Bioarmas e Geopolítica: o enfarte de Du Wei

Du Wei, 57 anos, de profissão Embaixador da China em israel, foi encontrado morto na sua casa perto de Tel Avive, na manhã de Domingo: só tinha entrado em serviço no País no passado mês de Fevereiro. Causa da morte: enfarte. Acontece, descanse em paz.

Onde é que Du Wei esteva antes? Esteve de serviço na Ucrânia como Embaixador plenipotenciário. Estava muito interessado numa empresa: a Biopharma do poderoso empresário Vasyl Khmelnytsky, que é também o fundador de um “parque industrial” em Bila Tesrkva. O Embaixador tinha visitado recentemente a empresa e os jornais locais falaram sobre o assunto:

Segundo Du Wei, os empresários chineses estão entusiasmados com os investimentos na Ucrânia, a produção conjunta ucrano-chinesa e o parque industrial de Bila Tserkva pode tornar-se uma plataforma para tais projectos.

O Embaixador chinês confirmou que foi a criação de parques industriais há 40 anos que se tornou a base da viragem económica na China. O Embaixador observou que estava interessado em visitar o parque industrial de Bila Tserkva para descobrir a eficácia da execução de projectos semelhantes em condições modernas.

Vasyl Khmelnytsky, como afirmado, é o dono da Biopharma onde investiu 42 milhões de Dólares: um verdadeiro génio, ao que parece, capaz de ver um mercado que estava prestes a abrir-se com anos de antecedência. No final de 2016, a Biopharma iniciou a sua terceira fase: a planta para o fraccionamento do plasma sanguíneo. Segundo Vasyl Khmelnytsky, a instalação pode produzir produtos sanguíneos como albumina e imunoglobulina para ajudar a tratar doenças provocadas pela imunodeficiência.

Agora, todas estas notícias podem parecer desligadas umas das outras: um embaixador chinês que morre em israel, um magnata ucraniano… mas vamos acrescentar uns pormenores.

Vasyl Khmelnytskyna, nascido na Rússia, em um dos principais promotores da Nova Roda da Seda, o projecto chinês acerca do qual falou em Pequim no ano de 2016:

Sempre preferimos trabalhar em parceria. Acreditamos que isso reduz os riscos e aumenta as receitas. Quase em todos os projectos, de 25% a 60% pertence aos nossos parceiros.

E a sua Biophoarma trabalha na Ucrânia, isso é, no País onde o Pentágono e a CIA produzem regularmente vírus, bactérias e toxinas mortais em violação da Convenção das Nações Unidas sobre a proibição de armas biológicas. Neste aspecto vale a pena espreitar o grande trabalho desenvolvido pela jornalista búlgara Dilyana Gaytandzhieva (por exemplo, este artigo).

Moscovo suspeita abertamente que os americanos produzam nessas fábricas (abrangidas pela imunidade diplomática e pelo segredo militar dos EUA) perto das suas fronteiras “bio-armas étnicas” destinadas a visar o ADN ou alguns receptores de específicas populações, como seria provado pelo facto desses laboratórios terem recolhido amostras de sangue de diferentes minorias étnicas na Federação Russa.

Ficção científica? Nem tanto. Como confirma o Professor Malcolm Dando, biólogo do Departamento de Estudos de Paz da Universidade de Bradford (Reino Unido), autor de livros como Neuroscience and the Future of Chemical-Biological Weapons:

O problema é que a mesma tecnologia, que está a ser desenvolvida para criar novas vacinas e encontrar curas para a doença de Alzheimer e outras doenças debilitantes, poderia também ser utilizada para fins malignos.

Um estudo da British Medical Association (BMA), Biotechnology, Weapons and Humanity II, em 2002 alertou: e a construção de armas genéticas “está a aproximar-se da realidade”. Um estudo, este, baseado na conferência internacional realizada em Montreux (Suíça) em Setembro de 2002, onde virologistas e geneticistas falaram, com razão, de armas biológicas viáveis, cujas actas podem ser consultadas neste link.

E não esquecemos o satisfeito relatório da USAF (Força Aérea dos Estados Unidos) com o título de “Próxima geração de armas biológicas: a tecnologia da engenharia genética aplicada à biovigilância e ao bioterrorismo“, onde é tratada a manipulação “à medida” que pode ser dada aos “agentes patogénicos clássicos” a fim de os tornar “capazes de uma especificidade étnica”. Um relatório de 2002…

Assim, o Embaixador chinês em Tel Avive morreu no seu leito de colapso cardiovascular, após ter conseguido recrutar a Biopharma e o seu dono bilionário para a Nova Rota da Seda e na mesma altura em os Estados Unidos exortam os israelitas a não fazer trocas comerciais nem investimentos com a China, denunciando em particular o acordo para a abertura “chinesa” do porto israelita de Haifa em 2021.

Washington quer retirar à China a capacidade de exercer influência nesta parte do Mediterrâneo? Faz sentido: a costa do Médio Oriente é estrategicamente fundamental, sendo o lugar onde a Sexta Frota da Marinha dos EUA faz muitas vezes escala para abastecer-se.

E depois há o discurso da Ucrânia e dos seus laboratórios mais ou menos secretos. Vamos espreita-los em breve.

 

Ipse dixit.

Imagem: o Embaixador Du Wei com o dono da Biopharma Vasyl Khmelnytsky em 2018 (photo Biopharma.com.ua)

3 Replies to “Bioarmas e Geopolítica: o enfarte de Du Wei”

  1. Para o caso do “enfarte” não ter mesmo sido um infeliz acontecimento fortuito… estar atento a eventos que possam constituir a exigida retaliação, que a oriental postura de “manter a face” a isso obrigará.

  2. Gostei ler, também abri link onde meu país está acusado, em criar armas biológicas com ajuda USA.
    Vi os fotos dos documentos. Num deles mencionado cidade onde estudei, e onde vive agora minha família.
    Não possoeposso tirar sensação, cque esta publicação, e publicação jornalista búlgara que mencionada no texto, são incomendados com propósito, apresentar Ucrânia e Georgia, dois países que saíram, da influência da Rússia, como aliadas do Pentágono em criação armas mortíferas.
    É uma mentira. Porque? Para criar este tipo armas, necessário ter equipamentos alto nível, investimento dezenas milhões euros. Mas, principal é fator humano, ter especialistas para isso.
    Sim, União Soviética, tinha laboratórios e especialistas, mas todos laboratórios eram situadas na Rússia, na zona, Ural e Sibéria, para evitar possibilidade fuga e infeção. Eram cidades fechadas, e bases segredos. E isso tudo depois fico lá na Rússia, onde e hoje continua existir e funcionar.
    Há um ditado popular na minha terra,
    O ladrão, sempre primeiro gritar – apanha ladrão!
    Não é difícil, verificar. Pegar nas moradas, que mencionadas nos documentos, por no Maps e descobrir, que correspondem exatamente laboratórios que pertencem Ministério de saúde, e hoje são centros para combater o COVID.

  3. Até terminar de ler o artigo dos ” Bio-laboratorios: o caso da Ucrânia ” ainda mantinha a ténue esperança de compreender porque a insinuação sobre a morte do Embaixador chinês em Tel Avive de “colapso cardiovascular”,

    “…após ter conseguido recrutar a Biopharma e o seu dono bilionário para a Nova Rota da Seda e na mesma altura em os Estados Unidos exortam os israelitas a não fazer trocas comerciais nem investimentos com a China…”

    Quer-se portanto insinuar que o Embaixador Chines foi assassinado ?
    Depois de recrutar a Biopharma ?
    Se existem tantos laboratórios como este no mundo porque é que este era especial ?
    Então se o objetivo era impedir o recrutamento porque não mata-lo antes?

    Temos tido aqui artigos melhores …

Obrigado por participar na discussão!

%d bloggers like this: