Entrevista: Wander Veroni

Começa hoje uma nova secção dedicada às entrevistas exclusivas de Informação Incorrecta.

Muito em breve estas conversas encontrarão um espaço próprio, uma nova página onde estarão reunidas para uma mais simples consultação.

O primeiro convidado foi é o jornalista brasileiro Wander Veroni.

Com 25 anos de idade, é jornalista pós-graduado em Rádio e Televisão, ambas formações pelo Uni-BH (Centro Universitário de Belo Horizonte).
Foi escolhido por uma série de factores: e um jovem profissional, conhece bem os elementos os quais operas, e é dono dum blog particularmente interessante (que a partir de hoje podem encontrar na secção “Leituras aconselhadas” ao lado), cujo título é o seguinte: Café com Notícias.

Não é um por acaso que o blog de Wander tem muitos leitores (mais de 700 seguidores Google): é um blog vivo, cheio de cores, de recursos, mas sobretudo de conteúdos cativantes, tratados com aquele “corte” particular que distingue um blog “soporífero” dum caso de sucesso.

Eis a entrevista, uma panorâmica acerca de vários assuntos. Uma óptima ocasião para conhecer melhor o jornalista de Belo Horizonte.

Wander Veroni

Informação Incorrecta: Começamos do princípio: jornalista porquê?  

Wander Veroni: Jornalista porque adoro escrever, pesquisar e compartilhar. Amo minha profissão e não me imagino fazendo outra coisa.

E blogueiro? 

Blogueiro por uma necessidade de colocar para fora a minha capacidade de produzir conteúdo de forma independente e de acordo com os valores que acredito para a democracia da informação.

Qual o seu relacionamento com os muitos leitores? Escreve mais para si ou mais para eles?  

O blog, assim como qualquer mídia, é feito para os leitores. Se escrevesse para mim, não precisaria publicar um blog. Poderia ter um arquivo no Word, por exemplo. A satisfação de ter um blog é compartilhar informações com os leitores, numa espécie de troca. Em geral, tenho um bom relacionamento com os leitores e com os outros blogueiros. Muitos, se tornaram amigos pessoais no decorrer destes quase três anos.

No seu blog existe uma ampla secção dedicada aos casos das pessoas desaparecida. Pode explicar este fenómeno aos leitores portugueses?  

Acredito que não só no Brasil, mas em todo mundo, existe o drama de pessoas desaparecidas, seja por sequestro, ou qualquer outro motivo. Na época, em que criei esta seção estava produzindo uma reportagem para a revista em que trabalho sobre este assunto e resolvi fazer uma campanha no Café com Notícias com o intuito de ajudar na mobilização.

Acerca do conceito de blog: veio para ficar ou será ultrapassado por ideias mais dinâmicas tipo Twitter? 

Não. O blog vive. E ele precisa das redes sociais, assim como as redes precisam do blog. É uma troca. O que acontece hoje é uma convergência. O leitor não acessa apenas o blog, mas o Twitter, Orkut, Facebook, Google Reader, etc.

Considera as redes sociais, tipo Orkut ou Facebook, uma ameaça, uma oportunidade ou uma simples exploração comercial?  

Uma oportunidade. Ainda não descobrimos todo o potencial das redes sociais, ainda veremos mais e mais funcionalidades.

Internet e a censura. Periodicamente surgem vozes de grupos que desejam “controlar” sob várias formas a Rede. Acha que uma qualquer regulamentação seria precisa ou internet encontrará de forma natural o próprio caminho?  

Creio que a internet precisa de legislação para que crimes não continuem sendo praticados. Uma vez que existir legislação fica mais fácil punir e denunciar. Mas, o que não concordo é censura. Por isso, os internautas precisam se mobilizar e escolher melhor os seus legisladores. Sem educação, tolerância e respeito, dificilmente a sociedade caminhará.

Com internet temos acesso a um universo de notícias, o problema é escolher. Como pode o leitor orientar-se?

Existem várias formas. Uma delas é debater com outros internautas/leitores sobre os sites e blogs que produzem um conteúdo que lhe agrade. Em todo caso, é sempre recomendável ler/assistir mais de dois veículos de comunicação para ter uma opinião plural da notícia.

Sempre a propósito de censura, desta vez ligada ao jornalismo: na classificação Global Freedom 2010 o Brasil aparece no 88º lugar, atrás Países como Timor Leste ou Moçambique. Como interpreta este dado?  

Confesso que estou surpreso. Hoje no Brasil existe uma liberdade de imprensa muito maior se compararmos há 20 anos atrás, por exemplo. O que acontece é mais uma censura da publicidade. Alguns temas não são tocados por causa de interesse políticos ou empresariais. Mas, em todo caso, existem blogs, vlogs, Twitter, jornais, etc. que farão a oposição a tudo isso.

Falamos do seu trabalho. O Brasil está a crescer economicamente: reparou em algumas mudanças na sua profissão ao longo deste período?  

Muitas mudanças. Algumas favoráveis, outras nem tanto. Na parte técnica e de formação intelectual dos profissionais, houve um grande investimento. Já na parte salarial ainda há diferenças gritantes de Estado para Estado.

Sempre a propósito de jornalismo: quais são os maiores riscos que encontra hoje um profissional ao longo da sua carreira?  

Não sei se é um risco, propriamente dito, mas o jornalista que quer entrar no mercado precisa se fazer visto, mostrar trabalho e um diferencial. Quem não é criativo, atento e pesquisador, dificilmente entrará no mercado.

Direito de crónica. O jornalista tem que ter qualquer limite o a crónica tem o predomínio em todos os casos?  

No jornalismo não há limite quando falamos em criatividade. Mas há ética e, sobretudo, respeito ao leitor. Estamos em um fase de reinventar ou criar novas formas de narrativa para a notícia. O jornalismo está mudando.

O que acha do relacionamentos entre Brasileiros e medias? Há uma participação activa?  

Muita participação ativa. O brasileiro gosta das redes sociais e dos meios de comunicação, no geral. Boa parte das boas pautas publicadas no veículo são oriundas de sugestões de leitores/internautas.

Velocidade: há ainda espaço para a qualidade e a reflexão num mundo dos media onde tudo corre assim depressa?  

Sempre haverá. Existe espaço para o “hard news”, as notícias apuradas minuto-minuto, digamos assim. E também há espaço para análise proposta pelo jornalismo opinativo e investigativo, seja no impresso, nos blogs ou nas revistas eletrônicas.

Uma sua afirmação: “No senso comum, as pessoas têm uma visão muito glamurosa do jornalismo.”. Em que sentido?  

Em geral, o público crê que o jornalista também é celebridade porque ele aparece todo dia na TV, fala no rádio, escreve no impresso e na internet, ou tem certo reconhecimento do público. Jornalista não é celebridade, mas sim formador de opinião e um organizador de conteúdo informativo.

Uma pergunta mais pessoal: quem considera como seu mestre profissional?  

Tenho vários mestres do jornalismo. Inclusive, tive e tenho a oportunidade de trabalhar com algum deles. Prefiro não citar nomes, mas cada jornalista mais experiente que encontrei me ajuda a buscar novos olhares para a profissão.

E para acabar uma previsão política: qual o seu palpite, Serra ou Dilma?  

Nenhum dos dois, se Deus quiser…rs. O Brasil precisa de outro tipo de liderança política.

Informação Incorrecta deseja agradecer a disponibilidade e a simpatia de Wander Vendroni.

Ipse dixit.

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