A Democracia não brinca em serviço

O vídeo que deu a volta ao mundo.
No dia das manifestações ibéricas contra as políticas de austeridade, em Tarragona (Espanha), um rapaz é perseguido por um polícia: atingido, cai e fica protegido pela família contra o corajoso homem da Lei.

O rapaz é um menor, tem apenas 13 anos e foi transportado para o hospital onde recebeu cuidados e quatro pontos na cabeça. Desta forma já percebeu o sentido da palavra “Democracia”.

Italia: o quiz

E agora um quiz para os Leitores.
Nem sempre o que parece é. Por exemplo, na imagem à direita, tirada em Roma ontem, podemos observar um polícia e um rapaz de costas. Mas o que se passa exactamente?

Eis as possíveis soluções:

  1. O polícia deseja uma simples informação, do tipo “Meu querido jovem, sabe do que lado fica a Basílica de S. Pedro?”
  2. O polícia viu um mosquito no ombro do rapaz e, tal como foi treinado, tenta salvar o inerme cidadão.
  3. Não se passa absolutamente nada, o polícia nasceu assim, com o braço no ar, por causa duma rara doença genética: na verdade simplesmente atravessa a rua para ir até a loja dos gelados. 
  4. O polícia protege a sociedade: no bolso o rapaz esconde uma metralhadora Kalashnikov, duas granadas, um machado e um míssil caseiro terra-ar.

A solução? É resposta nº 4: na sequência completa podemos ver o cacete que atinge o criminoso. Na última imagem, não publicada, as armas caem do bolso do rapaz, explicando a cena.

A Democracia não dorme e chega em qualquer altura, até nas costas.

Portugal: jovens drogados e bêbedos

E concluímos com umas imagens de Portugal. São fotografias que retratam os jovens estudantes que ficaram envolvidos nos confrontos de ontem, após a carga policial.

O caso português é interessante, porque ajuda a perceber o grau de loucura destes rapazes, os quais queriam nada mais nada menos que entrar na Assembleia da República. Repito: entrar na Assembleia da República. Entendem o grau de insensatez?
Mas pensam o quê? O que é afinal o Parlamento? Um lugar onde os cidadãos podem entrar, assim, só porque o desejam? Porque querem falar? Porque querem discutir do País, dos próprios problemas?

O Parlamento não é para todos: só uma restrita cerca de pessoas pode
entrar nele, o comum cidadão pode, no máximo, entrar como visitador, e
já é muito. Além disso, existem programas televisivos que desenvolvem a mesma função como “Você na TV” ou “A Tarde é Sua”, não é preciso ir para o Parlamento.

Mais do que isso, estes jovens deveriam ir para a escola, a estudar, não nas praças a drogar-se e atirar pedras contras os homens da lei. Estes menores queriam entrar na Assembleia só para destruir tudo, não têm capacidade para falar, no máximo conseguem arrotar. E depois, como disse o Ministro do Interior, foram apenas “profissionais da desordem”.

Mas fiquem descansados: a Democracia vigia.

Ipse dixit.

8 Replies to “A Democracia não brinca em serviço”

  1. Olá Max: então a Europa começa a assistir um filme muito badalado aqui no terceiro mundo: "a democracia vigia". Ocorre que os protagonistas agora são seus próprios filhos, o que aproxima o público da dimensão 5D, ou seja, tridimensional em profundidade, com efeito de realidade, trazendo ao vivo e a cores histórias tão distantes que quase inaudíveis, atingindo o espectador europeu na própria carne, e estimulando a adrenalina de forma que só o ódio à injustiça consegue.
    E do jeito que a democracia tecnocrática globalizada treina seus atores policiais, a série que ora se inicia em solo europeu, ainda vai gerar muitos filmes.Tantos…até que os espectadores chateados com a monotonia do enredo sempre igual tome iniciativas inteligentes a cerca não só da casa de espetáculos, mas também com relação ao corpo de diretores e técnicos responsáveis pela película. Abraços

  2. ahem, Max…essa dos "profissionais da desordem", a meu ver, tem a ver com aqueles que quase sempre são os primeiros a tirar as barreiras, a arremessar coisas e atear fogos serem os tipos das máscaras na cara…o que talvez possa significar "agentes provocadores"…

  3. Pois, agentes infiltrados nas manifs????!!!!! que ideia mais estranha. O que iam eles fazer para lá? Desacreditar o protesto, e/ou dar argumentos para a policia atacar e bater nas pessoas como, naquele 'rapaz' louro a sangrar que aparece na primeira foto?

    Quanto aquele italiano carregado de armas, cujas armas não ví, e que tinha um policia pelas costas penso que o policia nasceu naquela posição. Deficiencia congénita, portanto. Tudo o resto são especulações.

    Krowler

  4. Não se trata de desacreditar o protesto, mas de provocar a reacção da polícia de modo a explodir os ânimos e tornar o clima ainda mais caótico. Isso convém quando se trata de justificar mais policiamento. Problema-reacção-solução, tese antítese-síntese, chame-lhe o que quiser. É vulgar nos outros países. Porque não haveria de poder acontecer neste? Não digo que tenha sido essa a intenção, mas, a confirmar-se, não me espantaria. Poder bater nas pessoas e fazer delas o que quiserem sem ligar a exageros é o resultado desejado por quem quer controlo. É por isso que não se reprimiram a bater no rapaz e no outro pelas costas.

  5. Esperem lá…no primeiro vídeo, o polícia ia atrás de um tipo com um mochila que fugiu e acabou por acertar no menor que não tinha nada a ver! Não era do menor que ele ia atrás!

Obrigado por participar na discussão!

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