Vacina, as reacções adversas (até 23 de Janeiro de 2021)

Podemos verificar os efeitos das vacinas? Estão disponíveis dados?

Aqui na Europa temos sorte: existe a EudraVigilance, departamento da Agência Europeia dos Medicamentos, que trata mesmo disso.

Fase 1: chegar aos dados

É suficiente:

  1. navegar até a página do European database of suspected adverse drug reaction reports (o database europeu das suspeitas reacções adversas)
  2. seleccionar o nosso âmbito (Humano ou Veterinário)
  3. seleccionar o idioma (neste caso o Português) em Base de dados europeia de notificações de reações adversas medicamentosas suspeitas
  4. entrar na pagina Acesso online a notificações de suspeitas de efeitos secundários que assim reza: “NEW! Para consultar as notificacoes de reacoes adversas para as vacinas do COVID-19, siga este link, depois clique na letra ‘C’ e siga na pagina ate “COVID-19”.
  5. seguir o link e procurar a letra “C”.
  6. que não existe.

Portanto, nada de complicado. Única falha: “notificacoes de reacoes” parece escrito por mim, mas é só um pormenor. Não temos dado nenhum, mas aos menos passamos uns tempinhos entretidos, o que, numa fase de confinamento obrigatório, é sempre agradável.

Se mesmo assim continuamos a desejar ver os dados, podemos sempre voltar atrás e experimentar outro idioma: italiano? Mesma coisa: “NEW! Per consultare i rapporti sui vaccini COVID-19, seguire questo link,”… etc. etc. Espanhol, Francês, Alemão? Idem.

Inglês? Melhor. Bem melhor. Aqui, depois do aviso do costume (“NEW! To consult the reports for COVID-19 vaccines…”), seguimos o link e algo muda: existe uma letra “C” é até é possível carregar nela. Os poderosos meios da União Europeia… Agora é só escorrer a lista de medicamentos até encontrar a vacina anti-Covid, cuja secção está dividida em duas partes, uma dedicada ao produto da Pfizer, outra ao produto da Moderna.

Tanto a primeira quanto a segunda fornecem o mesmo resultado: uma página da Oracle que avisa: “Erro – O utilizador já atingiu o número máximo de sessões permitido. Feche uma das sessões existentes antes de tentar entrar em sessão novamente”.

Em bom português, apesar de ter escolhido “Inglês”. Mas qual “utilizador”? Ah, sou eu. Então é preciso fechar as janelas da EudraVigilance eventualmente deixadas abertas no navegador (devem ter escolhido um server em promoção) e… WOW! Os dados. Aproveitamos antes que a Oracle mude de ideia…

Fase 2: ler os dados

Pegamos na vacina da Pfizer, aquela que apresenta o maior número de reacções (também tem sido a mais utilizada até agora). Os dados (que, lembramos, são limitados apenas ao continente europeu) mostram até agora um total de 16.479 acontecimentos adversos, dos quais 13.317 na faixa etária dos 18-64 anos.

O País com o maior número de acontecimentos mais adversos é a Itália (sempre em primeiro lugar, sempre os melhores!), com 4.783 casos; depois temos o Reino Unido (2.352 casos), Espanha (1.350 casos) e Alemanha (1.270 casos). Em Portugal foram relatados 582 casos (4% do total), uma miséria, deveriam ter vergonha.

Até agora foram relatadas 245 mortes no pós-vacinação. Duzentos e quarenta cinco mortes em poucos mais de um mês de campanha só na Europa? Isso promete.

Entre os eventos mais frequentemente notificados encontram-se perturbações gerais e/ou relacionadas com o local de administração (7.019 casos dos quais 3.147 graves), perturbações do sistema nervoso (4.466 casos dos quais 2.224 graves), perturbações músculo-esqueléticas e do tecido conjuntivo (3.200 casos dos quais 1.286 graves) e perturbações gastrointestinais (2.492 casos dos quais 1.247 graves).

Entre os 16.479 eventos adversos da vacina Pfizer (até 23 de Janeiro de 2021), encontram-se 86 casos de paralisia facial, dos quais 68 afectaram profissionais de saúde e 18 não profissionais de saúde.

Dois dados sobressaem: o primeiro é relativo ao facto das reacções adversas terem atingidos no 74.8% dos casos os profissionais de saúde.
O segundo dado é relativo ao sexo feminino, o mais atingido (76.1%):

Acho estes últimos não serem dados significativos pois os profissionais de saúde têm sido os primeiros a receberem a vacina, pelo que é lógico que sejam os primeiros também a relatarem um maior número de reacções adversas. E, no âmbito dos profissionais de saúde, a categoria mais numerosa é constituída pelos enfermeiros, a maioria dos quais é de sexo feminino.

Para ter dados estatisticamente significativos extrapolados do universos geral será preciso esperar as próximas semanas ou meses. Será interessante também observar a evolução da vacina da Moderna, que arrancou mais tarde e cujos dados disponíveis até agora são extremamente limitados.

Para acabar: as vacinas são perfeitamente seguras, eventuais vozes acerca de graves reacções adversas fazem parte do submundo das teorias da conspiração. E quem fala em “mortes” é um inconsciente que só quer gerar o pânico.

 

Ipse dixit.

2 Replies to “Vacina, as reacções adversas (até 23 de Janeiro de 2021)”

  1. Pelo andar da carruagem, meu lugar na fila só chega em 2022, até lá consigo estar um pouco melhor informado pra decidir como vou preencher o documento de quem se negar a tomar o santo graal.

Obrigado por participar na discussão!

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