Devemos a vitalidade do nosso genoma ao mundo dos vírus.

Wikipedia, versão portuguesa:

Holismo (do grego holos: “inteiro” ou “todo”), também chamado Não Reducionismo, define que as propriedades de um sistema (organismos) não podem ser explicadas apenas pela soma dos seus componentes, onde o sistema total determina como se comportam as partes, conforme Jan Smuts e, a Metafísica de Aristóteles.

O que pode ter isso a ver com o Covid-19? Talvez nada, talvez muito: mas isso pouco importa pois o foco desta entrevista não é o SARS-CoV-2: o discurso é mais complexo e inclui a forma como nós últimos dois ou três séculos, especialmente no Ocidente, estamos habituados a ver o ser humano e o ambiente que nos rodeia. Tudo tem sido reduzido a um conjunto de peças de estilo mecânico: analisa-se a peça, cada detalhe é escrutinado, explica-se o seu funcionamento, se for necessário encontra-se um remédio. E a maquina funciona como antes. Em teoria. Na prática as coisas são um pouco diferentes.

Covid-19 construído em laboratório? Desenvolvido de forma natural? Importa? Sim, importa. Mas também é preciso entender algo mais: por exemplo, hoje é suficiente um ser (vivo ou morto?) de proporções microscópicas para virar de avesso um inteiro planeta. O clássico grão de areia que bloqueia a engrenagem. Sobretudo se a máquina já por si não estiver nas melhores condições.

O Dr. Thomas Hardtmuth tem sido cirurgião no Hospital Heidenheim, na Alemanha, ao longo de muitos anos. Desde 2015, dedica-se inteiramente ao estudo dos microrganismos. Falar com ele abre uma nova perspectiva sobre os vírus, que afinal não são tão maus como poderiam parecer. SARS-CoV-2 inclusive.


Devemos a vitalidade do nosso genoma ao mundo dos vírus.

Como é que um cirurgião consegue lidar de forma tão intensiva com microrganismos e especialmente com vírus?

A faísca inicial foi o desastre da Deepwater Horizon em 2010. A plataforma petrolífera epónimo no Golfo do México queimou e afundou. O petróleo bruto derramado no mar durante três meses, num total de 800 milhões de galões. Ao longo dos relatórios li que o petróleo tinha sido decomposto por uma bactéria chamada Alcanivorax borkumensis. Foram descobertos perto de Borkum, daí o nome. Dificilmente vivem em águas limpas do mar, mas assim que o petróleo bruto se infiltrar na água, constituem de repente 90% da população bacteriana presente, depois desaparecem novamente. É possível definir os microrganismos como uma espécie de sistema imunitário dos oceanos ou da biosfera. A função deles é trazer tudo de volta aos ciclos naturais. Foi isto que o Alcanivorax fez no Golfo do México. Não se considera o facto de estes ciclos materiais funcionarem tão maravilhosamente. Não havia quase nada a ler sobre isto no caso daquela catástrofe petrolífera, apenas histórias de horror. Para mim, esta foi a razão para olhar mais de perto para os microrganismos como seres benéficos no mundo. A composição de germes nos oceanos, rios, lagos e solo: é como uma orquestra que toca em conjunto de uma forma magistral.

O que descobriu sobre os vírus?

Os vírus estão envolvidos na regulação da dinâmica populacional. Onde quer que haja um excedente, demasiada massa, os vírus vêm equilibrar, regular e corrigir; eles criam um equilíbrio na biosfera. Isto também é verdade para nós, humanos. O biólogo evolucionista Wolfgang Schad disse uma vez que os vírus são a substância original da vida física. A ciência moderna vê-os de forma semelhante. A hipótese “vírus primeiro” ou o conceito “mundo RNA” nada mais significa do que isso: a primeira coisa que existiu no mundo vivo foram os vírus. Mas sem estruturas estáveis, era tudo um fluido, sem direcção, apenas “caos criativo”. Hoje em dia há muitas provas científicas de que os elementos básicos da vida, tais como as bases nucleicas e os aminoácidos, a partir dos quais também são feitos os vírus, chegaram à terra a partir do cosmos [Teoria da Panspermia, ndt]. Uma vez que os vírus não têm metabolismo próprio, são completamente dependentes do ambiente. Embora os vírus transportem informação genética para a célula, o que é feito com esta informação não é decidido pelo vírus, mas pela célula ou pelo organismo. O erro central que prevalece hoje em dia é que os vírus são considerados como agentes actuantes, como sujeitos que actuam de forma autónoma. Este é também o erro básico de pensamento na crise da Coronavirus. Não são os vírus em si que mudam algo, mas o organismo que muda algo com a ajuda dos vírus como substância física de base.

Poderia esclarecer isso um pouco?

As raízes espirituais deste problema remontam a meados do século XIX, quando nasceu toda a teoria da infecção. Afinal, foi uma grande disputa histórica entre Robert Koch (1843-1910) e Louis Pasteur (1822- 1895), por um lado, e Max von Pettenkofer (1818- 1901) e alguns investigadores franceses como Claude Bernard (1813-1878), por outro. Koch e Pasteur eram da opinião que todas as doenças infecciosas fossem causadas exclusivamente por bactérias ou vírus, enquanto Pettenkofer e os seus colegas investigadores acreditavam que o factor decisivo fosse o ambiente que os agentes patogénicos encontravam, as condições de vida e as circunstâncias externas. Para provar que os germes por si só não causam doenças, Pettenkofer e alguns dos seus alunos beberam meio litro de água contaminada com bactérias da cólera. Nenhum deles adoeceu de cólera; alguns tiveram um pouco de diarreia e foi só isso. Mas tudo isto foi em vão, Koch e Pasteur saíram vitoriosos nesta disputa, apesar de ambos terem trabalhado com métodos injustos. Contudo, desde então, a opinião dominante é que todo o mal vem de microrganismos. Se fossem destruídos, não haveria mais doenças.

Como é que os dois fizeram batota?

Koch não se cobriu propriamente de glória com o seu escândalo da tuberculina [a rivalidade obsessiva entre ele e Pasteur levou-o a depositar toda a sua confiança na tuberculina, um derivado proteico extraído de bacilos da tuberculose, que ele acreditava poder curar a doença e foi um falhanço total, ndt]. Pasteur deixou cerca de 100 cadernos de notas sobre as suas experiências e decretou que essas notas nunca deveriam ser publicadas. Mas um bisneto seu tornou-as disponíveis, e o historiador médico americano Gerald Geison (1943-2001) analisou-as e publicou-as no seu livro The Private Science of Louis Pasteur. Mostra uma notável contradição entre o que foi escrito sobre as suas experiências nos cadernos e o que ele publicou. Qualquer coisa que não coubesse, ele simplesmente omitia. Mas até hoje, a sua reputação não tem sofrido. A ciência ignora isso deliberadamente.

Mas as bactérias e os vírus podem ser contagiosos?

Sim, claro, mas eles não são o único factor que determina a doença ou não. Isto é ilustrado por um exemplo na época da gripe espanhola. Esta epidemia de gripe não começou em Espanha, mas em cerca de 20 campos militares nos Estados Unidos, os espanhóis foram apenas os primeiros a tornar este facto público. Estes campos foram os hotspots (“pontos quentes”), desesperadamente sobrelotados de soldados, e nestas condições extremamente apertadas e sob o stress da Primeira Guerra Mundial, a epidemia eclodiu depois, efectivamente, em todos os campos quase simultaneamente. Nenhuma cadeia de infecção pôde ser rastreada entre os vários campos. Por conseguinte, foram feitas tentativas bastante brutais para recriar a infecção: prisioneiros militares foram recrutados como cobaias e foi prometido o perdão para disponibilizarem-se para estas experiências. Depois escovaram as secreções das pessoas que estavam gravemente doentes com a gripe e pulverizaram-nas na boca e no nariz dos sujeitos do teste. Este é um método que nenhum comité de ética aprovaria hoje em dia. No primeiro conjunto de experiências, em Boston, nenhum dos 60 sujeitos foi infectado, nem um só. Depois as experiências foram repetidas em São Francisco, mas mesmo assim não houve infecção. Tudo isto pode ser lido no livro Influenza de Gina Kolata, uma bióloga molecular americana e jornalista científica. Pode-se ver daqui que os vírus não são os actores principais, mas o organismo, que em condições saudáveis impede a entrada de vírus nas suas células. Isto não depende do vírus, mas principalmente do estado do organismo. Mas mesmo que um vírus seja bem-vindo num célula, ainda existem muitas formas diferentes de o corpo lidar com ele. A fixação radical nos micróbios como causa de todo o mal está a criar todo este caos que temos hoje. É aqui que nasce o medo porque os humanos parecem não ter poder para influenciar o que está a acontecer e são impotentes perante a ameaça viral. E o medo é pior do que o vírus porque enfraquece o sistema imunitário.

Porque é que o outro lado, o ambiente, é tão ignorado?

Toda a medicina padronizada e a indústria farmacêutica em grande escala baseiam-se em Koch e Pasteur. Já não estavam a olhar para a pessoa individual e as suas condições de vida, mas no microscópio. Houve uma fixação completa sobre a eliminação dos agentes patogénicos. Ao ser humano e à sua condição já não foi dada qualquer importância. Foi dito que tudo podia ser feito no laboratório. Esta foi uma mudança de paradigma na medicina que ainda hoje tem efeito. Desde Hipócrates (c. 460-730 a.C.) e Galen (c. 129-199 d.C.), o estilo de vida foi considerado a base de toda a saúde. Isto foi em grande parte eliminado do pensamento médico e o foco foi apenas no combate aos germes. Sem esta imagem inimiga dos vírus, não seria sequer possível uma crise de Coroavirus e o pânico mundial. Estes padrões de medo tornaram-se profundamente enraizados nos hábitos de pensamento, e são alimentados repetidamente pelos meios de comunicação social. Além disso, a definição do termo pandemia foi alterada em 2009 no contexto da gripe suína. Anteriormente, uma pandemia era definida por três critérios: 1. tinha de ser um novo vírus, que 2. se propagava rapidamente, e 3. tinha de causar sintomas graves de doença e muitas mortes. Nessa altura, foi simplesmente apado o ponto 3. Isto tornou possível declarar qualquer vaga de gripe, como a recente gripe suína, como uma pandemia. Foi a vaga mais inofensiva em muitos anos, mas trouxe volumes de negócios gigantescos para a indústria farmacêutica. Se procurarmos o suficiente, encontramos sempre a causa das pandemias nas condições de vida. Nunca são apenas bactérias ou vírus, é sempre também o ambiente.

Quer dizer com isso também o lado ecológico?

Sim, isto é expresso hoje no movimento One Health: a saúde já não é concebível sem ecologia. Tomemos a esquistossomose, por exemplo, que mata centenas de milhares de pessoas todos os anos, especialmente na Ásia e em África. A esquistossomose é uma doença de vermes transmitida por caracóis aquáticos. As larvas de vermes perfuram a pele de uma pessoa e migram para órgãos internos onde se desenvolvem em pares de vermes adultos cujos ovos são expelidos através da bexiga ou intestinos e por sua vez alcançam a água e os caracóis como hospedeiros intermediários. No passado, a esquistossomose era um problema menor porque os caracóis eram comidos por lagostins. No entanto, desde que mais barragens foram construídas na Ásia e também, por exemplo, no Egipto, em Assuan, os lagostins já não encontram condições de vida adequadas, os caracóis multiplicam-se em massa e com eles os agentes patogénicos da esquistossomose. A situação é semelhante no caso da malária. Um estudo no Brasil mostrou que o número de casos de malária aumenta em 50% se apenas 4% da floresta tropical de uma região for eliminada. Se quiseres estudar epidemias, tens de procurar: onde reinam as condições desumanas? Onde a natureza está desequilibrada? Onde há medo, terror, fome e subnutrição e, sobretudo, condições de vida inadequadas para os seres humanos e os animais? Onde estão perturbadas as esferas de autonomia dos seres vivos? É aí que eclodem as epidemias. As guerras são o melhor objecto de estudo para as epidemias. Em termos puramente biológicos, uma epidemia é uma monocultura microbiana. As monoculturas estão sempre ligadas a patologias, tanto na agricultura e silvicultura como na pecuária industrial, mas também na esfera social, então falamos de conformismo ou totalitarismo.

Onde é que isto aconteceu no caso da Coronavírus?

As mudanças na ecologia são sempre acompanhadas por infecções virais. E os seres humanos mudaram maciçamente a ecologia e desequilibraram-na em muitos lugares com a agricultura industrial, a industrialização e muitas outras medidas. Quando as condições de vida mudam, o genoma dos organismos deve também adaptar-se em conformidade, e os vírus têm sido sempre uma espécie de material nesse sentido. Porque a reescrita de genomas é complicada. Se olharmos para a árvore genealógica dos vírus da gripe, este vai atrás até os patos na China. No século XVII, começaram a colocar patos em arrozais. Comiam os caracóis, as ervas daninhas e fertilizavam os campos com os seus excrementos. Esta foi uma maravilhosa simbiose ecológico-económica entre a cultura do arroz e os patos. Na década de 1980, os chineses começaram a construir explorações avícolas no modelo americano, especialmente em Guangdong, no sul. Hoje em dia, numerosos vírus patogénicos têm aí origem, que são mutantes dos patos do campo de arroz originais, mas nos quais não produziram nenhuma doença. As quintas são verdadeiros focos de germes de doenças. Pessoalmente, penso que não estamos realmente a lidar com um vírus completamente novo no caso da Coronavírus, mas com uma mutação que veio de uma destas fábricas de carne. A questão interessante é: porque é que um vírus num animal que através do homem sofre stress transforma-se numa forma que é patogénica para o homem?

Parece quase como a vingança da natureza….

É aqui que começa a biologia da moralidade. Sempre que intervém-se decididamente nas condições naturais e se actua de forma insensível e destrutiva, criam-se detritos e estes esvoaçam à volta dos nossos ouvidos como epidemias. Vírus e bactérias, que atingiram estas condições de equilíbrio total ao longo de milhões de anos, tornam-se subitamente sem abrigo e tornam-se refugiados. E depois entram em situações às quais na realidade não pertencem. Este é precisamente o fenómeno característico, onde apenas a mudança do hospedeiro do vírus é ligada à doença. É por isso que a investigação microbiológica é tão excitante. Existem cerca de 50 triliões de microrganismos que nos colonizam, principalmente no intestino, e a sua composição é altamente individual em cada pessoa. A proporção entre bactérias e vírus é de cerca de 1:10, por isso abrigamos muito mais vírus do que bactérias. Existem também muitos dos chamados agentes patogénicos entre eles, mas estão numa proporção equilibrada de quantidades entre eles, tornam-se patogénicos apenas sob a forma de monocultura, quando uma espécie assume o controlo. Hoje em dia presume-se que o equilíbrio ecológico da nossa flora intestinal individual seja regulado através de vírus. E um microbioma intestinal individualmente equilibrado tem muito a ver com a nossa saúde espiritual e da alma. Rudolf Steiner disse uma vez a estranha frase: “Retiramos os pensamentos da flora intestinal”. Demorei muito tempo a compreender isto.

Pode explicar?

Estes microrganismos em nós representam uma espécie de memória do passado primordial. Todos saímos dela e preservámos nos nossos intestinos um extracto da biosfera primordial. Steiner fala repetidamente do homem como dum ser mundial contratado e individualizado. Poder-se-ia falar longamente sobre isto, é esta antiga abordagem filosófica do microcosmo e do macrocosmo. Se tomarmos isto literalmente e pensarmos em toda a natureza, no seu estado germinal em nós, activo como o microbioma, então não tem de haver mais evolução, mas os microrganismos têm de permanecer neste estado original, caso contrário tornam-se patológico. Se começarem a evoluir, então estamos a lidar com infecções. E se Steiner entende que retiramos pensamentos deles, então estas são precisamente as forças formativas que normalmente condicionam a futura evolução dos micróbios em formas de vida mais elevadas e multi-celulares. Tiramos estes potenciais formativos dos microrganismos e os utilizamos para nós próprios na formação do pensamento. A investigação moderna há muito que descobriu este o eixo intestinal-cérebro. A vitalidade do elemento alma-espiritual no homem depende fortemente da integridade deste micro-mundo. O homem supera constantemente as leis inerentes aos microrganismos para que estes não se desenvolvam mais. Aqui é principalmente uma questão de forças; menos tem a ver com a química. Quando uma pessoa fica deprimida ou sofre de perturbações de ansiedade, é uma questão de equilibrar estas forças, não uma perturbação do cérebro. Precisamos de sair destes padrões de pensamento bioquímicos. Já não podemos analisar bioquimicamente estes milhões de diferentes espécies microbianas que interagem em nós; estamos a ir contra a parede, sem esperança, com os nossos métodos convencionais de estudo. Temos de pensar de forma diferente, já não em termos de substâncias, mas em termos de forças, dinamicamente. Aqui nos vejo no limiar de uma nova Medicina.

Voltemos novamente ao Coronavírus. Mas será a SARS-CoV-2 uma realidade?

Sim, é. Mas estes Coronavírus estão em todo o lado. Se uma pessoa apanha hoje uma pneumonia, é frequente encontrá-la porque não procuramos mais nada. Se olhássemos com atenção, encontraríamos centenas de vírus diferentes e os seus mutantes, altamente individuais em cada pessoa, que se comportam de forma alterada em tal infecção. Este mundo viral tem de ser obrigado à visibilidade com um enorme esforço técnico para o perceber; isto só é possível no microscópio electrónico. Aí vê-se uma instantânea fixa de algo que na realidade é um processo altamente dinâmico.

E no seu entender o que provoca estas graves complicações?

Não o vírus, mas as condições. Porque o mesmo vírus causaria diferentes graves doenças em diferentes países? Isso não faz sentido. Complicações graves afectam pessoas muito idosas, sob carga pesada ou stress permanente, ou que já têm várias doenças e um sistema imunitário fraco. É sempre necessário olhar atentamente e analisar a condição. Há inúmeras formas diferentes das pessoas se tornarem imunologicamente fracas. A solidão, por exemplo, ser deixado sozinho é uma delas. Sabemos agora que a solidão é um dos factores de doença mais poderosos de todos, e muitas pessoas morreram de solidão em lares após o bloqueio, com ou sem o vírus. Em Itália, havia muitos cuidadores geriátricos polacos que se apressaram a regressar para casa no início do confinamento, muitos idosos ficaram subitamente sem cuidados suficientes e deixados sozinhos. Além disso, as camas hospitalares são muito escassas em Itália, Espanha e também em França devido a medidas de austeridade, o que leva todos os anos à ruptura de instalações de cuidados e enfermarias superlotadas no contexto de vagas de gripe. Há sempre muitos factores que levam a uma mudança na mortalidade em diferentes países; não pode ser explicado apenas pelo vírus.

Acha que os testes PCR para a SRA-CoV-2 são úteis?

É muito questionável, para dizer o mínimo. Não sei o que está realmente a ser medido. Claro que se pode dizer que é o genoma do vírus. Mas começa-se a reflectir se é conhecida a dinâmica dos vírus e é sabido como os vírus processam o seu material genético: há constantes destruições e deslocamentos para trás e para a frente. Os vírus são “campeões mundiais de splicing“, como diz a virologista Karin Mölling. O Splicing é a plasticidade genética com que as transcrições genéticas se adaptam ao seu respectivo contexto ambiental situacional. O teste PCR representa uma visão num túnel extremamente estreito. Escolhe-se uma minúscula partícula genética da zaragatoa entre inúmeros microorganismos e declara-se que esta é a origem de uma doença, neste caso da Covid-19. Não consigo entender isto. Quanto mais se estuda o teste PCR, mais questionável este se torna. Se todos estivessem conscientes do grau de fiabilidade e da falta de validade deste teste, a pandemia provavelmente teria acabado rapidamente. Pode-se realmente falar de engano, até crime, quando se fala constantemente de novas infecções. Estes são apenas resultados de testes, que em primeiro lugar não dizem nada sobre o estado de saúde de uma pessoa. Mas é neste teste que se baseia todo o argumento da pandemia. No entanto, estamos constantemente a ser povoados por dezenas de milhares de vírus. Há sempre coisas novas, tal como há sempre coisas novas no mundo que aceitamos e processamos: nisto os níveis biológico e alma-espiritual estão muito relacionados. Algumas coisas causam-nos uma crise, algumas coisas sobrecarregam-nos e ficamos doentes. Mas a maioria está simplesmente integrada como uma experiência sem doença. 99% de toda a contaminação viral passa sem sintomas de doença. Continuamos a re-trabalhar o nosso genoma com a ajuda destes vírus. Cada vez mais, descobrimos que o nosso genoma é composto por vírus.

Desculpe?

Sabemos isto a partir dos retrovírus, cujos genes são integrados directamente no genoma da célula hospedeira e depois, quando isto acontece em células germinativas, leva a uma mudança genética na espécie com novas características. No genoma humano, existem milhares dos chamados retrovírus endógenos que podem ser rastreados até às “infecções” anteriores. Sempre que algo de novo acontece na evolução, quando os organismos mudam geneticamente, está relacionado com vírus. Eles são o substrato físico de toda a inovação e biodiversidade, num certo sentido são os “fertilizantes originais”. Assumimos a vitalidade do genoma a partir do mundo viral: devemos-lhes isso. Toda a flexibilidade e vitalidade genética é tornada possível pelos vírus. Representam a biodiversidade na terra. São altamente plásticos, em constante decomposição e recomposição. A chamada virosfera é o charco genético dinâmico da terra, a partir do qual os organismos se ajudam uns aos outros para criar novas propriedades. É tempo de olhar para os vírus com olhos diferentes.


O termo “holístico” está na moda hoje, mas só a palavras: a nossa atitude perante bacterias e vírus continua firmemente ligada a uma ideia puramente mecanicista, a luta contra a Covid-19 foi e continua a ser apenas algo “prático”, ligado só aos aspectos exteriores da doença. Pior: não apenas são ignoradas as consequências na óptica “holistica”, mas até estas são exacerbadas com regras que impõem um maior isolamento. Pensar que uma pessoa idosa possa ficar melhor porque fechada num quarto cheio de outros idosos doentes e porque impedida de contactar familiares não é apenas desumano, é estúpido.

A visão “holistica” afinal diz uma coisa simples e óbvia: não somos máquinas mas seres inseridos num determinado contexto ambiental.

 

Ipse dixit.

A entrevista original pode ser encontrada no Pdf Die Lebendigkeit Im Genom Verdanken Wir Der Virenwelt, alegado da revista Gesundheit Aktive Magazine.

13 Replies to “Devemos a vitalidade do nosso genoma ao mundo dos vírus.”

  1. Muito boa a entrevista.
    Tudo que foi relatado pelo entrevistado tem relação com o termo “Salutogênese”, que foi criado pelo pesquisador Aaron Antonovisky. A salutogênese estuda o caminho e as forças necessárias para nos mantermos saudáveis. É o oposto da patogênese, que estudo as causas das doenças.
    Segundo Antonovsky, caso fossem potencializadas as forças que nos mantém saudáveis, seria possível evitar que as pessoas adoecessem. Portanto, ele propunha formas de estimular e preservar esta força, através da ciência, pela chamada salutogênese.

  2. Bom, tudo isso, pra mim, só confirma que a propaganda é que gera a farsa de transformar uma coisa que sempre existiu em uma coisa nova.
    O Daniel Simóes propõe um dos porquês desta farsa, a principal em minha opinião, deixarei o link abaixo.
    Sugiro à todos que assistam o vídeo:

    1. Complementando:

      “Uma comissão de inquérito Covid-19 foi criada por iniciativa de um grupo de advogados alemães com o objetivo de iniciar uma ação coletiva internacional usando a lei anglo-saxônica. Aqui está a tradução resumida da última comunicação do Dr. Fuellmich de 15/02/2021

      “As audiências de cerca de 100 cientistas, médicos, economistas e advogados de renome internacional, conduzidas pela Comissão de Inquérito de Berlim sobre o caso Covid-19 desde 10.07.2020, mostraram entretanto com uma probabilidade quase certa de que o O escândalo da Covid-19 nunca foi um problema de saúde. Em vez disso, tratava-se de solidificar o poder ilegítimo (ilegítimo porque foi obtido por métodos criminosos) da corrupta “camarilha de Davos”, transferindo a riqueza do povo para os membros da camarilha de Davos, destruindo, entre outras coisas, pequenas e médias empresas de grande porte, em particular. Plataformas como Amazon, Google, Uber, etc. podem, portanto, se apropriar de sua participação de mercado e riqueza. ”

      https://www.ukcolumn.org/community/forums/topic/reiner-fuellmich-with-other-german-lawyers-class-action/

  3. Nas entrelinhas da entrevista está a cura do câncer (cancro em Portugal), é só entender o que é demonstrado.

  4. Achado excepcional, Max.
    Uma pessoa normal deveria por um grande ponto de interrogação em tudo que predomina no dizer e no fazer.
    Infelizmente não é assim. Mesmo os críticos de tudo não perdem a oportunidade de realçar alguma coisinha que no fundo não tem ponto de interrogação nenhum. São crenças incutidas, mentiras, convicções, conveniências.
    Se fosse diferente seria mais fácil entendermos a ecologia, dinâmica ou outro nome qualquer do ambiente natural que poderíamos viver. Mas cada mexida efetuada pelo homem no ambiente contém um potencial de destruição, inclusive de nós mesmos. Esta é uma das minhas convicções.
    Mas com a mesma “fé” que acredito nisso, também acredito que a mexida foi já tamanha, que equilibrar esta nave que vagueia por aí, incerta, já não é possível. O fim está mais próximo do que o começo.
    Resta produzirmos pontos de interrogação, enquanto ainda podemos pensar. Será mesmo? Quantos entre nós?

  5. Gilad Atzamon escreveu um artigo publicado em 20 de fevereiro no site Resistir sobre a vacinação em massa da Pfizer
    Leiam, juntem com as infames medidas dos contratos com a Pfizer… e corram logo a vacinar-se Mas não esqueçam que Pfizer tem 100% de segurança!! Uaaauuuu!!

Obrigado por participar na discussão!

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

%d bloggers like this: