Bill Gates e os media: as doações

Diz o artigo de Voltaire.Net:

Todos os países têm vivido escândalos na sua história de aquisição financeira secreta por agentes económicos. É agora o caso de nível europeu.

Por exemplo, a Fundação Bill e Melinda Gates doou em 2019:

Der Spiegel : $2,537,294
Die Zeit : $297,124
Le Monde : $ 2.126.790
O Atlântico : $500,222
O Gabinete de Jornalismo Investigativo: $ 1.068.169
The Guardian : $175.000
O Project Syndicate $1.619.861.

Note-se que, ao financiar pesquisas (Bureau of Investigative Journalism) ou ao pagar os autores de livres intervenções traduzidas e divulgadas em diferentes línguas (Project Syndicate), o doador influi sobre todos os jornais que os publicam sem ter de dar ou pagar dinheiro directamente.

Não entendo a razão pela qual Voltaire.net fala de “caso de nível europeu”. A lista das doações é disponível no site da Bill and Melinda Gates Foundation e na secção Inform and Engage Communities (“Informar e Envolver as Comunidades”) é possível observar as doações efectuadas ao longo dos anos em favor dos órgãos de informação. Vamos ler.

Além dos beneficiários relatados acima, podemos encontrar as seguintes doações:

Em 2019

Punch Nigeria Limited (diário, Nigéria) $2,175,675
Media Ecosystems Analysis Group (fact-checker, internacional) $148,069
Africa Check (fact-checker, Nigéria, Senegal, África do Sul, Kenia) $1,079,993
Stichting European Journalism Centre (escola de jornalismo, Holanda) $5,571,747
Le Monde (diário, França) $2,126,790
The Conversation Africa (notícias, África) $3,417,402
Nation Media Group (8 diários, 2 televisões, 1 rádio, África) $2,843,095

Em 2018

Spiegel Online (diário, Alemanha) $2,537,294
The Aspen Institute Inc (think tank, USA) $3,000,000
National Public Radio (radio network, mais de 1.000 emissoras, USA) $3,000,000
Bhekisisa Development Media (centro de jornalismo, África) $1,295,442

Em 2017

Guardian News & Media Ltd (diário, UK) $2,893,865
The Daily Telegraph (diário, UK) $3,446,801
Le Monde (diário, França) $680,675
Health Watch Foundation (notícias sanitárias, Nigéria) $995,629
Stichting European Journalism Centre (escola de jornalismo, Holanda) $299,625
The Moth (rádio e podcast, USA) $3,045,501
Center for Investigative Reporting (investigação jornalística, USA), $253,300
Solutions Journalism Network Inc (fact checker, USA) $697,360
Gapminder Foundation (propaganda, Suécia) $1,000,164
Media Impact Funders (propaganda, USA) $74,986
Africa Check (fact-checker, Nigéria, Senegal, África do Sul, Kenia) $445,760
Pew Charitable Trusts (propaganda, USA) $200,000
Storythings (podcast, jornalismo, vídeo, UK) $799,536
International Center for Journalists (centro para o jornalismo, USA), $100,000
Fondation EurActiv Politech (propaganda, França, Alemanha, Bélgica) $529,771

Em 2016

Oath, Inc. (network da Verizon: Yahoo!, HuffPost and AOL, USA) $510,000
British Broadcasting Corporation BBC (network, UK) $1,485,909
Le Monde (diário, França) $516,601
International Center for Journalists (centro para o jornalismo, USA) $2,323,934
National Newspaper Publishers Association (associação de média, USA) $1,699,176
News Deeply (propaganda, USA) $1,612,122
Financial Times (diário, UK) $1,344,444
The Conversation Africa (notícias, África) $1,599,166
Guardian News & Media (diário, UK) $550,000
Ediciones El País (diário, Espanha) $2,000,000
The Project Syndicate (análise notícias, 455 media, internacional) $1,653,105
Stichting European Journalism Centre (escola de jornalismo, Holanda) $3,766,944
Premium Times Centre for Investigative Journalism (notícias sanitárias, África) $499,997
New Venture Fund (propaganda, USA) $3,039,426
Nation Media Group (8 diários, 2 televisões, 1 rádio, África) $1,230,099
Center for Investigative Reporting (investigação jornalística, USA) $300,000
Univision Communications (televisões e rádios, USA) $1,600,000
Cloud Tiger Media (propaganda, USA) $650,000
Independent Television Service (produção media, USA) $250,000
Solutions Journalism Network (fact checker, USA) $850,000
National Public Radio (radio network, mais de 1.000 emissoras, USA) $2,000,000
Public Radio International (radio network, mais de 850 emissoras, USA) $1,484,552
The Moth (rádio e podcast, USA) $900,790
The Aspen Institute (think tank, USA) $150,000
Fondation EurActiv Politech (propaganda, França, Alemanha, Bélgica) $350,000

…e aqui paramos, pois seria possível continuar com as doações de 2014, 2013, 2012, até 2009. Um rio de dinheiro que ao longo de mais de onze anos ajudou a espalhar a palavra de Bill Gates pelo mundo fora.

Nesta aspecto, o ano de 2020 representa uma excepção pois o total dos beneficiários (sempre do sector multimédia) é mais reduzido. Provavelmente as engrenagens já estão suficientemente oleadas em todo o mundo; e boa parte dos fundos têm que ser destinados à pesquisa.

Doutro lado, não podemos esquecer que muitos dos beneficiários têm um status de excepção no universo mediático: pensamos na BBC, no Financial Times, no Le Monde, no El País. Nomes conceituados, referências que vão muito além da realidade local, atravessam as fronteiras e alcançam todos os cantos do planeta. E com as escolas e os centros de jornalismo o futuro está assegurado também.

Vamos fazer as contas: só as doações apresentadas nesta página ultrapassam os 80 milhões de Dólares (e lembro que aqui estão presentes apenas as doações para o sector multimedia ou, como diz a página da Fundação, o sector para “Informar e Envolver as Comunidades”). Por qual razão uma entidade filantrópica subtrai tamanho montante das ajudas humanitárias para dedica-lo à cobertura mediática?

Podemos responder que a despesa é justificada pelo objectivo: ao informar e envolver as comunidades, os cidadãos de todo o mundo podem tomar consciência das necessidades dos mais carenciados, ter uma atitude pró-activa, envolver-se com ajudas ou comportamentos mais saudáveis. Correcto. Mas há um pormenor que destoa.

Estamos a falar dum privado cidadão que, escondido atrás da sua Fundação, determina as políticas sanitárias de boa parte do planeta. Bill Gates não é a Organização Mundial da Saúde (de facto limita-se a controla-la), Bill Gates é uma única pessoa. Financiado no começo pelo sistema operativo que cada um de vocês pagou e instalou no computador (eu nunca dei um cêntimos ao indivíduo), este privado cidadão está a determinar quais doenças têm que ser tratadas e quais não; quais instituições de pesquisas devem ser ajudadas, quais vacinas devem ser desenvolvidas, quais Países precisam de mais ajudas, quais órgãos de comunicação podem ser financiados, quais jornalistas terão uma carreira brilhante, quais ideias podem vingar.

Tudo isso tem um enorme impacto nas políticas de todos os Países porque o poder de Bill Gates é avassalador: o oceano de dinheiro à disposição permite-lhe implementar a sua própria agenda e a influenciar de forma directa e indirecta, as escolhas dos governos.

Juntamos a tudo isso outro factor: Bill Gates não está sozinho, a sua agenda é na verdade compartilhada por outros “filantropos”, como por exemplo o simpático George Soros ou a família Rockefeller. Indivíduos que, por sua vez, financiam outras instituições, outras pesquisas, outros media…

Uma operação gigantesca, conduzida com meios quase ilimitados por um restrito grupo de privados que não respondem perante ninguém das suas acções.

 

Ipse dixit.

4 Replies to “Bill Gates e os media: as doações”

  1. Max,

    Não sei se é algum disparate, mas se por hipótese, e de acordo com o artigo abaixo de um conhecido bioquímico português, Miguel Castanho, nunca vier a haver uma vacina para a Covid-19?
    E se, ainda no campo da hipótese, este vírus foi manipulado para que não possa mesmo haver vacina.
    E se, sempre no campo da hipótese, foi este o objectivo? Então estamos perante aquilo que poderíamos chamar de evento transformador social a nível global, pois daqui para a frente tudo será muito diferente. A economia global iria entrar num declínio acelerado com contornos inimagináveis. O evento zero para uma nova era. Claro que isto é ficção, não é?

    https://www.mundoportugues.pt/bioquimico-alerta-que-pode-nao-haver-vacina-para-covid-19-apesar-dos-esforcos/?fbclid=IwAR09sVJ53HzAVimxoaUZY0-WqP59xpvBe_OyrSLDafgLrsLQLBzD4CvXOzk

  2. Pego no artigo deixado pelo Krowler que já deve ter percebido que a ideia é protelar, por forma a manter a situação.

    O discurso do sr. Castanho pertence à cartilha proferida pelo secretário da saúde do regime da Inglaterra que afirma algo idêntico:

    https://www.youtube.com/watch?v=NZq7l7PIILg&feature=youtu.be&t=565

    Com o desmoronar do corrupto sistema económico e financeiro neoliberal, criado e controlado pelo regime inglês, e o princípio do fim do império Atlanticista diante de um novo paradigma económico, político, e social, apresentado pela Federação da Rússia (FR) e a República Popular da China (RPC), que conta com o apoio e adesão de Estados-Nações em desenvolvimento e dos países de Terceiro Mundo, a Inglaterra e a união europeia (ue) só terão uma maneira de manter o seu corrupto sistema que passa pela implementação de uma ditadura neoliberal, nem que para isso tenham de sacrificar e destruir a estuctura dos Estados, as Liberdades Civis, a política, a sociedade, e a económica, assim como o bem-estar e dignidade de milhões de cidadãos Europeus.

    Mas não vamos fazer disto uma inevitabilidade e resignar, nós cidadãos temos que começar a enfrentar esta situação usando os mecanismo legais ao nosso alcance, divulgando informação, e actuando nas ruas em forma de desobediência civil e pacífica.

    Em Portugal, os últimos avanços do regime contra os cidadãos Portugueses através das medidas que foram impostas e outras que estão a surgir sem qualquer fundamento como as anteriores, ditadas pelo governo e a presidência, com a conivência dos partidos que se encontram Assembleia da República (AR), representam um perigo para República, as Liberdades Civis, e o Estado de Direito Democrático.

    Do outro lado do Mundo, por incrível que pareça os cidadãos norte-americanos saem às ruas em protesto contra as infundadas medidas de confinamento, distanciamento social, ou o uso obrigatório de máscaras, e o Presidente Trump voltou a dar uma catanada na agenda do Estado Profundo (Deep State pela sua sigla em inglês):

    – «…Well I feel about vaccines like I feel about tests, this is gonna go away without a vaccine…»

Obrigado por participar na discussão!

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