O terrorismo dos Mapuche

Rapariga Mapuche

Quinze presos na prisão de El Manzano, Concepción, oito em Temuco. Todos em prisão preventiva, alguns há mais de um ano e meio. Lei de referência, a contra o terrorismo. No entanto, são índios mapuche, cujo único crime é o exigir direitos ancestrais sobre terras e recursos.

Nenhuma bomba, não há planos ou ataques, ou armas de destruição maciça. Mas o tratamento não muda. E o governo parece não ouvir.

No entanto, na questão dos dissidentes políticos cubanos recém-libertada, o presidente Sebastián Piñera tinha mostrado bem outra atitude, com o compromisso de mediar e a disponibilidade para receber os presos no Chile. Dois pesos e duas medidas, ao que parece, porque o povo nativo não parar de gritar ao mundo que qualquer um deles é um preso político.

“A posição do governo central foi de apoio total para os presos políticos em Cuba. Não percebe o problema interno que tem criado”, disse à Agência Efe Tralcal Maria, esposa dum dos Mapuche na prisão. Segundo um estudo realizado pela Comissão de Ética contra a Tortura, até o passado 23 de Junho, no Chile, havia 106 índios presos, processados ou condenados, no que é chamado de “conflito mapuche”. Um número que quase dobrou no prazo de um ano.

Todos os presos exigem que o governo intervenha para impedir que seja aplicada a brutal lei anti-terrorismo, que permite prender para dois anos inocentes “presumidos”.
E não só. Esta lei impede o acesso dos advogados da defesa aos arquivos da investigação, e proíbe a apresentação de testemunhas sob protecção.

Sebastián Piñera

Uma fúria contra a principal população indígena do País, atitude que também foi abertamente criticada pelas Nações Unidas.

Muitos Mapuche na prisão decidiram protestar com a greve de fome. A principal queixa é de ser vítima de “montagens político-policiais” e a preocupação principal é acabar com práticas que violam os direitos humanos, inclusive a extorsão e a tortura física e psicológica. Sem mencionar as condições de reclusão humilhantes nas quais são forçados a viver.
A situação dos Mapuche no Chile, então, está a piorar. Apesar dos avanços feitos pelos povos indígenas em vários Países latino-americanos, o Chile tem um atraso de décadas. A terra ancestral, que pertenceu ao povo ao longo dos séculos, é vítima de agricultores e silvicultores que exploram a riqueza com prepotência, e lutam contra as comunidades indígenas sem poupar recursos.

Para acabar com o conflito, muito antigo, o governo não teve outra ideia senão enviar o exército e militarizar a região. Nenhuma política de mediação, nenhum esforço para ouvir e resolver a questão pacificamente, sem respeito pelos direitos dessas pessoas.

Somente armas e indiferença.

Fonte: Peace Reporter
Tradução: Informação Incorrecta

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