Poluição Parte IV: cientistas e desinformação

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Alguns dados que é simples encontrar navegando pela internet.

Only Zero Carbon é o título do website que apresenta algumas tabelas interessantes. Acima, por exemplo, aquela publicada pela agência de imprensa AFP e que mostra como o fornecimento de energia seja responsável por 46% do total das emissões de CO2 na atmosfera, os transportes por 23% e a industria 19%.

Wikipedia (versão espanhola) não concorda. Neste caso o que interessa é o pequeno círculo à esquerda que mostra as emissões de CO2: o fornecimento de energia 32.6% (power station + fossil fuel retrieval), a industria 20.6%, os transportes 19.2%. Fonte: Emission Database for Global Atmospheric Research.

Outra vez Zero Carbon, neste caso uma tabela do IPCC que apresenta algo diferente: energia 25.9%, industrias 19.4%, transportes 13.1%. Ok, são dados de 2017, entretanto as coisas podem ter mudado, concedemos o beneficio de inventário…

No mesmo ano o engenheiro Jean Mare Jancovici, fundador de Carbone, 4 publica dados um pouco diferentes: usinas de energia 27%, industria 25%, transportes 17%.

Eis uma tabela da IEA, Agência Internacional de Energia, publicada em 2012 (via Steemit). À direita as emissões do CO2: energia 41%, transportes 22% (road transport + other transport), industria 20%.

Última tabela: a ONG Center for Climate and Energy Solutions (ao ler quais os dirigentes desta ONG só é possível rir: membros das famílias Goldman Sachs, Clinton, Obama, Roosevelt… mas tudo bem, vamos em frente). Aqui temos fornecimento de energia (com aquecimento) 31%, industrias 12.4% e transportes 15.0%.

Paramos aqui e fazemos as contas:

  • fornecimento de energia: 46%, 32.6%, 25.9%, 27%, 41%, 31%
  • produção de origem industrial: 19%, 20.6%, 19.4%, 25%, 20%, 12.4%
  • transportes: 23%, 19.2%, 13.1%, 17%, 22%, 15%.

Não há dois dados que coincidam: o fornecimento de energia, por exemplo, passa dum quarto para quase metade de todo o CO2 produzido no mundo. São percentagens aparentemente pequenas mas na realidade representam quantidades enormes de dióxido de carbono que diariamente são emitidas para a atmosfera.

E podem ficar descansados: decidi reduzir o número das tabelas para seis, porque na verdade há muitas mais a circular. Isso é estranho, estamos a falar da catástrofe global, do fenómeno que deveria acabar com a nossa espécie: precisamos de informação, se não for pedir muito, mas esta parece mais a extracção do Euromilhões.

O Dr. Judith Curry é um dos cientistas climáticos mais importantes do mundo.

Não acho que, mesmo se tivéssemos a vontade política, poderíamos fazer muito para mudar o clima. O dióxido de carbono não é um botão de controle climático. Tem um certo efeito em escalas de tempo muito longas, mas não é nada que você possa realmente mudar para cima ou para baixo na escala de tempo de um século e mudar o clima. Há muitas forças naturais em jogo que determinam o clima e pensar que podemos controlar o clima ao cortar as emissões de CO2 é realmente uma arrogância enganosa.

Então por que o “dióxido de carbono”, este “CO2” ou ainda a absurda “poluição de carbono”? A resposta é só uma: “poder”. É isso que acontece segundo o físico atmosférico, professor de meteorologia no MIT Richard Lindzen, antigo autor do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas):

Para muitas pessoas, incluindo a burocracia dos governos e os movimentos ambientalistas, o problema é o poder. É difícil imaginar uma alavanca melhor do dióxido de carbono para assumir o controle de uma sociedade. É essencial para a produção de energia, é essencial para respirar. Se você demoniza e assume o seu controle, por assim dizer, você controla tudo. É atraente. Foi declarado abertamente por mais de quarenta anos que deveríamos tentar usar este problema para uma variedade de propósitos, desde a redistribuição entre Norte / Sul, até a independência energética, até Deus sabe o quê …[…]

O CO2 para pessoas diferentes tem atrações diferentes. Afinal, o que é isso? Não é um poluente, é um produto da respiração de cada criatura viva, é o produto de toda a respiração das plantas, é essencial para a vida das plantas e a fotossíntese, é o produto de todas as combustões industriais… Quero dizer, se você sempre quis ter a força para controlar tudo, desde a respiração até a condução, isso seria um sonho. Por isso, tem uma espécie de atração fundamental do ponto de vista da mentalidade burocrática.

Lindzen decidiu publicar um vídeo, realizado na Universidade de Prager (San Fernando Valley, EUA) para examinar a ciência, a política e a ideologia por trás do aquecimento global, identificando as principais lobby que impulsionam o medo, o alarmismo e o pensamento de grupo que domina o debate sobre o assunto.

O vídeo é este: está em idioma inglês mas logo a seguir fica a transcrição em bom português.

Eu sou Richard Lindzen, um físico atmosférico. Publiquei mais de 200 artigos científicos, tenho ensinado no MIT durante 30 anos.

Ao longo deste período, o clima mudou muito pouco. Mas a voz do “aquecimento global” tornou-se cada vez mais poderosa, o grito do “aquecimento global” tornou-se cada vez mais agudo. Na verdade, o clima não mudou muito.

Ao mesmo tempo, as vozes dos alarmistas do clima são mais fortes. Assim, eliminamos os mal-entendidos e criamos uma imagem mais precisa. Então, vamos ver onde fica realmente a questão do aquecimento global. O agora conhecido como “aquecimento”, como é chamado, interessa três grupos de pessoas.

Os grupos 1 e 2 são cientistas, o grupo 3 é composto principalmente de ambientalistas, políticos e mass media.

O Grupo 1 é a parte científica do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC Working Group 1). A maioria desses cientistas são aqueles que acreditam mais nisso. Eles acreditam que a mudança climática deve-se principalmente aos combustíveis fósseis usados ​​pelos homens: petróleo, carvão, gás natural. Esses combustíveis libertam dióxido de carbono, libertando CO2 na atmosfera libertam na verdade dióxido de carbono. E eles acreditam que isso pode levar ao perigo de que a Terra se aqueça perigosamente.

O Grupo 2 é formado por cientistas que não consideram esse problema particularmente grave, e esse é o grupo ao qual eu pertenço. Somos frequentemente rotulados como cépticos. Temos notado que existem muitos factores que causam a mudança climática: o Sol, as nuvens, os oceanos, as variações orbitais da Terra, assim como uma infinidade de outros input.

Nenhum desses elementos acima é totalmente compreendido. Não há evidências de que as emissões de dióxido de carbono sejam o principal factor dominante nas emissões. Mas, nos factos, há um grande consenso entre os cientistas desses dois grupos:

  1. o clima muda continuamente, o CO2 é um gás de efeito estufa sem o qual a vida na Terra não é possível, adicionando CO2 à atmosfera fará com que o clima aqueça ligeiramente.
  2. A concentração de dióxido de carbono na atmosfera aumentou desde o final da Pequena Idade do Gelo, no século XIX.
  3. Durante este período (nos últimos dois séculos, 1800 e 1900), a temperatura média aumentou ligeiramente e de forma irregular, cerca de 1.8 graus Fahrenheit ou 1 grau Celsius. No entanto, as emissões humanas de gases de efeito estufa estão presentes desde a década de 1960, e foi somente a partir daqueles anos que as emissões de gases de efeito estufa relacionadas aos humanos foram significativas para desempenhar um papel.
  4. Considerando a complexidade do clima, a incapacidade de fazer uma previsão confiável sobre a futura temperatura média global e o seu impacto, não é possível fazer previsões atendíveis. O IPCC reconheceu no Relatório Anual de 2007 que “a previsão de futuras mudanças a longo prazo é impossível”.
  5. Mais importante e acima de tudo: os dois grupos não afirmaram que a queima de combustíveis fósseis teria causado desastres e catástrofes.

Então, porque tantas pessoas estão preocupadas com esse problema? Aliás, estão em pânico por causa disso.

É nesta altura que o Grupo 3 entra em jogo: políticos, ambientalistas e mass media.

Os alarmes acerca do aquecimento global fornecem o que eles mais desejam, as coisas que mais querem:

  • para os políticos é dinheiro e poder
  • para os ambientalistas, o dinheiro de que precisam para as suas organizações ambientalistas; confirmam os seus pensamentos quase religiosos, isto é, que os seres humanos são uma força destrutiva.
  • Para os media, é a ideologia do dinheiro e dos títulos, como a venda da teoria do “Dia do Julgamento”, que pode gerar muito dinheiro.

Ao mesmo tempo, nos últimos dez anos, os cientistas fora da física do clima também seguem os cientistas na moda, saltando no carro dos vencedores. Documentos publicados nos jornais sobre o aquecimento global culpam tudo, desde o acne até a guerra civil na Síria.

Os poderosos capitalistas estão ansiosos por aproveitar a oportunidade e os capitalistas da lobby agarraram avidamente as concessões que os governos generosamente forneceram.

Infelizmente, o Grupo 3 está a ganhar este debate, sufocando a discussão séria que deveria acontecer. Ambientalistas, políticos e vários meios de comunicação podem desperdiçar muito dinheiro para assustar a maioria das pessoas.

Eles não podem esconder a verdade, eles não serão capazes de enterrar a verdade. No final, será o clima a ter a última palavra.

Eu sou Richard Lindzen, professor honorário emérito do Departamento de Ciências Atmosféricas do MIT Richardson.

Então, devemos acreditar nas palavras de Richard Lindzen? Não sei. Lindzen tem uma cara que inquieta mas tem duas orelhas que, de facto, parecem capazes de captar os níveis de poluição. Mais importante ainda: Lindzen é sem dúvida uma voz autoritária no debate, mas é uma das inúmeras vozes. Pelo que é difícil responder, na discussão acerca do Aquecimento Climático houve-se tudo e o contrário de tudo. É preciso ser um cientista e conhecer o assunto do interior para poder exprimir um juízo (e partindo da ideia de ter na mão os dados correctos e de não ser corrupto). Para todos os outros é uma conversa sem fim, na qual cada um escolhe o seu partido e é capaz de apresentar provas, testemunhos, dados “inquestionáveis”.

Vamos esquecer por enquanto a questão da poluição, concentramos a nossa atenção sobre o Aquecimento Global: uma das primeiras coisas que uma reunião como COP24 deveria fazer é a limpeza, apresentar dados certos, cientificamente acima de qualquer dúvida. É virtualmente impossível ter uma concordância unânime acerca dos dados, haverá sempre quem conteste; mas pode-se reduzir as dúvidas e isso seria já algo. Se esta for realmente uma emergência global, todos têm o direito e o dever de saber, de poder informar-se, de poder verificar os dados e construir um opinião além das razoáveis dúvidas. Dar como assumida a catástrofe planetária e começar a investir dinheiro público em alegadas soluções não é correcto.

Hoje temos internet e esta alcança todos os cantos do mundo. Seja criado um portal de leitura extremamente simples, disponível em todas as línguas (tal como acontece com Wikipédia), com todos os dados que a comunidade científica (pró e contra Aquecimento) julga ser indiscutíveis. Dados obtidos com tanto de datas, lugares, instrumentação, condições climatéricas e nomes dos cientistas envolvidos. Afinal o que é um portal internet perante a eventualidade duma catástrofe que, como dizem, ameaça a sobrevivência da espécie humana?

Sempre que haja dados indiscutíveis, claro. Não há? Então, meus amigos, estamos a falar de quê? Enquanto ficamos entretidos com a contagem do dióxido de carbono, continuamos a atirar para o ar que respiramos toneladas de outros poluentes. E esta sim que é uma emergência, alem de qualquer razoável dúvida.

 

Ipse dixit.

Relacionados:

Poluição Parte I: COP24 e Great Smoke

Poluição Parte II: os aviões

Poluição Parte III: os navios

2 Replies to “Poluição Parte IV: cientistas e desinformação”

  1. A narrativa do aquecimento global cumpre, ao meu ver, um papel importantíssimo. Enquanto me convencem que eu devo parar de respirar para não emitir dióxido de carbono, enquanto eu dou voltas nos meus neurônios para saber como vou fazer isso, os meus tico e teco ficam ocupados. Como eles estão ocupados, todo o envenenamento dos solos para maximizar as produções de monoculturas no mundo inteiro, passa a largo. Também não merece a atenção devida a morte dos rios provocada pelos dejetos das mineradoras, pelas indústrias e outros contaminadores, a morte dos oceanos e seus habitantes, contaminados pelos poluentes atômicos e não degradáveis, a extinção de espécies vegetais e animais, em função do desinteresse humano, e de condições adversas ao mundo vivo provocada pela ganância da alta produtividade e lucro imediato, pelas guerras e por tudo a que chamamos civilização.
    Mas o mundo “civilizado” optou por esse caminho de destruição e, quando olho para qualquer desses gráficos acima expostos, percebo que não há solução, dentro de parâmetros cada vez mais “civilizados”, e que toda essa conversa de aquecimento global é para destilar medo, terror, pânico, enquanto escapa das análises que trata-se de uma exploração econômica predatória, orquestrada pelos ricos e poderosos, a responsabilidade pelas enfermidades do planeta.
    Tento rir, para não chorar, quando os antagônicos do Bolsonaro, aqui, e do Trump, no mundo inteiro, ficam estarrecidos com o fato de eles não pactuarem com os acordos internacionais para a redução das emissões de carbono. Será que não há tantas outras coisas dignas de estarrecimento para serem repelidas?!

  2. O grupo 1 e 2 são os relevantes, não existe informação vinda principalmente dos 1°s (nada é como se estivessem numa bolha) dos 2°s (podem eventualmente estar errados mas existe de facto uma pegada humana, isso é inegável e estão em comunicação com o grupo 1).
    O grupo 3 é um pouco complexo na minha modesta opinião p/ex os ambientalistas não fazem isso maioritariamente por proveito, talvez algumas organizações que estão por trás de alguns e organizações “nebulosas”(e nem sabem os reais interesses dos seus beneméritos).
    Não incluiria nunca no grupo 3.

    Os outros não interessam porque se movem por interesses, não sabem do que falam mas passam a mensagem como o público fosse todo muito estúpido, além de fazer o oposto de clarificar.
    E não existe uma linha directa ou uma wiki para informar(excelente ideia) porque como diz e bem alguém com pós doutoramento e 30 anos professor no Massachusetts Institut of Technology. Basicamente não tem data, info para poder chegar a um modelo, logo não inventa.
    Mas os outros 2/3 do grupo 3: como uma tv a preto e branco ou é uma coisa ou outra.
    Mas os exemplos palpáveis apontados por Maria são human made e sim destroem o meio ambiente e aí os ambientalistas são muito úteis.

    http://www.ecycle.com.br/2375-dioxido-de-carbono-o-que-e-co2/

    http://www.ecycle.com.br/component/content/article/35/1276-o-real-valor-das-arvores.html

    https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Créditos_de_carbono

    Nuno

Obrigado por participar na discussão!

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