Exclusivo: a segunda não-entrevista!

A não-capa
Sentado numa esplanada em frente da Torre Eiffel, o puzzle metálico símbolo de Paris, saboreava um crème glacée au lard et poissons, enquanto esperava pelo jornalista. 
A segunda falsa entrevista de Informação Incorrecta, totalmente inventada. Qual emoção! 
E a falsa presença em Paris não era um acaso: tinha acontecido algo nesta cidade. Mas por enquanto a única dúvida era a seguinte: quem será o jornalista?
Angelina: Cucú!
Max: Tu? Outra vez?!?
A: Ah, pois, eu mesma. Contente?
M:…eh,sim…mais ou menos…
A: Então começamos, que está frio. Espera que ligo o gravador…como é que funciona este coiso?
M: …é a tecla “On”…
A: Raio de coiso, não funciona…
M: Puseste as pilhas?
A: Pilhas? Quais pilhas?
M: Deixa, toma os meus papeis e a caneta aqui…
A: Ah, obrigada! Sempre super-inteligente, não é Max?
M: …pois…
Nouri Mesmari
A: Muito bem: vi que no fantasmagórico Informação Incorrecta trataste da guerra na Síria…
M: Líbia.
A: Ahe? Bom, tanto faz. Então pergunto eu: mas porque será que Max quis vir até Paris? Será pelo clima? Será pela comida? Será para ver a Rainha? Explica, Max, explica!
Nouri Mesmari
M: Bom, de facto pedi um encontro em Paris porque a capital francesa foi palco de uma história que gostaria de contar.
A: Uma história! Fantástico! Conta, conta!
M: Falamos do que se passou antes da revolta. Aliás, de como foi organizada toda a manobra para derrubar o regime líbio. Os Ingleses tinham entrado na Cirenaica um mês antes da revolta…
A: Cireque?
M: Cirenaica: é uma região da Líbia e fica a Leste. Bom, dizia: a ideia era treinar combatentes tendo em vista a revolta. Mas os Franceses tinham ido além.
A: E onde?
M: Quero dizer, fizeram mais do que isso. Um colaborador próximo de Kadhafi, Nouri Mesmari, desde os meados de Outubro encontrava-se na Líbia, tendo em precedência  tomado contactos com a resistência da Tunísia. 
A: Pára, pára, pára! Quem é este Khadafi, eh?
M: É o Presidente da Líbia. 
A: Ah, o Rei. Mas porque contacta a resistência da Tunísia?
M: Porque a Tunísia sempre foi bastante próxima da França: e Khadafi era favorável a uma mudança de poder em Tunisi. 
A: Ah…tu sabes mesmo tudo! Que história maravilhosa, obrigado Max!
M: Espera, há mais.
A: Como, ainda não acabou?
M: Não, este é o começo.
A: Ah…
Sarkozy
Nicolas Sarkozy
M: O colaborador de Khadafi voa até Paris e em frente da Torre Eiffel encontra os enviados de Sarkozy.
A: Aqui? Mesmo aqui onde estamos nós? Mas é maravilhoso! Mas quem é Sarkoki?
M: Sarkozy, é o Presidente da França.
A: Ah, o Rei.
M: Angelina, não há apenas Reis e Rainhas…
A: Como assim?
M: Ok, deixa. Em princípio é um encontro de negócios, mas entre os colaboradores de Sarkozy há também elementos dos serviços secretos.
A: Uuuuh, como em  007 Quanto Sol! Eu vi o filme, gostei muito, sobretudo da cena quando os maus atacam o pobre 007 e depois a namorada…
M: Desculpa, importas-te?
A: Ah, tá bom, é que é uma cena bonita…
M: Pouco depois parte uma delegação comercial francesa com destino Bengasi. Oficialmente a intenção era obter contractos comerciais, mas no grupo havia também militares disfarçados. Estes já tinham contactado um general da aviação militar para que este organizasse a revolta.
Mas a notícia chega até Khadafi…
A: O Rei!
M: …sim, mais ou menos, e Khadafi emite uma ordem de captura internacional contra o general. A França faz de conta de prende-lo, mas na verdade o oficial é mantido num hotel de luxo com toda a família.
A: Ohhh…e quem paga?
M: Sarkozy
A: O Rei! Sempre ele!
M: Sim, ele. Em meados de Janeiro chegam em Paris outros Líbios…
A: Todos no hotel de luxo!
M: …não, não, estas são as mesmas pessoas que pouco depois irão organizar a revolta em Bengasi, na Cirenaica.
O acordo
O Mirage IV da Dassault
A: Não percebo Max: mas se querem a revolta na Cirenaica porque vêm em Paris? Não faz sentido, não é?
M: Para receber fundos e instruções. 
A: Ahhhhh…espertos! Que dizer, não muito, poderiam ter ficado aqui no hotel de luxo, mas enfim…Mas não percebo Max: porque o Rei da França odeia tanto o Rei da Líbia? Eh?
M: Este é um assunto mais complicado: a Líbia possui grandes recursos e, além disso, em 2007 Khadafi e Sarkozy tinham assinado um importante acordo comercial. Neste era prevista a construção de centrais nucleares francesas perto de Tripoli…
A: Tripoque?
M: Tripoli, a capital da Líbia.
A: Ahhhh…tudo sabe este homem!
M: E mais: também havia o fornecimento duma frota militar aérea, construida pela Dassault. Esta operação teria frutado 10 mil milhões de Euros às empresas envolvidas.
A: Com quantos zeros 10 mil milhões?
M: 10.
A: Sim, 10 mil milhões, foi o que tu disseste.
M: Angelina, leva 10 zeros.
A: Ah, percebo…1, 2, 3, 4…Max, isso é muito dinheiro!
M: Pois é. Só que os relacionamentos entre França e Líbia não eram dos melhores. Paris é demasiado próxima da política dos Estados Unidos e Khadafi, ao longo dos anos, substituiu as empresas francesas com outras russas e italianas. O que deixou Sarkozy muito, muito zangado.
A: Ahahah, que Rei estúpido!
A revolta
M: E agora estamos no final de Janeiro.
A: Não, é Março.
M: Na história, entendo…
A: Ah, tá bom.
Angelina Giolí
M: …Janeiro, dizia, e a França tem tudo pronto para fazer uma revolta na Líbia. Mas algo corre mal. Os serviços secretos Líbios…
A: A Líbia tem serviços secretos?
M: Todos os Países têm serviços secretos.
A: Nao!!!
M: Sim: e os serviços secretos líbios descobrem a conspiração. Prendem todos. Mas é tarde. A insurreição já está organizada, as informações divulgadas, as armas entregues e a máquina da internet está no caminho. Assim explode a revolta. 
A: Inacreditável…e onde é que explode esta revolta?
M: Na Líbia, Angelina, na Líbia…Mas desde logo os planos falham: os revoltosos são poucos, mal equipados e sem experiência. O exército de Khadafi responde e começa a recuperar terreno depressa. É aqui que entra em cena a ONU.
A: A ONU tem serviços secretos?
M: Mas não, entra em cena com a resolução que autoriza a intervenção da Nato.
A: Espantoso, melhor que 007 Casinha Real! E quando sai este filme?
M: Não é um filme, é quanto se passou nos últimos meses. 
A: Nãooooo!!!
M: Sim, e esta história é o fruto duma investigação jornalística.
A: Parabéns Max, uma investigação jornalística! Que maravilha!!!
M: Sim, mas não fui eu…
A: …que coragem, que herói! Até a Síria, contra os rebeldes da ONU, sozinho!
M: ………
A:..até Bengasi, contra Sarkozy!…com quantas “k” se escreve Sarkozy?
A primeira e triste falsa entrevista, que fala de Ufo, pode ser encontrada neste link
Se querem mesmo… 
Ipse dixit.

Fonte: Libero

6 Replies to “Exclusivo: a segunda não-entrevista!”

  1. hahahahahah, muito bom mesmo , e os serviços secreto e revoltas manipuladas por interreses comerciais nao sao novidades no mundo ,e falando em siria , será que ela vai entrar em estado de guerra civil como libia, pelo que vejo na net , talvez sim… bem so resta esperar.

  2. Muito bom, Max! Parabéns pela segunda não-entrevista! 😀

    Algumas curiosidades…

    19 de Março 2003: Bush declara guerra ao Iraque.

    19 de Março 2011: Obama declara guerra a Líbia…

  3. @Vítor
    19 de Março 2003: Bush declara guerra ao Iraque.

    19 de Março 2011: Obama declara Intervenção Humanitária na Líbia… é muito melhor, não vamos confundir. 😀

  4. Bem visto Saraiva: nós somos o Bem, e o Bem não faz guerras, no máximo intervenções humanitárias.

    As guerras são expressões de violência típicas de sociedades poucos desenvolvidas. Como a sociedades onde mora o Mal.

    Abraço!

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