Honestamente: nem queria saber do Natal.
- Porque come-se em demasia.
- Porque faz-me lembrar todas as coisas que gostaria ter tido “até o Natal” e que, em vez disso, não estão lá.
- Porque penso em todos os presentes que gostaria de dar às pessoas das quais gosto e não posso.
- Porque, como todos as festas “comandadas”, faz-me melancolia e faz-me tirar conclusões (e as contas muitas vezes não batem certas)
- Porque, por uma vez, gostaria de ir para a Islândia e desaparecer desde 24 de Dezembro até 7 de Janeiro. E também não o poderei fazer este ano.
- Porque duvido do verdadeiro significado desta festa. Até seria bom acreditar que este dia tem um significado profundo, mas já não consigo.
- Porque Pai Natal não existe. Li isso na Wikipédia.
- Porque me parece que não há muito para celebrar.
- Porque nunca consegui suportar o presépio com todos aqueles pastores e ovelhas suspeitos: o que é que fazem ainda naquela hora da noite no meio da rua?
- Porque algumas decorações natalícias são realmente feias e de mau gosto.
- Porque há demasiado trânsito, as lojas ficam cheias, eu fico histérico, com vontade de espalhar uma pandemia séria para esvaziar instantaneamente as ruas e isso não é muito natalício.
- Porque, para sermos bons, temos 365 dias no ano e não apenas um dia.
- Porque nesta altura todos os discursos públicos discursos são excessivamente açucarados, pingam glucose e arrisca-se o diabetes.
- Porque lembro-me de alguns Natais muito bons com pessoas que foram-se para sempre.
- Porque nunca neva em Portugal. Quero lá saber se há mais de cem maneiras de preparar o bacalhau, eu quero mas é neve.
- Porque penso que as únicas coisas que realmente quero não serão trazidas nem mesmo no dia de Natal.
E este Natal é ainda pior. Deveria ter sido o Natal do definitivo “regresso à normalidade”, será o segundo Natal da “manutenção da anormalidade”. Espero que um dia seja possível olhar para trás como se costuma olhar para um pesadelo que passou, um período de loucura colectiva como a História ocasionalmente apresenta.
Mas enquanto esperamos por aquele momento, se ele vier, uma nota. Se dum lado o psicodrama quebrou muitas ilusões, também abriu uma dimensão humana inesperada. Estou em contacto com pessoas que até pouco tempo atrás não conhecia e que nem planeava conhecer: não sei qual a ideologia política deles e nem me interessa. Descobrimos afinidades e solidariedade ideologicamente transversais, conseguimos encontrar conforto nas palavras e nos actos de pessoas “novas”, com as quais estabelecemos uma ligação baseada num sentido primário de liberdade, respeito pela pessoa e justiça. Tudo isso é típico das alturas de opressão, como é a presente.
Esta ligação é “pré-política” é, ao mesmo tempo, verdadeiramente política no sentido primitivo do termo: é a confiança humana na capacidade de cooperar. É o abandono definitivo das categorias políticas do passado, começando pelas gaiolas mentais da “Direita” e da “Esquerda”.
Somos poucos, sem dúvida. Mas, como foi notado nalguns comentários por aqui, alguém da maioria silenciosa e cúmplice começa agora a revisitar o que fez e foi feito: é já algo, pequenas brechas.
O mundo que nos espera depois desta esquina é um mundo que deve ser politicamente reconstruido a partir do zero, porque já não há pedra sobre pedra do velho mundo, embora muitos ainda não se tenham apercebido disso. Se Natal é o tempo da esperança, então mais vale lembrar que o que é humano tem falhas: sempre e sem excepções, não importa quanto dinheiro ou quanto poder estiverem envolvidos. E por cada acção haverá sempre uma reacção. Eu acredito firmemente nisso.
Na medida do possível, Feliz Natal para todos os Leitores. E obrigado por terem criado e manterem esta pequena comunidade.
Ipse dixit.


Max e leitores do II, feliz Natal para todos!
Neste espaço, que é o II, ainda se consegue vislumbrar o Natal sem toda aquela hipocrisia que é destilada, em grande escala, nesta época do ano.
Este Natal, anormal, é o primeiro em que eu visto a camisola do menino Jesus, esperando que ele consiga, de uma vez por todas, tirar a máscara ao Pai Natal.
Para Max e todos de II
Obrigado a todos.
II tem sido uma brecha, um lugar de convívio interessante, de conhecimento partilhado, de tanta coisa dita, interdita, por dizer…
importante, necessária, inconfundível.
Que perdure.
Boas festas, quando se descobre a mentirada toda que é o novo testamento, tudo fica ainda mais sem sentido, mas lembre-se, semana que vem comemoramos o ano novo, um feliz 2022 cheio de sucesso, felicidade e dinheiro !
13 ou 14 anos a acompanhar-te nos bastidores e nunca te agradeci, pelos presentes que me deste sem nada pedir em troca.
O meu muito obrigado por o teu natal ser quase todos os dias…
Abraço
Um feliz natal a todos que acompanham o II!
Num mundo do qual eu estou cada vez menos esperançoso, a seguinte frase de um conhecido lider sul-africano descreve bem o processo de vacinação das crianças actualmente em curso em Portugal:
“Não existe revelação mais nítida da alma de uma sociedade do que a forma como esta trata as suas crianças”
Não antevejo um grande futuro para esta sociedade.
Será a variante Omicron o travão ao descontrolo total a que assistimos? Por um futuro menos estranho, espero que sim.
f.p. badio … é quando tudo parece perdido que surgem as mais engenhosas soluções e é quando tudo parece ganho que se sofrem as piores derrotas … Coragem !
Feliz Natal para todos !!!
Grande Max, Maria, Krowler, Comunidade,
Feliz Natal, dentro dos possíveis e de todos os impossíveis também.
Confesso-me também sem grande espirito natalício, pois vejo-me rdeado de doutrinados, cobardolas e hipócritas e sem uma luz que me ajude a navegar neste mar distópico. Lá vou enchendo a pança e ouvindo as baboseiras do costume, com um sorriso tantas vezes fingido. Sempre ajuda a passar o tempo entre dias mais e outros menos.
Mas, aqui entre vós encontro um oásis de racionalidade e humanismo, daí o meu profundo obrigado ao Max por este refúgio. Deixo-vos a todos vós os meus sinceros desejos de um Feliz Natal e Boas Festas.
P.S. Um singelo presentinho… passem de vez em quando por este site…
https://casadasaranhas.com/2021/12/22/pandemia-para-totos-a-transicao-forcada-para-o-novo-milenio/
Feliz Natal amigo Max!
Abraço
O natal consumista de hoje é o descrito acima, o outro o tradicional, onde a familia reune-se, são dias de uma quadra onde se manifesta a união familiar, o amor ao próximo, e o culto da humanidade, e são esses laços que devem ser destruidos. Uma pessoa sem esses valores/apoio/amor é um pessoa facilmente controlavel.