O Inverno grego

Ignorada pelos media, a situação na Grécia continua a ser preocupante.

Centenas de camiões cercam Atenas numa revolta contra a liberalização do sector dos transportes: bloqueada uma das principais estradas que levam à capital, depois que a polícia ter impedido uma marcha rumo à cidade.

A liberalização prevê uma redução dos custos das licenças e os transportadores reclamam que os actuais operadores, que pagaram até 300 mil € para obter uma licença, sofrerão prejuízos.

O protesto está a causar pesadas perdas para a indústria:

“A greve está a causar prejuízos incalculáveis em todos os sectores”.

Os motoristas pedem em primeiro lugar a prorrogação do período de transição de três a cinco anos.

Perante a recusa do governo, o presidente dos motoristas Tzortzatos Giorgio disse:

“Não temos nada a perder”

Mas porque a situação da Grécia é assim interessante para Portugal?
Varias razões, entre as quais o facto de Atenas poder representar uma antevisão do futuro de Lisboa e de todos os Países europeus com graves dificuldades na contenção do deficit.

Lembram do mega-pacote de ajuda (isso é, um rio de dinheiro) que a União Europeia concedeu perante a grave situação grega?
Bom, podem esquecer, pois o futuro será bem pior: nada de dinheiro mas uma intervenção do FMI, o Fundo Monetário Internacional.
E, perante as sérias dificuldades portuguesas, já há quem fale no ingresso do FMI na gestão económica do País.

Grécia: piora a recessão, no segundo trimestre o PIB a -3,7%

No segundo trimestre de 2010, o PIB grego caiu 3,7% com base anual, mais do que o esperado de acordo com o departamento nacional de estatística.

Comparada com o trimestre anterior a queda foi de 1, 8%.

As estimativas iniciais apontavam para de 3,5% com base anual e de 1,5% face aos três meses anteriores.

O agravamento da situação deve-se a um colapso do consumo que caiu 5,1% e aos investimentos em fixed assets que diminuíram 18,6%.

Recentemente, o ministro das Finanças, George Papaconstantinou, disse acreditar numa recessão em 2010 inferior ao esperado, isso é, abaixo 4%.

Na verdade, poderíamos acrescentar, era bastante previsível uma queda nos consumos.

Não é preciso ser economistas para entender que:

– com o aumento dos impostos (ao cuidado do FMI e da UE)
– com os serviços públicos que diminuem
– com o abrandamento da economia

as pessoas de um estado qualquer têm menos dinheiro no bolso.

E se uma pessoa tem menos dinheiro no bolso, compra menos coisas. O que reduz as receitas fiscais, como o IVA, mas sobretudo com menos compras a maioria das empresas venderão menos, deverão baixar os preços ou reduzir o pessoal, e … etc etc etc

A clássica trajectória da depressão

Resumindo: a cura do FMI começa a fazer efeito…

Ouro, novo recorde

Entretanto, o anúncio de novos quantitative easing contribuem para que o ouro atingia cotações cada vez mais elevadas. O preço do metal precioso tem estabelecido um novo recorde: 1.283 dólares a onça.

Não é uma surpresa pois o exótico termo quantitaive easing indica uma realidade mais prosaica: o Banco Central imprime notas. E quando no mercado há mais notas, cada nota vale menos.
Então que fazem as pessoas? Deixam de acumular notas e compram ouro, que vale bem mais.

Mas esta é outra história.

Ipse dixit.

Fonte: Informazione Scorretta

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