A jaula europeia

Resumo dos últimos acontecimentos: Giuseppe Conte, próximo Primeiro Ministro italiano indicado pelo Movimento 5 Stelle e pela Lega, encontra o chefe de Estado Sergio Mattarella com o objectivo de ter luz verde para o novo governo. O 5 Stelle foi o partido mais votado nas últimas eleições enquanto a Lega foi o mais votado na coligação de Centro: juntos têm uma ampla maioria no parlamento e Conte não vai ter problemas.

O Presidente Mattarella observa a lista dos Ministros propostos e depois inviabiliza o governo. A razão? O Ministro da Economia deveria ter sido Paolo Savona.

O Ministro anti-Euro

Savona não é um recém chegado: depois de ter-se formado com louvor em Economia em 1961, iniciou a carreira no Departamento de Pesquisa do Banco da Itália, onde alcançou o posto de Diretor. Foi co-autor do modelo econométrico da economia italiana M1BI. Especializou-se em Economia monetária e Econometria no Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde trabalhou com o Nobel em Economia Franco Modigliani. Completou as pesquisa na Secção Estudos Especiais do Conselho de Governadores do Sistema da Reserva Federal em Washington DC, onde estudou o funcionamento do mercado monetário na Itália. Mais tarde deixa o Banco da Itália para ensinar política económica nas Universidade de Cagliari, Perugia e Roma (Italia), enquanto na Universidade telemática Guglielmo Marconi (Milano) funda o doutoramento em Geopolítica. Foi também editor científico das revistas Economia Italiana, Journal of European Economic History e Review of Economic Conditions in Italy.

Um curriculum assinalável. Mas Savona tem um problema: pensa com o seu cerebrinho. E por entender como funciona o sistema monetário, é contrário ao Euro, havendo já criado um plano para a saída da moeda única. Vice-versa, Mattarella é um servo de Bruxelas. Aliás: de Bruxelas (sede da União), de Berlim (Angela Merkel) e de Frankfurt (Banco Central Europeu).

O americano Paul Krugman, Nobel da Economia, escolhe Twitter para lançar duras críticas à decisão do Presidente Mattarella:

É realmente horrível: não há necessidade de ser populista para ficar horrorizado com o facto de que os partidos que obtiveram um claro mandato eleitoral foram excluídos porque queriam um ministro da economia eurocéptico. A confiança na moeda única supera a democracia? Realmente? As instituições europeias já sofreram por falta de legitimidade devido às deficiências democráticas. Isso só vai piorar as coisas.

Os servos europeístas

Mattarella não quer saber da democracia. Os dois partidos juntos teriam representado a maioria dos eleitores italianos no Parlamento? E eis que Mattarella nomeia como Primeiro Ministro “temporário” (pois novas eleições são inevitáveis) alguém que ninguém votou, tal Carlo Cottarelli, que nem de perto e nem de longe tem um curriculum parecido com o de Savona. Mas Cottarelli tem outro dom: desde 1998 trabalha no Fundo Monetário Internacional. Mattarella envia assim um claro sinal para Bruxelas: “Tranquilos, está tudo controlado”.

Tudo isso pode parecer apenas um “caso” italiano, mas não é. Paolo Savona foi entrevistado após a decisão de Mattarella e entre as suas frases há uma com uma importância particular:

Se não tivesse tido vetos inaceitáveis, porque infundados, o governo Conte poderia ter contado com o apoio de Macron.

Macron, o Presidente francês? Sim, ele mesmo.

Depois de ter sido indigitado pelo Movimento 5 Stelle e pela Lega, Conte foi chamado por Macron que expressou “impaciência por trabalhar em conjunto”. Portanto, Savona confirma o que já era conhecido: o governo ao qual Mattarella negou a luz verde poderia ter contado com um importante aliado na Europa. De facto, Macron estava ansioso por participar com Conte (e com o Ministro Savona) na próxima reunião europeia em Bruxelas, para exercer uma efectiva pressão sobre a Alemanha. Isso porque Berlim não tem a mínima intenção de mudar a sua atitude em relação à Zona Euro: sobretudo não quer viabilizar políticas fiscais de expansão.

A França tem as mesmas necessidades da Itália: pôr outra vez a funcionar o tecido empresarial, aligeirando a pressão fiscal. Havia a esperança de isolar a Alemanha com uma estratégia unificada de Paris e Roma. Assim, Mattarella agiu em favor de Berlim, frustrando um plano sério e razoável para reformar a Zona Euro.

E hoje o Comissário Europeu para o Orçamento, Gunther Oettinger, declarou: “Os mercados ensinarão aos italianos a votar da maneira certa”. Mais logo, o simpático Comissário tentou explicar melhor as suas palavras:

A minha preocupação e expectativa é que as próximas semanas mostrem que a evolução dos mercados e da economia da Itália vai tornar-se tão abrangente que pode tornar-se um sinal para os eleitores para, afinal, não votarem em populistas da direita e da esquerda.

Pior a emenda que o soneto: o obtuso Oettinger confirma que na nossa democracia as escolhas devem ser feitas tendo como base “ideológica” apenas o mercado. E quem não pensar assim é um “populista”, nem importa se de Direita ou de Esquerda.

A democracia impossível

O golpe branco em curso na Itália mais uma vez mostra que a democracia no sistema capitalista financeiro é apenas o disfarce dum regime oligárquico dominado pela lobby financeira e submetido às directivas estrangeiras originárias de Bruxelas, Berlim, Frankfurt (sede do Banco Central Europeu) e Wall Street.

Por outro lado, espreitar e analisar o mito da União Europeia significa entender que a União não é como aparece na retórica dos apoiantes mas o que realmente é: uma estrutura oligárquica, dilacerada pela corrupção, construída sobre a negação de qualquer soberania popular, o que impõe um regime de privilégios para alguns de obrigações para todos os outros, tudo de acordo com o modelo económico neoliberal.

Na Itália, como na França, na Espanha ou na Bélgica, os governos de Centro-Direita e de Centro-Esquerda apenas defendem os interesses de uma oligarquia financeira em desacordo com os desejos, as esperanças e as aspirações dos povos, estes cada vez mais irritados pela supressão dos direitos, os salários, cansados pela degradação permanente das condições de trabalho, frustrados com a visão de uma classe política que opera sistematicamente contra eles e em defesa dos interesses dos grandes potentados financeiros. Os últimos acontecimentos da situação política italiana demonstram isso de forma nítida e deixam claro que não é possível fugir da jaula de regras construídas especificamente para remover a soberania dos povos. A estrada traçada por esta pseudo-democracia é um beco sem saída.

Na Europa a estrutura de poder é vertical e tem um movimento de cima para baixo, com o fim de administrar os interesses comuns da oligarquia: a Alemanha é o garante da hegemonia sobre o resto dos Estados europeus. Ir contra este sistema significa ser rotulado de “populista, retrógrado e fascista”. Conseguir um bom número de votos dos eleitores significa esbarrar contra o guardião europeísta de turno. Os governos que emergem das eleições podem ser de Direita ou de Esquerda, tanto faz: limitam-se a cumprir as directivas de Bruxelas e de Frankfurt, pagar dívidas, limitar a capacidade de intervenção do Estado, reduzir os direitos sociais, privatizar os bens e os serviços públicos, reformar o mercado de trabalho com base nos preceitos neoliberais.

Em suma, os governos eleitos devem assumir, gostem ou não, o projecto neoliberal. É um programa que expressa a aliança entre as classes dominantes, a nova burguesia sem nacionalidade e cosmopolita, globalizadas e bem organizadas na defesa das instituições europeias, garantidas pelo hegemonia da Alemanha e da oligarquia em Bruxelas.

Mas tudo isso faz emergir uma vez mais a crescente incompatibilidade entre o sistema hipercapitalista e os direitos sociais e políticos fundamentais. Reaparece o que já foi definida como a antiga e não resolvida contradição entre democracia e capitalismo. Este é o lado obscuro do triunfo político do neoliberalismo imposto pelo poder central: a degradação constante das democracias.

O sistema imposto pelo hipercapitalismo é um modelo social baseado essencialmente na emergente desigualdade social, na precariedade do trabalho, na extensão do trabalho mal pago e na exploração das massas de jovens e idosos. O que assusta é que este é um modelo estático: o poder para poucos, a pobreza para os demais. O único movimento possível é o progressivo empobrecimento das massas. Não há no horizonte uma visão alternativa e este é um discurso ainda mais global, que vai muito além dos confins europeus.

O quadro é fosco porque se a Europa não está bem não é que nos outros continentes a situação seja melhor: o que acontece na América do Sul é bem visível, da África nem vale a pena falar, a Ásia está a construir algo mas não pode dar lições quando os assuntos forem “direitos” e “igualdade”. O tempo passa e parece cada vez mais claro que não haverá uma maneira suave para sair desta situação.

 

Ipse dixit.

17 Replies to “A jaula europeia”

  1. A democracia bem vinda seria a direta e é justamente a que não convém aos privilegiados do dinheiro e do poder. Então esta perspectiva será golpeada em qualquer lugar onde for minimamente discutida, porque a democracia representativa com os 3 poderes “independentes” convive perfeitamente bem com a oligarquia, E ainda serve para desviar atenção do terrorismo econômicos provocados por ela. Democracia é conceito viciado para poucos, Faz parte daquelas palavras mágicas, que torna tudo positivo, cujo sentido a maioria defende porque repete o que se diz majoritariamente, sem reconhecer suas práticas desviantes, conspiratórias e o quanto ocasionam corrupção política e econômica, especialmente convivendo com os podres poderes.

  2. @Max
    Fiquei confuso
    No 2o paragrafo onde está:
    ” A razão? O Ministro da Economia deveria ter sido Paolo Savona.”
    fiquei com a sensação que deveria estar:
    “A razão? O Ministro da Economia não deveria ser Paolo Savona.”

    Sim … cada vez se torna mais visivel para onde nos querem encaminhar

    O poder democratico e vontade dos povos subjugados ja descaradamente aos caprichos dos mercados (termo abstracto pois o que chamam de mercados é composto por actores, processos e intenções que são mais ou menos conhecidos e que exercem um jogo viciado)

    A censura que se começa a sentir

    O Parlamento Europeu aprovou a regulamentação da “Consumer Protection Cooperation”, que basicamente dá carta branca a que entidades de “protecção do consumidor” possam obrigar qualquer intermediário a bloquear o acesso a sites sem qualquer autorização judicial.

    A questão é que agora os visados já não são apenas sites que possam ter conteúdos que violem os direitos de autor, mas todo e qualquer site considerado indesejado (como recentemente aconteceu na nossa vizinha Espanha, relativamente a sites sobre a independência da Catalunha)

    O caso do Go gle

    Ja passamos da fase de “apenas” de rdicularizar quem tem uma opinião diferente para o abafar.
    Ja passamos a fase da venda do sonho, da fase do não ha alternativa para a fase do ou fazem como queremos ou sofrem no pelo.

    Algo de muito errado esta a acontecer e palpita-me que ainda estamos apenas no inicio.

    1. “Os mercados ensinarão aos italianos a votar da maneira certa”. Já tinha lido, mas fui ver e disse isso de facto. Populista? Mas estamos a falar de Itália, o terceiro país tanto a nível económico quanto poulacional da UE com 60 milhões de pessoas.
      Com a Grécia ainda podiam brincar.
      Então agora ensinam em se deve votar?
      Como o EXP diz acho que já perderam a vergonha toda, não auguro bom futuro para a UE.
      E o palpite do EXP é também o meu, mas gostava que desenvolvesses um pouco EXP?

      1. Boas Nuno.

        Desculpa a demora em responder.

        O que me cria este sentimento são vários factores.
        Já ando por cá há alguns anos e noto grandes diferenças em relação a por exemplo 25 anos atrás.
        – A vida era mais simples
        – Havia mais liberdade
        – Havia o sentimento que o próximo ano seria melhor que o actual
        – A cee era algo que trazia mudanças aparentemente positivas

        Nos ultimos 10 anos
        – Guerras, sanções e mais sanções (agora nem a Europa e Canada escapam)
        – O constante sobressalto dos caprichos dos mercados que se sobrepõem aos estados com a EU a ajudar
        – Bancos a falir, estados endividados até a ponta dos cabelos https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/rankorder/2079rank.html
        – Somos espiolhados como nunca
        – O sentimento agora é +/- antes assim que pior
        – A UE aparenta estar mais interessada em servir os mercados e corporações que os estados membros e respectivos povos
        Andaram durante anos a negociar o ttip secretamente e só se soube porque algum dos poucos que tinham acesso aos documentos deu com a língua nos dentes.
        Suprimiram um estudo que eles próprios encomendaram, e que concluiu que os downloads ilegais não têm impacto negativo nas vendas – e que até as promovem, no caso de certos conteúdos.
        https://abertoatedemadrugada.com/2017/09/ue-escondeu-estudo-que-revela-que.html
        Escondeu (outro) estudo que concluiu que agregadores de notícias são positivos para os sites noticiosos
        https://abertoatedemadrugada.com/2017/12/ue-escondeu-outro-estudo-que-concluiu.html
        Agora não só querem taxar os links como se tera de obter autorização
        https://abertoatedemadrugada.com/2018/05/taxa-dos-links-e-censura-nos-uploads.html
        Temos aos comandos da comissão europeia o sr Jean-Claude Juncker e o acordos secretos entre multinacionais e Luxemburgo para s fugirem aos impostos nos países de atividade, através de engenharias complexas que passavam pelo Luxemburgo e recebiam o acordo do seu governo.
        Tivemos o maoista reconvertido do Durão Barroso com a ligações ao Goldman Sachs.
        Tivemos agora o caso das eleições em Italia com os comentarios de Gunther Oettinger a apimentar a coisa.
        O fim da imunidade de Marine Le Pen por ter publicado Twitter fotos de execuções do grupo extremista Estado Islâmico (EI), uma boa forma de condicionar alguem que aparentemente nao alinha com o sistema.
        Ou seja quando chegamos a este ponto de desfaçatez e promiscuidade (para não utilizar uma palavra bem mais forte) algo de muito errado se passa, sendo a censura que se começa a fazer (muito provavelmente sera incrementada mas gradualmente para nao causar ondas de choque) um sinal que essa gente esta disposta por todos os meios a levar o seu objectivo avante espezinhando tudo e todos.

        EXP001

  3. Democracia é uma falácia desde sua fundação (Grécia Antiga). Pesquisem todo e qualquer processo dito democrático e verão que os vícios de origem são muito semelhantes. Peguemos como exemplo o Brasil. Os três segmentos que ancoram a dita cuja (“democracia”) são compostos por elementos não eletivos. São eles: Presidente do Banco Central (gesta o comércio do dinheiro), concessionários das grandes redes de comunicação (gesta a propaganda), e juízes do Supremo Tribunal Federal (gestam a impunidade dos ricos e o respectivo tráfico de influência). Sem considerar que os próprios eleitos são igualmente meros fantoches do poder maior (o econômico/financeiro). Mas como desconstruir tal pensamento nas mentes de indivíduos que foram convencidos de que democracia e paraíso celestial são sinônimos…

        1. Monarquia, Republica, Ditaduras … Democracias… se a mentalidade não muda nenhum sistema de governação faz milagres

        2. Mas para exercer a democracia direta é preciso formar outro indivíduo, sob outros valores e princípios, que não sejam regidos pelo capital. Esta sociedade que está aí, mostra que os dominados são tão ou mais corruptos do que seus próprios dominantes, simplesmente pq a mentalidade é a mesma. Diferente disso, chegaríamos naquela lógica de que para um indivíduo precário, o menos ruim é sua própria alienação…

  4. A União Europeia é a nova União Soviética, só lhe falta mesmo o arsenal militar que os soviéticos tinham e a polícia política, de resto, desde o modo de funcionamento interno, à forma como a Liberdade dos cidadãos é diariamente perseguida, é impossível que não se vejam as semelhanças gritantes entre ambos os regimes. Quanto à polícia política, já não deve de levar muito tempo até também vermos por aí alguma notícia a dar-nos conta de algum novo serviço de “informações” europeu, criado só para combater os “xenófobos” e “faxistas”, ou seja, qualquer cidadão que dê ou escreva uma opinião contrária ao pensamento politicamente correcto instituído pela União Europeia.

    Mais aqui:

    http://historiamaximus.blogspot.com/2016/06/a-uniao-europeia-e-nova-uniao-sovietica.html

    1. De facto o chamado “projecto europeu” que viria a ser conhecido como União Europeia (UE) surgiu para substituir o nacional-socialismo e o fascismo, após a vitória da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) na 2ª Guerra Mundial (1939 – 1945).

      A União Europeia (UE) é gerida por aqueles que perderam a 2ª Guerra Mundial (1939 – 1945), sendo o seu conceito político, social, e económico, baseado naquilo que o poder financeiro e clerical tentou fazer com Adolfo Hitler e as ideologias nacional – socialista e fascista, porém com várias adaptações para os tempos de hoje.

      O seu comentário, para além de demonstrar uma enorme ignorância é também mal-intencionado, profundamente partidarizado, e uma enorme falsidade.

      Recomendo que leia um pouco mais, vá estudar História, e pare de mentir.

      1. A derrota das forças nacionalistas na Segunda Guerra Mundial deixou o caminho livre para que a “mão invisível” do alto capital e o Bolchevismo, ambos internacionalistas e apátridas, se disseminassem quase sem oposição por todo o Mundo. Na Europa Ocidental, esta disseminação conseguiu atingir um grau de enraizamento social extremamente elevado graças à assim-chamada “democracia” que na realidade não passa de uma capa e de um esquema muito bem construído para iludir os mais ingénuos.

        A alta finança e o Marxismo são pela sua própria natureza inimigos supremos das nações e de tudo quanto estas representam. A alta finança almeja a destruição das nações como meio para atingir uma distopia anarco-capitalista em que o Estado e a Nação quase que deixam de existir de forma a dar lugar a um Mundo regido pelas leis suicidas dos mercados e controlado por uma mini-elite que deverá viver numa opulência fantástica e afastada dos restantes mortais que existem apenas para servir esta mini-elite como um escravo serve o seu senhor. O Estado existirá num Mundo assim apenas para garantir os meios de controlo dos escravos que terão de ser permanentemente vigiados e sujeitos a lavagens cerebrais de forma a não se revoltarem.

        A distopia marxista não é muito diferente da distopia anarco-capitalista promovida pela alta-finança (os extremos por vezes tocam-se…). O seu objectivo final é igualmente a destruição das nações e o internacionalismo fanático. Neste mundo “dourado” o Estado teoricamente cessará a sua existência e é de crer que não levaria muito até regressarmos todos à Idade da Pedra, exceptuaria-se naturalmente a isto uma mini-elite que em nome do “proletariado” teria direito a viver na maior opulência, tudo em nome do “povo trabalhador” como é óbvio…

        Claro que não é necessário ser-se muito inteligente para se perceber que quem realmente “dá as cartas” no actual sistema político em que vivemos, é o alto capital e que esse mesmo alto capital tem actores por detrás que almejam controlar o Mundo. Este “esquema” está em banho-maria há já vários séculos, mas intensificou-se grandemente a partir de 1945, pois a partir dessa data a oposição verdadeiramente nacionalista na Europa foi quase como que erradicada, deixando assim de existir aquela que era a única força de resistência séria e credível aos projectos globalistas colocados em curso por liberais e marxistas.

        Antes de mais, é necessário dizer que as forças nacionalistas perderam a Segunda Guerra Mundial e mereceram perdê-la, pois comportaram-se de forma extremamente indigna, tendo cometido os crimes mais horríveis contra populações civis inocentes, agressões e violações de soberania absolutamente injustificáveis e um sem-número de barbaridades que apenas podem ser comparadas àquelas que as hostes de Gengis Khan levavam a cabo aquando das suas conquistas sanguinárias.

        Obviamente, que também não podem ser esquecidos os crimes praticados pelos vencedores da guerra, que foram em muito maior escala e gravidade do que até hoje tem sido reconhecido. Não foram apenas o lançamento das bombas atómicas sobre Hiroxima e Nagasáqui e o terrível bombardeamento de Dresden. Foi muito mais. Estima-se que só os soldados estado-unidenses terão violado ao todo cerca de 190,000 mulheres por onde passaram durante a sua participação no conflito.[1]

        Ora, findada esta tragédia em 1945 e posteriormente julgados e executados em Nuremberga uma parte dos responsáveis pelos crimes horríveis que haviam sido cometidos, iniciou-se uma gigantesca campanha na Europa (na realidade foi mais uma lavagem cerebral…) com o objectivo de diabolizar as forças nacionalistas e colocá-las todas no mesmo saco com o Nacional-Socialismo alemão entretanto caído em desgraça.

        O Fascismo foi transformado pelas máquinas de propaganda das “democracias” e da União Soviética, do dia para a noite, no inimigo supremo da Liberdade e da Humanidade. Os soviéticos aparentemente esqueceram-se de como haviam sido amigos das forças fascistas até 1941 e até ficaram famosas as festas de arromba entre fascistas e o pessoal da embaixada da União Soviética em Roma até começar a guerra (a Itália Fascista foi o primeiro País da Europa Ocidental a reconhecer a União Soviética…). A alta finança sediada em Wall Street também parece que a partir de certa altura começou a padecer de amnésia e se esqueceu de como manteve amplas relações com Hitler e os seus camaradas nacionais-socialistas antes da guerra.

        Após 1945 o Fascismo foi transformado na ideologia que encarna o mal, enquanto simultâneamente o Comunismo gozou de larga tolerância por parte das forças da alta finança, devido ao simples facto de estas não se sentirem seriamente ameaçadas pelo inimigo Bolchevique e ocasionalmente até “dormirem na mesma cama”.

        Isto tudo aconteceu e acontece porque o Nacionalismo é a única força ideológico-política que seriamente assusta tanto capitalistas, como comunistas. Isto devido ao simples facto de os nacionalistas defenderem a continuação das nações, algo que inevitavelmente esbarra e é contrário às intenções internacionalistas de comunistas e capitalistas. Para se entender esta estranha aliança entre os discípulos de Karl Marx e os discípulos de Adam Smith, basta atentar no velho provérbio que nos diz que “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”.

        A criação da União Europeia após a Segunda Guerra Mundial (começou por ser a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço fundada em 1952), foi um passo essencial para a prossecução dos interesses da elite globalista que pretende aniquilar as nações da Europa. Como a moral é o alicerce básico de toda e qualquer Nação, seguiram-se a partir da década de 1960 a implantação de engenharias sociais com vista a destruir a moral dos povos da Europa. O multiculturalismo absolutamente suicida e o relativismo cultural, a par do relativismo moral, passaram a ser uma componente obrigatória dos sistemas de ensino europeus que hoje não se distinguem em quase nada do sistema de ensino de um País totalitário.

        O resultado de toda esta loucura é hoje visível nas nações europeias, especialmente nas que estão localizadas geograficamente mais a Ocidente. As populações etnicamente europeias estão a ficar envelhecidas e os únicos que parecem ter realmente preocupação em reproduzir-se e garantir a sua descendência são as comunidades de imigrantes que nas últimas décadas literalmente invadiram as zonas suburbanas das grandes metrópoles europeias. Esta situação constitui não apenas uma ameaça directa à sobrevivência da Europa enquanto comunidade de nações que partilham entre si milhares de anos de história comum e laços de irmandade absolutamente inquebráveis, como constitui também uma ameaça directa de guerra civil inter-étnica, uma autêntica “bomba-relógio” pronta a rebentar dentro de algumas décadas…

        A estratégia de diabolização das forças nacionalistas resultou enquanto houve dinheiro para ir mantendo as “democracias” a funcionar, ou seja, para ir comprando o eleitorado…

        O problema está em que o modo de produção capitalista padece e sempre padeceu de crises cíclicas que são um resultado directo das contradições inerentes ao próprio sistema. Quando o sistema entre em crise profunda, a única solução viável encontrada pelo “sistema” tem sido a de arranjar uma nova guerra, pois a guerra tem sido historicamente o melhor remédio para as crises do capitalismo.

        No fundo, a perversão do “sistema” é bastante simples de entender. O modo de produção capitalista depende da maximização do lucro, pois quanto mais lucro uma dada empresa conseguir obter, maior será a sua competitividade. Esta maximização do lucro obtém-se mediante a minimização das despesas, incluindo reduzir ao mínimo possível os salários dos trabalhadores até atingir aquilo a que Karl Marx chamava o “salário de subsistência mínima”, ou seja, um salário tão baixo e miserável que permita apenas ao trabalhador subsistir sem qualquer dignidade ou qualidade de vida.

        As contradições inerentes ao modo de produção capitalista são tantas e tão profundas que não é minimamente de admirar que este ocasionalmente entre em crise. Por um lado, o “sistema” necessita de salários reduzidos ao mínimo possível, ou seja, trabalhadores que por viverem com o mínimo possível, não vão ter quase nenhum poder de compra. Mas por outro lado, o “sistema” depende necessariamente do consumo para conseguir obter lucro. O problema mais do que óbvio está em que se os trabalhadores auferem salários miseráveis, estes obviamente não vão poder consumir e assim o “sistema” entra facilmente numa crise de superprodução, pois a partir de determinada altura, passa a produzir bens que pura e simplesmente não têm forma de ser vendidos porque não vai existir poder de compra suficiente na sociedade para os adquirir.

        Qual a resposta do “sistema” à crise de superprodução? É basicamente sempre o mesmo: se já não há necessidade de produzir tanto, o “sistema” dispensa trabalhadores aumentando assim a taxa de desemprego e consequentemente baixando o poder de compra. Entra-se assim num ciclo vicioso que parece não ter fim à vista: a superprodução leva à quebra do lucro, esta por sua vez leva a despedimentos e estes por sua vez baixam o poder de compra da sociedade o que leva a ainda mais despedimentos e assim por diante.

        Em desespero, os governos sob a alçada do “sistema” injectam dinheiro na economia sob a forma de empréstimos e outros esquemas financeiros manhosos, algo inútil e que apenas surtirá efeitos temporários, pois a única forma de verdadeiramente retirar o “sistema” da crise é aumentando o consumo de forma a aumentar o lucro. É assim que chegamos à mais trágica e derradeira das soluções para as crises cíclicas do Capitalismo: a guerra.

        A guerra mata pessoas, ou seja, reduz automaticamente o número de desempregados e destrói infraestrutura, algo ideal para quem faz negócio na indústria da construção e reconstrução. Por outro lado, a indústria do armamento é sempre uma óbvia vencedora em qualquer guerra. Por fim, os maiores vencedores da guerra são sempre as forças da alta finança que numa suprema perversão são quem por norma tem provocado a maioria das guerras dos últimos 200 anos e quem posteriormente lucra com a destruição, a morte e o sofrimento provocados pela mesma.

        A Segunda Guerra Mundial foi a solução encontrada pelo modo de produção capitalista para sair da crise de 1929 e os banqueiros que financiaram Hitler, sabiam perfeitamente bem que estavam a encher os bolsos a um lunático que não tardaria a ficar fora de controlo. O período de altíssima prosperidade económica que se seguiu a 1945 e que durou até à crise do petróleo em 1973, foi um período de fantástico crescimento económico permitido apenas pela necessidade de reconstrução que a Europa enfrentou após a Segunda Guerra Mundial. Sem a guerra, é muito provável que tal período nunca se tivesse registado e as economias ocidentais após 1929 teriam ficado estagnadas durante tempo indeterminado.

        De 1973 até 2008, o “sistema” foi-se aguentando apesar de algumas pequenas crises cíclicas. Após 2008, tornou-se evidente que o modo de produção capitalista entrou em ruptura no Ocidente, pois a mão-de-obra e o custo de vida estão demasiado elevados e o sistema já não consegue oferecer uma resposta satisfatória ao proletariado que asfixiado por impostos, baixos salários, desemprego e inflação elevada, clama com justiça por melhores condições de vida. Tudo leva a crer que o “sistema” está já a preparar uma nova guerra como meio de solução para a actual crise do Capitalismo e simultâneamente como meio de aprofundamento do seu projecto internacionalista.

        As nações europeias, tanto pelo seu relevo histórico-civilizacional, como pela sua antiguidade, constituem o último grande baluarte de resistência aos planos maquiavélicos da alta finança e das forças marxistas. O ódio visceral derramado por estas ideologias contra a causa das nações é a prova de como se sentem ameaçadas por aqueles que são hoje os únicos opositores sérios ao projecto globalista. Há que não lhes dar tréguas e nunca esquecer que este é um conflito que apenas terminará com a aniquilação total de uma das partes.

        Mais aqui:

        http://historiamaximus.blogspot.com/2015/05/a-segunda-guerra-mundial-as-nacoes-e-o.html

        1. No seu blogue, você dedica-se a censurar os comentários que desmascaram e desconstroem as mentiras e fabricação de factos presentes nos seus escritos ou expõem a propaganda anglo-sionista por si divulgada.

          Como aqui não pode agir da mesma forma, você acabou por escrever um comentário em resposta, que em nada tem a haver com o conteúdo desta publicação (“A jaula europeia”), nem tão pouco redime a mentira e tentativa de fabricação de factos, é uma lenga-lenga que tem como objectivo confundir tudo e ao mesmo tempo desviar os leitores que por ventura aqui passam do que realmente interessa, ou seja a falsidade por si escrita no comentário de “…Maio 31, 2018 às 1:48…”.

          Agora leia-se este trecho do seu comentário:

          “…Obviamente, que também não podem ser esquecidos os crimes praticados pelos vencedores da guerra, que foram em muito maior escala e gravidade do que até hoje tem sido reconhecido. Não foram apenas o lançamento das bombas atómicas sobre Hiroxima e Nagasáqui e o terrível bombardeamento de Dresden. Foi muito mais. Estima-se que só os soldados estado-unidenses terão violado ao todo cerca de 190,000 mulheres por onde passaram durante a sua participação no conflito…”

          Uma vez mais você está a mentir, pois quem perdeu a 2ª Guerra Mundial (1939 – 1945) foram precisamente os anglo-americanos e os seus aliados, a partir do momento em que as forças militares nacional-socialista e fascista foram derrotadas pelo Exército Vermelho da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

          1. A esquerda usa e abusa da palavra “Fascismo”. Desde há décadas, quando se trata de atacar qualquer inimigo, a esquerda não hesita em rapidamente o apelidar de “fascista” e a propaganda marxista tem-se laboriosamente encarregue desde a Segunda Guerra Mundial de erguer um “muro de betão” que tenta a todo o custo esconder a velha amizade e camaradagem que em tempos a esquerda partilhou com o “papão” fascista. A esquerda padece e sempre padeceu de memória curta e infelizmente são poucos os que tanto dentro, como fora do campo político da esquerda contradizem esta tendência. Deixo aqui um breve contributo que espero que possa auxiliar alguns “camaradas” a combater a gravíssima amnésia de que padecem há demasiado tempo.

            Aquando da fundação dos Fasci italiani di combattimento em 1919, uma parte significativa dos seus membros e teóricos políticos eram, à semelhança do próprio Mussolini, ex-marxistas e/ou ex-membros de organizações da esquerda radical e revolucionária. Já em 1917 e no papel de líder dos Fasci d’Azione Rivoluzionaria, Benito Mussolini apoiou abertamente a Revolução Bolchevique, tendo-se mais tarde desiludido em relação à mesma por esta não ser na sua visão suficientemente radical, vejam bem! Sendo também um admirador de Lenine, Mussolini ficou igualmente desiludido com este por considerar que o mesmo estava a ficar demasiado parecido com o Czar Nicolau II.[1]

            Desde a sua génese e até tomar o poder, o Fascismo foi em muitos aspectos ainda mais de esquerda do que a própria esquerda. O apelo à acção popular revolucionária, a estrutura para-militar, a retórica anti-capitalista e anti-burguesa, o anti-clericalismo, o ódio às elites e às monarquias, todos os elementos da esquerda mais radical e violenta estavam presentes no Fascismo. Talvez a única coisa que o Fascismo partilhava com a direita fosse o fervor nacionalista, de resto nada mais o distinguia da esquerda.

            No campo social, o Manifesto Fascista (Il manifesto dei fasci italiani di combattimento) publicado em 1919 por Alceste De Ambris e o futurista Filippo Tommaso Marinetti[2] propunha avanços radicais para a época como o sufrágio universal para homens e mulheres, a criação de uma jornada de trabalho de oito horas para todos os trabalhadores, um salário mínimo, a participação dos trabalhadores na gestão das empresas, a redução da idade da reforma dos 65 para os 55 anos, um forte imposto progressivo sobre todo o capital, a confiscação de toda a propriedade pertencente a instituições religiosas e a revisão de todos os contratos militares, podendo o governo confiscar até 85% dos seus lucros.

            Em 1924, a Itália já sob a liderança do Duce Mussolini, tornou-se o primeiro País da Europa Ocidental a reconhecer a União Soviética.[3] Se dúvidas houvesse sobre a latente irmandade entre marxistas e fascistas, estas dissiparam-se todas aqui. A este reconhecimento diplomático por parte da Itália Fascista, seguiram-se toda uma série de relações amistosas com os soviéticos que iam desde o campo económico ao campo cultural.

            Na sua essência, o objectivo final tanto do Fascismo como do Marxismo era o esmagamento revolucionário da velha ordem social conservadora e burguesa e a sua substituição por uma nova ordem social baseada no culto da força, da vitalidade e da ordem em prol dos trabalhadores. A única diferença de relevo era que enquanto o Fascismo advogava o Nacionalismo, já o Marxismo seguia a linha do Internacionalismo, mas na praxis ambas as ideologias partilham muito mais semelhanças do que diferenças.

            Em Portugal, o professor Salazar tornou-se um grande admirador de Mussolini e do Fascismo Italiano e chegou a ter na sua secretária uma fotografia de Mussolini autografada pelo próprio. No entanto, o modelo político seguido por Salazar, apesar de partilhar algumas semelhanças com o Fascismo Italiano, não foi na realidade um verdadeiro Fascismo devido à sua profunda interligação com a Igreja Católica que no fundo foi o que impediu que o regime caísse nos excessos de violência que caracterizaram outros regimes fascistas. Se quiserem, podem utilizar o termo “Fascismo Clerical” para caracterizar o regime de Salazar, mas mesmo assim ficam muito aquém de uma definição completa e que verdadeiramente faça justiça àquilo que realmente foi o Salazarismo.

            O ódio de Mussolini ao Liberalismo económico fica patente no facto de em 1935 já estar nacionalizada ou sob forte controle estatal cerca de 75% de toda a indústria italiana. O Duce sempre teve um “grande interesse pela URSS, talvez mais genuíno que o que sentia pela Alemanha nacional-socialista. Mussolini manteve boas relações diplomáticas com a URSS – na noite que precedeu o ataque alemão à URSS, houve grande jantar-festa na embaixada soviética em Roma, com a presença dos mais altos hierarcas do regime, pelo que as más línguas sugerem que Hitler não informou Mussolini do iminente ataque à Rússia de Estaline com medo que os amigos fascistas italianos informassem o Kremlin – e ao longo dos dois anos que se seguiram Mussolini defendeu sempre a ideia de uma paz separada entre o Eixo e a URSS. O anti-fascismo foi, pois, uma estória do pós-guerra !”[4]

            Curiosamente, foi nos anos finais da sua vida que Mussolini adoptou as políticas mais esquerdistas. Em 1943 e já como líder da então designada República Social Italiana, Mussolini insistiu que ao contrário do que muitos pensavam, ele nunca abandonou as políticas de esquerda e quis até nacionalizar a propriedade privada em 1939-1940, mas não o fez por razões tácticas que tinham a ver com a economia de guerra e a necessidade de não perturbar o sistema económico antes de vencer a guerra então em curso.[5]

            Com a guerra a correr mal para as forças do eixo, Mussolini começa cada vez mais a radicalizar as suas políticas económicas. Ordena a nacionalização de todas as empresas com mais de 100 trabalhadores e pede auxílio ao ex-comunista e antigo estudante de Lenine, Nicola Bombacci, para que o ajude a recuperar a imagem do Fascismo, conferindo-lhe uma imagem de movimento progressista e amigo dos trabalhadores. Oficialmente, a política económica da República Social Italiana foi designada de “Socialização” e foi o próprio Nicola Bombacci que teorizou a política económica. Ironicamente, mais tarde Mussolini acabaria por ser fuzilado com Bombacci e os seus corpos expostos lado a lado na Piazzale Loreto.

            A rivalidade histórica e o ódio existente entre marxistas e fascistas é muito menos um conflito entre a esquerda e a direita e mais um conflito entre irmãos de esquerda que salvo algumas excepções, nunca se entenderam entre si, nem se vão entender. O corpus ideológico do Fascismo é hoje totalmente independente da esquerda marxista e este adquiriu uma identidade própria como ideologia política. Apesar de enfraquecido, está longe da derrota e a actual crise do modelo económico-financeiro em prática no Ocidente está a criar uma “oportunidade de ouro” para que movimentos, grupos e partidos de inspiração fascista possam ressurgir em força e com a imagem restaurada.

            Claro que nada do que acima se escreveu irá alguma vez ser publicado no jornal Avante! ou ser reconhecido pelas lideranças dos partidos de esquerda, sob pena destas contradizerem mais de 70 anos de mentiras produzidas pela sua própria propaganda. No fundo, a “gloriosa luta” anti-fascista não passa de uma meia-verdade, sim, é verdade que os movimentos de esquerda combateram o Fascismo, mas apenas após o ataque Nacional-Socialista contra a União Soviética é que o fizeram com seriedade, pois até lá ambas as ideologias colaboraram extensivamente e partilharam entre si um compadrio muitíssimo comprometedor.

            Resta dizer que no campo do sucesso político, o Fascismo sempre bateu e vai continuar a bater a esquerda marxista em toda a linha, pelo simples motivo de que este alia dois dos mais poderosos elementos que sempre motivaram o ser humano: a luta pela Nação ou tribo se assim lhe quiserem chamar e a luta por uma utopia social que acabe com a exploração do mais fraco pelo mais forte, ou a “exploração do homem pelo homem” se desejarem utilizar um termo genuinamente marxista. Estes dois elementos explosivos são o núcleo do Fascismo como ideologia e são o que lhe conferiram a força imbatível que teve nas décadas de 1920-1940 e que provavelmente voltará a ter futuramente numa forma metamorfoseada se a actual crise do modelo económico-financeiro na Europa não se resolver a breve trecho.

            Mais aqui:

            http://historiamaximus.blogspot.com/2014/12/o-fascismo-e-memoria-curta-da-esquerda.html

        2. A premissa de rivalidade entre nacionalistas e internacionalistas é falsa. O internacionalismo é apenas mais uma etapa no processo de dominação global, que a cerca de 200 anos está inserido nas nações, principalmente ocidentais e suas colônias chamadas, eufemisticamente, de repúblicas independentes.

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