremamente claro: a Covid é parte integrante duma estrutura concebida para mudar de forma radical o nosso estilo de vida. O que poderia não ser mal de todo pois o nosso estilo tem falhas gritantes. O problema reside em quem decide qual o próximo nosso estilo de vida: não é Sérgio, não sou eu, não é nenhum dos Leitores.

      Sei que Sérgio está preocupado com a questão da Covid. Entendo isso e não estou a brincar ou a ser irónico. Metade dos Leitores de I.I. são de Portugal e acho que não terão problemas em confirmar que aqui a situação é muito calma. No Brasil, ao que parece, não é, lamento muito. Mas é isso suficiente para esquecer que os dados acerca dos “infectados” e dos mortos são propositadamente aumentados? Falei com pessoal médico aqui do burgo e em Italia, já lembrei nestas páginas que a minha “segunda mãe” tem um cargo de topo na saúde da minha região de origem: não gosto de relatar o que oiço porque aqui tento sempre proporcionar as fontes que possam ser verificadas por qualquer Leitor, evitando o “tenho um amigo cuja tia disse que o o irmão do sapateiro afirmou…”. A proposito…

      – FONTES

      O Sérgio já reparou nas fontes que utilizo ao falar da Covid? CDC (VAERS), EMA, OMS, Unicef, Medicines and Healthcare Products Regulatory Agency (UK), Infovac (Suíça), Ministero della Sanitá (Italia), estudos do British Medical Journal, The Lancet, Science, Nature, especialistas internacionais… estas são as fontes que proporciono aos Leitores, não A Gazeta da Beira Alta (com todo o respeito pela Beira Alta e relativa Gazeta se é que existe). E, por uma vez, permitam que me dê os parabéns porque seria extremamente simples publicar tudo sem filtrar, sem pôr exigências: mas dado que o meu fim não é ter um blog “bombástico”, dado não quero ter Leitores que acreditam nos títulos cubitais dos diários, dado que este continua a ser essencialmente um blog “de pesquisa” (minha e dos Leitores), pretendo manter um nível particularmente elevado acerca das fontes e conseguiu isso. Quantas publicações online ao longo deste ano conseguiram manter o mesmo nível (por favor, ninguém escreva “Bravo Max”, não estou à procura de parabéns), com fontes originárias quase exclusivamente do mundo científico, constantemente acompanhadas por links de verificação e, quando possível, com documento originais?

      Sérgio, justamente, não pode ter ideia da imensa quantia de coisas que não publico, apesar de serem artigos que partilham a minha visão, só por falta dum link que possa ser utilizado pelos Leitores para verificarem as afirmações. Mas o que conta, voltando ao Sérgio, é que é exactamente a partir destas publicações científicas que maturei a minha ideia. Não é que se me cruzo com um artigo que diz que a China está a preparar novos vírus ainda mais terríveis (encontrei isso ontem), de repente penso “Epá, fiquei convencido: esta é uma conspiração global!”. Não é assim que funciona.

      Da mesma forma, quando falo do World Economic Forum não cito um obscuro blog: vou, leio o que o WEF afirma nas suas próprias páginas, faço um resumo, copio excertos, ponho o link, se possível anexo um documento original.

      A minha parcialidade no assunto Covid não é sustentada apenas por uma fé: há um ano que publico dados, que adapto gráficos em português e tudo, dados ou gráficos, são originários de fontes oficiais. Nunca atrevi-me a publicar dados sem poder especificar a fonte. Isso significa algo: significa que nesta história da Covid algo não bate certo. E este “algo” não é insignificante.

      Deveria publicar fontes que confirmam a Covid como “pandemia” terrível que mata milhões de pessoas? Lamento Sérgio, não vou fazer isso. Porque ficaria cúmplice dum processo de desinformação que utiliza dados manipulados para assustar os cidadãos. Mas sobretudo porque seria como pedir-me para publicar algo que defenda um crime, seria como pedir-me um artigo em defesa da pedofilia: nunca.

      No caso da Covid fiz uma escolha e pretendo não tanto defende-la quanto comprova-la. A melhor forma? Não com as minhas ideias as com dados e fontes oficiais ou, em qualquer caso, com a voz de reconhecidos especialistas. Tenho todo o direito de fazer isso porque ao longo dos últimos 12 meses foi privado da minha liberdade, foram-me retirados tempo, dinheiro e direitos, fui alvo duma pressão mediática sem antecedentes, limitaram-se a dar-me ordens (não poucas vezes em contradição entre eles) e ninguém perguntou-me “Max, achas bem?”.

      – CRÍTICAS

      “A minha crítica ao seu trabalho e me vejo confortável para faze-lo, porque também te elogio bastante, é que quando as notícias são contra a sua maneira de pensar ,vc aceita as estatísticas facilmente e as vezes elas não são muito confiáveis”.

      Qualquer pessoa tem que sentir-se confortável em criticar o que for publicado nestas páginas, ora essa! E Sérgio não é uma excepção, como é óbvio. Uma crítica apresentada com o tom que Sérgio utiliza nunca pode ser considerada uma ofensa, só uma contribuição.

      E convido os Leitores que não concordam comigo acerca da questão Covid (mas não só acerca disso!) a agarrarem o teclado e criticarem também, apresentado os pontos de vista deles. São precisas vozes contrárias, só ao trocar opiniões diferentes podem surgir novas ideias e podemos mudar pontos de vista.

      Sérgio, agradeço muito o comentário, também porque representou uma boa ocasião para esclarecer uns pontos importantes 🙂

      1. Olá Max.
        Vc escreveu um livro, minha intenção não era essa. Aproveitei o tempo propicio e fui a praia, pois o Outono já bateu na porta. Apesar das restrições, pelo menos na cidade vizinha, as praias estavam lotadas. Muito se discutiu durante a semana sobre lockdown, liminares judiciais contra e a favor, mas prevaleceu a prática da “lei de mentirinha”.
        Com isso, só ví sua resposta hoje.
        Entendi o que vc falou, embora eu não concorde.

        Só para esclarecer sobre o vídeo da Coca-Cola ( não citei as frutas, mas acho que também serve para elas ).

        Repeti hoje , a mesma pesquisa que fiz na época em que saiu o seu post. Com uma única exceção: hoje não inclui a palavra “fake”:
        Fiz a busca: “teste da CoCa Cola dá positivo para Covid”
        Resultado: Vieram 10 links na primeira página ( a que todos olham )

        3 links – Resultados que não tinham relação como o assunto;

        1 link – Descrevia o notícia de forma muito parecida como foi apresentado no II;

        6 links – Afirmaram serem testes equivocados, porque os procedimentos estão incorretos. O próprio fabricante postou um vídeo mostrando a forma correta. A Coca-Cola também fez e ambos deram negativo.

        https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/factcheck/2020/12/17/interna_internacional,1223640/checamos-o-que-ha-por-tras-do-teste-positivo-para-covid-19-em-coca-cola.shtml

        Para quem gosta das palavras de especialistas:

        “Não é uma conquista distorcer as condições do teste a ponto de darem resultados falsos”, disse Thomas Decker, professor de Imunobiologia da Universidade de Viena, à AFP. “O teste foi desenvolvido para permitir a ligação de um anticorpo a antígenos, e não para reações a certos alimentos”, esclareceu.

        Já sabemos que os testes não são precisos , os fabricantes já afirmavam isso.
        Então a única conclusão que chego, foi que a intenção era levar a discussão sobre os testes para o nível do ridículo.

        Para mim , este é um tipico caso de imparcialidade. Vc poderia ter pesquisado antes de mostrar o vídeo da Coca. Se pesquisou, se omitiu.

        Também não concordo com seu conceito de imparcialidade.

        O trabalho de um advogado é parcial, ele defende seu cliente acima de tudo.
        Mas vc não está aqui como advogado, está como um blogueiro, cujo objetivo vc mesmo afirmou, é estimular o debate e a troca de idéias.
        E um bom blog como o seu , para continuar sendo, deve prezar pela imparcialidade.

        Por exemplo, e é só um exemplo que me veio a cabeça agora:

        Se vc postar um artigo defendendo os atos do Bolsonaro, não penses que espero que vc publique outro defendendo o Lula. Mas, espero que vc cheque a veracidade das informações publicadas.

        Max, irá dizer: ” Mas , Sergio eu sempre confiro antes de postar”

        Eu direi , mas o quando o assunto foi a Covid , houve deslizes. O exemplo está aí.

        Mesmo “assim eu perdoo os teus deslizes
        E é assim o nosso jeito de viver”

        Abraço.

        1. ERREI DE NOVO

          “Para mim , este é um tipico caso de PARCIALIDADE”.

          Esse prefixo “IN” que nos dá uma conotação de contrário ou de errado , acaba confundindo a gente.

          Ex: (IN)Feliz , (IN)capaz..

          ” O que quer
          O que pode
          Essa Língua”

        2. Olá Sérgio!

          Eu posso perceber a preocupação e o medo devido ao Covid. Até entendo posições políticas que levam a tomar determinadas posições. Mas gostaria que o diálogo com os Leitores permanecesse no âmbito da seriedade e da honestidade intelectual.

          “Para mim , este é um tipico caso de imparcialidade. Vc poderia ter pesquisado antes de mostrar o vídeo da Coca. Se pesquisou, se omitiu.”

          Eu NUNCA publiquei um vídeo com protagonista a Coca Cola.

          Publiquei um vídeo onde o teste é efectuado em pedaços de fruta. O teste, publicado na integra, sem cortes, foi conduzido pelos Professor Stefano Scoglio, o Dr. Mariano Amici e o técnico de laboratório e perito químico Domenico D’Angelo. Desculpem a pobreza das fontes..

          No vídeo é reportada a notícia (sete segundos no final) do análogo teste efectuado com a Coca-Cola: a afirmação é feita por um deputado austríaco no Parlamento. Não um gajo numa rua, mas um deputado parlamentar. E não se limita a fazer a afirmação: repete o teste no Parlamento.

          “Max, irá dizer: ” Mas , Sergio eu sempre confiro antes de postar”
          Eu direi , mas o quando o assunto foi a Covid , houve deslizes. O exemplo está aí.”

          Portanto, um vídeo que nunca publiquei é a razão pela qual Sérgio acha que no caso da Covid não confirmo as fontes para favorecer o meu ponto de vista. Ok, vou à praia.

          1. Estás muito enganado quando pensas que minha posição sobre o vírus tem conotações politicas.
            Já falei sobre os motivos e não vou perder tempo explicando novamente.

            Agora, já que vc insinuou algo em relação ao governo Bozo, saiba que ele já mudou de posição e agora defende a vacinação em massa. Obviamente , até hoje, amanhã ele pode desmentir o que disse e postar o contrário nas redes sociais. Mais do mesmo.

            Com relação ao vídeo da Coca:

            Para mostrar um vídeo eu posso falar ou posso comentar sobre ele.

            O teste é citado no vídeo das frutas e enfatizado nas suas palavras jocosas:

            “Temos depois o caso do deputado austríaco que mostrou aos colegas do Parlamento que também a Coca-Cola deu positivo ao teste rápido. Todavia, não podemos observar a realização do teste nem conhecemos algumas das condições preliminares, como por exemplo: a Coca Cola submeteu-se espontaneamente ao teste, como no caso dos participantes italianos, ou foi obrigada? A Coca Cola encontrava-se em perfetias condições de saúde ou já apresentava sintomas quais tosse e dor de cabeça? Mesmo discurso para as vozes acerca do sumo de maçã e do cacau. Não são pormenores: se é para fazer Ciência, então que sejam apresentadas todas as provas, sem medo ou reticências. O povo tem o direito de conhecer a verdade.”

            Em destaque,: a sua ultima frase:

            “Não são pormenores: se é para fazer Ciência, então que sejam apresentadas todas as provas, sem medo ou reticências. O povo tem o direito de conhecer a verdade.”

  3. Se o blog apresentasse versões oficiais, eu não estaria aqui. da mesma forma quem opta pelas versões oficiais, tem todo o direito, mas evitem stress, lendo coisas que no fundo não estão de acordo.
    Eu gosto muito daqui porque dentro do não oficial, II apresenta novas interpretações e conhecimentos que eu não sabia, ampliam a minha capacidade de raciocinar em torno de novas possibilidades, mas longe do oficial, é claro.
    Eu tenho convicção que nada é o que parece, logo a leitura e discussões em torno do que parece ,faz muito, deixaram de me interessar.

    Para não deixar de falar na “pandemia”, reconheço a competência de quem planejou e executou essa parafernália de virus e vacina.
    Eles conseguiram até atingir as pessoas que o Max apresenta. As estatísticas, eu não dou grande importância devido às manipulações. Mas o fato é que o fenômeno existe, e deriva em mortes prematuras.
    Mesmo daqui da floresta desfilam as ocorrências: o hospital local está cheio de supostos “encovidados” e as cirurgias são prorrogadas, uma, duas, mais vezes. Os atendimentos que descartem o virus não se realizam. É claro que desse tipo de atenção resultará mortes.
    Então eu não preciso de estatística para aceitar o ocorrido lá no fim do mundo. A situação é global e entra por dentro dos meus olhos. Daí um dos motivos de sucesso, para efeito de genocídio.

  4. Chaplin,

    um gajo bem tenta (re)abrir portas, mas se o outro lado continua nos moldes de sempre o resultado só pode ser um.

  5. Pois é. Daqui donde me encontro, ii tem sido o lugar onde encontro as análises e fontes mais importantes e no tom que eu espero para favorecer um debate. Não se trata de concordar, mas de uma abertura ao pensamento. Seria absurdo ter o Max como oráculo da imparcialidade, esta palavra que serve a qualquer coisa, principalmente como gasolina para polêmicas.

    Nesta nossa atualidade a imparcialidade tem sido a roupagem mais apreciada pelo governo das massas. Seu efeito tem sido rotular de parcialidade tudo que destoa, derrapa, dissente. Não há saída aí, pois qualquer movimento de pensamento, pergunta, compreensão está fadado a ser parcial. Então não me interessa a briga se é ou não é parcial…

    Todavia sei que é do lado da parcialidade que tenho esperança de encontrar a possibilidade de pensar o imparcial e sua imensa maquinaria histórica, política, social e… crítica.
    Mas é só um começo, pois o trabalho do pensamento, e este não relego a ninguém, está, ainda por fazer. Uma vez pensada uma questão ela está fadada à parcialidade, mas, é daí que pode surgir uma conversa, um debate e, uma linha de ação.

    E aqui, ouso dizer o que o dono do blog não quer que diga: obrigado Max.

    https://websmed.portoalegre.rs.gov.br/escolas/quintana/polemica_politica_problematiz.htm

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