Maré Negra: Ar, Água, Terra, Fogo

Ao lado é possível observar a publicidade da BP.
Aliás, mais do que uma publicidade é uma verdadeira profecia.

O slogan de facto é:

“Mudamos o nosso logo,
podemos mudar o mundo”

E que a BP esteja agora empenhada em mudar o mundo parece claro. Para já as mudanças interessam o Golfo do México, mas cedo o petróleo atingirá a Corrente do Golfo e o sonho da BP será finalmente uma realidade.

O blog Petrolio continua a seguir o que se passa no Golfo do México.

Eis o resumo da situação:

Ar .1200 ppm de sulfureto de hidrogénio, 3400 ppm de benzeno (aqui). Aqui nova sigla para aprender: TILT ou seja Toxicant Induced Loss of Tolerance, a síndrome misteriosa que está a afectar centenas de cidadãos da Costa do Golfo e, especialmente, aqueles que trabalham no mar para a limpeza.

Água. A chuva ácida? Ou Corexit que chove do céu? Há uma outra doença misteriosa que afecta as culturas, e a suspeita é que o Corexit alcançou o interior via aerossol, e esteja agora a destruir as colheitas.

Terra. Nas praias não há mais bolas de alcatrão, mas coisas muito mais sérias como esta bola de uma tonelada (do site da Guarda Costeira).

Fogo. Enquanto também os relâmpagos fazem a parte deles (aparentemente o Pai Júpiter existe e não gosta muito da BP), vai em frente a outra espertissima ideia dos fogos de contenção. Isso é, incendeia-se o petróleo na superfície da água com uma mistura de querosene e gel. Os cidadãos da costa estão acostumados: quando vêm grandes colunas de fumaça preta significa que o petróleo está a chegar. Até agora foram queimados mais de 100 mil barris. E o ar? Pois, voltamos ao ponto 1.

Obama, por sua vez, enfrentou o problema do petróleo e anunciou uma nova era de desenvolvimento sustentável, renovável, limpa e assim por diante. Ámen. Será apenas uma outra maneira para ganhar dinheiro fingindo ser tão bons?

No entanto a BP explica. O quê? Que é difícil explicar.

O director executivo da BP, Tony-Hayward, dirá nesta quinta-feira, em sua primeira apresentação ante legisladores americanos, que o catastrófico vazamento de petróleo no Golfo do México foi causado por uma “combinação de falhas sem precedentes“, segundo um texto divulgado esta quarta-feira.

Entendo que as pessoas querem ter uma resposta simples sobre o que aconteceu e a quem culpar. A verdade, no entanto, é que é um acidente complexo, causado por uma combinação de falhas sem precedentes. Várias empresas estão envolvidas, entre elas a BP, e é simplesmente cedo demais para identificar a causa.

De facto, eles bem fizeram tudo o que era necessário, mas quando o azar entra em jogo…quem sabe, talvez não utilizar materiais não adequados poderia ter dado um jeitinho…também respeitar as normas de segurança previstas não teria sido mal…talvez um sério plano de emergência…quem sabe… 

Ipse dixit.

Fontes: Petrolio, Los Angeles Times, CBS Evening News, United States Coast Guard, WOAI, AFP via Yahoo

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