O sistema é sempre o mesmo.
Chega uma boa notícia (uma única boa notícia), as agências começam a corrida para ver quem grita mais forte, a seguir é a festa na aldeia.
Ninguém, mas mesmo ninguém pára um segundo para explicar o que está atrás da notícia.
Mas isso não interessa, pois já sabemos que “o pior já passou”, não é?
A notícia:
Fechado com claro sinal positivo o mercado de Wall Street que sobe mais de dois pontos percentuais. Para incentivar a aquisição foi determinante o dato positivo acerca dos compromissos para a compra de casas, que subiu 6% em Abril face ao mês anterior a uma quota de 110,9 pontos. Este é o nível mais alto desde Outubro, enquanto o aumento anual foi de 22,4%. As expectativas dos analistas eram de um aumento de 5% no mês. (Il Sole 24 Ore)
Ninguém explica a razão deste aumento. E a razão é simples: no dia 31 de Maio acabava o prazo para usufruir do incentivo governamental de 8.000 dólares (não miudezas) na compra duma casa.
Como o 31 de Maio era o limite para assinar o compromisso, é provável que também no mês de Junho haja dados positivos (começam os primeiros trabalhos).
Mas quantos destes compromissos não serão respeitados?
Nenhuma publicidade, olha o caso, perante outra notícia, sempre de hoje:
Os avisos de despedimento em Maio, nos EUA, cresceram em relação ao mês anterior, com 38.310 avisos contra os 38.326 de Abril. O anúncio foi feito pela agência de trabalho Challenger, Gray and Christmas. Em particular, o sector público foi o mais atingido, com 16.697 despedimentos. (Asca)
38.310 pessoas despedidas num só mês.
Nenhuma publicidade também para o facto de Portugal ter vendido hoje os próprios títulos de Estado por um total de 560 milhões de euros. Vendidos com rendimentos 4 vezes superiores aos últimos!
E para voltar aos Estados Unidos:
… Mas os pedidos de empréstimos para comprar casas caíram na semana passada para a quarta semana consecutiva, atingindo o valor mínimo dos últimos 13 anos, afirmou a Mortgage Bankers Association. (Reuters)
Resumindo: num só dia aprendemos que aumentam as pessoas que prometem comprar uma casa enquanto 38 mil perdem o trabalho e os pedidos de empréstimo atingem o valor mais baixo dos últimos 13 anos.
Sem não é retoma esta…
Ipse dixit.
Fontes: Il Grande Bluff, Il Sole 24 Ore, Asca, Reuters


