Mais frio? Sim, adivinharam: é o Aquecimento Global

Ar mais frio neste Inverno:  neve e gelo até em zona que raramente podem observar tais fenómenos. Nos Estados Unidos, por exemplo, as temperaturas de -31 Cº, com recordes de neve em regiões no Midwest e no Nordeste e líquidos anti-gelos dos automóveis que congelam.

A culpa? É do Vórtice Polar.

Atenas

Um vórtice polar é uma grande área de baixa pressão que se encontra nas regiões polares do Norte e do Sul. Este vórtice circunda o globo durante todo o ano e engloba o ar frio nas regiões polares. O fluxo de ar frio no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio é contido por um jacto de ar que funciona como uma barreira entre o ar frio e o ar mais quente.

Santa Sofia em Istambul, Turquia (Imagem: Yasin Akgul/Agence FrancePresse/Getty Images)

Mas o que causa um vórtice polar? A expansão de um vórtice polar acontece quando o sistema de baixa pressão é perturbado por um evento meteorológico. A corrente de vento que normalmente mantém o ar frio nas regiões polares não tem força suficiente para continuar o seu trabalho, fazendo com que os sistemas de alta pressão empurrem o ar frio para sul. Então sacas de ar frio deslocam-se para o Sul (no caso de Polo Norte), provocando a queda das temperaturas nas áreas afectadas.

Cataratas do Niagara, EUA (Imagem: Aaron Lynett/AP)

Os vórtices polares são um evento perfeitamente natural, não limitados ao nosso planeta: o mesmo fenómeno foi observado em Marte, Júpiter, Saturno, a lua Titan (de Saturno) e Vénus, que até pode ter duplos vórtices (dois vórtices polares num só pólo).

Jerusalém, israel, (Imagem: AP Photo/Dusan Vranic)

E o Aquecimento Climático? Calma, um pouco de paciência: é sempre culpa do Aquecimento Climático. Explica Wikipedia, que nunca erra e nunca mente, oferecendo ao povo o ponto de vista mais imparcial deste como dos outros planetas:

Um estudo de 2001 descobriu que a circulação estratosférica pode ter efeitos anómalos nos regimes meteorológicos. No mesmo ano, os investigadores encontraram uma correlação estatística entre vórtice polar fraco e surtos de frio severo no Hemisfério Norte. Em anos posteriores, os cientistas identificaram interacções com o declínio do gelo do mar Árctico, redução da cobertura de neve, padrões de evapotranspiração, anomalias NAO [Oscilação do Atlântico Norte, ndt] ou anomalias meteorológicas que estão ligadas ao vórtice polar e à configuração do fluxo de jacto.

No entanto, porque as observações específicas são consideradas observações a curto prazo (têm cerca de 13 anos), existe uma incerteza considerável nas conclusões. As observações climatológicas requerem várias décadas para distinguir definitivamente a variabilidade natural das tendências climáticas.

A suposição geral é que a reduzida cobertura de neve e o gelo marinho reflecta menos luz solar e, portanto, a evaporação e a transpiração aumentam, o que por sua vez altera o gradiente de pressão e a temperatura do vórtice polar, causando o seu enfraquecimento ou colapso. Isto torna-se aparente quando a amplitude do fluxo do jacto aumenta no hemisfério norte, fazendo com que as Ondas de Rossby [são meandros gigantes nas correntes de fluidos de proporção planetária, ndt] se propaguem mais para sul ou norte, o que por sua vez transporta ar mais quente para o pólo norte e ar polar para latitudes mais baixas. A amplitude do jacto aumenta com um vórtice polar mais fraco, aumentando assim a possibilidade de os sistemas meteorológicos ficarem bloqueados. Um evento de bloqueio em 2012 surgiu quando uma alta pressão sobre a Gronelândia conduziu o Hurricane Sandy para os estados do norte do Médio-Atlântico.

Pelo que, a teoria é que: menos neve e menos gelo reflectem menos luz solar; portanto mais evaporação, vórtice polar mais fraco, ar mais quente para os pólos e ar polar para latitudes mais baixas.

Austin, Texas. Imagem: Shutterstock.com

É simples: que faça mais frio ou que faça mais quente, a culpa é sempre do Aquecimento Climático provocado pelo Homem. Já em 2019, assim explicava Estadão:

O coordenador do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), José Antonio Marengo, afirma, no entanto, que esse frio intenso no hemisfério norte também pode ser explicado como uma consequência do aquecimento global.

“Tivemos ondas de frio na Europa e nos EUA que são associadas com o enfraquecimento da circulação polar do Ártico. O CO2 forma um buraco que faz com que o frio polar do Ártico passe para os países do Norte. Com o enfraquecimento da circulação atmosférica dessas massas de ar, o ar mais frio atinge com mais facilidade os EUA”, explica Marengo.

CO2, dióxido de carbono. O que significa que a culpa é sempre a nossa. Aliás: do Leitor, porque eu não fiz nada de mal, ora essa.

 

Ipse dixit.

2 Replies to “Mais frio? Sim, adivinharam: é o Aquecimento Global”

  1. Olá Max: uma nova explicação, que deixa de fora o tal de aquecimento global. Uma explicação natural que deixa de fora a ação humana. Falta pensar nos porquês. Para cada explicação existe uma razão política, até para aquelas que parecem mais científicamente neutras. Abraços e obrigada por uma explicação mais interessante.

  2. Fenómenos à escala planetária, inseridos em ciclos com alguma previsibilidade, cientificamente conhecidos mas longe de estarem compreendidos, usados por grupos de poder que manipulam e deturpam a informação detida, transmitindo-a posteriormente empacotada numa narrativa “cozinhada” ás massas de ignorantes, na implementação de uma agenda, para definição de um rumo pré-determinado.

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