Distracção das massas: as raízes – Parte II

Antes de analisar como as técnicas de desinformação podem destruir a realidade, é necessário estabelecer qual seja a realidade, o melhor: o que é a realidade. Ludwig Wittgenstein, um neopositivista lógico hebraico, afirmava que “o mundo é tudo o que acontece”. Uma definição correcta em termos absolutos, mas redutora porque desligada do que acontece no nosso sistema. Aqui, a realidade é aquela que os órgãos de comunicação deixam transparecer de forma a manipular a opinião pública. Uma opinião manipulada exclusivamente para conduzi-la até uma Nova Ordem Mundial? Para satisfazer os desejos dos Illuminati? Não necessariamente.

Na verdade, a opinião pública é fundamental para a estabilidade de um sistema, qualquer sistema. Portanto, no nosso, a estabilidade é obtida com o bombardeio dos media. Para manter a estabilidade, na actual configuração político-económica, a opinião pública deve estar virada para o que é funcional ao sistema e não aprender a verdade (“aquilo que acontece”, como diria Wittgenstein). Isso faz com que o poder dos media seja consideravelmente importante. O controle por parte do poder ocorre hoje nas nossas casas, através da televisão ou da Internet; a manipulação da informação é cada vez mais sistemática, concebida para ser eficaz e permanecer escondida aos olhos dos cidadãos. As agências internacionais que fornecem as notícias são apoiadas por agências de propaganda que planeiam não apenas o que divulgar, mas acima de tudo “como” fornecer as informações. A quantidade das notícias é reduzida, reduzida ou manipulada para manter a estabilidade de um sistema. Ou, se for precisos, para subvertê-lo no caso de sistemas não nossos (vejam-se as várias “revoluções coloridas” eclodidas ao redor do mundo).

Tudo isso faz sentido porque o ser humano cria representações dos factos que são um modelo de realidade e toda a representação, para poder ser representada, deve ter em comum com a realidade a forma lógica. Portanto, a lógica é a forma da realidade. O que significa isso? Na verdade significa algo bastante simples: quanto mais os media determinam os factos, tanto mais a nossa visão do mundo é determinada pelos media. O que os media fazem é também fornecer a estrutura lógica dos factos e, portanto, é razoável dizer que o mundo é tudo o que acontece nos media.

Um exemplo banal: a frase “A Rússia é má”. Se for má, a Rússia deverá fazer coisas más, caso contrário a afirmação “A Rússia é má” não teria lógica nenhuma. Eis portanto que os órgãos de informação passam a seleccionar as notícias (transformando-as se for o caso) para que a nossa visão da Rússia seja má. A Rússia que faz coisas más (verdadeiras ou falsas que sejam) tem uma correspondência lógica com a afirmação de que “A Rússia é má”: e é exactamente isso que se torna realidade aos nossos olhos, porque aparentemente lógico.

A consequência óbvia dessa afirmação é que, para modificar a nossa visão de mundo, é suficiente modificar a forma lógica na qual o mundo é descrito através dos media. Isso significa que, sempre através dos media, não somente informações falsas podem ser disseminadas, mas também e sobretudo são espalhadas ferramentas para construir ou modificar a visão do mundo.

A poderosa e omnipresente informação dos media de hoje, que cancelou as distâncias e quase apagou os tempos de divulgação das notícias, serve, como é evidente, como uma caixa de ressonância, ouvida em todo o mundo, que distribui e amplifica e as posições do establishment dominante, sufocando, de facto, qualquer informação “descontrolada”.

Como? Duma forma simples e experimentada: apresentar continuamente uma série de notícias que trazem à luz todos os tipos de informações, úteis e inúteis. Desta forma, cria-se uma espécie de ininterrupto ruído de fundo capaz de esconder a informação real e importante, acessível apenas àqueles que têm a chave para descodifica-la.

John Swinton, editor-chefe do New York Times, pronunciou estas palavras no banquete em sua homenagem, em 1914:

Que loucura fazer um brinde à imprensa independente! Todos os presentes aqui esta noite sabem que a imprensa independente não existe. Vocês sabem disso e eu sei: não há ninguém entre vocês que se atreva a publicar as suas verdadeiras opiniões e, se o fizessem, vocês sabem já que nunca seriam publicadas. Eu sou pago 250 Dólares por semana para manter as minhas verdadeiras opiniões fora do jornal para o qual trabalho.

Outros entre nós recebem a mesma soma por um trabalho semelhante. Se autorizasse a publicação de uma opinião honesta em qualquer número do meu jornal, eu perderia o meu emprego em menos de 24 horas […]. A função de um jornalista é destruir a Verdade, mentir radicalmente, perverter, humilhar, rastejar aos pés de Mamon e vender-se, vender o seu país e o seu povo para o pão de cada dia ou, mas a coisa não muda, pelo seu salário. Vocês sabem isso e eu também, que loucura fazer um brinde à imprensa independente! Nós somos as ferramentas e os vassalos de homens ricos que governam nos bastidores. Nós somos os seus fantoches; eles puxam as suas cordas e nós dançamos. O nosso tempo, os nossos talentos, as nossas possibilidades e as nossas vidas são de propriedade desses homens. Somos prostitutas intelectuais.

É superficial, no entanto, pensar que a desinformação consista simplesmente em fornecer “informação incompleta”; pode manifestar-se, por exemplo, sabotando sistematicamente o modo de transmissão e o modo como a mensagem é recebida, até o ponto de controlar como ela será processada. Neste último caso, o terreno está a ser preparado com o fornecimento de ferramentas para interpretar a informação de maneira deformada: formas erróneas de raciocínio, aquelas que são definidas como “sofismas” na retórica.

É principalmente por essa razão que as várias formas de sofisma, pontualmente ensinadas durante séculos nas universidades como parte integrante da lógica e da retórica, quase desapareceram, mesmo na altura em que a extensão e disseminação dos canais de persuasão aumentaram enormemente.

O maior dano causado pelas formas erradas de raciocínio não está tanto na capacidade de induzir ao erro que recebe uma mensagem destas, mas em levar as pessoas a pensar de uma maneira distorcida. Isso significa criar dispositivos que permitam ao público desenvolver desinformação independentemente. Nesta altura, não haverá mais a necessidade de produzir desinformação em grandes quantidades, serão as próprias pessoas que irão gerá-la e reproduzi-la.

 

A desinformação

Precisamos multiplicar as ideias para que não haja guardiões suficientes para controlá-las.
Stanislaw Lec

Imaginemos que os ataques de 11 de Setembro de 2001 tenham sido uma operação false flag, um pretexto para executar um programa de longa data, contido num documento intitulado Rebuilding America’s Defenses (“Reconstruindo as Defesas da América”), publicado pela organização chamada Project for the New American Century (“Projecto para o Novo Século Americano”), conhecida pela sigla PNAC e formada, entre outros, por Jeb Bush (segundo filho do antigo Presidente George H. W. Bush), Dick Cheney, Steve Forbes, os antigos vice-Presidentes Aaron Friedberg e Dan Quayle, Donald Rumsfeld(antigo Vice-Presidente), Paul Wolfowitz (10º Presidente do Banco Mundial). estas pessoas:

Imaginemos que, apesar da propaganda para a entrada em guerra e dos cépticos serem apontados como antipatrióticos, há alguém que duvida dos ataques.

Imaginemos que, para manter o terror em todo o País e, ao mesmo tempo, desencorajar o início de perigosas comissões de investigação, comece a circular o alarme do antraz.

Imaginemos que o único verdadeiro inimigo potencial da aliança Bush-Pentágono-CIA seja o Senado dos Estados Unidos, devido aos seus poderes de investigação e que o senador Tom Daschle, líder da maioria democrática, seja um dos poucos homens capazes de criar uma comissão de inquérito.

Imaginamos que a análise da sequência de antraz demonstre que esta foi produzido por laboratórios militares norte-americanos e que a Universidade da Califórnia, numa análise meticulosa, mostre que a fonte do antraz não é senão um programa do governo dos próprios Estados Unidos.

Imaginemos que nos Estados Unidos haja apenas uma pessoa capaz de ter acesso a essa tipologia específica de antraz, um tal Dr. Hatfill que, naturalmente, teria trabalhado extensivamente com a CIA e teria sido uma das poucas pessoas nos Estados Unidos capaz de manipular os esporos do antraz.

Imaginemos que, após uma rápida análise da situação, cheguemos à conclusão de que a difusão de notícias sobre os biólogos envolvidos no “alarme do antraz”, como culpados ou potenciais descobridores de culpados, será imparável e que uma cobertura total deve ser criada com a desinformação.

Imaginemos, portanto, que os biólogos implicados no “alarme do antraz”, pelo menos 15, morram em condições “estranhas” entre 2002 e 2003 e que, para o Dr. Hatfill, chegamos a supor uma “solução do tipo Lee Oswald” (entretanto não necessária: o novo e único culpado é.Bruce Edwards Ivins, morto num “suicídio” que não mereceu autopsia).

Imaginemos, finalmente, que o “alarme do antraz” se torne um negócio incrível para a indústria farmacêutica e que a única empresa com licença para produzir a vacina seja uma certa BioPort Inc., que operando no até então inexistente mercado para a vacinação em massa contra o antraz e liderado pelo fundo de investimento Carlyle Group, um grupo que lida com os interesses conjuntos das famílias Bush e Bin Laden.

Esta é a nossa imaginação. Agora vamos ver a versão oficial segundo a prestigiada Wikipedia:

Os ataques com carbúnculo nos EUA em 2001 consistiram numa sequência de envelopes contaminados com o carbúnculo (antraz, às vezes erroneamente denominado antrax) nos Estados Unidos. Cinco pessoas morreram. O início do envio foi uma semana após os ataques de 11 de Setembro de 2001. O caso permanece sem solução, embora saiba-se que a bactéria foi manipulada por um cientista americano. Em meados de 2008, o FBI estreitou seu foco para Edwards Bruce Ivins, um cientista que trabalhou em laboratórios do governo de biodefesa. Ivins teria sido informado acerca de iminente indiciamento e morreu de uma overdose de “Tylenol com Codeína,” o que foi relatado como um suicídio em 1 de agosto de 2008.

Os ataques ocorreram em duas ondas. A primeira série de cartas tinham um selo postal de Trenton, Nova Jersey, datado de 18 de setembro de 2001, exactamente uma semana após os Atentados do 11 de setembro de 2001. Acha-se que cinco cartas tinham sido enviadas, até esse momento, a ABC News, CBS News, NBC News e o New York Post, todos localizados em Nova York; e ao National Enquirer em Boca Rato (Flórida). Outras duas cartas com o mesmo selo de Trenton estavam datadas de 9 de outubro, três semanas após o primeiro envio. As cartas estavam dirigidas a dois senadores democratas: Tom Daschle de Dakota do Sul e Patrick Leahy de Vermont. Daschle era, então, o líder da maioria do Senado e Leahy, o Presidente do Comité judicial do Senado. Mais potente que as primeiras cartas, o material nas cartas do Senado era um pó seco altamente refinado que consistia em ao redor de um grama de esporas quase puras. O processo foi posteriormente arquivado antes da conclusão das investigações.

Pelo que: nada se sabe e afinal o que importa? O principal suspeito foi suicidado. E, se é possível modificar o presente, é igualmente possível modificar o passado. Na construção do engano, avança-se para trás, partindo do objectivo final que é a ilusão. A ilusão, no entanto, não é o objectivo final do planeador do engano mas apenas a sua estratégia.

A questão da ilusão é deveras importante e foi tratada várias vezes neste blog ao falar do papel da assim chamada “informação alternativa”. Neste caso, a ilusão é aquela de existir um espaço na internet onde seja realmente possível fazer circular notícias verdadeiras, que este espaço esteja “descontrolado” e que isso possa combater de alguma forma o poder. Na verdade, nada disso é real: a informação alternativa é parte integrante daquele “ruído de fundo” acerca do qual se falava antes. Aliás, a proliferação de diferentes versões acerca dum facto tem o efeito oposto: o público, desorientado pela falta de homogeneidade da massa informativa à disposição, volta para aquelas fontes que, ao contrário, fornecem em coro uma versão unívoca. E estas fontes são os media mainstream.

Por esta razão, é irónico realçar como o mundo da informação alternativa, com as milhares de opiniões contrastantes, seja por sua vez uma fábrica desinformação, mesmo ao publicar notícias verdadeiras.

Depois desta desinformação há outra, criada por diferentes objectivos. Mesmo nestes meses prolifera a teoria da Terra Plana. Mas antes da Terra Plana tinha havido Nibiru, um cometa do qual não lembro o nome, o fim do mundo em 2012… Alguma vez perguntaram-se a razão destas vagas de idiotice periódica? A razão é diferente da anterior: neste caso a desinformação é espalhada sob forma de psy-op (do Inglês psychological warfare), um conjunto de várias técnicas usadas para influenciar sem uso da força os valores, as crenças, as moções, o raciocínio ou comportamento das pessoas visando objectivos estratégicos policiais, políticos ou até de guerra. Desta forma, são canalizadas de forma inócua as energias que, ao contrário, poderiam ser utilizadas para objectivos incómodos.

Inútil acrescentar que estas psy-op encontram na internet um terreno particularmente fértil e que são por sua vez utilizadas por indivíduos que pretendem lucrar com isso (por exemplo com a publicação de livros), num círculo vicioso capaz de auto-alimentar-se até a próxima idiotice (e depois da Terra Plana, sinceramente, não sei mesmo o que poderão inventar).

Obviamente, a guerra psicológica é utilizada pelos vários exércitos do mundo contra inimigos há séculos e de várias formas: no sexto século a.C., o grego Bias de Priene resistiu com sucesso ao cerco do rei da Lídia, Aliates, engordando um casal de mulas e expulsando-as da cidade sitiada para dar a impressão de que os cercados tivessem abundância de recursos. Mas seria ingénuo pensar que um sistema complexo como o nosso não possa recorrer a estas soluções contra os seus próprios cidadãos para a manutenção da ordem estabelecida…

 

Ipse dixit.

Relacionado: Distracção das massas: as raízes – Parte I

Fonte: La Teoria del Complotto

14 Replies to “Distracção das massas: as raízes – Parte II”

  1. Um Inside Job obvio(bom exemplo), mas com todos os factores mencionados nesta e na 1ª parte, cria-se apoio da maioria, mesmo que nem seja, é o que trespassa pelos mesmos meios habituais e começa mais um show degradante. Propaganda, persuasão e desinformação.

    N

  2. O artigo está exaustivo e quase perfeito, e digo “quase” porque a teoria avançada de que:

    ” a teoria da Terra Plana… Nibiru, um cometa..o fim do mundo em 2012… é espalhada sob forma de psy-op …para influenciar sem uso da força os valores, as crenças, as moções, o raciocínio ou comportamento das pessoas visando objectivos estratégicos policiais, políticos ou até de guerra. Desta forma, são canalizadas de forma inócua as energias que, ao contrário, poderiam ser utilizadas para objectivos incómodos.

    Meu caro, esta é uma teoria da conspiração para justificar outras teorias da conspiração. De que forma se demonstra em termos inteligíveis 1) a canalização de energia das massas que de outra forma 2) poderia ser incomoda para as elites no poder?
    A observação era perfeitamente desnecessária no artigo, não traz nenhum valor acrescentado e não parece fundamentada com exemplos. O blogueiro é um bom blogueiro… não havia necessidade.
    Se uma teoria está flagrantemente errada .. é errado perder tempo com ela nem que seja para a criticar, essa critica vai ser usado pelo alvo como um estimulo e assim se tornam ainda mais aguerridos … e perpetuam o ciclo.
    Mas já esperava este tipo de atitude porque se começa a tornar recorrente, é algo que me desagrada e que não estava na génese do blog. A busca pelo conhecimento é um caminho espiritual , “atirar pedras a Nibiro”, terraplana & associados não é espiritual ok.

    1. É, ao estar a dar ImportancIa a coisas mirabolantes está se a alimentar algo que deve ser ignorado, dar o minimo de importância a palermices (mesmo fabricadas), para quem vai nessa música obviamente contra-atacar(querem atenção e assim é, como diz o trampa boa ou má publicidade, estão a falar de mim…e o ego deve estar nas nuvens) e com explicações cada vez mais delirantes explicar algo que um piloto de aviões ou navios ri mas disso está o youtube cheio, tontos que pensam que tudo sabem e vendem o produto e livros.

      N

      1. Meu caro Nuno , existem pessoas até bem intencionadas e curiosas que podem ser vitimas de desinformação que ao serem rotuladas de palermas tem uma tendência natural a contrariar esse slogan e tudo e todos o que o declaram ( todos nós temos esse instinto) , e acabamos por fabricar mais uma guerra quando o verdadeiro e nobre objetivo seria acabar com as guerras que nos separam da informação … insultar quem tem ideias diferentes, por mais erradas que nos pareçam não me parece um bom caminho. Por outro lado e por esse prisma para quem tem mais e mais solida informação também nós seremos uns palermas … Que tal ? Como te sentes na pele de um palerma ? EH EH EH EH

        1. Alto não insulto, nem me atrevo a tal e concordo contigo P.Lopes em grande parte são vitimas de desinformação.
          Acho é que praticamente na entrada da terceira década é pura propaganda, mais ainda psyops inventadas a ver como ou qual era será, seria ou foi o resultado.

          Cômico é a Cambridge analylica (defunta mas existem outras a fazer o mesmo) com convenio do tal de Facebook e outros amigos… alterarem resultados nos USA, UK, e muitos mais…aliás começou em Trinidad e Tobago.
          Isto é guerra hibrida cada pessoa no seu aparelho e são muitos criam e criam-lhes a sua realidade. Por incrível que pareça e por pouco isentas que sejam(quando convêm) ainda temos agencias de informação e outros meios jornais(a tentar sobreviver).

          Peço desculpa se foi off topic

          O que é a realidade?

          https://5movies.to/movie/the-great-hack-97317/
          https://tugaflix.pink/filme?id=1013605

          Abraço

          N

    2. Olá Nuno, olá P.Lopes!

      Ao ler os Vossos comentários, parece que o blog está a tratar dum fenómeno limitado a uma restrita faixa de população. Mas assim não é. Estas “palermices” conseguem no Youtube:

      Is Earth Actually Flat? (A Terra é mesmo plana?) = 27 milhões de visualizações
      Nibiru 2032 – The end of the World HD XD (Nibiru 2032 – O fim do mundo) = 25 milhões
      Proving the Illuminati is real (A prova que os Illuminati existem) = 31 milhões

      Agora procurem, sempre no Youtube, termos como “Disinformation” (Desinformação) ou um outro assunto (tratado de forma séria, obviamente) mais ligado à verdadeira condição da nossa sociedade. Na maior parte dos casos teremos um total de visualizações de algumas centenas de milhares ou pouco mais; nas melhores das hipóteses 2, 3 ou 4 milhões de visualizações.

      A ideia de que este blog esteja a dedicar demasiado tempo a este tipo de assunto está errada: este blog dedica muito pouco tempo a temas que interessam e atraem dezenas de milhões de usuário na internet. Não é minha intenção dedicar-lhes mais tempo só porque tenho um interesse limitado nestas coisas (e porque o blog se tornaria um campo de batalha), mas ignora-las de todo significa ignorar uma componente muito significativa do mundo digital (que é o lugar onde estamos neste preciso momento).

      Ao descrever estes assuntos como psy-op até tentei ser “bom”, porque a única alternativa é reconhecer que tais temas surgem de forma natural, então que uma boa fatia da humanidade é constituída por puros idiotas. Dado que continuo a ter uma visão relativamente positiva, prefiro acreditar que tais assuntos (e a periodicidade com a qual aparecem) não sejam “naturais” mas fruto duma programação. É esta uma teoria da conspiração? Não, é um instrumento de controle das massas (técnicas desde sempre utilizadas na História), tal como o futebol: perguntem a qualquer sociólogo qual a verdadeira função do futebol na nossa sociedade, pode ser que fiquem surpreendidos com a resposta (isso à propósito da canalização de energia das massas e de que forma esta poderia incomodar as elites no poder).

      Achar que no nosso sistema não haja um controle das massas parece-me bastante ingénuo (sem querer ofender ninguém e ainda menos Nuno e P.Lopes, que estimo e respeito), assim como pensar que um instrumento com um potencial impacto social assustador qual é internet seja deixado ao sabor do vento (isso é: apenas nas mãos dos cidadãos). Propaganda, persuasão e desinformação passam obrigatoriamente pelos media e internet é um dos media de excelência nestes tempos.

      Na minha óptica, a busca pelo conhecimento passa também pela separação do joio do trigo: evidenciar as falsas crenças que desviam de outros caminhos. Mas este é um ponto de vista pessoal.

      Deixo-Vos com o vídeo (próximo artigo) que acho ter sido o único a totalizar mais de duas dezenas de milhões de visualizações no Yuotube apesar do assunto tratado (as visualizações mostradas agora – 10 milhões – são referidas à segunda publicação, pois a primeira tinha sido apagada por Youtube).

      Paz e Bem!

      1. O papel do futebol na sociedade se visto por um economista com antecedentes em “lavandarias” é o lucro, o motor da sociedade não é o controle, é o lucro ! o controle serve para maximizar o lucro. Sobre os vídeos …também os vi, nenhum ate ao fim, não vejo fundamento, mas faço parte das estatísticas e tu também. Isso faz de nós palermas ? E somos muitos a concordar ou somos muitos simplesmente a ver ? Portanto se a estatística é um fundamento, cuidado a estatística pode ser um “cão que morde no dono”. Resumindo, reitero apenas isto . Não concordas, fundamenta apenas, chamar palerma não é fundamentação e apenas diminui a tua posição.
        Muito importante !!! JF ! Muito obrigado pelo link ” «HyperNormalisation» (2016) | Adam Curtis
        Adorei ! Adorei ! Adorei
        Grande abraço !
        E nada de ciberbulling com os terraplanistas , nibiros, illumiatis & C.ª . ok ?

        P.S. Por erro publiquei este comentário no artigo anterior

  3. Duas “notícias” de ontem feitas circular pelos mídias predominantes na terra brasilis, com igual ênfase:
    O presidente Jair Bolsonaro dirigiu-se ao atual presidente da OAB alegando que o pai do dirigente da organização dos advogados seria um desaparecido político, criminoso, e caso o referido advogado não soubesse, ele até poderia dizer o que aconteceu com o pai (este um militante da organização católica que lutava contra o golpe militar de 64)
    Em Altamira, no Pará, foram mortos 52 presidiários em função de guerras entre gangues. Trata-se do segundo em número de mortes já ocorrido em presídios brasileiros ultimamente.
    Meus caros comentaristas e blogueiro, o mundo veio abaixo referido à primeira notícia. Percorri toda mídia alternativa, toda a análise dos mídia predominante, e não encontrei UM que não se referisse à matéria de forma pungente, entre os mais irritadiços, chamando o cidadão falante de monstro!!!
    Sobre o segundo evento, nada…um único comentário!!! ( até o final da noite de ontem)
    Ao longo de 30 anos o sujeito monstro bradou alto e bom tom que ele é a favor da tortura, que seu ídolo é o cidadão Brilhante Ustra tido como o pior dos torturadores, e que ele era o terror de Dilma, que votava por seu impedimento em homenagem ao dito torturador. Durante anos, condecorou vários milicianos que haviam sido presos por crime, defendia ardorosamente a milícia e seus métodos, contratava um exército de parentes de milicianos para trabalharem supostamente como assessores na casa legislativa, tudo isso de dentro da ordem legislativa do país, e ninguém se assustou. Agora, quando louco de ódio do advogado que afrontou seu digno ministro da justiça, o maior de todos os corruptos, Sergio Moro, ele larga um pouquinho de verdade, é monstro!? Antes, era o que?
    E os 52 coitados lá, que se lixem. Não merece o sistema carcerário da terra brasilis, escancaramento, revolta e repúdio.
    E tudo continua igual, na mesma pasmaceira. Todo mundo fala…ninguém age.
    Houve um tempo em que a gente falava menos e agia mais. Já passou. Está tudo bem agora.

    1. Põe mais 4 na conta:

      https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/07/quatro-presos-envolvidos-no-massacre-no-para-morrem-durante-transferencia.shtml

      Não pensem que eu ou a Maria queremos defender bandidos, mas eram presos sob tutela do estado. Ja não bastava o massacre, agora estavam dentro de um caminhão , mesmo assim não conseguem controla-los. É a total falência do sistema penitenciário brasileiros.

      Dirão os bolsominions: ” Que bom, 60 bandidos a menos”, Mas se esquecem que toda essa raiva armazenada pelos bandidos irá ser descarregada sobre a população civil. Esquecem que uma das maiores organizações criminosas do brasil, o PCC, teve sua fundação associada ao massacre de presos no Complexo do Carandiru (1992 ) em São Paulo.

      https://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u121460.shtml

      https://www.terra.com.br/noticias/infograficos/carandiru/

  4. é preciso salientar que neste momento as coisas deram um salto qualitativo, e já estão a manipular as mentes directamente atravez das micro-ondas, 5G mkutima cartada?

    1. A resposta está em parte acima e até é da Netflix, deve ter ido para lixo ou outra pasta. Não consegui legendado, mas explica parte do presente.

      N

      1. Olá N!

        O problema é de WordPress: quando detecta dois links num só comentário, automaticamente desloca este para a pasta “Pendentes” à espera de ser analisado. Isso porque as mensagens de spam costumam ter vários links ao mesmo tempo. Quando passo por aqui espreito sempre a tal pasta, portanto o comentário não fica perdido, só à espera de ser publicado.

        Fui!

Obrigado por participar na discussão!

%d bloggers like this: