O futuro chegou

A situação das famílias inglesas não é muito diferente das condições nas quais se encontram as famílias de outros Países ocidentais.

Como é esta situação? Eh, que dizer..o salário é sempre escasso, as contas da electricidade, a água, o gás, a gasolina que aumenta, a escola dos filhos, o clima de austeridade. E os empréstimos.

Ah, pois, os empréstimos. Por enquanto os juros são baixos. Por enquanto.

Ao longo das última décadas fomos treinados para gastar. Há dinheiro? Gasta. Não há dinheiro? Pede, um banco nunca diz que não. O futuro? Está longe e algo acontecerá.

O futuro chegou. E algo aconteceu.

O Banco da Inglaterra informou hoje que, pela primeira vez em 22 anos, desde 1988, os britânicos pouparam mais do que pediram em empréstimo, e não as empresas, mas as famílias e os indivíduos

Os media dizem que reflecte a nova “cultura de austeridade”. Por 22 anos seguintes as famílias ficaram cada vez mais endividadas e agora, pela primeira vez, de volta ao normal !
Deveria ser normal, é chamado “ganhar a vida”, ganhar mais dinheiro do que se gasta em cada ano, ter uma renda suficiente para não tornar-se um servo dos bancos para os próximos 20 anos com as prestações.
Nos 22 anos anteriores tinha-se  estabelecido uma nova “cultura de suicídio da dívida”, esta não é uma” nova cultura “, é um retorno à normalidade.

Nunca aconteceu na história que uma inteira geração não ganhasse o suficiente e a cada ano fosse obrigada a ficar com dívidas.e é injusto.
Por exemplo, em 1924, Hitler queria comprar um Mercedes e escreveu uma carta à direcção do maior concessionário de Mónaco, implorando para ter um empréstimo que cobrasse parte do custo enquanto esperava para receber os direitos do livro Mein Kampf, e parece que não teve sorte. Nem ao Fuhrer emprestavam.

Em Inglaterra havia anos em que as famílias britânicas aumentaram as próprias dívidas de 100 e até de 160 bilhões de euros, num só ano! E donde chegava o dinheiro emprestado? Naturalmente, desde que todos os anos as famílias depositavam no banco menos do que pediam, segue-se logicamente que essas centenas de bilhões de dólares adicionais costumavam vir do….. nada.
Simplesmente foram criados digitando números num computador dos bancos.

Quando as famílias não poupam durante 22 anos consecutivos e o Estado fica com dívida também e assim as empresas é logicamente impossível que o dinheiro emprestado exista, que o dinheiro seja a poupança de outros. Claro, não? As famílias pediram bilhões dos bancos os quais simplesmente inventaram do nada (com a cumplicidade do Banco Central, que, quando um banco empresta 100 milhões que não tem, imprime dinheiro para empresta-lo com juros baixos)

Por enquanto o custo da enorme dívida privada das famílias parece sustentável. Com os vários Libor 1%, os empréstimos e os mútuos são baratos. Mas se voltar ao nível de 5 ou 7%, o que durante séculos foi o nível médio mínimo das taxas de juro?

As pessoas não percebem que esta é a primeira sociedade da história a fazer uma tal experiência e isso é uma loucura. Agora as famílias britânicas, ter algo como 2.000 bilhões de Euro de dívidas, empréstimos pessoais, empréstimos para automóveis, mútuos, etc.
As taxas de juros, no entanto, foram esmagadas até a cerca de 1% pelo Banco da Inglaterra, que comprou algo como 300 ou 400 bilhões de Títulos de Estado.

E se as taxas de juros subissem para 7%, como em 1991, como raio poderiam pagar as prestações anuais, uma massa de 2.000 bilhões de dívidas? Pagam 140 bilhões de Euros de juros a cada ano, mais outros 100 bilhões em reembolsos do capital? Trabalham (as famílias de baixa renda) para pagar as dívidas aos bancos para o resto de suas vidas como servos da Idade Média trabalhavam para pagar os tributos aos proprietários de terras ao longo da vida toda? O mesmo para as famílias americanas, australianas e um pouco menos no resto do Ocidente.

Fonte: Cobraf

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