OMS e União Europeia querem vacinas para todos em vez de garantir acesso à água

Artigo redigido pelo Dr. Pascal Sacré e publicado pelo Centre for Research on Globalization

1.922.148 mortes em todo o mundo desde 1 de Janeiro por falta de acesso à água (mais de 5.000.000 mortes por ano, incluindo muitas crianças)

324.990 mortos em todo o mundo pelo COVID-19…

Ursula von der Leyen, presidente da União Europeia, lançou uma espécie de «Maratona Televisiva Mundial»* para acelerar a chegada de uma vacina para todos.

Falta de acesso à água: 1.922.148 mortes em todo o mundo desde 1 de Janeiro (mais de 5 milhões de mortes por ano, incluindo um grande número de crianças)!

Não há uma «Maratona Televisiva Mundial»?

Introdução

Formado em reanimação e anestesia, com 17 anos de experiência na Bélgica, estou acostumado a usar máscaras e a ver outros a usá-las como parte da minha profissão.

Porquê impor seu uso, longe de ser inofensivo, a toda a população saudável, apesar da forte oposição de um grande número de especialistas? Ver: «Usar máscaras não é necessariamente eficaz e pode até promover a contaminação”, alertam os especialistas».

Por outro lado, não ouço nenhuma campanha mediática apoiada por todos os sectores políticos, incluindo Ursula von der Leyen ou Tedros Adhanom Ghebreyesus (director da Organização Mundial da Saúde desde 2017), para fortalecer o sistema imunológico dos povos, para corrigir as suas deficiências em vitamina D, vitamina C e zinco, elementos essenciais das nossas defesas anti-infecciosas. Ver: COVID 19 – Uncéan de peurs et de mensonges“.

Os média, obcecados pelo medo e pela morte, estão presentes em todos os lugares gerando um ambiente stressante e mórbido.

Que eu saiba, eles não dizem uma só palavra sobre essas deficiências.

No entanto, acostumado a oferecer soluções químicas, tecnológicas e modernas aos meus pacientes, observo especialmente a iatrogenia desta medicina mecânica e arrogante:

«Cada vez com mais frequência, os medicamentos causam efeitos secundários, as patologias causadas pelos tratamentos, incluindo cirurgias, são piores do que aquelas reconhecidas entre pacientes cada vez mais medicados (muitas vezes com mais de dez medicamentos para tomar todos os dias).»

Durante anos, a saúde dos belgas submetidos à terapia intensiva após cirurgia ou patologias crónicas tornou-se cada vez mais deplorável.

Uma explicação tem a ver com os seus maus hábitos alimentares, vícios (álcool, tabaco, açúcar), obesidade mórbida (um verdadeiro flagelo da modernidade que hoje afecta 39% dos adultos com mais de 18 anos no mundo) são afectados pela obesidade (IMC>30) e falta de atividade física.

Onde estão as discussões apaixonadas sobre essas questões, os verdadeiros problemas subjacentes da crise actual, juntamente com a deterioração das condições ambientais (poluição) e a deterioração da qualidade dos serviços públicos sobre questões de rentabilidade?

Vacinas, máscaras e confinamento!

As nossas autoridades de saúde e os nossos jornalistas não sabem outras palavras.

E água e energia?

Vacinas ou água para todos?

No nosso planeta, em termos de boa saúde e justiça distributiva para todos, quais são as prioridades?

Diante de uma doença infecciosa emergente, apostar tudo na miragem de uma vacina eficaz e inofensiva é a maneira usual de reagir de países «ricos», o que geralmente causa controvérsia entre as suas populações [1].

Foi o que aconteceu em 2009, durante a epidemia de gripe A (H1N1), que a OMS rapidamente listou como uma «pandemia». Seguindo as suas diretrizes à risca, a maioria dos países comprou quantidades excessivas de vacinas. Gastaram sem limites.

Na França, quase 100 milhões de doses foram encomendadas quando a vacina ainda não havia recebido a autorização para ser comercializada! [2] Vacinou-se 6 milhões de franceses. 60 milhões de pessoas em todo o mundo.

Nos Estados Unidos, o Dr. Anthony Fauci [3], então director do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID pela sua sigla em inglês, ndt.), também apoiou o lançamento de um projecto multimilionário de vacinação contra a gripe A (H1N1) em 2009.

Na Bélgica, essa histeria para a vacina custou ao Estado 85 milhões de euros e 20 milhões de euros à Segurança Social, gerando 80,2 milhões de euros para as empresas farmacêuticas [4].

O erário público foi desperdiçado numa epidemia cujos efeitos foram exagerados pela OMS e previsões alarmistas de seus epidemiologistas [5], aos quais um facto muito mais grave deve ser adicionado: consequências neurológicas em muitas pessoas que haviam sido vacinadas.

A vacina Pandemrix fabricada pela GSK (GlaxoSmithKline) causou narcolepsia e cataplexia [6] em aproximadamente 1 em 16.000 pessoas. Em toda a Europa, mais de 800 crianças ficaram doentes com essa vacina [7].

Devemos permanecer atentos para que isso não aconteça novamente.

Não vamos cometer os mesmos erros.

Portanto, por ocasião desta nova crise viral em 2020, a União Europeia e a sua presidente, Ursula von der Leyen, estão a pressionar por uma espécie de «Maratona Televisiva Global» para financiar pesquisas sobre vacinas contra o novo coronavírus [8].

A OMS mobilizou políticos e actores económicos para disponibilizar uma vacina ao Mundo [9].

Com o apoio do poder político, pesquisadores e actores do mundo científico iniciaram uma corrida contra o tempo para lançar no mercado uma nova vacina contra o SARS-CoV-2, o coronavírus responsável pela doença chamada COVID-19. [10]

Emergência!

Colocar a saúde das populações em risco levanta questões éticas porque essa pesquisa “às escondidas” significa que submetemos deliberadamente pessoas saudáveis a um vírus perigoso [11], sem passar por todas as fases necessárias para desenvolver uma vacina.

Com cada epidemia, cada pandemia, a solução da vacina é oferecida às pessoas como panaceia universal por órgãos oficiais como a OMS e os Institutos Nacionais de Saúde e por sinal, pelos nossos governos.

Além dos riscos em apressar a vacinação de todos muito cedo com produtos caros, inadequados e perigosos, como vimos em 2009, esta corrida global de vacinas revela ainda mais as diferenças nas metas entre países “ricos” e pobres.

Deixa-se de lado que o melhor remédio para doenças infecciosas é melhorar as condições de vida, o acesso a alimentos saudáveis e a água potável, a possibilidade de viver em ambientes saudáveis e a adopção de medidas básicas de higiene.

Foi através da melhoria do acesso ao tratamento de água e esgoto que o homem fez progressos significativos no estado geral da saúde no mundo, muito antes da invenção das vacinas.

Práticas higiénicas «simples», como a lavagem das mãos, são as que reduziram drasticamente a taxa de infecções nos hospitais.

Dessa forma, o obstetra húngaro Ignace Semmelweis (1818-1865), pioneiro no na matéria, conseguiu reduzir significativamente a mortalidade na área de maternidade do Hospital Geral de Viena [12].

Estas soluções «simples», no entanto, ainda não podem ser aplicadas em muitos países ao redor do mundo.

Água

De acordo com as estatísticas [13], até 15 de Maio de 2020, 1 milhão e 923.000 pessoas haviam morrido no mundo desde o início deste ano devido à falta de acesso à água no mundo [14].

Todos os anos, a falta de acesso à água causa mais de 5 milhões de mortes em todo o mundo, incluindo muitas crianças.

A falta de acesso à água mata tanto quanto o tabaco.

Em relação à água potável, ainda há 786 milhões de pessoas (11% da população mundial) que não têm acesso a ela.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 5 milhões de pessoas morrem todos os anos por doenças infecciosas ou parasitárias causadas por águas residuais altamente contaminadas.

Desnutrição

A desnutrição é uma condição grave causada principalmente pela falta de nutrientes essenciais.

Todos os anos, entre 2 e 5 milhões de crianças morrem de desnutrição.

A desnutrição é responsável por metade das mortes de crianças menores de 5 anos, segundo o Planétoscope.

Jean Ziegler [15], um político, sociólogo, escritor e relator especial suíço do direito à alimentação (das populações) do Conselho de Direitos das Nações Unidas de 2000 a 2008, afirma:

«Dado o estado actual da agricultura no mundo, poderíamos alimentar 12 bilhões de pessoas sem dificuldade. Em outras palavras, qualquer criança que actualmente morre de fome é realmente assassinada.»

As necessidades de saúde são muito desiguais em todo o mundo.

Uma criança nascida na Suécia hoje pode viver mais de 80 anos; mas viverá menos de 70 anos se nasceu no Brasil, com menos de 63 anos se nasceu na Índia e com menos de 50 anos se nasceu no Lesoto [16].

Essas desigualdades são injustas, mas evitáveis.

Onde está a «Maratona Televisiva» da União Europeia (promovida por Ursula von der Leyen) para erradicar a falta de acesso à água e a desnutrição?

Não há vacina contra a desnutrição?

Porque não gastar esses bilhões de euros ou dólares, que se destinam a ser usados para vacinas, para garantir o acesso à atenção primária?

Porquê que a OMS não se mobilizou com todos os seus recursos, convocando os sectores políticos e económicos, para dar de beber (água potável) e alimentar (nutrientes essenciais) a todo o Mundo de uma vez por todas?

Ao ler-me, acho que sabe as respostas para todas estas perguntas.

* «Teletón mundial»: é uma maratona televisiva que tem como objetivo principal arrecadar uma quantidade de dinheiro, predefinido ou não, para distintas causas sociais. – Wikipédia

Notas:

[1] Respetar, promover y proteger la libertad de las vacunas en toda Europa.

[2] Gripe A (H1N1), ejemplo de manejo internacional.

[3] Anthony Fauci.

[4] La gripe A (H1N1) de 2009 costó 85 millones de euros para el Estado y unos 20 millones para la Seguridad Social, según el Tribunal de Cuentas. El precio de las vacunas se llevó la mayor parte (80.2 millones), Trends-Tendances, 23 de diciembre de 2011.

[5] La gripe H1N1 terminó siendo muy cara, Paris Match, 25 de septiembre de 2011, Virginie Le Guay.

[6] La narcolepsia se caracteriza por somnolencia crónica excesiva durante el día, frecuentemente asociada con pérdida repentina de tono muscular (cataplejía).

[7] La vacuna contra la gripe H1N1 2009 causó daño cerebral en niños. No permitamos que vuelva a pasar.

[8] Coronavirus: La Comisión Europea organiza una “Teletón mundial” para financiar la investigación de una vacuna.

[9] Coronavirus: La OMS trata de movilizar a políticos y actores económicos para una “vacuna para todos” en el planeta.

[10] Coronavirus: Una verdadera carrera contra el tiempo para comercializar una vacuna contra el COVID-19.

[11] Journal du Médecin 23 de abril de 2020, número 2627, página 15, “La Course au Vaccin”, Corina Schmidt.

[12] Ignace Semmelweis (1818-1865).

[13] Plantoscopio.

[14] Muertes por acceso insuficiente al agua en el mundo.

[15] Jean Ziegler.

[16] Conseil de l’Europe HEALTH.

 

Fonte: OMS y Unión Europea quieren vacunas para todos en vez de garantizar acceso al agua

3 Replies to “OMS e União Europeia querem vacinas para todos em vez de garantir acesso à água”

  1. Olá Max.
    Artigo extremamente sensato, parabéns ao autor.
    Apenas uma correção, a expectativa de vida no Brasil no ano de 2019 era de 80 anos para mulheres e 73 anos para homens.
    Como o Brasil é um “continente”, há grandes variações de região para região.
    Abraço.

  2. Cerca de 30 mil crianças morrem de inanição (fome e sede) diariamente mundo afora há um bom tempo, o que resulta em mais de 10 milhões de crianças mortas por ano.

  3. Não há dúvida que estão em curso várias formas de genocídio para pobres do mundo.

    Vocês, que são urbanos, talvez não “vejam” a água desaparecer, sob diferentes razões, mas todas com o dedo podre do homem.
    Eu “estou” rural, faz quase 20 anos. Me fixei aqui em função das abundantes águas termais. E consegui água puríssima, abrindo um poço na pedra, a 7 metros de profundidade. Esse poço alimentou durante 19 anos a minha casa e todos os habitantes do entorno, em torno de 15 pessoas, plantas e animais. Até que lá no alto da muralha de floresta atlântica, onde provavelmente a água do meu poço se encontrasse na superfície, um estúpido plantou eucalipto para a cada 7 anos cortar e vender. Um crime ambiental que a proteção ao meio ambiente local fez questão de não ficar sabendo.. O eucalipto destrói o solo, extingue a água a mais de 90 metros de distância, nenhuma ave entra em uma plantação de eucalipto, e o meu poço secou.
    Percebem a fragilidade da natureza? Percebem a mão destruidora da raça humana?
    Eu tinha 5 variedades de banana no terreno úmido onde no alcance da minha terra a água alimentava suas raízes que precisam de muita água constante. Elas secaram e estão morrendo
    Se a humanidade privilegiada não é capaz de respeitar os mananciais de água potável, acreditam que ela vai respeitar a água que mate a sede de milhões? Qual nada.

Obrigado por participar na discussão!

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