Covid: o que acontece na Ásia?

É incontornável: o caso Índia.

Diário Público, hoje:

Covid-19. Índia ultrapassa as 200 mil mortes e regista novos máximos de óbitos e casos. Índia registou 3293 óbitos e 360 mil casos em últimas 24 horas, valores máximos desde o início da pandemia. Variante do vírus que foi detectada pela primeira vez na Índia já foi identificada em 17 países, diz a OMS.

O alarme ecoa pelo planeta todo: a variante indiana é 70 vezes mais infecciosa, 70 vezes mais letal, 70 vezes mais tudo. Mas por aqui estamos habituados a ver os dados. E vamos vê-los estes dados.

Como estamos a falar dum País com quase 1 bilião e 400 mil almas, temos que contextualizar observando os dados por milhão de habitantes. Então temos o seguinte:

  • Índia: 145 mortos /milhão
  • França: 1.584
  • EUA: 1.766
  • Brasil: 1.849
  • UK: 1.869
  • Italia: 1.989
  • Bélgica: 2.072
  • Eslováquia: 2.126
  • Bulgária: 2.243
  • Rep. Checa: 2.717

Não faltam “zero”: na Índia há mesmo cento e quarenta e cinco óbitos por cada milhão de habitantes. Proporcionalmente, há muitos mais mortos em Países que nunca ouvimos citar do que na Índia: em São Tomé e Príncipe (157 /milhão), Indonésia (164), Arábia Saudita (196), etc…. a lista é muito comprida. A verdade é que, segundo os dados em tempo real, a Índia fica na posição nº 119 no mundo por número de óbitos devidos à Covid e no lugar nº 117 por casos da doença em cada milhão de habitantes.

Nas últimas 24 horas a “terrível” variante indiana provocou mais 8.630 infectados e 22 mortes. Na mesma altura, na Polónia, 8.895 novos casos e 636 óbitos. Na Ucrânia 9.590 novos casos e 441 mortos. Alguém ouviu falar dum caso “Polónia” ou dum caso “Ucrânia”?

(Nota: todos os dados e os gráficos a seguir são retirados do site Our World In Data).

Índia

Mas vamos ver outros dados, ainda mais interessantes. No recente passado tínhamos dedicado espaço ao caso da Índia, um País superpovoado que, todavia, aprecia estar a ser poupado pela Covid-19. Um caso interessante, sobretudo tendo em conta as péssimas condições higiénico-sanitárias indianas. Depois o número de casos começou a subir: de forma lenta, mas sempre subida tem sido. Eis o gráfico dos casos de Covid-19 por milhão de pessoas desde o mês de Janeiro até hoje:

Agora vamos observar o número de mortes, sempre por milhão de habitantes no mesmo espaço de tempo. Obviamente o gráfico não faz distinção entre mortos “de” Covid e “com” Covid: são todos mortos pelo Covid, mas já estamos habituados.

E, para acabar, o número de vacinas subministradas (pelo menos uma dose) no mesmo período:

Notado algo?

Tanto para eliminar as dúvidas, lembramos que estes dados são elaborados pelo site Our Wolrd in Data, mas a origem são duas: dados oficiais fornecidos pelo Ministério da Saúde e John Hopkins University.

Obviamente a subida das mortes em concomitância com o aumento da vacinação é um mero acaso. Mas não deixa de ser curioso que um País que até agora tinha vivido nas margens da “pandemia”, de repente ocupe as manchetes dos diários por causa dum aumento de infecções bastante contido ao mesmo tempo em que o processo de vacinação entra “no vivo”.

Ásia

O que acontece na Índia é o que acontece no resto do continente asiático. O seguinte gráfico inclui um período temporal mais amplo, desde o surgimento da pandemia em Janeiro do ano passado. A curva das infecções segue de forma bastante homogénea desde o Verão de 2020 até finais de Março de 2021. A partir de Abril a subida é drástica:

A partir do mesmo mês cresce também o número de pessoas que receberam pelo menos uma dose da vacina (neste caso o gráfico inicia desde Janeiro de 2021 pois antes não havia vacinas disponíveis):

Em qualquer caso, estamos a falar dum continente que tem sido poupado pela doença, tal como acontece com a África. Eis os dados relativos aos casos de Covid registados por cada milhão de habitantes:

Mesma coisa no caso dos óbitos:

O que não deixa de ser interessante: a “pandemia” poupou (até agora) os continentes onde menos desenvolvidas são as condições higiénico-sanitárias e onde reside a maior parte da população mundial (Ásia e África: 6 biliões de habitantes no total).

Mongólia

Voltando às vacinas, eis um caso curioso. A Mongólia, País asiático com pouco mais de 3 milhões de habitantes, mantinha o número de casos de Covid constantemente abaixo das mil unidades (cumulativas, isso é: menos de 1.000 infectados desde o início da “pandemia”). No passado dia 23 de Fevereiro começou a campanha de vacinação, com este resultado:

Quase 10.000 casos, assim distribuídos:

  • desde Janeiro de 2020 até 23 de Fevereiro de 2021: +840 casos
  • desde 23 de Fevereiro de 2021 até hoje: +9.054 casos

Obviamente dispararam as mortes também: até 7 Março a Mongólia tinha um taxa de 0.61 mortos por milhão de habitantes; em meados do mesmo mês a taxa já era 1.22; no começo de Abril 2.44; em meados de Abril 9.46; agora 26.84 por milhão de habitantes (dados originais da John Hopkins University):

Na mesma senda parece estar o Laos mas aqui é preciso cuidado pois faltam dados mais precisos (por exemplo, não é conhecido o total dos óbitos). Vice-versa, e ficando ainda na Ásia, mais completos são os dados de Tailândia, Papua Nova Guiné, Timor e Seychelles, Países que viram crescer de forma dramática o número de infectados e aquele dos óbitos após a introdução do processo de vacinação.

É possível assumir uma correlação entre vacinas e aumento dos casos de Covid-19? Mais do que isso (seria preciso um estudo conduzidos por especialistas), podemos lembrar o seguinte:

  • as vacinas não “matam” o vírus SARS-Cov-2;
  • as vacinas não impedem que um sujeito vacinado contraia a Covid;
  • as vacinas não impedem que um sujeito vacinado possa transmitir a Covid.

O que as vacinas prometem é diminuir a gravidade dos sintomas da doença. É este último aspecto que deve preocupar: os casos acima relatados parecem demonstrar que à medida que o processo de vacinação avança, o número de óbitos não tende a diminuir e em alguns casos até há uma aumento dramático.

Mas estes aumentos estão ligados aos efeitos das vacinas ou pode haver outras explicações? É aqui que mais faz falta um estudo: se dum lado sabemos que as vacinas têm um efeito imuno-depressor após a primeira dose, do outro lado não sabemos se após a vacinação os hábitos dos vacinados mudam. Quantos vacinados pensarão estar “imunes” e “não infecciosos” só por ter recebido uma dose de vacina? Lembramos que estamos a falar de Países onde não apenas as condições higiénico-sanitárias deixam a desejar mas onde também a informação é muitas vezes escassa.

O que acham os Leitores?

 

Ipse dixit.

5 Replies to “Covid: o que acontece na Ásia?”

  1. Max, acho que cabe uma observação. A eventual permanência elevada da taxa de infecções e até o aumento do número de óbitos tem relação com todas as vacinas, com algumas ou com nenhuma?
    Aparentemente não é o que se observa nos USA (permanência elevada de infecções e óbitos), mas não nos esqueçamos que por lá apenas Moderna e Pfizer circulam, ao contrário da Índia e de outros países asiáticos.

  2. Poderia ser relaxamento da população, mas já vi um estudo que o vírus faz mutação no organismo do vacinado. Talvez pudesse ser isso. Mas e o tratamento profilático? Será que o governo impediu o uso do mesmo?

    1. ” vírus faz mutação no organismo do vacinado”

      Acho mais provável o contrario, a vacina faz um “vírus” que dizem que é mutação, me parece até obvio.

  3. Fatos novos que vão aparecendo para o mundo concentrar-se no Covid e vacinas. É enésima onda, são mutações, são variantes. Enfim os sujeitos são constantemente alimentados pelo medo. São as doses a serem repetidas, são as futuras vacinas a serem criadas…até quando? As vacinas se tornarão um compromisso social anual, ou semestral, quem sabe.
    Gostaria de poder prever isto, mas não sei.
    Quem sabe num ano qualquer, numa data vindoura, surgirão acontecimentos onde será conveniente manter as cabeças ocupadas. Um medo maior, um lucro maior…, um novo ensinamento quem sabe.

  4. Uma opção é dar ouvidos (credibilidade) a quem mais sabe do assunto (hands-on)?
    *ttps://echelledejacob.blogspot.com/2021/04/professeur-didier-raoult-il-y-70.html
    *ttps://comedonchisciotte.org/i-vaccini-covid-potrebbero-decimare-la-popolazione-mondiale-avverte-il-dr-bhakdi/

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