Na corda bamba

Situação complicada e confusa.
As agências escrevem notícias por vezes contrastantes.

O que é certo é que a Bolsa de Lisboa está em queda após ter melhorado consideravelmente ao longo do dia.

Vamos com ordem.

Dominique Strauss-Kahn, Jornal de Notícias:

O director-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostrou hoje confiança na resolução da crise na Grécia, mas admitiu que, se tal não acontecer, existe o risco de a crise ser amplificada a toda a União Europeia.

“Estamos a trabalhar muito rapidamente e é preciso que na Zona Euro a solidariedade funcione também com rapidez. Estou confiante de que o problema [grego] vai ser resolvido”, começou por afirmar Strauss-Kahn, para logo alertar: “Se não, a situação na Grécia poderá ter amplas consequências em toda a União Europeia“.

O antigo ministro francês das Finanças disse ainda que o povo grego não pode ser “iludido”. “A situação é difícil, as derrapagens foram consideráveis, mas é por isso que estamos lá, para ajudar a que o reequilíbrio seja o menos penoso possível“.

Strauss-Kahn falava em Berlim ao lado de Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE) e do ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schaüble, que voltou, por seu turno, a frisar que o que está a acontecer “não é um problema da Grécia, é um problema da Europa, é um problema da Alemanha”.

Então há um problema e vamos trabalhar depressa para resolve-lo?
Talvez não.

Agência Asca:

Dominique Strauss-Kahn, trava. Atenas necessita de um empréstimo do fundo (mínimo 10-15 bilhões de Euros) para não entrar em bancarrota, mas o FMI quer impor condições precisas acerca do percurso para sanar as contas públicas gregas. ”Não posso garantir que Atenas aceite todas as nossas condições” declarou o Director do Fundo.

Não, a situação ainda não está resolvida.

E na Alemanha há quem continue a deitar gasolina na fogueira.

Agência AFP, (via Yahoo)

A Grécia jamais reembolsará a ajuda financeira que a Alemanha pretende destinar para o mecanismo de apoio europeu a Atenas, alertou nesta quarta-feira o influente economista alemão Hans-Werner Sinn.

 
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Indagado se acreditava no pagamento da Grécia, Sinn, presidente do instituto de pesquisas económicas Ifo, que aconselha o governo, respondeu à rádio MDR: “para dizer a verdade, não”.
A Grécia não estará em condições de levar adiante a política de rigor que necessita e, no final, chegará a pedir uma anulação da dívida com a Alemanha“, afirmou, pedindo que Berlim não se deixe pressionar por outros países.
“Que os italianos, os espanhóis façam pressão para que paguemos sem condições agora é compreensível, pois este é um precedentes que será importante para eles”, destacou.

Simpático o homem.
Responde Herman Van Rompuy, Presidente do Conselho Europeu. ADN Kronos

O ex Primeiro Ministro da Bélgica diz estar “totalmente confiante” acerca da hipótese “da Grécia receber por tempo a assistência financeira da qual precisa para acabar o próprio programa e para preservar a estabilidade da área Euro”.

Mas em Atenas as coisas não estão assim tão bem. Asca:

A Grécia recusa o pedido avançado pela União Europeia e pelo FMI para introduzir, entre as medidas de austeridade para a redução da dívida, um corte dos ordenados.

E enquanto esperamos pela possível ajuda, a vertente económica portuguesa fica “na corda bamba“. Jornal de Negócios das horas 15, 20:

A bolsa nacional tem variado entre perdas e ganhos ao longo do dia, tendo chegado a deslizar mais de 6% e a subir mais de 1,5%. O PSI-20 segue a ceder 1,38%, numa altura em que as quedas da banca se sobrepõem à subida de quase 4% da Brisa.

O PSI-20 recua para 7.054,04 pontos, com 16 acções em queda e quatro em alta. Entre os congéneres europeus também estão a oscilar entre ganhos e perdas. Durante a manhã, as bolsas registaram perdas acentuadas depois da S&P ter reduzido o “rating” da dívida para Portugal e Grécia, aumentando os receios em relação a incumprimentos e necessidade de acelerar as ajudas.

Mais tarde, BCE, FMI e o ministro das Finanças alemão convocaram uma conferência de imprensa e o mercado começou a especular que iriam ser anunciadas medidas de ajuda à Grécia, com o objectivo de desbloquear o pacote de ajudas financeiras. Contudo, da reunião não saíram declarações que apontassem datas ou valores. Apenas foi dito que estavam a tentar acelerar o processo.

Está ainda em cima da mesa a possibilidade de aumentar o pacote de ajudas à Grécia, inicialmente estabelecido em 45 mil milhões de dólares. De acordo com notícias avançadas esta tarde, as ajudas poderão ascender a 120 mil milhões de euros, um número que não foi confirmado, nem desmentido pelo responsável do FMI, que preferiu não adiantar qualquer estimativa de financiamento, antes das negociações terminarem.

Ponto da situação: o mercado não fica satisfeito com 120 bilhões de promessas, quer 10 ou 15 bilhões de Euros já.

Uma coisa é clara: já antes era difícil encontrar um acordo acerca dos 45 bilhões de ajuda. Agora que os bilhões são 120 a coisa fica ainda mais complicada. A Alemanha, por exemplo, antes deveria ter contribuído com 8 bilhões, agora os bilhões de Berlim são 25. Verdade que agora está em causa em empréstimo a 3 anos, mas mesmo assim…

Moral da história: salvar a Grécia significa socorrer quem falsificou as contas para entrar na Zona Euro e a seguir nada fez para as próprias finanças. Não salvar a Grécia pode significar o colapso do Euro.

E, para acabar, as boas notícias.

Governo e oposição portugueses encontraram um entendimento para acelerar a aplicação das medidas do PEC. Algo se mexe e isso é bom.

Nos próximos post mais detalhes acerca de Portugal e, óbvio, o relato das últimas novidades da tragédia grega.

Ipse dixit

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