Israel: o cordeiro nuclear

Nos navios da Freedom Flotilla que foi atacada pela Marinha de Israel viajava pessoal de Global Research.
Eis um artigo deste centro acerca não do ataque mas do quadro geopolítico e militar do Médio Oriente, com especial atenção para as escolha de Jerusalém.

O ataque de Israel: parte de uma maior agenda militar

O primeiro-ministro Netanyahu, que ordenou o ataque contra a frota internacional, encontrava-se empenhado numa visita oficial ao Canadá no momento do ataque israelita.

O ataque, lembramos, constitui um acto de pirataria que viola o direito marítimo da Convenção das Nações Unidas.

A acção de Netanyahu, que causou nove mortes e cerca de 60 feridos, é um acto criminoso cometido em águas internacionais.

Netanyahu – que ironia cruel! – tinha-se recentemente comprometido a encontrar a paz com os palestinianos: “Queremos agir com rapidez e com diálogos directos, porque o problema que temos com os palestinianos pode ser resolvido de forma pacífica sentados à mesa.”

Diferentes personalidades e colaboradores de Global Research estavam nos navios.

O ataque de 31 de Maio é a continuação da Operação Chumbo Fundido começada no final de Dezembro de 2008. O objectivo é confirmar o status de Gaza como uma prisão urbana.

A Operação Chumbo Fundido fazia parte de uma operação militar maior iniciada com o governo de Ariel Sharon. Com a operação Vingança Justificada de Sharon começaram a ser utilizados caça F-16 para bombardear as cidades palestinianas. O assalto à Freedom Flotilha é parte do projecto de transformar Gaza num campo de concentração urbano.

A Operação Vingança Justificada foi apresentada em 2001 ao governo de Ariel Sharon pelo Chefe do Estado Maior da IDF (Israel Defense Forces) com o título “A destruição da Autoridade Palestiniana e o desarmamento de todas as forças armadas”. A operação foi também conhecida como Plano Dagan, do nome do general (aposentado) Meir Dagan, actualmente chefe do Mossad, a agência de inteligência de Israel .

Meir Dagan, em coordenação com os seus homólogos nos Estados Unidos, foi colocado no comando de diversas operações de inteligência militar. É interessante notar que Meir Dagan foi um colaborador próximo do então ministro da Defesa Ariel Sharon nos bombardeamentos sobre Beirute em 1982.

A invasão terrestre da Faixa de Gaza em 2009, em muitos aspectos lembra a operação militar conduzida por Ariel Sharon em 1982. Não há dúvida de que Dagan, como chefe da inteligência israelita, tomou parte na decisão do assalto à Freedom Flotilla.

Decisão tomada após consulta com os Estados Unidos? No dia 26 de maio o exército de Israel (IDF) confirmava que teria enfrentado a Freedom Flotilla em águas internacionais, também advertia que poderia ter sido possível encontrar terroristas a bordo dos navios:

Para preparar-se militarmente, a Marinha realizou um exercitação que consiste em interceptar navios e prender passageiros.

O comandante da Marinha, general Eliezer Marom, disse que Marinha iria tomar medidas para proteger as vidas dos soldados e garantir que existir terroristas ou bombas a bordo dos navios.

Marom disse que instruiu os homens a agir com tacto e evitar provocações, também acrescentou que o IDF não tinha a intenção de magoar as centenas de passageiros de navios.

É interessante notar que, antes deste anúncio, a IDF lançou uma campanha de relações públicas, descrevendo o da frota como um acto “provocativo”:

O coronel Moshe Levi, comandante do distrito de Gaza e responsável pela coordenação dos assuntos humanitários, havia convocado uma conferência de imprensa onde afirmou que não há falta de comida e suprimentos para a Faixa de Gaza.”

A viagem programada da Flotilla é um acto provocativo e não é necessário dada a actual situação em Gaza, que é estável e positiva”, disse, acrescentando que Israel permite a entrada de muitos produtos na Faixa, excepto aqueles que possam ser utilizados por Hamas para promover actividade terrorista.

Washington estava plenamente consciente da natureza e das prováveis consequências da operação IDF em águas internacionais, incluindo a morte de civis. Há indícios de que esta decisão foi coordenada com Washington.

O papel da Rahm Emmanuel

O chefe do staff da Casa Branca de Obama Rahm Emmanuel estava em Israel uma semana antes do ataque à Freedom Flotilla.

Apesar da visita ser privada, Rahm Emmanuel reuniu-se com o primeiro-ministro Netanyahu para discussões de alto nível no dia 26 de Maio. Rahm Emanuel também reuniu-se com Shimon Peres em 27 de Maio. A Casa Branca qualificou a reunião de 26 de Maio como “uma discussão informal sobre uma série de questões acerca das relações bilaterais Estados Unidos-Israel.”

Uma ampla agenda militar

Já agora deveria ser claro que o ataque à Flotilla coincidiu com exercitações de guerra conjuntas NATO-Israel contra o Irão. De acordo com o Sunday Times:

“três submarinos israelitas de construção alemã, armados com mísseis nucleares cruise, são localizados no Golfo perto da costa iraniana” . 

O artigo apresenta implicitamente Israel como vítima e não como o arquitecto da ameaça militar:

“O centro de negócios e de defesa de Israel continua a ser a cidade mais ameaçada do mundo”, diz um perito. “O número de mísseis dirigidos para Tel Avive ultrapassa o de qualquer outra cidade”, continuou.

“O primeiro submarino foi enviado em resposta aos temores israelitas que os mísseis balísticos desenvolvidos pelo Irão, a Síria e os Hezbollah, organização política e militar do Líbano, possam atingir locais de Israel, bases aéreas e de mísseis incluídas.

Os submarinos da Frota 7, Dolphin Tekuma e Leviathan, tinham visitado antes o Golfo. Mas a decisão agora foi tomada para garantir a presença permanente de pelo menos um dos navios.

O comandante da frota, identificado apenas como Coronel O, disse a um jornal israelita: “Nós somos um grupo de submarinos de ataque. Actuamos em profundidade e longe, muito longe de nossas fronteiras “. A deslocação foi concebida para actuar como um aviso e, potencialmente, obter informações e  potencialmente para desembarcar agentes do Mossad terra. “Somos uma base sólida para a recolha de informações sensíveis, já que podemos ficar num lugar por muito tempo” revelou um oficial da frota.

Os submarinos poderiam ser utilizados caso o Irão continue o próprio programa para produzir armas atómicas. “O alcance de 1.500 km dos misseis dos submarinos pode atingir qualquer alvo no Irão”, disse um oficial da Marinha.

Aparentemente, em resposta a actividades de Israel, um almirante iraniano disse que “qualquer um que tenha a intenção de cometer actos de maldade no Golfo Pérsico receberá uma nossa resposta forte”.

A necessidade urgente de Israel para dissuadir Irão-Síria-Hezbollah aliança foi demonstrada no mês passado. Ehud Barak, o ministro da Defesa, aparentemente mostrou ao presidente Barack Obama imagens confidenciais dum satélite de um comboio de mísseis balísticos que saiu da Síria directamente para o Líbano, para os Hezbollah.

Entretanto, Israel também estava envolvido em exercitações no Mediterrâneo. A exercitação com o nome em código Minoas 2010 foi realizada numa base aérea em Souda Bay, em Creta.

Além disso, imediatamente após a decisão contra as armas nucleares de Israel nascida dos auspícios do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, a Casa Branca não só reafirmou o seu apoio a Israel, mas também ao potencial do seu arsenal nuclear. O relatório elaborado na véspera do ataque à frota destaca “o potencial de dissuasão estratégica de Israel, que inclui o lançamento de um ataque nuclear preventivo contra o Irão”

“Uma fonte política de alto nível em Jerusalém revelou neste sábado que Israel tem recebido garantias do presidente Barack Obama de que os EUA irão apoiar e reforçar o potencial de dissuasão estratégica de Israel.

Segundo a fonte, Obama deu Netanyahu garantias inequívocas que incluem um desenvolvimento substancial das relações Estados Unidos-Israel. “

Obama prometeu que qualquer decisão tomada durante a recente conferência de revisão e reforço do Tratado de Não Proliferação Nuclear, assinado há 40 anos, “nunca pode prejudicar os interesses vitais de Israel”, confirmou a fonte.

A presença do Chefe de Gabinete de Obama em Tel Avive sem dúvida desempenhou um papel fundamental no timing do relatório de 30 de Maio como no ataque à Freedom Flotilla. A administração Obama deu a luz verde para o ataque fatal em águas internacionais.

A matança de civis desarmados fazia parte das ordens do commando naval israelita. Era parte integrante da Operação Vingança Justificada de Dagan, que apresenta Israel como uma vítima em vez de autor e usa as mortes de civis “de ambas as partes” para justificar um processo de escalada militar.

A acção do IDF produziu uma onda de indignação em todo o Médio Oriente. Sem dúvida produzirá uma resposta da resistência palestiniana, incluindo possíveis ataques suicidas em Israel, que então poderiam ser utilizados por Israel como um pretexto e justificação para lançar uma ampla operação militar.

O Irão é descrito pelos media ocidentais como a solidário com Hamas e as Freedom Flotilla indicada como suportada por uma aliança tácita entre Hamas e o Irão. A realidade é invertida. Israel é a vítima. Para citar Benjamin Netanyahu: “Os nossos soldados tiveram que defender-se para salvar as próprias vidas.” Netanyahu sempre uma conferência de imprensa em Ottawa;

“Os soldados embarcaram em busca de foguetes, mísseis e explosivos para Gaza, para ser usado em ataques contra Israel. Foram agredidos com paus, espancado, esfaqueado, também foram registados disparos e os nossos soldados tiveram que defender-se, defender as próprias vidas ou teriam sido mortos “, disse na passada segunda-feira durante uma visita do primeiro-ministro Stephen Harper.

E acrescentou: “Infelizmente no confronto pelo menos 10 pessoas morreram. Lamentamos esta perda. Nós lamentamos toda a violência que ocorreu. Quero desejar aos feridos uma recuperação rápida, incluindo quatro homens dos nossos “

Entretanto, um porta-voz da Casa Branca confirmou que os EUA “lamentam a perda de vidas e os ferimentos.” Mas a acção de Israel não foi condenada por Obama:

“O governo agora tenta entender as circunstâncias desta tragédia”

Fonte: Global Research

Obrigado por participar na discussão!

This site uses User Verification plugin to reduce spam. See how your comment data is processed.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.