No campeonato dos Grandes

Não, não é de futebol que vamos tratar, mas de algo um pouco mais interessante.

Abandonamos a economia europeia e falamos de Angola: hoje é um dia importante para o País africano.

Jornal de Negócios:

As três principais agências de “rating” anunciaram hoje que passaram a atribuir uma notação à dívida de Angola. A suportar esta posição estão, entre outros factores, as perspectivas de crescimento para este país e os baixos níveis de dívida do governo e externa.

Um passo que permite ao país passar a aceder ao mercado de dívida internacional e permitir assim a venda de títulos.

A Moody’s atribui um “rating” de B1 à dívida da república de Angola, com “outlook” positivo. A mesma agência sublinha que uma revisão em alta desta classificação pode acontecer nos próximos 12 a 24 meses.

“O ‘rating’ de B1 reflecte o rápido potencial de crescimento da economia, e as expectativas de mais melhorias a nível fiscal e das finanças externas associadas com o aumento da produção de petróleo e dos preços”, refere Anthony Thomas, vice-presidente da área de análise da Moody´s.

Segundo o mesmo especialista, as principais pressões a este “rating” prendem-se com a “fraca” capacidade institucional de Angola, o pequeno histórico de implementação de reformas políticas e a incerteza no que toca a uma eventual transição política.

Já a Fitch atribui uma notação de B+ para a dívida de longo-prazo, com perspectiva positiva. Para a dívida de curto-prazo, o “rating” é de B. 

Recursos naturais, perspectivas de forte crescimento, investimento no sector petrolífero, estabilidade  económica: esta são as razões que suportam as avaliações. Os rácios da dívida pública são moderados e as contas devem regressar ao superávit já este ano.

E, claro, não podemos esquecer uma certa estabilidade política, condição basilar.

A Standard & Poor’s concede um “rating” de B+ a longo-prazo e de B a curto-prazo, como “outlook” estável. “Os ‘ratings’ de Angola são suportados primeiramente pela nossa visão da grande base de hidrocarbonetos do país, fortes perspectivas de crescimento e baixos níveis de dívida do governo e externa”, sublinha a agência.

A pressionar a classificação, contudo, pode estar a “apertada” base económica do país, o curto e misto histórico de políticas económicas e financeiras e as fraquezas na área de governance

Verdade, B1 ou B+ não são resultados propriamente excelentes. Mas não é isso que conta. O que importa é que Angola entra no circuito dos grandes mercados internacionais. E para um País com uma economia emergente e em franca expansão, este é um passo fundamental.

A notícia surge na sequência da apresentação da Convenção contra o crime transnacional, que deve ser ratificada já hoje.

As responsabilidades crescente que Angola tem vindo a assumir na arena internacional faz com que a sua acção diplomática seja igualmente dirigida ao combate ao crime transnacional, acto que reclama a sua adesão aos instrumentos internacionais que tratam desta matéria

afirmou o ministro das Relações Exteriores, Assunção dos Anjos, segundo o qual este instrumento visa promover a cooperação internacional, prevenir e combater mais eficientemente este mal, que constitui a mais grave ameaça aos Estados de Direito e Democrático, à paz, à segurança internacional e à garantia dos direitos fundamentais do homem.

A convenção tem como anexos três protocolos: contra o fabrico de armas de fogo, de prevenção, repressão e punição do tráfico de mulheres e crianças e contra o tráfico de imigrantes.

Angola quer avançar. E tem as condições.

Ipse dixit.

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