Ah, pois, o petróleo…

Muito bem.
É agora que vamos ver se os vários serviços de intelligence merecem este nome.

Egipto, Bahrein, agora Líbia: podemos esquecer Tunísia, Mauritânia e os outros.
Porquê? Porque não têm petróleo.

Nos últimos dias o valor do ouro negro começou a subir, e não é difícil imaginar a razão: a Líbia, em particular, desenvolve um papel de primeiro plano na produção e na exportação do hidrocarboneto.

Assim, o petróleo aumenta. Ontem 98 Dólares ao barril (+ 9% face sexta-feira), hoje já ultrapassamos 99 Dólares (o Light Crude, pois o Brent custa mais uma dezena de Dólares).


Consequências? Depende.
Se a situação for resolvida de forma rápida, então os aumentos serão absorvidos sem grandes problemas ou publicidade.
Mas o risco que isso não aconteça é real.
Merryll Linch fixa em 120 Dólares ao barril o limite ideal, além do qual o aumento iria afectar de forma significativa o crescimento económico dos Estados Unidos.

Após ter passado meses a “bombear” uma retoma mais teórica que prática, após ter curado uma crise de dívida com mais dívida, após Quantitative Easing parte 1 e parte 2: tudo pode ser deitado abaixo por causa dum “pormenor” em nada secundário como o preço do petróleo.

Possível? Possível ninguém ter previsto um cenário como este?
Não, não é possível.

Por isso será interessante observar os desenvolvimentos.
Porque se o petróleo ultrapassar os 120 Dólares ao barril, se as revoltas das últimas semanas afectarem de forma séria a pseudo-retoma dos Estados Unidos após estes terem trabalhado para que as mesmas revoltas despoletassem, então seria obrigatório rescrever a história dos últimos meses.

E admitir que algo de ainda mais sinistro está a acontecer.

(P.s.: eu acho que o petróleo não irá ultrapassar os 120 Dólares. Mas vamos ver…)

Ipse dixit.

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