Falando com o amigo Gilson acerca do biodiesel brasileiro (voltaremos a fala do assunto cedo ou tarde), lembrei dum artigo que tinha lido há bem pouco tempo.
O tema é: os carros electrícos.
Os automobilistas do Velho Continente, tal como os Norte-Americanos, já sabem: o futuro, segundo as grandes marcas construtoras de viaturas, é eléctrico.
E na prática não há uma casa automobilística hoje que não tenha no meio dos projectos um modelo híbrido (motor a gasolina acoplado com a um motor eléctrico); alguns já estão à venda, enquanto para os eléctricos “puros” (movidos exclusivamente com o motor eléctrico) será preciso esperar ainda poucas semanas.
Os próximos carros 100% eléctricos terão dois defeito: o preço e a autonomia.
No primeiro caso, os valores anunciados já são ridículos (o já citado Nissan consegue percorrer 160 quilómetros, depois pára), mas na utilização quotidiana são destinados a diminuir ulteriormente.
No segundo caso, um carro horrível como o Nissan Leaf custará 35 mil Euros: quanto um BMW Série 3 a gasolina, mais mais caro (de 2.000 Euros) dum Mazda 6 Turbodiesel.
Mas sabemos como é: estamos a falar de high tech, tecnologia de ponta, expressões máximas da engenharia do século XXI.
O carro à direita é um Model 1316 da Woods Electric, construído em 1912: a velocidade máxima era pouca coisa, 33 km/h, e a autonomia era de 160 km.
O Nissan Leaf atinge os 160 km/h de velocidade, nada mal.
Pena que nestas condições a autonomia fique extremamente reduzida.
E quanto seria a dita autonomia em condições oprimais?
160 quilómetros, o mesmo valor do Model 1316 de 1912.
Em quase 100 anos de evolução, a industria automobilística conseguiu a mesma autonomia dum carro de 1912.
E que dizer dos tão publicitados híbridos, jóias das coroas dos maiores produtores de carro?
À esquerda o Lohner-Porsche Mixte Hybri, construído entre 1900 e 1905.
Desenvolvido por Ferdinand Porsche, funcionava com um motor eléctrico e um motor a gasolina, atingindo a velocidade máxima de 60 km/h. E tinha tracção integral.
Não era bonito? Não, não era. Porque, o Leaf é bonito?
A verdade é que entre o fim do século XIX e o inicio do XX (até os anos ’30), era muito comum ver veículos eléctricos nas ruas, tanto comum quanto ver um carro a gasolina. Aliás: os carros eléctricos eram os mais vendidos.
E a razão era simples: a operacionalidade dos veículos movidos com energia eléctrica era simples (não eram necessárias mudanças), limpa e não barulhenta e a manutenção era reduzida pois não existem radiadores, óleo ou a vela de ignição.
Na altura a industria ainda não tinha decidido em qual dos dois tipos de propulsão apostar e os veículos eléctricos estavam no mesmo patamar dos a gasolina enquanto prestações.
O primeiro carro a ultrapassar a barreira dos 100 km/h, por exemplo, foi um carro eléctrico (La Jamais Contente, em 1899).
Entre 1910 e 1924 era oferecido um serviço de troca da bateria, praticado pela Hartford Electric Light Company para camiões eléctricos. O proprietário adquiria o veículo da General Electric Company (GVC) sem bateria, fornecida depois pela Hartford: o proprietário pagava uma taxa variável por quilometro e uma taxa de serviço mensal para a manutenção e o eventual armazenamento do camião. Ao longo de 14 anos foram mais de 6 milhões os quilómetros percorridos desta forma.
Mas, afinal, os carros movidos a gasolina acabaram por suplantar os “irmãos” eléctricos. Porquê?
Como resposta é possível fornecer alguns dados:
- em 1859 é aberto o primeiro poço petrolífero dos Estados Unidos, em Pensilvânia.
- em 1870 é fundada a primeira companhia petrolífera, a Standard Oil, de propriedade dum certo J.D.Rockfeller.
- Pouco depois, o governo dos Estados Unidos decidiu não taxar a produção de petróleo.
É preciso acrescentar mais?
Assim, o desenvolvimento do motor eléctrico parou, para favorecer o mais poluente motor de combustão interna.
E agora, passados 100 anos, as casas automobilísticas decidiram voltar a propor a mesma tecnologia obsoleta, desta vez com uma camada high-tech e, claro, preço a condizer.
Ipse dixit.




Os EUA voltaram a ter carros eléctricos em circulação desde então, anos 80 e 90. Como é óbvio o negócio de petróleo tratou bem do assunto e em 2005 tirou o ultimo carro eléctrico que continuava em circulação.
Vejam "Who killed the electric car?" para mais pormenores sobre a tecnologia e historia.
Max,
Partindo da premissa que você colocou, surgirâo usinas nucleares como cogumelos após a chuva para suprirem a fantástica demanda por eletricidade? E o rejeito nuclear, que jeito dar?
Thomas Fendel é um engenheiro alemão radicado aqui, tem algumas ideias meio que malucas. Uma delas é a produção caseira de energia elétrica a partir de motor a combustão de óleo e o excesso seria devolvido à rede. É interessante a ideia dele e pode ser vista em ENEREDE Perguntas/Respostas
http://www.fendel.com.br/
http://www.cleanmpg.com/forums/showthread.php?p=286752
cele
Outro assunto importante è a redução de consumos,por exemplo iluminação com leds nas ruas etc…
cele
Um assunto que desperta interesse. E é natural que assim seja, afinal estamos à beira duma revolução: o velho motor a gasolina será substituído por…?
O eléctrico? Pode ser.
O caso do Audi 2 (obrigado Cele!) demonstra que a tecnologia existe, pelo menos no âmbito experimental.
Mas aqui surgem outros problemas:
como referido por NunoSav, já no passado houve planos acerca de carros eléctricos que, de repente, foram feitos desaparecer.
A lobby das empresas petrolíferas é potente e não está disposta a abdicar do próprio status tão facilmente.
Além disso, lembra Gilson: e se todos os carros do mundo (é uma mera especulação, claro) funcionassem com energia eléctrica? Onde buscar todas esta energia? Nas centrais nucleares?
Isso significaria simplesmente transformar o problema: antes poluição de hidrocarbonetos, amanhã poluição radioactiva.
Quanto ao Thomas Fendel: não é nada maluco! Em Italia há já que produza energia solar em casa e o excesso é devolvido à rede eléctrica nacional. Mas tudo isso após uma extenuante batalha legal…
Voltaremos a falar do assunto, fica a promessa.
Olà max, sim a produção…
Na Itàlia existe o conto energia, pelo que sei foi bom, incentivou os privados a colocar paneis fotovoltaicos, o investimento inicial (existem financiamentos dos bancos por isso) è recuperado em alguns anos atraves da venda da mesma energia producida a um custo favoravèl,alèm disso, vc como produtor pode utilizar toda a quantidade de energia gerada, se sobrar algo ou vc consome ou vc perde essa sobra ( um absurdo, nessa parte poderia ser melhor)…
O programa tenha que acabar ese ano ( ou seja, baixariam o preço pago pela energia gerada), mas parece que vão continuar por mais tempo.
Em poucos anos a Itàlia aumentou consideravelmente a produção de energia renovàvel graças ao sol (outro assunto è o que se classifica como energia renovàvel)…
Berluskaiser quer o nuclear , ao mesmo custo podia-se colocar muitos paneis ( e se fosse nos teitos das casas dos pobres seria melhor ainda…)
Peço desculpa pela brevidade do comentàrio
Outra coisa, esqueci dizer que a dita energia verde gerou empregos e movimentou um pouco a economia…
Olà de novo,sobre iluminação com leds, um amigo meu trabalha nessa empresa (não è para fazer publicidade, juro, querendo tem outras no estilo…)
http://www.e360g.com/
Foi ele que me explicou, disse que fechou contratos com alugumas municpalidae (aonde moro são muitos vilareijos)…
Disse que ainda è meio caro mas baixa o consumo de energia atè o 70% e o investimento se recupera…
ciao
Caro Anónimo, em primeiro lugar obrigado.
A seguir: sim, conheço a situação italiana porque…sou italiano 🙂
Estava a pensar de dedicar um pouco de espaço à este assunto. Mesmo há pouco postei um comentário no blog de Gilson Sampaio e percebi que no Brasil, por exemplo, isso não pode ser feito.
Não foi à procura, mas acho que nem aqui em Portugal isso seja possível, embora não tenho a certeza disso. O que é esquisito: este País é entre os primeiros em Europa por produção energéticas a partir de fontes renováveis (eólica, solar), deveria incentivar ao máximo a exploração destes recursos ao permitir que os privados também possam vender a própria energia.
E quem foi o primeiro que conseguiu vender a própria energia à Enel? Beppe Grillo…