Aquecimento Global: os dados

O Podcast de Informação Incorrecta
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Episódio 22: Michel Onfray, entre quijos e ditaduras

O novo livro do francês Michel Onfray, o filósofo pós-anarquista, anticomunista, anti-liberal, anticapitalista e simpatizante do socialismo libertário e do mutualismo de Proudhon.

 

E vamos acabar o discurso acerca da ecologia com este último artigo. Fundamental porque já vimos quem financia os movimentos ambientalistas, já vimos que a solução “eléctrica” não passa dum chamariz, portanto falta discutir dos dados. Que depois deveriam ser a base de tudo.

O gelo: diminui no Norte, aumenta no Sul

Começamos com o desaparecimento do gelo, eleito qual sintoma-chave para comprovar o aquecimento global. O gráfico mostra a cobertura do gelo nos dois hemisférios do nosso planeta entre Outubro de 1979 e Fevereiro de 2016. O que é importante realçar é o seguinte: este gráfico é do National Snow and Ice Data Center (Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo – NSIDC), o centro de informação dos Estados Unidos da América que investiga os Polos e a criosfera. O NSIDC faz parte da Universidade de Colorado, sendo afiliado ao NOAA que, lembramos, é uma instituição governamental que trata de meteorologia, atmosfera e clima.

O National Snow and Ice Data Center serve também como um dos oito centros de arquivo financiados pela NASA para arquivar e distribuir dados obtidos por antigos e actuais programas de satélites e de medições no campo. Moral: se querem saber algo acerca do gelo no planeta, difícil encontrar algo melhor. E se conseguirem encontrar, façam o favor de avisar porque o pessoal aqui está sempre à procura de dados confiáveis.

O que conta o gráfico? Conta o seguinte: sim, o gelo no hemisfério Norte está a diminuir, mas está aumentar no hemisfério Sul. Na prática, o gelo ao Polo Sul não pára de crescer desde 1979, ano em que tiveram início as medições. E isso é estranho num planeta que está a aquecer: num planeta assim, o gelo deveria desaparecer em ambos os hemisférios; mas no nosso planeta, parece haver um mecanismo de compensação pelo qual o que desaparece no Norte aparece no Sul. Moral da história: estamos perante a Natureza que está a funcionar, só não percebemos como e porque esteja a funcionar desta maneira.

Eventos extremos: o pior já passou (há muito)

Outro gráfico, desta vez do National Weather Service (Serviço Nacional Metereológico), National Hurricane Center (Centro Nacional dos Furacões) e do já citado NOAA. O gráfico analisa os eventos climáticos extremos ocorridos entre 1851 e 2010 no território dos Estados Unidos. Importante porque o aumento dos eventos extremos é tido como outra “prova” pelos apoiantes do Global Warming. Estamos a falar de furacões nos Estados Unidos, estes são os dados recolhidos pelas agências meteorológicas dos Estados Unidos: o que acham, podem ser considerados como suficientemente fiáveis?

O gráfico blog, é muito claro. Não apenas não houve um aumento de furacões, como o pico foi registrado na década entre 1941 e 1950. Mas o gráfico diz mais: as décadas com o maior número de furacões foram aquelas entre 1871 e 1900, entre 1911 e 1920 e entre 1941 e 1950, períodos nos quais ocorreram 20 ou mais furacões. A partir daí, nunca mais foram registradas décadas com 20 ou mais fenómenos extremos nos Estados Unidos. E o quadro não muda ao considerar apenas os eventos mais extremos, isso é, os furacões com intensidade 3, 4 e 5.

Mar: afinal não estamos a afogar

O terceiro gráfico no meu entender é o mais importante porque demonstra toda a fraqueza da metodologia utilizada pelos “aquecedores globais”. O gráfico mostra as previsões que foram feitas pelo IPCC ao longo dos anos acerca da subida do nível do mar.

O IPCC é o Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas, uma organização científico-política criada no âmbito das Nações Unidas (ONU) e que trabalha para prever em que medida o nível do mar aumentará no ano de 2030 segundo a actual taxa de aquecimento global.

  • Em 1977, o IPCC previa que em 2030 o mar teria subido de 6 metros.
  • Em 1985, a estimativa baixou para 1.5 metros.
  • Em 1990 outra descida: 0.3 metros.
  • Em 1995 descida para 0.20 metros.
  • Em 2000, data da última previsão, 0.17 metros.

Isso é: um aumento de 17 centímetros! Ou seja, o terrível tsunami provocado pelo clima em 2030 afinal será inferior a uma qualquer maré em Portugal num dia com um pouco de vento. Repito: dados do IPCC. É preciso acrescentar mais?

Cortar, ampliar, publicar.

Nesta altura o Leitor estará a pensar: “Mas então, todo os gráficos que circulam na internet, nos diários, todos aqueles dados que indicam que há o aquecimento global….tudo falso?”.

Nada disso. É verdade que alguns indivíduos mentem de forma descarada: mesmo hoje encontrei nas páginas do diário inglês The Guardian um artigo de George Monbiot o qual faz esta afirmação:

Mas sabemos que apenas mais 1 ° C de aquecimento global é suficiente para criar aquele caos climático que já é a causa de enormes migrações forçadas, piores de que a pobreza ou da opressão política.

Esta é uma mentira descarada porque hoje temos os meios para estabelecer quais as temperaturas ao longo dos últimos milhares de anos e sabemos que em determinadas alturas da nossa história as temperaturas foram mais elevadas das actuais e sem que por isso houvesse “caos climatérico” nenhum. Mas estas são mentiras boas para serem espalhadas através dos meios de comunicação e cujo alvo é um publico preguiçoso que nunca irá verificar o que realmente aconteceu no passado. Não é com mentiras como estas que seria possível “conquistar” pelo menos uma parte da comunidade científica.

Eu, como é óbvio, não posso saber quais gráficos o Leitor viu, mas existem alguns gráficos que se tornaram mais conhecidos do que os outros e é acerca destes que vamos falar. Por exemplo, o gráfico que indica um aumento da temperatura a partir do final de 1800: é falso? Não, não é.

Os dados oficiais hoje disponíveis mostram que desde cerca de 1800 a temperatura da Terra aumentou em cerca de 0.9 graus. A data de 1800 foi escolhida porque assume-se que, por volta daquela altura, as actividades industriais iniciaram a influenciar o clima coma produção de dióxido de carbono. Mas o que acontecia antes de 1800?

De facto, a temperatura no planeta começou o seu aumento a partir da assim chamada “pequena era glacial”, cujo início é identificado por volta de 1400 d.C. e que acabou perto do 1700 d.C. A partir do fim deste pequena era glacial houve um constante aumento da temperatura, sinal de que estamos a viver uma fase “quente” que, no entanto, ainda tem valores inferiores aos da fase quente medieval, perto do 1200 d.C. Naquela altura, as temperaturas eram superiores às actuais em +1.5 / +1.7 graus, mas mesmo assim a raça humana não extinguir-se, possivelmente porque na altura não havia um George Monbiot e os homens não sabiam de estar a atravessar um “caos climatérico”.

Desde o ano de 2000 até hoje, excepto um pico em 2017 devido ao Niño, a temperatura na Terra permaneceu quase constante. “Quase” porque na verdade diminuiu em cerca de 0.1 graus.

De qualquer forma, a história da Terra, e em particular aquela dos últimos 4.000 anos, diz que as maiores dificuldades enfrentadas pela Homem foram ligadas aos períodos frios, com fome e contracção demográfica. Vice-versa, os períodos quentes trouxeram riqueza e crescimento demográfico, como, por exemplo, durante a máxima expansão do Império Romano.

Resumindo: os dados geralmente apresentados não são falsos mas são conscientemente limitados a períodos de tempo limitados, escolhidos para reforçar a tese do aquecimento antropocêntrico com a criação do CO2 e para fazer esquecer os períodos quentes anteriores. Portanto, trata-se duma operação de recorte, ampliação e publicação.

Os cientistas cépticos.

É por esta razão que a maioria dos cientistas não apoia a tese do Aquecimento Climático provocado pelas actividades humanas. Eu sei, eu sei: é dito que a comunidade científica mundial está fortemente preocupada com o aumento do dióxido de carbono, com o Aquecimento, etc. Etc.

Mas é mesmo assim? O Leitor tem a certeza disso?

A desinformação dos órgãos de comunicação afirma que até 95% dos cientistas mundiais apoia a luta contra a mudança climática. Mas a realidade é outra: uma recente pesquisa realizada na Alemanha mostra que mais de 70% dos pesquisadores do sector científico não reconhecem às reconstruções do IPCC os elementos científicos que possam validar as suas previsões.

Homens de ciência, como astronautas, engenheiros espaciais e membros das equipas de controle das missões da NASA, apresentaram uma petição para que a NASA pare de participar na campanha sobre o clima e para que volte à ciência.

O bode expiatório

Seria útil entender qual a origem das aproximadamente 2500 K calorias / dia que usamos para a nossa dieta. A origem é o dióxido de carbono. Sem CO2 não haveria hidratos de carbono, proteínas e gordura; não haveria cereais, não haveria fruta, não haveria todos os alimentos que permitiram à nossa espécie alcançar os 80 anos de vida média.

O dióxido de carbono é o gás que gera a vida através da fotossíntese. Portanto, não é a presença de CO2 que devemos combater, mas a poluição (como emissões tóxicas, plásticos, resíduos, etc.) que ameaçam o CO2.

O dióxido de carbono é um gás verde, é o gás da vida a partir do qual cada homem obtém a sua comida. É o gás que aumenta as áreas verdes no planeta. Procurem na internet algo acerca da correlação entre aumento de CO2 e aumento de áreas verdes, há também imagens satelitares acerca disso. Esta não é teoria, é algo que está acontecer mesmo agora: o aumento de dióxido de carbono na atmosfera tem tido como efeito directo o aumento do espaço ocupado pela vegetação. E isso é surreal: numa altura em que choramos por causa do desaparecimento da Amazónia, estamos a combater o gás que faz aumentar a vegetação.

O que deseja o Leitor? O aumento do oxigénio? Tem a certeza? Um aumento indiscriminado do oxigénio levaria a um aumento dos processos de oxidação. Dito de outra forma: a vida, homens incluídos, morreria queimada.

A razão pela qual a maioria dos cientistas não consegue concordar com as previsões catastróficas do IPCC ou das Nações Unidas é que não há um modelo, e falamos mesmos dos modelos produzidos pelo IPCC, que demonstra como o aumento de dióxido de carbono na atmosfera leve a aumentos da temperatura. Esses modelos apresentam todos projecções que, a partir da década de 1980, utilizam elementos forçantes para justificar valores futuros irreais, valores que foram todos refutados pelos dados reais medidos nos últimos 15 anos.

Além disso, esses modelos não conseguem explicar o que aconteceu nos últimos 5.000 anos, quando as fortes variações de temperatura foram registradas com baixos valores de CO2.

Não podemos esquecer algo: hoje fala-se de três atmosferas que caracterizaram a história do nosso planeta. A primeira atmosfera foi aquela presenta na formação do planeta: formada principalmente por hidrogénio e hélio, não durou muito. A segunda atmosfera foi bem mais importante: os principais elementos eram o nitrogénio, o dióxido de carbono e outros gases inertes. Foi mesmo com esta atmosfera que teve início a vida e na altura não havia oxigénio no planeta: ainda 3 biliões de anos atrás, nada de oxigénio mas uma elevada concentração de CO2. Foi nestas condições que a vida conseguiu desenvolver-se, sem oxigénio e com muito dióxido de carbono, este último presente com valores muito acima daqueles registrados hoje.

O oxigénio apareceu em força por volta de 2.5 biliões de anos atrás e sabem o que aconteceu? Aconteceu aquela que é conhecida como “Catástrofe do oxigénio“, um excesso de oxigénio que causou o maior evento de extinções em massa na história da Terra e as causas ainda estão a ser estudada. Foi apenas o efeito estufa que conseguiu reduzir a concentração de oxigénio na atmosfera para valor mais parecidos com aqueles de hoje. E foi com o efeito estufa, uma maior presença de dióxido de carbono e uma menor presença de oxigénio que a vida conseguiu retomar o seu caminho.

Grande resumo final

Considerado tudo isso, acho inútil continuar porque o risco é apenas aquele de entrar numa guerra de gráficos que só confunde e em nada ajuda a perceber qual a real situação. A única coisa que podemos fazer é procurar para dados que estejam acima de qualquer dúvida, isso é, não “previsões” ou “modelos” mas dados adquiridos. Os gráficos apresentados no blog são isso mesmo: dados adquiridos, não interpretações.

E os dados adquiridos dizem o quê? Dizem que estamos perante um planeta que funciona duma forma que não conseguimos entender inteiramente porque o clima é um assunto extraordinariamente complexo, uma selva de variáveis que têm de ser tomadas em conta. E não sempre somos capazes de fazer isso.

Há um aquecimento global? Sim, há, mas é muito mais limitado de quanto podemos imaginar e as causas são desconhecidas. Mais: não é a primeira e nem será a última fase de aquecimento do planeta, só não conseguimos entender as razões destas oscilações periódicas. De certeza não é por culpa do dióxido de carbono, cujo aumento apenas favorece a riqueza da flora. E quando a flora enriquece, a fauna enriquece também.

Temos um outro problema que devemos tratar porque bem mais urgente. E este problema tem duas faces: a primeira chama-se poluição, a segunda tem o nome de excessiva exploração dos recursos naturais. Estes são os dois perigos iminentes, aqueles que põem em risco a sobrevivência da nossa espécie no médio e longo prazo. Ambas as faces do problema podem ser reconduzidas ao nosso actual sistema económico, cujos actores principais são os mesmos que alimentam o fantasma do Aquecimento Global.

Se o nosso desejo for salvar o planeta, então temos que travar um sistema económico que por sua natureza é destruidor e substituí-lo por algo que respeite o planeta. Não algo que combata o dióxido de carbono, mas algo que combata o consumo compulsivo e a destruição dos recursos naturais em nome de lucro.

 

Ipse dixit.

My Dreams by Serge Narcissoff, https://soundcloud.com/sergenarcissoff, music promoted by https://www.free-stock-music.com, Creative Commons Attribution 3.0 Unported License, https://creativecommons.org/licenses/by/3.0/deed.en_US

Motivational Piano Background Music by Nikita Lukyanov, https://soundcloud.com/lukyanovnikita, mMusic promoted by https://www.free-stock-music.com, Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 Unported, https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/deed.en_US

8 Replies to “Aquecimento Global: os dados”

  1. Este Post está muito claro e concordo com tudo, excepto um pequeno pormenor pouco relevante, que tem a ver com a definição ou conceito de ‘Efeito Estufa’. O vapor de água é o principal responsável por este efeito.
    Não costumo colocar links nos meus comentários, mas desta vez vou deixar dois que me parecem muito interessantes.

    O primeiro vídeo é uma palestra de Joe Bast, ex-Presidente do Heartland Institute e refere-se ao consenso, ou à falta dele, entre a comunidade científica sobre o tal valor de 97%, e a forma (extraordinária !!!) como se chegou a este valor.

    https://www.youtube.com/watch?v=NZq6zc0G018&fbclid=IwAR1O-DIO4etkmGzz4cWhDG9HNSIbj9UbMU-sUDtk1L0wvovJyFN16NsYo10

    O segundo vídeo com o título ‘Avaliação da integridade dos dados oficiais relativos a records do clima’, por Tony Heller, demonstra o grau de manipulação dos dados que se tem verificado.

    1. Verdade verdadeira: no artigo não ficou nada claro o papel da CO2 como gás de efeito estufa. Bem visto, obrigado. Logo vou ver com calma o vídeo que parece bem interessante.

  2. Olá Max: um post que eu sentia falta faz muito tempo, aqui no II. Em comentário anterior afirmei que o dióxido de carbono seria vida e não morte. E aprendi isto faz mil anos, quando fazia o ginásio. Felizmente seu desenvolvimento do assunto me parece extremamente bem vindo. E é justamente aí que reside a minha dúvida: porque elegeram esta bendita molécula para ser o vilão das desgraças climáticas, porque teriam dado tanta ênfase para esta eleição??? Outra eleição enfática foi a do aquecimento global. Repete-se este mantra de forma abusiva…porque??? Não se trata de erro científico, isto tenho certeza, a ciência mente descaradamente tanto quanto a política ou a economia, atendendo a demandas superiores na cadeia de mando no planeta.
    Tenho uma hipótese, a única que me aparece com uma certa lógica: sempre fala-se de B, quando se precisa ocultar A. Ou seja: fala-se de variação climática (fenômeno natural) para ocultar variação poluente (fenômeno humano). Diz-se que o mar subiu quando na verdade se aterrou o mangue para construções humanas geradoras de muito lucro, Claro que a água invadiu o lugar. Fala-se que o calor matou velhos e crianças, quando os velhos e crianças não tiveram atendimento de saúde e alimentação adequados para resistir variações naturais. Não é o planeta que está morrendo, justo ao contrário, tudo que vive se modifica constantemente. O que aumenta sem parar é o poder destrutivo da humanidade no planeta, enquanto a natureza acaba doente.

    1. Olá Maria!

      Olha, demorei bastante antes de formar-me uma ideia porque não entendo nada destas coisas. Pelo que tive que procurar. E afinal….bom, a síntese está aqui, nada mais para dizer. Como sempre: atrás há o lucro. Há o controle da energia por parte de poucos; há a tentativa de culpabilizar todos; há a tentativa de fazer pagar aos cidadãos mudanças que em nada vão ajudar o meio ambiente.

      É espantosa a quantidade de mentiras inventadas para condicionar os povos: 9/11, as armas de desturição maciça de Saddam, Khadafi o mau…. e continuam a ter sucesso.

      1. Antes de atingir o lucro, controla-se processos de exploração/produção/distribuição. Interessante observar que os céticos da conspiração a admitem e sequer percebem…

  3. Busquei os gráficos no oráculo (Google) e não achei fontes oficiais. Bom de qualquer modo sempre achei que isso é coisa natural do planeta, quiçá até do sistema solar e tenha a ver com o astro rei.

    1. Há uns tempos li algures que o sistema solar está a aquecer. Vou ver se encontro algo, esta pode ser uma ideia interessante mesmo. Obrigado!

Obrigado por participar na discussão!

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