Drogados

Ontem Wall Street em sessão positiva, desde a abertura até o fecho.

Hoje as Bolsas Europeias ganham, só Madrid abriu com uma ligeira perda mas nada de grave.
Esta semana o “trend” foi sempre positivo.

A coisa divertida? Os dados macroeconómicos são negativos. Todos.

Uma Bolsa que voa perante dados económicos negativos (ou até pesadamente negativos)? Como é possível?

De facto não seria possível.
A não ser que a Bolsa já não seja o espelho da economia real, coisa que já afirmamos.
A não ser que a Bolsa seja literalmente “conduzida” ou, melhor, “drogada”.

A explicação oficial?
A inflação EUA é controlada e fica abaixo das expectativas. O que significa juros (muito) baixos ao longo de muito tempo, dinheiro com custo zero.

Não chega.
Os investidores não são idiotas e “cheiram” o queimado além das ilusões ópticas disseminadas ao longo do caminho. E este mercado não só cheira, até está envolvido numa nuvem de fumo.

Há algumas semanas uma notícia, até uma simples voz fazia tremer as Bolsas, com perdas pesadas. Já não lembramos disso?
Hoje há não simples vozes mas dados e factos que assustariam o mais obtuso dos investidores. Resultado? A Bolsa ganha, indiferente e impermeável ao que se passa no mundo real, gozando de resultados baseados…em quê? Em dados negativos.

A venda de automóveis cai na Europa (- 8,7 % em comparação com o já anémico Maio do ano passado)? A Bolsa voa.

As vendas ao retalho nos EUA caem nas primeiras duas semanas de Junho? A Bolsa ganha.

A Federal Reserve está preocupada com uma possível recessão? A Bolsa ri.

Morgan Stanley admite perdas elevadas em Abril e Maio? A Bolsa ignora.

Fitch baixa o rating da BP para BBB? Portugal e Espanha cada vez mais em risco? A Italia entra em sofrimento também? Três novos Países europeus enfrentam agora uma dívida pública “em risco”? A confiança dos construtores civis americanos cai de forma abrupta? A Deutsche Bank aposta contra a economia espanhola?

Tudo isso não conta, a Bolsa continua inexorável a própria subida.

Então temos que parar e admitir: uma ordem foi dada e a Bolsa simplesmente obedece.

Interpretar este mercado não é possível. Numa altura em que a Bolsa funciona segundo uma lógica própria (ou melhor, segundo directivas), fazer previsões torna-se uma tarefa sem sentido. O trend positivo pode continuar até quando alguém assim o decidir, pois agora quem manda é(são) o(s) “condutor(es)”.

Ficamos à janela e gozamos do espectáculo.
Até o próximo “ponto de ruptura”.

Ipse dixit.

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