Além do presente

Além do capitalismo, que falhou?
Além do comunismo, que falhou?

Não é fácil, com certeza. Mas é possível tentar.

Roberto Franzé, redactor de Ecolcity, lança algumas ideias.
Tudo bem, são só esboços, naif, primitivas. O mesmo autor, na introdução, reconhece a natureza utópica dos próprios pensamento. Mas são tentativas e é isso que conta:

Os ideais em que acreditámos até hoje não foram escritos por homens que queriam o bem do povo, mas por corporações religiosas, poder económico e político que queriam impor a própria supremacia.

Agora, alguém pode achar que seria escrever um livro com muitas páginas, mas acho que um verdadeiro ideal deve vir do coração e não do cérebro, então, a seguir, o que eu acredito ser o problema e o que eu vejo como uma possível solução, mostrada nalguns conceitos simples.

Problema

Nas primeiras grandes civilizações humanas os potentes de turno tornavam-se senhores da riqueza produzida pelo povo, deixando-o na miséria; infelizmente, em 6.000 anos, mesmo que de maneiras diferentes, isso sempre aconteceu.
Desde os tempos antigos uma elite organizada, apoiada por uma minoria subserviente do povo, tem dominado e explorado a maioria da população.
E ainda hoje, a nossa civilização tem esse problema muito sério a ser resolvido; mas agora podemos ter uma cultura histórica e uma informação “livre” (Internet) que permitem compreender e limitar os recursos que os potentes utilizam para explorar as pessoas até nas democracias mais modernas.
O excesso de poder e/ou de riqueza é a principal causa dessa anomalia: o poder produz mais poder, a riqueza produz outra riqueza, riqueza e poder alimentam-se mutuamente e distorcem as regras a próprio favor.
Basicamente, apenas removendo o excesso de poder e riqueza será possível impedir a escravidão do povo por parte duma minoria.

Nos antigos impérios e reinos, os dois excessos somavam-se, a riqueza estava concentrada nas mãos de poucos poderosos, enquanto a maioria do povo que produzia esta riqueza era pobre.

A Revolução Francesa e a norte-americano, com a abolição da monarquia absoluta e a proclamação da República, inspiraram as revoluções burguesas do século XIX e começaram um novo regime em que a burguesia e, em algumas ocasiões, mesmo as massas, converteram-se em força política dominante duma nação.

Com o advento das repúblicas, os ricos e os poderosos da época (os aristocratas e os banqueiros) perceberam que a falta de poder absoluto tinha que ser superada com diferentes formas de controle; pilotaram as repúblicas que foram divididas em dois tipos: as onde é permitida a centralização do poder e as onde é permitida a centralização da riqueza.

A História ensina o que aconteceu: ditadura comunista e falsa democracia capitalista, em ambos os sistemas o problema voltou, uma elite apoiada por uma minoria de pessoas domina e explora a maioria.

Solução

Uma possível solução é um sistema de regras básicas para a gestão de um Estado diferente dos actuais; podemos chama-lo
Social Democracia com poder e propriedade limitados.

Só um sistema onde é constitucionalmente proibida a centralização do poder e da riqueza nas mãos de uma minoria, garantirá a liberdade dum povo.
Porque numa sociedade organizada deve ser permitido que uma pessoa utiliza as próprias habilidades para ficar rico duma maneira ilimitada?
Se não funcionar uma sociedade sem propriedade privada (o comunismo), não funcionará também uma sociedade onde a privatização é ilimitada (capitalismo).

Eis um exemplo dum sistema para limitar o a riqueza:

Uma pessoa tem o direito de possuir dinheiro e/ou bens no valor de até 100 vezes a riqueza média dos indivíduos da nação mais rica do mundo; no caso seja capaz de acumular mais do que isso, os excedentes voltaam para a comunidade onde a sua riqueza é produzida .

As pessoas condenadas por terem aumentado a própria riqueza, terão como pena a redução do próprio parâmetro de multiplicação, e no caso de riquezas não declaradas, a propriedade destas não será reconhecida e serão automaticamente redistribuídas para a comunidade.

Com a riqueza pessoal limitada, as grandes corporações terão, necessariamente, de pertencer a muitos indivíduos, com o efeito de uma distribuição justa da riqueza e do poder. Para incentivar os investimentos em áreas pobres, pode ser aumentado o parâmetro multiplicador para aqueles que produzem riqueza naquele lugar.

Uma pessoa honesta não teria nenhum problema em aceitar isso, as boas pessoas não gostam ficar rica empobrecendo os outros. A limitação do poder tem vindo a aumentar a liberdade dos povos, mas agora é precisa a limitação da riqueza.

Quem confere a uma pessoa o direito de tornar-se o proprietário, sem limitação, dos recursos existentes que são, pelo contrário, limitados e produzido por toda a comunidade?

Eis um exemplo dum sistema para limitar o poder:

Democracia representativa com base nas categorias trabalhadoras e sociais com representação proporcional ao número real de funcionários por categoria. Por exemplo, os contabilistas, as donas de casa, os médicos, os estudantes, os adolescentes, etc ..
Antes da eleição, todos os cidadãos comunica a qual categoria pertence e se tenciona candidatar-se; para candidatar-se como político deverá depositar mil assinaturas autenticadas.

Somente se todas as categorias da nossa sociedade serão representadas será possível falar de representatividade popular.

Direita, esquerda, centro, capitalista, comunista, são só definições apenas inventadas pelos poderosos para dividir as pessoas, mas não representam em nada a nossa sociedade.

Salários parlamentares proporcionados aos salários dos trabalhadores (por exemplo, x3); não é possível aumentar os salários dos parlamentares sem elevar os salários dos trabalhadores também. Carga política reduzida a um máximo de duas legislaturas.

Contratos do sector público equiparados aos da indústria privada, a fim de evitar a formação de massas privilegiadas ao serviço do poder constituído.

Fotografia patrimonial dos eleitos e das famílias deles, no início e no fim do mandato.

Nenhuma possibilidade de legislar sobre eles próprios ou de cruzamento com outras instituições.

Conclusões

Sei que parece difícil de aplicar este sistema em todo o mundo, mas acho que não sejam assim  porque para 99% dos homens seria suficiente para ter de 1 a 100 vezes o que precisa, apenas um limitado 1% tem o instinto de dominar os outros.

Infelizmente, os sistemas actuais permitem que este 1% domine o mundo e escravize todos os outros.

Lembrem que a propriedade privada é uma convenção entre os homens, sem que as pessoas não aceitarem ela não existe.

O mundo está a espera dum novo ideal, esta poderia ser uma ideia-base; os nossos jovens estão confusos, o destino da nossa sociedade é cada vez mais incerto, o homem necessita duma esperança: vamos usar internet para construí-la e difundi-la .

O que escrevo pode parecer utópico, mas talvez a verdadeira utopia seja acreditar viver num futuro melhor deixando um que uma classe financeira e política corruptas escrevam as regras que nos governam.

Espero que esta ideia possa encorajar as pessoas a pensar num novo modo de viver juntos.

Fonte: Ecolcity

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