Guy R. McPherson é professor emérito de Recursos Naturais e de Ecologia & Biologia Evolutiva da University of Arizona, publicou 9 livros, artigos em todos os principais diários e revistas científicas americanas e tem um curriculum que nunca acaba.
E não é propriamente um optimista.
Ou seja, esta é a impressão com a qual ficamos após ter lido o seu artigo.
Que, para ser mais precisos, gostamos mas até um certo ponto.
Nota: lembramos que as opiniões expressas no artigo são do Autor e podem não coincidir com as de Informação Incorreta.
Equilíbrio precárioA economia industrial. Á beira do abismo outra vez.
A economia real, não a renascida exuberância renascer das Bolsa de Valores, está prestes a parar agora que estão a esgotar-se os efeitos do dinheiro fácil. De facto, os fluxos dos capitais dos investidores nunca foram tão baixos desde o colapso do Lehman Brothers, no Outono de 2008. O FMI diz que os riscos para a economia mundial são elevados, e os gestores não sabem o que fazer para exorcizar o demónio.
Claro que, se os accionistas tivessem tido conhecimento de qual era a natureza terrível da AIG [a maior empresa seguradora dos Estados Unidos, resgatada em 2008 com uma intervenção do governo de 85 bilhões de Dólares, NDT], por exemplo, a economia teria entrado em colapso há muito tempo. Felizmente, os americanos preferem os presidentes e os candidatos presidenciais que mentem sobre empresas como a AIG (e, pelo que entendi, sobre tudo o resto).
Mas voltando a falar da suposta retoma. Corre mal e o pior ainda está para vir. O Wall Street Journal afirma que o colapso vai acontecer em 2011. A CNBC recomenda comprar arame farpado logo que seja visível o ponto final da desvalorização. Outros preferem um termo diferente: a próxima etapa, também conhecida como beco sem saída. Se você faz parte da família real saudita: Bem-vindo ao blog, por favor deixe um comentário e, entre as outras coisas, é hora de sair antes que a apocalipse atinja o reino.
Para os imperialistas, que fazer, que fazer? Agora que a abordagem keynesiana teve o seu curso, Obama decidiu reabrir a perfuração offshore numa frágil tentativa de ir em frente com o jogo. E nós certamente teremos que utilizar mais ajudas económicas, mesmo após ter passado o ponto de saturação da dívida: cada dólar federal de dívida subtrai 45 cêntimos ao PIB.
Se acham difícil digerir o facto de que a economia pode passar de uma aparente recuperação para o desastre em poucos anos, lembrem do que pensava a maioria das pessoas em 1930: eles também achavam que o pior já tivesse ficado atrás. E hoje a situação parece a de 1930.
Até os Americanos que nunca estavam interessados em economia agora começam a ficar enervados, parecem nem terem vontade para ver a televisão. Mas também as vozes da televisão, geralmente reconfortantes, agora falam do derrame no Golfo[do México,NDT] que está a piorar dia após dia, com implicações económicas afectarão a costa ao longo da de décadas. Estima-se que a perda da BP seja da ordem de 100.000 barris por dia, e não de 70 mil barris, como afirmado pela BP: uma estimativa que continua a crescer, uma perda que definitivamente ultrapassa as estimativas dos cientistas marinhos ultra-conservadores.
Mas mesmo estes últimos concordam sobre a existência de uma nuvem submarina. Certamente não considero “cientistas” os que trabalham para a administração Obama: renunciaram ao próprio cartão de integridade quando ao começar a mentir em nome do sucesso político. A nova tarefa deles é ocultar os factos, não releva-los.
Apesar das tentativas contínuas de colocar tudo em silêncio, emergiram semelhanças surpreendentes entre o colapso financeiro de 2008-2009 e o desastre do Golfo. Entre as outras características podemos citar o facto de que a BP está a repetir os passos dos grandes bancos, ajudadas por Obama, com o fim de silenciar a verdade. Não surpreendentemente o CEO da BP, Tony Hayward, montou um “greatest hits” de citações que poderia agradar só a mãe dum político.
O analista do âmbito energético Matt Simmons espera a falência da BP no prazo de um mês. Seria uma saída para evitar o pagamento dos danos. Na minha opinião, a melhor abordagem seria um resgate em grande escala por parte do cidadão comum. Esta hipótese já está a avançar no Congresso, embora o líder republicano John Boehner esteja agora a recuar após ter sido ele a propor a ideia há algum tempo.
A notícia surpreendentemente boa, só para manter-nos bom por uns tempos, é que a BP tem finalmente publicado uma lista de toxinas presentes nos solventes. Mas após ter visto a lista, não estou realmente feliz.
Finalmente, um artigo da corrente do pensamento dominante afirma que talvez devêssemos repensar nosso estilo de vida repleto de petróleo. A extracção do petróleo ameaça o nosso futuro, até a BBC estabeleceu isso. Tudo isso será suficiente para nos fazer abandonar este excremento do diabo? Certamente não se Barack Obama ou os políticos em Louisiana poderão ir em frente.
Nota: lembramos as opiniões expressas no artigo são do Autor e podem não coincidir com as de Informação Incorreta.
Gostamos até um certo ponto porque? Bom, o artigo contem algumas coisas interessantes, sem dúvida: a economia real à beira duma nova recessão, a atitude ambígua do presidente dos EUA, a da BP, o paralelismo com a Grande Depressão…tudo verdadeiro. Mas…
Mas não gostamos do tom, ao estilo “fim do mundo”.
Informação Incorrecta também realça a cada dia quanto de falso exista na comunicação social. Também nós alertamos para o facto que uma nova recessão parece aproximar-se e que a economia, assim como está, não pode funcionar de forma correcta e transparente. Também nós seguimos com preocupação crítica os acontecimentos da maré negra do Golfo do México e sabemos quanto feia tenha sido até agora a atitude da BP e quanto ambígua a de Barack Obama.
Mas Informação Incorrecta tem uma função informativa, não institucionalmente didáctica. Como tem, por exemplo, um emérito professor universitário.
Isso não significa que um professor não possa ter o direito de criticar. Claro que tem.
Mas uma pessoa com um curriculum deste tipo, isso é, uma pessoa na posse dos conhecimentos que supostamente tem; com a visibilidade da qual goza; com os acessos a estâncias normalmente fechadas para os comuns mortais mas abertas para académicos do nível de Guy McPherson; bem, uma pessoa assim deveria ir além disso em vez que limitar-se a dizer “isso não funciona, isso não presta, é tudo inútil”.
Internet está cheia de sites e blog que divulgam este conceito, em formas mais ou menos coloridas.
O que falta é propor soluções.
Esta é altura certa para quem empregou a própria vida na construção dum profundo conhecimento científico no âmbito da ecologia e dos recursos naturais. Este é o momento para propor soluções.
E, neste caso, com a certeza de que Informação Incorrecta estaria na primeira linha para divulgar a suas ideias.
Não é tudo inútil. O que é preciso é encontrar a direcção certa.
É difícil, mas é possível.
Ámen.
Ipse dixit.
Fonte: Nature Bats Last


