Um mundo melhor

O QI dos seres humanos está a precipitar para níveis ínfimos. As provas abundam.

Os estudantes da Universidade de Manchester, por exemplo, pediram que a palavra “negro”, quando usada numa expressão negativa, fosse banida porque “divisória”.

A queixa foi motivada por um estudo universitário sobre questões relativas ao pessoal do Black, Asian and Minority Ethnic (BAME, a faculdade de negros, asiáticos e minorias étnicas). Citando as preocupações dos negros, o relatório observou que havia “preocupações linguísticas de que ‘negro’ estivesse associado a expressões negativas tais como ‘ovelha negra'”.

Portanto, o sindicato dos estudantes universitários pediu que “qualquer uso da palavra ‘preto’ como adjectivo para expressar conotações negativas” fosse proibido em artigos de investigação, diapositivos de conferências e livros publicados por professores. Os estudantes afirmavam que estas palavras estavam baseadas na “história colonial” e que deveriam ser abolidas à luz do movimento Black Lives Matter (sempre seja louvado).

No entanto, o lexicógrafo Jonathon Green salientou que estas declarações estavam completamente erradas, uma vez que o ambiente de fundo da política de identidade “simplesmente não estava presente na altura em que os termos foram cunhados”.

Tenho profunda pena do Professor Green: um homem que ainda utiliza argumentos lógicos perante um universo de estudantes mononeuronais. Reconheço-lhe o esforço e até uma certa heroicidade, mas é uma batalha perdida ainda antes de ser combatida.

Pelo contrário, seguimos a onda e eliminemos o termo “negro” e todas as outras palavras que contenham uma cor relacionada com uma raça em expressões negativas. Algumas sugestões:

Ovelha negra > Ovelha Sem Cor

Peste negra > Peste Malandra

Noites em branco > Noites Cândidas

Ficar vermelho > Ficar como o Pôr do Sol

Febre amarela > Febre Banana

Arma branca > Arma Leite

Mercado negro > Mercado Não Regulamentado Pelas Leis Democraticamente Implementadas Num País e Que Não Respeita As Linhas Guias Típicas de Qualquer Troca Comercial Digna De Respeito e Que Enquanto Tal Constitui Um Crime Que Pode Prever a Prisão.

Tenho algumas dúvidas acerca da última expressão, mas quanto ao resto, digam lá: não seria um mundo melhor?

 

Ipse dixit.

11 Replies to “Um mundo melhor”

  1. Eu vou encontrar um mundo melhor quando em cada agrupamento de ovelhas brancas existir pelo menos uma negra que não seja perseguida, torturada e eliminada em função da sua pelagem. Não nutro esperanças.
    Estupidez barata pensar que a palavra determine por si só o significado definitivo no tempo e no espaço.
    Na verdade, a universidade foi transfigurada de tal maneira que é daí que surgem besteiras como essa que o artigo questiona. E que fiquemos satisfeitos quando as besteiras não sejam declaradas como ciência e/ou convertidas em lei.
    No caso, esta besteira vai alimentar as políticas identitárias e desviar o foco das politicas de poder.
    Não por acaso que todas as políticas identitarias cabem nas agendas dos chamados de esquerda e os confundem com as agendas globalistas. E tudo segue como o diabo gostaria, caso existisse.
    E é bem provável que os universitários que discutem se hão de dizer negro, preto, escuro, não branco, e até reportem pesquisas sobre o tema, na prática sejam os mesmos que evitem a presença de negros no seu entorno.

  2. Em Portugal também o grau de estupidificação, embrutecimento, e iliteracia é imenso, principalmente nas pessoas que possuem o 12º ano, licenciaturas, mestrados, ou doutoramentos, sendo que esses títulos obtidos por essa gente só foram possíveis através do facilitismo que foi implementado nas escolas e universidades públicas ou através da compra dos mesmos em escolas e universidades privadas.

    Dentro desta linha de pensamento e acção presentes na ligação, temos também o esforço que o regime da Inglaterra está a fazer para eliminar os registos dos crimes contra a Humanidade e genocídios que o seu Império tem vindo a praticar:

    – Britain destroyed records of colonial crimes

    https://www.theguardian.com/uk/2012/apr/18/britain-destroyed-records-colonial-crimes

    1. Meu caro JF podemos então concluir que o grau de estupidificação, embrutecimento, e iliteracia é inferior nas pessoas que possuem habilitações inferiores ao 12º ano? Não é isto uma forma de racismo contra quem possui mais habilitações acadêmicas ? Não é justo julgar pela cor da pele …É justo julgar pelas habilitações acadêmicas ?
      Já agora o que te confere o direito ou a autoridade para fazer essas declarações ?
      Meu caro JF fico ainda mais magoado com essas acusações sobre o facilitismo e a corrupção académica, principalmente depois de te ter confessado que eu só terminei a escola primária porque os meus pais eram amigos da professora, isso foi só para me atingir … Poxa amigo és tão cruel …

  3. O sentimento racista foi criado pelas elites europeias, associando a raça negra às adversidades e perigos que a noite (negra) sempre ofereceu a espécie humana. Desde a manipulação deste conceito, os desdobramentos de viés racistas se multiplicaram. Hoje, uma grande parte das pessoas se iludem com o “combate” nada mais do que midiático, feito por brancos mentalmente racistas.

  4. Olá amigos.

    Temos muitas razões para acreditar que o racismo exista.
    Se parte dos que combatem o racismo, na verdade são hipócritas racistas, então , só posso chegar a conclusão de que o problema é muito maior do que ele se apresenta. Fica mais grave ainda negar a sua existência.

  5. Olá comentaristas: eu não sei porque a maioria das pessoas confunde escolaridade com inteligência, criatividade, capacidade analítica, competência técnica, saberes sistematizados. Creio mesmo que no fundo essas pessoas sabem que a maior parte dos escolarizados em alto nível, também são os cujas famílias têm mais recursos e, como existe racismos os mais diversos, é fácil aliar altas taxas de escolarização e conhecimentos à elite em matéria de dinheiro, propriedades, herança e poder.
    Posso lhes afirmar, dado os meus 30 anos de convivência com alunos de todas as escolaridades, e minha prática pedagógica (odiada, desconsiderada, etc) de perceber numa plateia de 100, 150 escolares, uma meia dúzia de olhos brilhando e então investir nessa meia dúzia com todos os recursos que eu tivesse, e deixando os demais zumbis recebendo a dose burocrática de conhecimentos que lhe valesse o diploma.
    Invariavelmente essa meia dúzia compunha-se dos raros pobres em universidades federais brasileiras na época, diferentes da maioria no comportamento e modos de vida, capazes de se encantar com alguma descoberta ou conhecimento novo, desejando outra coisa, diferente daquilo que a escolarização oferece em geral. Metade do que sabemos, eles e eu, aprendemos juntos, vivendo, discutindo de igual para igual, torcendo todas as hierarquias das quais a universidade se alimenta: hierarquia de conhecimentos, de posições, de valores. Aguentei 3o anos porque eles existiam, e com eles podíamos ser nós mesmos.
    Por outro lado, contribuí para dar diplomas para estudantes analfabetos, incapazes de articular o próprio pensamento, até porque tudo que faziam, diziam, pensavam era cópia de pequenos textos lidos em livros não lidos.
    Durante toda a vida me deparei com gente extremamente culta, capaz, inteligente que mal e mal aprenderam a ler e escrever na escola, ou nela nunca pisaram, fazendo do auto didatismo sua auto formação.
    Entre os colegas professores, com raras exceções, encontrei gente mentirosa, falsa, bruta, emburrecida, que precisam do título acadêmico para fazer parecer o que não são.
    Não precisa que o Lópes diga com todas as letras que pouco frequentou escola, eu sei com quem lido por aqui.

    1. De facto Maria … cheguei a ser insultado por professores em plena aula, várias vezes, tive testes meus de “zero” traçados a vermelho de canto a canto , tive algumas anotações escritas a vermelho, que embora não deseje reproduzir aqui recordo-me até hoje das exatas palavras. Mas nada disso me deixou traumatizado, o facto de reconhecer que poderia ou gostaria de ter sido melhor aluno ficou comigo e em memoria disso ao longo minha vida ainda que inconscientemente esforcei-me sempre um pouco mais para compensar essa falta de aptidão para os estudos.
      Mas nunca me passou pela cabeça insultar os meus colegas que tiravam boas notas, bem antes pelo contrario, sempre foram para mim uma fonte de inspiração, e são, alguns deles são engenheiros, arquitetos, professores, doutorados em história e geografia , e sim, admiro pessoas que conseguiram realizar licenciaturas e doutoramentos , pois embora o “facilitismo” do sistema… eu nunca o consegui … portanto algum valor tem de ter.
      Não me envergonho disso, mas também não me passaria pela cabeça de chegar ao extremo de classificar como estupido , bruto ou iletrado alguém com mais habilitações académicas…na ausência de outros argumentos, simplesmente, não é esse o caminho.

  6. Olá lópes: Acato a tua repreensão mas não consigo adjetivar diferentemente. Se um dia estivermos cara a cara, e quiseres saber, posso te explicar ocorrências e porquês dessas adjetivações. A maior parte delas não tem vínculo comigo, só de forma muito disfarçada Afinal eu era doutora no lugar onde mais se valoriza (e teme) a titulação. Mais difícil me atingir, quanto mais eu tinha sido orientada por pedagogo brasileiro com fama internacional (Paulo Freire). Para mim, isso nunca significou grande coisa, eu simplesmente convivi com P.F. durante 7 anos, no Brasil e no exterior, e ele sabia disso. Para os meus coleguinhas professores sempre foi de respeitosa inveja. Mas os acontecimentos que me permitiram adjetivar muitos dos meus colegas se passavam com os alunos, basicamente.
    Às vezes justo as pessoas que se construíram longe dos processos escolares têm uma ideia simpática às suas rotinas, sem saber exatamente como elas se dão. É perfeitamente compreensível. As pessoas especiais, geniais se afastam dela o mais rápido possível. E as que permanecem é pelas facilidades de pesquisa (nas federais) e por razões financeiras. Não fiz isso, mas compreendo e relevo perfeitamente porque o fazem

    1. Repreensão ? Há aqui um mal entendido , Não tive nenhuma intenção de repreender, estava a trocar uns galhardetes com o meu estimado JF e falei da minha experiência a qual foi difícil mas da qual não guardo recentimentos, eu demorava muito tempo para aprender e muitas vezes chegava a conclusões que não tinham que ver com o objectivo da matéria …mais tarde esse meu defeito acabou por encontrar uma aplicação onde era uma vantagem, existem muitos caminhos diferentes. Queria apenas referir que não acredito que um grau acadêmico superior possa tornar um ser humano pior se ele não for já antes ruim na sua essência.

Obrigado por participar na discussão!

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