Aquecimento Global: Antártica em chamas

Inútil nega-lo: o planeta está a arder e tudo por culpa do dióxido de carbono emitido pelos humanos e pela flatulência das vacas. Se continuar a este ritmo, tudo derreterá completamente dentro de poucos anos e seremos todos mortos por inundações e secas.

Pegamos na Antártica: aquela que era uma vez a maior massa de gelo da Terra hoje é… ehi, arrefeceu! Possível? Nãaaaa, será a notícia conspiradora de páginas conspiradoras.

Conspirador é sem dúvida o Washington Post, que alerta: a temperatura média na Estação Admunsen-Scott do Polo Sul entre Abril e Setembro deste ano foi de -78F (-61º graus Celsius), a mais fria registada desde 1957. Nada menos que 4.5 graus abaixo da média dos últimos 30 anos.

Depois esclarece:

Os cientistas salientaram que o frio recorde sobre o Polo Sul de forma alguma refuta ou diminui a gravidade do aquecimento global. A Antártida é notória pelas suas oscilações selvagens do tempo e do clima, que podem contrariar as tendências globais.

Portanto: um acaso, provocado pelas “oscilações selvagens”. Ou talvez não. Porque há estudos sobre o que se passa naquela zona do planeta. E são estudos que continuam há anos.

Por exemplo, o conspirador Science Direct relata o trabalho dum grupo de conspiradores que trabalham em algumas universidades conspiradoras de Lisboa, Madrid, Brno, Vilnius e Oviedo. Já em 2017 diziam:

Recente refrigeração climática regional na Península Antártica e impactos associados na criosfera

A Península Antárctica (AP) é frequentemente descrita como uma região com uma das maiores tendências de aquecimento na Terra desde os anos 50, com base na tendência de temperatura de 0.54 °C por década durante 1951-2011 registada na estação Faraday/Vernadsky. Consequentemente, a maioria dos trabalhos que descrevem a evolução dos sistemas naturais na região AP cita esta tendência extrema como a causa subjacente às suas alterações observadas. Contudo, uma análise recente (Turner et al., 2016) mostrou que o registo de temperatura recolhidos regionalmente durante as últimas três décadas passou de uma tendência ao aquecimento de + 0.32 °C por década durante 1979-1997 para uma tendência ao arrefecimento de – 0.47 °C por década durante 1999-2014. […] Este recente arrefecimento já teve impacto na criosfera da AP norte, incluindo o abrandamento da recessão glaciar, uma mudança para ganhos de massa de superfície do glaciar periférico e um desbaste da camada activa de permafrost nas ilhas do norte.

Outros conspiradores (de outras universidades) publicaram no conspirador Nature no ano anterior e assim falavam:

Desde os anos ’50, as estações de investigação na Península Antártica registaram alguns dos maiores aumentos na temperatura do ar próximo da superfície no Hemisfério Sul. Este aquecimento contribuiu para o recuo regional dos glaciares, a desintegração das plataformas flutuantes de gelo e um “greening” através da expansão da variedade da flora. Vários processos interligados foram sugeridos como contribuições para o aquecimento, incluindo o empobrecimento da camada de ozono estratosférico, a perda local de gelo marinho, um aumento dos ventos de oeste e mudanças na força e localização das conexões atmosféricas de baixa latitude.

Aqui utilizamos um registo de temperatura para mostrar uma ausência de aquecimento regional desde o final dos anos ’90. A temperatura média anual diminuiu a um ritmo estatisticamente significativo, com o arrefecimento mais rápido durante o Verão Austral. As temperaturas diminuíram como consequência de uma maior frequência de ventos frios, de leste a sudeste, resultantes de condições mais ciclónicas no norte do Mar de Weddell, associadas a um jacto de reforço a meia latitude. Estas alterações da circulação também aumentaram o avanço do gelo marinho em direcção à costa leste da península, amplificando os seus efeitos.

Não estamos a falar duma terrinha qualquer mas de uma península com mais de 1.300 km de comprimento (mais de duas vezes o comprimento de Portugal) e que também é a única parte da Antártica que se situa a norte do Círculo Antártico.

As temperaturas média registradas na Estação Amundsen–Scott entre 1957 e 2021. Fonte: Washington Post

O que podemos pensar? Simples: meus senhores, esqueçam estas pessoas que continuam a desafiar a Ciência e confiem nas palavras de quem sabe. Por exemplo, Wikipedia versão inglesa (a mais informada):

A Península Antártica é uma parte do mundo que está a experimentar um aquecimento extraordinário. Cada década, nas últimas cinco, as temperaturas médias na Península Antártica subiram 0.5 °C (0,90 °F). A perda de massa de gelo na península ocorreu a uma taxa de 60 mil milhões de toneladas / ano em 2006, tendo a maior mudança ocorrido na ponta norte da península. Sete plataformas de gelo ao longo da Península Antártica recuaram ou desintegraram-se nas últimas duas décadas. Pesquisas do United States Geological Survey revelaram que cada frente de gelo na metade sul da península sofreu um recuo entre 1947 e 2009. Segundo um estudo do British Antarctic Survey, os glaciares na península não só estão a recuar como também a aumentar o seu caudal em resultado do aumento da flutuabilidade nas partes mais baixas dos glaciares.

Como disse: inútil nega-lo, o planeta está a arder e em breve vamos todos morrer. Preparem-se.

 

Ipse dixit.

3 Replies to “Aquecimento Global: Antártica em chamas”

  1. Esta conversa do aquecimento global faz parte do menu de patranhas dos globalistas, cuja agenda tem conteúdos para satisfazer os gostos mais exóticos.
    O que merece ser estudado, além do aquecimento da Antártida, é a capacidade humana em absorver acriticamente tudo aquilo que se lhe põe à frente.

  2. Max obrigado pelo aviso!
    Vou já dar ordens ao pessoal das minhas plataformas petrolíferas e aos mineiros para começarem a deslocarem-se para a Antártica. Depois mando-lhe uns barris, umas barras e um café.

  3. Sorteei a conspiração que eu ia aceitar. Razão: mais bonitinha. Segundo ela, enquanto o polo norte degela, o sul gela, diminuindo temperatura. Isto porque a terra é um organismo vivo (ainda) e a natureza oscila. As correntes marinhas provavelmente produzem estas modificações. Além do mais a natureza fez um acordo com Putin para que os russos façam uma estrada náutica pela zona ártica para passar gás e petróleo.

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