J.K.Rowling, Bill Burr e The Root: gossip & racismo

\Sexta-feira, dia de gossip!

J.K.Rowling é TERF

A autora e criadora da série Harry Potter, J.K. Rowling, disse que só as mulheres podem ter as menstruações. A declaração foi recebida com protestos generalizados por parte dos activistas transgender radicais e de Esquerda. Uma das estrelas da série no cinema, Ralph Fiennes, disse ao The Telegraph que considera os comentários contra Rowling “irracionais” e “perturbadores”.

Não consigo compreender a acidez dirigida a ela. Posso compreender a intensidade que se desenvolve quando há uma discussão, mas considero estas acusações irracionais. Considero perturbador o nível de ódio que as pessoas expressam em relação a opiniões que diferem das suas e a violência da linguagem em relação aos outros. […] Precisamos daquelas vozes que correm o risco de ser ofensivas. Odiaria um mundo onde a liberdade desse tipo de voz fosse abafada.

Mas nem todos os actores da saga Harry Potter parecem concordar com os sentimentos de Fiennes: vários deles, incluindo Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint, pronunciaram-se contra Rowling. Radcliffe reagiu afirmando que “as mulheres transexuais são mulheres”, acrescentando que está “profundamente arrependido da dor” causada pela autora.

Emma Watson, fez eco aos sentimentos de Radcliffe “As pessoas trans são quem dizem ser”.

Rowling foi agora rotulada de “TERF” (Radical Trans-Exclusive Femminist), um termo que indica feministas consideradas demasiado “radicais” mesmo pelos activistas de Esquerda porque não acreditam que um homem biológico possa ser uma mulher.

Bill Burr racista

O comediante Bill Burr foi acusado de ser racista por ter casado com uma mulher negra. Após a sua aparição no Grammy Awards, onde apresentou um prémio para Melhor Álbum Latino Tropical, Burr foi alvo de feministas que atacaram o comediante de stand-up e a sua vida pessoal. Nas redes sociais, várias pessoas definiram Burr como sendo racista por admitir que ele não conseguia pronunciar o nome do vencedor do prémio.

Um utilizador do Twitter, que parece até ter sido candidato pelo Partido Republicano, sugeriu que Burr casou-se com a actriz Nia Hill, uma mulher negra, para “possuir uma escrava sexual de origem minoritária”:

Embora não esteja a sugerir que Bill Burr seja racista, um homem branco com uma mulher não branca pode, por vezes, ser um sinal de racismo. Por isso, não se deve assumir que alguém não é racista só porque possui escravos sexuais minoritários. Eles podem muito bem ter um porque são racistas.

Não é a primeira vez que surgem acusações deste tipo: há cinco anos, Milo Yiannopolous, um jornalista conhecido pelas suas invectivas contra as feministas e a “cultura da lamúria” do politicamente correcto, era homossexual e vivia com um negro: foi observado que isso não era prova suficiente para salva-lo da acusação de racismo (agora Yiannopoulos fez algo ainda mais ultrajante: declarou-se ex-gay, anunciando que saiu do armário para viver uma vida casta dedicada a São José).

Voltando ao caso Burr, interessante e adequada a resposta da esposa dele, Nia Hill:

Bitch, shut the fuck up

Que podemos traduzir com “Malandreco, um pouco de silêncio por favor”. Ou algo assim.

Todos os brancos são racistas

Em 2018, o New York Times dedicou um artigo inteiro à relação de expoentes da chamada Alt-right (extrema Direita) com raparigas asiáticas. A teoria é simples: os brancos são racistas mesmo que se juntem a pessoas de outras raças:

Os estereótipos que alimentam o fetiche da mulher asiática não são exclusivos da extrema-direita. Existem em todo o espectro político e infectam todos os aspectos da vida – não apenas o quarto de dormir – e manifestam-se em figuras tão distantes da América como os heróis de cabelos loiros, olhos azuis e heroínas hipersexualizadas da anime japonesa.

Pelo que já sabem: recusam o casamento com uma etnia diferente? É porque são racistas. Casam com uma etnia diferente? É porque são racistas.

Anti-racismo: é preciso eliminar os brancos

Doutro lado, o branco é sempre racista. Nestes dias, o diário afro-americano The Root explica a questão partindo dum claro episódio racista: um branco, Robert Aaron Long de 21 anos, matou num spa seis mulheres asiáticas. E dois homens brancos, mas estes não contam. Um caso psiquiátrico? Nada disso, foi racismo:

Não tenho muito a acrescentar aqui hoje que ainda não tenha sido dito.

A brancura é uma crise de saúde pública. Encurta as expectativas de vida, polui o ar, aperta o equilíbrio, destrói as florestas, derrete as calotas de gelo, provoca (e financia) guerras, achata dialectos, infesta a consciência e mata pessoas – brancos e pessoas que não são brancas, incluindo a minha mãe. Haverá pessoas que morrerão, em 2050, devido a decisões induzidas pela supremacia branca, a partir de 1850.

Uma linha pode e deve ser traçada a partir das acções do supremacista branco que entrou ontem em três casas de massagens da zona de Atlanta, e alegadamente matou oito pessoas – das quais seis eram de ascendência asiática – para o incessante discurso anti-asiático ao longo do ano passado. O antigo Presidente, e o partido do antigo Presidente, pode e deve ser responsabilizado por isto e pelo súbito aumento da violência racista contra os asiáticos-americanos.

No entanto, a linha não pára por aí. Ela prolonga-se há 400 anos e tem tentáculos a arranhar por todo o lado: a supremacia branca que existe aqui, na América, está em todo o lado.

Há uma linha que liga este acto de terror às 11 pessoas mortas na sinagoga da Árvore da Vida em 2018, e às nove pessoas mortas na Igreja Episcopal Emanuel Africana Metodista em 2015, é claro. Mas também ao perfil racial, à gerrymandering [um controverso método de definir em termos de área os distritos eleitorais de um território para obter vantagens no número de representantes políticos: pode também servir para favorecer ou prejudicar um determinado grupo étnico, linguístico, religioso ou social ou político-partidário, ndt], à opressão dos eleitores, ao encarceramento em massa, à guerra às drogas, à crise das hipotecas subprime, às enormes disparidades tanto nas mortes na Covid como nos que recebem as vacinas anti-Covid, à forma como os homens e mulheres que invadiram o Capitólio acabaram de regressar a casa e jantaram com as suas famílias depois. Enquanto nós ainda estávamos a processar e a recuperar do que testemunhámos, eles já estavam de volta aos seus sofás, a observar Mentes Criminosas.

A supremacia branca é um vírus que, tal como outros vírus, não morrerá até não haver mais corpos para infectar. O que significa que a única forma de o parar é localizá-lo, isolá-lo, extraí-lo, e matá-lo. Acho que uma vacina também poderia funcionar. Mas tivemos 400 anos para desenvolver uma, por isso não vou suster a respiração.

Justo. Aqui o princípio é muito claro: para combater o racismo o que é preciso é o racismo. E não algo soft, mas um racismo à maneira, que apele à eliminação física duma outra etnia. Faz sentido, é uma questão de coerência.

A mesma coerência que utiliza The Root ao receber dinheiro do dono, Jim Spanfeller: um branco, o antigo dono de Forbes e vice-presidente de Playboy, o mesmo que tem sido acusado de supressão de reportagens sobre a própria empresa, que foi alvo duma queixa-crime por racismo contra as funcionárias mulheres e que despede trabalhadores (o caso Alex Cranz) por activismo laboral. Mas Alex Cranz era branca, então não conta.

 

Ipse dixit.

5 Replies to “J.K.Rowling, Bill Burr e The Root: gossip & racismo”

  1. Diz o zio ao nazi…
    -Vou pô-los todos uns contra os outros, depois vou assistir ao circo de camarote, brindando com champanhe.
    Diz o nazi o zio…
    -Perdeste a cabeça, assistir? Eu vou dar uma mãozinha, armá-los e botar gasolina nessa fogueira de vaidades.
    Quero ver esse circo pegar fogo. O que sobrar, eu depois dobro sob as botas.
    Rebate o zio…
    -Depois? Não esquenta, preparei tudinho. Enquanto eles brigam, eu vou estar distribuindo veneno como bálsamo.
    Concede o nazi…
    Porreta, vai abrindo a garrafa que eu vou buscar o caviar.

  2. Racismo não é sinônimo de supremacia étnica, seja ela qual for. Mas, sem dúvida, ambos tem como berçário a Europa, centenas de anos dos nazistas, comunistas e assemelhados. Foi imprescindível no processo de legitimação da colonização mundo afora, da mesma forma que foi usaso o cristianismo sobre povos pagãos.

  3. Correndo o risco de ser qualquer coisa acabada em ismo, mas é da minha vista, ou este tipo de bacoradas tem normalmente origem em países de língua inglesa? Tal como a crise financeira de 2008, a gripe espanhola, os lockdowns, os BLM’s e os Antifas, a grande depressão, a primavera árabe, as bombas atómicas e o Double Cheeseburger.

  4. Quanto será que esta gente ganha para sequestrar o interesse do povo, as discussões sem sentido, as conclusões que beiram a estupidez histórica?
    Enquanto isto abarrota as redes sociais, o que interessa não é tocado.

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