O Satanismo – Parte II

Como afirmado na primeira parte do artigo, existem diferentes seitas satânicas e por esta razão é complicado, ou até impossível, falar duma doutrina universalmente aceite. Aviso já: esta segunda parte não pretende ser um texto exaustivo mas sim fornecer uma ideia do que pode ser definido como Satanismo. Uma ideia geral e nada mais, porque é impossível individuar traços comuns entre todas as realidades do Satanismo, só entre algumas delas. Vamos definir isso como Satanismo Espiritual (apesar de, tecnicamente, a expressão estar incorrecta) para distingui-lo do Satanismo “materialista”, residual mas mediaticamente mais relevante.

Entre vampiros e Deuteronómio: o Homem

Ponto de partida é que o Satanismo não é acerca de duendes, gnomos, vampiros, monstros de Halloween ou entidades similares. E nem tem a ver com “maldade”. O Satanismo tem a ver com a elevação e o fortalecimento da humanidade, algo encarado como verdadeira intenção de Satanás. Este é o ponto absolutamente central do Satanismo Espiritual: o Homem, e não uma divindade, é o foco da religião. Satanás requer a máxima elevação possível de cada ser humano: dever do Homem é desenvolver o seu próprio potencial e Satanás fornece os instrumentos aos seus adeptos para alcançar esta meta. Fala-se aqui dum potencial tanto espiritual como prático.

Há seitas que acreditam num Satanás enquanto entidade real, outras vêem nele um guia espiritual, algumas nem acreditam na existência dum “diabo”. É possível ser satanista e ao mesmo tempo não acreditar em Satanás? Sim, é perfeitamente possível. No entanto, a maioria dos satanistas considera Satanás (real ou espiritual) como o verdadeiro Pai da Humanidade.

Obviamente, o “Yaweh/Geova” da Bíblia é geralmente considerado como uma entidade fictícia ou, em qualquer caso, um Deus negativo, que obriga as pessoas a acreditar numa mentira; pelo que há a total rejeição das religiões judaicos/cristãs e da Bíblia, um texto que pode ser considerado como uma obra unicamente de seres humanos com conhecimentos ocultos ou como um livro inspirado por um Deus enganoso (todavia é bom lembrar que existem satanistas que aceitam a Bíblia judaico-cristã e que, simplesmente, escolhem tomar o partido do Mal).

As leis são respeitadas e não é encorajada nem a actuação nem a participação em qualquer sacrifício de sangue ou de seres vivos, pois este costuma ser considerado como um acto judaico-cristão (Deuteronómio 12,27 “a carne e o sangue, sobre o altar do Senhor teu Deus; o sangue das tuas outras vítimas será derramado sobre o altar do Senhor teu Deus, e tu comerás a sua carne”). O Satanismo também recusa a assumpção de drogas, ou melhor: não encoraja o uso delas e deixa que seja o fiel a escolher o caminho neste contexto, mas é claro que, se o objectivo for o de potenciar o ser humano, as drogas não ajudam.

Voltando ao Cristianismo, este é encarado como algo criado para remover o conhecimento espiritual e ocultista (os poderes da mente) do Homem e colocar assim esse poder nas mãos de uns poucos “escolhidos” para reprimir toda a humanidade. Neste ponto há divergências pois alguns satanistas acreditam na magia e no oculto enquanto outros recusam tais práticas. Em qualquer caso, a visão comum afirma que os Deuses Originais (os Demónios) foram injustamente retratados como monstros e marcados como “maus” para afastar a humanidade do verdadeiro conhecimento. Devido a isto, a raça humana degenerou drasticamente, tanto espiritual como intelectualmente.

कुंडलिनी (lê-se “kundaliní”)

O satanismo espiritual evoca fortemente tudo o que é aprendizagem, conhecimento, investigação, e livre pensamento. Este é um outro ponto central da religião e representa a lógica consequência do citado desenvolvimento do potencial de qualquer ser humano.

O satanismo espiritual reconhece a ciência e acredita que tudo no oculto/supernatural pode ter uma explicação, pois segundo a crença a humanidade foi perigosamente afastada destes conhecimentos através da estreiteza do judaico-cristianismo e dos seus ataques implacáveis à ciência, durante séculos. É um ponto de vista que é preciso explicar: o oculto (mais propriamente chamado de “magia”) não é visto como algo verdadeiramente “mágico” mas sim como uma parte integral da nossa vida, algo que foi condenado e escondido pela Igreja. Portanto, uma ciência verdadeiramente livre deveria investigar também este aspecto em vez de fechar os olhos. Inútil especificar que no meio do Satanismo há quem julgue de forma diferente o oculto, como algo “sobrenatural” e misterioso. O Leitor já dever ter percebido que no Satanismo há tudo e mais alguma coisa.

Muitos entre os satanistas praticam a meditação para avançar espiritualmente: a meditação é tão essencial para a alma humana como o alimento é para o corpo. A serpente, símbolo de Satanás, representa o fogo, a força da kundaliní (em sânscrito: कुंडलिनी,: trata-se dum conceito muito antigo, pelo menos do séc. IX a.C., um fenómeno biométrico e espiritual, uma energia adormecida que fica concentrada na base da coluna, estudada também por Carl Jung) que transporta a alma e a mente humana para um nível muito superior de conhecimento e capacidade. Este, afinal, é o verdadeiro significado da Invocação do Diabo. E alguns observam como a imagem da serpente enroscada faça lembrar a cadeia do DNA.

Pelo que, é óbvia a contraposição entre Cristianismo e Satanismo: enquanto no primeiro é fundamental a promessa duma futura vida eterna, o Satanismo é uma religião de amor à vida, entendida como existência real no “agora”. O Satanismo Espiritual é sobre individualismo, liberdade e independência.

Al-Jilwah

Também no Satanismo, como em todas as religiões existem, há regras. A religião cristã tem os 10 Mandamentos enquanto que o Satanismo… tem vários, dependendo da igreja satânica. Mas há uma publicação que qualquer satanista deve conhecer: é o Al-Jilwah, também chamado de Livro Negro de Satanás.

Al-Jilwah (aqui uma versão inglesa comentada, aqui uma versão portuguesa) merece um discurso mais aprofundado porque é o único texto (alegadamente) antigo do Satanismo, o equivalente da Bíblia judaico-cristã. O livro está escrito no dialecto curdo Kurmanji e é um das duas obras sobre a religião Yazidi, sendo o Mishefa Reş a outra.

Os estudiosos afirma que o Al-Jilwah e o Mishefa Reş, publicados em inglês em 1911 e 1913, são “falsificações” no sentido em que foram escritos por indivíduos não-yazidis em resposta ao interesse dos pesquisadores ocidentais pela religião yazidi. É provável que as versões traduzidas no começo do séc. XX tivessem sido forjadas: no entanto, reflectem as autênticas tradições Yazidis, uma minoria religiosa curda que vive predominantemente no norte do Iraque, Síria e sudeste da Turquia, com comunidades bem estabelecidas no Cáucaso.

As origens dos Yazidis não são claras e acredita-se houver um estreito relacionamento com elementos de uma antiga fé provavelmente dominante entre os iranianos ocidentais, próxima da religião mitraica pré-Zoroaster. Segundo Ernest Leroux, não é improvável que os Yazidis sejam uma herança da civilização de Babilónia (III e II milénio a.C.), hipótese confirmada pelas recentes análises do DNA.

A religião dos Yzidir não é “satânica” em si mas, segundo os crentes, a Al-Jilwah foi ditada por Satanás directamente ao profeta Sheikh Adi ibn Musafir no XII século d.C.. Portanto, o Al-Jilwah apresenta-se como uma obra que sintetiza uma das religiões mais antigas (anterior ao judaísmo, por exemplo), codificada através do trabalho de Sheikh Adi ibn Musafir.

Voltando às origens medio-orientais do Satanismo, não pode ser ignorado o paralelismo entre o Deus Sumério Enki, o Senhor da Terra, e Satanás (nota o mito de Enki tem inúmeros pontos de contacto com a Génesis do Antigo Testamento: é evidente como este último tenha “pescado” em força na religião babilónica). Sendo um Deus de conhecimento, criação, sabedoria, magia e medicina, o símbolo de Enki era a serpente: nas antigas culturas, a serpente era um símbolo de vida, força, sabedoria, medicina e cura, pelo que, antes da religião judaico-cristã, a figura da serpente era respeitada e considerada sagrada. O mais antigo nome do território português, por exemplo, era Ofiussa, literalmente “terra das serpentes”, não porque houvesse cobras em todos os lados mas porque era a terra dos Ofis (também conhecidos como Sefes), povo que adorava a Serpe Real (mais tarde adoptada como timbre pelos Reis de Portugal e os Imperadores do Brasil). Só com o advento do Cristianismo este animal foi transformado cem símbolo do Mal.

Mas apenas na língua hebraica Satanás significa “adversário” ou “obstáculo”: no Sânscrito encontramos “Satnam” e “Sa Ta Na Ma”, que indicam mantras sagrados usados na “Meditação da Serpente” (o já citado Kundaliní), termos que podemos traduzir como “o renascer da vida”. Identificar o termo hebraico Sāṭān com Satnam ou Sa Ta Na Ma é o que faz o Satanismo. O que não pode ser totalmente excluído, sobretudo considerando a influência que as culturas mesopotâmicas e zoroatristas tiveram na construção da religião hebraica.

As “regras”

E os mandamentos? Na verdade existem várias versões e seria melhor falar de “regras”: em internet é possível encontrar muitas delas, por vezes em aberta contradicção. Além daquelas contidas no Al-Jilwah (numerosas e fundamentais enquanto heranças históricas), há as escritas em 1969 por Anton LaVey na sua Bíblia Satânica (que define boa parte do Satanismo moderno):


As Nove Afirmações Satânicas

1. Satan representa indulgência e não abstinência

2. Satan representa a essência de vida e não fúteis sonhos espirituais

3. Satan representa conhecimento sem limites e não auto-ilusão hipócrita

4. Satan representa bondade para aqueles que o merecem e não amor desperdiçado em ingratos

5. Satan representa vingança e não dar a outra face

6. Satan representa responsabilidade para os responsáveis e não preocupação com vampiros psíquicos

7. Satan representa o homem como apenas mais um animal, algumas vezes melhor, na maioria das vezes pior que aqueles que andam em quatro patas, que, por causa do seu “desenvolvimento intelectual e espiritual divino” tornou-se no animal mais perverso de todos

8. Satan representa todos os denominados pecados, uma vez que que todos eles conduzem a gratificação física, mental e emocional

9. Satan tem sido o melhor amigo que a Igreja jamais teve, já que a manteve em funcionamento todos estes anos


As Onze Regras Satânicas da Terra

1. Não dês opiniões ou conselhos a não ser que tos peçam.

2. Não contes os teus problemas aos outros a não ser que tenhas a certeza que eles os querem ouvir.

3. No ambiente natural de outra pessoa, demonstra-lhe respeito ou não vás lá.

4. Se um convidado te incomodar no teu ambiente natural, trata-o cruelmente e sem misericórdia.

5. Não tomes iniciativas de índole sexual a não ser que te sejam dados sinais de receptividade.

6. Não te apropries do que não te pertence a não ser que seja um fardo para a outra pessoa e ela implore que a aliviem.

7. Reconhece o poder da magia se a empregaste com sucesso para obteres o que desejavas. Se negares o poder da magia depois de a teres invocado com sucesso, perderás tudo aquilo que obtiveste.

8. Não te queixes daquilo a que não tens que estar sujeito.

9. Não faças mal a crianças.

10. Não mates animais não humanos a não ser que sejas atacado ou para obter alimento.

11. Ao caminhar em território aberto, não incomodes ninguém. Se alguém te incomodar, pede-lhe que pare. Se ele não parar, destrói-o.


Os Nove Pecados Satânicos

1. Estupidez – O topo da lista no que diz respeito aos Pecados Satânicos. O Pecado Cardinal do Satanismo. É pena que a estupidez não seja dolorosa. Ignorância é uma coisa, mas a nossa sociedade alimenta-se cada vez mais da estupidez. Depende das pessoas seguirem tudo aquilo que lhes é dito. A comunicação social promove uma estupidez tratada como uma postura que não é apenas aceite mas louvada. Os Satanistas devem aprender a ver para além dos truques e não se podem dar ao luxo de ser estúpidos.

2. Pretensão – Uma postura oca pode ser tremendamente irritante e não aplica as leis cardinais da Lesser Magic. No mesmo patamar da estupidez no que diz respeito ao que mantém o dinheiro a circular nos dias de hoje. Todos são levados a sentir-se alguém importante, quer consigam feitos que o comprovem ou não.

3. Solipsismo – Pode ser bastante perigoso para os Satanistas. Projectar as reacções, respostas e sensibilidades em alguém que não está provavelmente alinhado com a própria pessoa. É o erro de esperar que as pessoas retribuam a mesma consideração que naturalmente lhes é dada. Não o farão. Em vez disso, os Satanistas devem esforçar-se por aplicar o ditado “Faz aos outros o que eles te fazem a ti.” É trabalhoso para a maior parte das pessoas e requer constante atenção, não se vá cair na confortável ilusão que todos são como nós. Como já foi dito, certas utopias seriam ideais numa nação de filósofos, mas infelizmente (ou talvez felizmente, de um ponto de vista Maquiavélico) estamos longe desse ponto.

4. Auto-Ilusão – Está nas Nove Afirmações Satânicas mas merece ser repetido aqui. Outro pecado cardinal. Não devemos prestar homenagem a nenhuma das vacas sagradas que nos são apresentadas, incluindo como se espera que nos comportemos. A única altura em que se pode abordar a auto-ilusão é quando ela é divertida, e conscientemente. Mas dessa forma, não é auto-ilusão!

5. Conformismo de Massas – É óbvio de uma perspectiva Satânica. Não há problema em conformar-se aos desejos de uma pessoa, se em última análise isso nos vai beneficiar. Mas só os tolos seguem as massas, permitindo que uma entidade impessoal dite as regras. A chave é escolher um mestre sabiamente em vez de ser escravizado pelos caprichos das massas.

6. Falta de Perspectiva – De novo, pode ser muito doloroso para o Satanista. Nunca nos podemos esquecer de quem e o que somos, e que ameaça podemos ser, apenas por existirmos. Estamos a fazer história neste preciso momento, todos os dias. É preciso manter sempre presente uma visão histórica e social alargada. É uma peça importante quer para a Lesser Magic quer para a Greater Magic. Observa os padrões e encaixa as peças como pretendes que elas se encaixem. Não sejas coagido pelas restrições das massas – compreende que funcionas num nível diferente do resto do mundo.

7. Esquecimento de Ortodoxos Passados – Atenção que esta é uma das chaves para a lavagem cerebral que é feita às pessoas para as levar a aceitar algo novo e diferente, quando na realidade é algo que foi outrora amplamente aceite e é agora apresentado numa nova embalagem. É esperado que deliremos com o génio do criador e esqueçamos o original. Isto cria uma sociedade descartável.

8. Orgulho Contraproducente – A segunda palavra é importante. Orgulho é óptimo até ao momento em que “se atira o bebé pela janela juntamente com a água do banho”. A regra do Satanismo é: se funciona para ti, óptimo. Quando deixar de funcionar para ti, te tiveres deixado encurralar e a única forma de resolver a situação é dizendo: lamento, cometi um erro, gostava de chegar a um meio termo, compensar de alguma forma”, então fá-lo.

9. Falta de Estética – Esta é a aplicação física do Factor de Equilíbrio. Estética é importante na Lesser Magic e deve ser alimentada. É óbvio que ninguém consegue na maioria das vezes ganhar dinheiro com standards clássicos de beleza e forma, por isso eles são desencorajados numa sociedade consumista, mas um olho para a beleza, para o equilíbrio, é uma ferramenta Satânica essencial e deve ser aplicada para maximizar a eficácia da magia. Não é o que é suposto ser agradável – é o que realmente o é. Estética é uma coisa pessoal, reflexo da nossa própria natureza, mas há configurações que são universalmente agradáveis e harmoniosas que não devem ser negadas.


É preciso entender que nem o Al-Jilwah e nem a Bíblia Satânica de LaVey são considerados como “livros sagrados”: o Satanismo recusa escritos “de representação”, como acontece com as religiões judaico-cristã ou a islâmica, porque o foco da crença fica sempre no indivíduo: cada homem é o “seu próprio deus” e o “seu próprio demónio”. Os textos, portanto, servem apenas como guias e isso ajuda a entender quanto afirmado antes: no Satanismo há tudo e mais alguma coisa.

Como consequência directa não há rituais: nada de Missas Negras, nada de aspectos folclóricos que a maioria das pessoas acreditam serem típicos do Satanismo. Há igrejas satânicas que praticam rituais mas, assim como a maioria dos satanistas não acredita num Diabo físico, da mesma forma o Satanismo no geral recusa qualquer ritual.

Na verdade, para compreender o satanismo é necessário tempo e estudo aprofundado. Pode ser definido como um culto, mas não é um culto doutrinário, no sentido de que não há dogmas. E muitas vezes nem há um Deus: a maior parte dos satanistas não acredita num diabo vermelho com chifres, alguns nem acreditam em Satanás e alguns são integralmente ateus. Para outros, este nome refere-se aos chamados Demónios, que na realidade são os antigos deuses pagãos, os antigos deuses das origens. Portanto, nem é uma religião monoteísta mas um Panteão.

Possessão? Não existe. 666, o Número da Besta? Uma invenção cristã. Iniciação? Uma fantasia. Sacrifícios? Nem pensar. E a magia, como afirmado, não deve ser confundida com as bruxas: a magia é apenas a sabedoria antiga que as religiões judaico-cristã e islâmica quiseram apagar.

Classificação?

Fica assim evidente quanto afirmado no começo: é complicado, ou até impossível, falar duma doutrina universalmente aceite no Satanismo. Até aqui foram listados conceitos de carácter geral que, todavia, nem todas as correntes estão dispostas a aceitar. Mesmo a tentativa de classificar as várias correntes satanistas encontra problemas. Por exemplo, podemos falar em:

  1. Satanismo Racionalista: Satanás é simplesmente o símbolo do Mal, de uma visão anti-cristã, hedonista e imoral do mundo;
  2. Satanismo Ocultista: aceita a visão do mundo descrita na Bíblia, a história da Criação, a expulsão do Céu dos Anjos rebeldes que depois se tornaram demónios, mas toma partido “do outro lado”, ao serviço do Diabo;
  3. Satanismo ácido: os ritos baseiam-se no uso de drogas, orgias e abuso psicológico e sexual. A adoração do diabo é simplesmente uma desculpa para os excessos e a depravação; é uma versão desprezada pelas outras correntes satanistas, mas é aquela que mais impacto tem na sociedade e nos órgãos de informação;
  4. Luciferianismo: é o Satanismo de derivação Gnóstica. Lúcifer e Satanás são o objecto de veneração porque representam um Mal “necessário”, portanto um Bem e, em qualquer caso, um aspecto do sagrado.

Tudo claro? Nem por isso: a maioria dos Satanistas provavelmente recusaria a inclusão do Satanismo ácido, talvez para substituí-lo com o Satanismo Tradicional. Que por sua vez tem muitos pontos de contacto com o Satanismo Teista, etc. etc.

 

Ipse dixit.

11 Replies to “O Satanismo – Parte II”

  1. Fiquei a saber (de acordo com o que está escrito em «As Nove Afirmações Satânicas», «As Onze Regras Satânicas da Terra», e «Os Nove Pecados Satânicos») que os valores, o carácter, e os actos que defendo e pratico, afinal são satânicos, Loool.

    Vou aproveitar e ouvir Black Sabbath, que já não ouço há muito tempo.

  2. Só não vê quem não quer!
    Para o povo de Deus a lei é tomar a Terra de assalto (o que está a caminhode ser concluído nesse exato momento, se Deus quiser!), até onde os olhos alcançarem, pode ir lá e pegar porque Deus te deu.
    Para o gado Deus mandou o filho com uma historia da “turma do deixa disso”, não julgar, tomar tapa na cara e ficar quieto e a vida eterna no paraíso, mas… só depois de morrer!

    Max, onde é que pego minha carteira de satanista?

  3. Caramba! Eu tinha uma visão totalmente distorcida do Satanismo, identificada com o Satanismo ácido, aquele dito desenvolvido pelas elites deste planeta. Justamente aquele que os mídia revelam, como se fossem a coisa toda..
    Saturada com o pecado da estupidez, nunca me passou pela cabeça que esta história poderia ser bem outra, apesar de reconhecer outras histórias além das temáticas dos mídias.
    Felizmente nunca me considerei um gênio. Caso contrário, hoje cairia do pedestal.
    Lendo as regras, os supostos pecados e mandamentos, me identifiquei imediatamente com este ramo do pensamento. Conclui que sou meio satânica, quem diria ! Uma pessoa como eu com aspecto tão simpático. Sim, porque os satanistas para mim eram aquelas figuras que como a hilária, que prestando bem atenção às suas expressões faciais, se mil demônios existissem, ela encarnaria todos.
    Muito obrigada Max por diminuir o meu grau de estupidez

    1. Tranquilo vizinha, mas baseado na regra satânica número 4, jamais irei te visitar. É só por precaução.

      Abraço.
      PS: Espero que a chuva nos dê uma trégua neste final de semana. Já estou começando a coaxar.

  4. À semelhança de outros comentadores, fiquei um pouco admirado com algumas coisas que li. Tinha uma visão diferente do tema.
    Vou também pegar a carteira de satanista. Lol.

  5. Religiões , todas elas , são uma doença mental , fruto de uma imaginação fértil buscando uma desculpa um conforto para si chama-se Dissonância Cognitiva o termo técnico, mas confundir/misturar kundalini com satanás foi “ardiloso” satânico mesmo kkkkkkkkk, foi fodástico kkkkk

  6. Talvez por ser um segmento segregado e minoritário, não existe uma instituição representativa da categoria, tal qual existem as Confederações e Federações nas religiões convencionais. Consequentemente, não há uma unificação de idéias e praticamente cada indivíduo ou grupo cria suas próprias leis e dogmas.
    Influenciado pelo Cristianismo, a indústria Holywoodiana nos mostra a versão que mais se popularizou.

    Parabenizo o Max pelo artigo e particularmente gosto desses temas “fora da casinha”.

    Abraço.

  7. Oi Sérgio:: tranquilo vizinho, eu disse que seria meio satânica. Isso quer dizer que não seguiria todas as regras. Podem me visitar quando queiram, desde que tolerem latidos, arranhões e pelos caninos, porque na verdade latidos e arranhões são sinais de boas vindas, logo seguidas do oferecimento de um brinquedo ao visitante batendo o rabo, assim que eu diga : amigo cães, amigo !

  8. O satanismo (ou luciferianismo) nada mais é do que a fé dos pagãos (camponeses) cujo anjo favorito de Deus chamava-se Tawûsê Melek, num tempo onde a vida era vivida basicamente no campo. Com a expansão comercial e a consequente formação das concentrações populacionais (cidades) surgia a necessidade de criar um elemento unificador entre habitantes cada vez mais diversificados. Surgia a sistematização religiosa através do judaísmo (baseado num sincretismo que envolvia o mitraísmo e o zoroastrismo), e que seria expandido para os gentios através do cristianismo e depois do islamismo.
    Observa-se que o então mito de criação difere do dos “povos do livro”. Acreditavam que Deus criou 1º Tawûsê Melek por obra e luz de Deus e ordenou-lhe que não se submetesse a outros seres. Deus criou depois outros 6 arcanjos e ordenou-lhes que lhe trouxessem poeira (Ax) da Terra (Erd) e moldassem o corpo de Adão. Em seguida Deus deu vida a Adão de sua própria respiração e ordenou a todos os arcanjos que se submetessem a Adão. Todos eles obedeceram exceto Tawûsê Melek, que questionou a ordem: “Como posso submeter-me a outro ser?! Sou da tua iluminação enquanto que Adão é feito de poeira.”. Deus elogiou-o e o fez líder de todos anjos e seu representante na Terra. Este episódio reforça a ligação que alguns fazem de Tawûsê Melek com o Shaytan (Satã) islâmico, o qual, cfe o Alcorão, também recusou a submeter-se a Adão qdo Deus lhe ordenou, apesar de neste caso a recusa ser interpretada como sinal do orgulho pecaminoso de Shaytan.

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