O bombardeio de Dresden

O tempo de leitura estimado deste artigo é de 3 minutos

O enredo é conhecido: havia os Bons dum lado e havia os Maus do outro.

Os Maus queriam impor a sua ditadura sobre todo o mundo, os Bons lutavam pela liberdade e pela democracia. Felizmente, e graças a Deus, os Bons venceram, porque o bem sempre vence no final e hoje somos livres e democráticos. Esse é o mito fundador da nossa civilização contemporânea, isso foi e ainda é ensinado nas escolas.

Os Maus realmente tinham feito coisas horríveis e tinham uma ideologia terrível também. Disso há poucas dúvidas. Mas às vezes, algo não bate bem quando você estuda a história dos Bons.

Houve Hiroshima, houve Nagasaki. Cerca de 200.000 vítimas. Foi necessário, dizem: 200.000 mortes necessárias para evitar o pior. Era necessário acabar com a guerra, é explicado. Afinal, se os Bons fizeram algo assim, devia haver um válido motivo.

Então, houve Hiroshima e Nagasaki.
Mas antes disso tinha havido Dresden. Curioso, não se fala muito sobre Dresden.
Falamos de Desden.

O inferno
Os efeitos do bombardeio aliado em Colônia

Era o dia 13 de Fevereiro de 1945, 73 anos atrás.
Às 22:08, na Terça-feira de carnaval, as sirenes do alarme aéreo interromperam os palhaços que apresentavam o último espetáculo.

Dois minutos depois o céu começou a ser povoado: o primeiro Lancaster de quatro motores do 83º esquadrão inglês lançou os foguetes que iluminaram a noite da cidade; depois alguns Mosquitos, os ágeis caças-bombardeiros cuja tarefa era sinalizar os alvos com bombas vermelhas.

Os mosquitos fizeram bem o trabalho: tinham sinalizado um estádio e no centro deste agora havia uma coluna vermelha brilhante. Os bombardeiros tinham seu alvo.

Das 22:13 às 22h30, os Lancasters descarregam as bombas de 1.800 e 3.600 libras na cidade. Em seguida, afastaram-se na direção de Estrasburgo, voando baixo para escapar ao radar alemão. As ajudas começam a fluir das cidades vizinhas, enquanto os habitantes deixaram lentamente os abrigos. Era este o verdadeiro objectivo dos aliados: levar as pessoas a sair, esperar os socorristas e voltar a atacar.

Dresden, 14 de Fevereiro de 1945

01:28 horas de 14 de Fevereiro. A segunda vaga chegou. Um total de 529 Lancaster descarregaram 650.000 bombas, na maioria dispositivos incendiários. É o começo do inferno. Bombardeando as áreas já atingidas pelo primeiro ataque, os britânicos conseguiram provocar uma tempestade de fogo. Das casas já destruídas pelas anteriores bombas, são sugados os objectos e as pessoa que está no raio dum quilómetro.

O piloto dum Lancaster mais tarde dirá:

Havia um mar de fogo que, de acordo com os meus cálculos, cobria pelo menos cem quilómetros quadrados. O calor era tal que sentia-se parecia até na fuselagem; éramos subjugados pelo fogo aterrador, pensando no horror que havia ali em baixo.

Dresden, após o ataque

Segundo as estimativas alemã de 22 de Março, os mortos contabilizados tinham sido 20.204 mas era
esperado um número total de 25.000. Wikipedia versão inglesa ainda hoje fala de 25.000 mortos, mas cifras mais realistas falam dum mínimo de 40.000 mortos e um máximo de 150.000 vítimas. é suficiente pensar que os cadáveres continuaram a ser encontrados até a década dos anos ’60 durante as escavações. 

A Segunda Guerra Mundial estava a chegar ao fim, a Alemanha estava perto de capitular, Dresden era uma cidade sem instalações militares, sem defesa antiaérea, habitada por civis e pessoas que tinham encontrado lá refúgio lá, com a convicção de que os aliados não teriam motivos para atacar uma cidade indefesa que não representava qualquer fonte de perigo.

No entanto, aquele do 13 e 14 de Fevereiro foi ataque premeditado, uma operação que tinha o único propósito de massacrar a população e espalhar o pânico. Uma espécie de punição coletiva, feita pelo Bons contra os Maus.

E no final os Maus perderam aquela guerra.
Mas foram realmente os Bons aqueles que venceram?

Ipse dixit.

Fontes: Tra Cielo e Terra, Cronologia Leonardo

15 Replies to “O bombardeio de Dresden”

    1. Sim Prescott Bush avo de George W. Bush foi um banqueiro que muito apoiou Hitler e tambem tinha uma visao identica para os eua

      EXP001

  1. Táticas nazistas de falsa bandeira? Pelo que sei da mentalidade nazista (e olha que tenho motivos particulares e pessoais para saber), não me parece uma opção no ocaso da guerra e da destruição do terceiro Reich. O que ocorreu em Dresden e também em Berlim, quando da ocupação dos "aliados" é típico das táticas de guerra dos EUA e Inglaterra e permanece assim nos países ocupados no Oriente Médio, África e nas ocupações disfarçadas na América Latina. Consiste em atacar civis, espalhando pânico e terror. Dresden foi o testemunho eloquente desta tática e figura no rol imenso dos crimes de guerra que serão investigados quando o último império unipolar do planeta tiver desaparecido enquanto império unipolar.

    1. eheheh…eu também após uma primeira leitura interpretei o comentário de JF no mesmo sentido.

      Mas não: o que JF quer dizer é que o nacionalsocialismo foi ajudado sobremaneira pelo poder financeiro ocidental, que depois, uma vez esgotada a função, quis desfazer-se dele. E é verdade: as ajudas ocidentais à implementação do Terceiro Reich são evidentes e ficam além de qualquer dúvida.

      Grande abraçoooooo aos dois!

    2. Exactamente Maria.

      Enquanto que outros paises so atacam alvos de valor militar e/estrategico é practica enraizada desde a muito nos anglo-saxonicos de atacar alvos civis. Fazem parte da sua doutrina de choque e pavor, da qual fizeram muito alarde sem vergonha nenhuma na guerra contra o Iraque. Revela bem o quanto essa gente (os auto-proclamados defensores das vitimas do tiranos) tem apreço pelos civis que na grande maioria sao vitimas de guerras que outros engatam.

      Mas olhando para o historico tanto dos ingleses como norte-americanos pode-se observar um padrao bem defenido ao longo de seculos.

      – Subjugação e extreminio de populacoes em varios continentes os amerindios sao o caso mais flagrante mas os indigenas australianos tambem
      – Traição aos "aliados" como no caso de Portugal. Desde os assaltos dos Corsarios as embarcações Portuguesas, a sabotagem do mapa cor de rosa, nos tentarem expulsar das colonias Indianas, o apoio as upa (1a organizaçao terroristaa matar Portugueses em angola)
      – As guerras do opio contra a China
      – "Sairam do territorio que e hoje Paquistao, India e Bangladesh" mas deixaram a confusao instalada
      – "Sairam das Arabias" Mas deixaram a confusao instalada
      – Acolhem tudo o que e criminoso de alto calibre n seu territorio
      – Mentiras atras de mentiras
      – Ataques de bandeira falsa
      – O que fizeram tanto aos Irlandeses como aos Escoceses

      Ou seja … Nisto de geopolitica nenhum e bom, mas os anglosaxonicos sao do mais execravel que exista

      EXP001

    3. A Maria interpretou mal o comentário por mim redigido; o bombardeamento de Dresden foi uma tentativa desesperada dos aliados para ofuscar a eminente vitória da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) na 2ª Guerra Mundial (1939 – 1945), que efectivamente veio acontecer (e ainda bem) com a derrota do nacional-socialismo e os seus aliados diante do Exército Vermelho.

      O massacre de Dresden teve como função única e simplesmente, o de dar a falsa ideia junto da sociedade civil, de que teriam sido os “aliados” com esse ataque, a derrotar o nacional-socialismo e o fascismo.

      Porém, no seu comentário faz referências relevantes e que estão correctas relativamente aos ataques de falsa bandeira que são, como escreveu, uma táctica comum dos exércitos do regime da Inglaterra e dos Estados Unidos da América (EUA), havendo imensos documentos oficiais e literatura disponível sobre o tema que provam efectivamente o uso dessa táctica de guerra.

      Convém salientar que todas as questões relativas ao bombardeamento de Dresden por parte dos “aliados”, ou os ataques de falsa bandeira ao longo da História estão devidamente documentados, e por alguma razão o regime da Inglaterra já deu início à destruição de parte dos seus arquivos de maneira a apagar qualquer vestígio relativos aos crimes que perpetrou contra a humanidade, os genocídios que concretizou, o envolvimento (não solicitado) e ingerência nos assuntos internos de diversos países, etc…

      – Government admits 'losing' thousands of papers from National Archives

      https://www.theguardian.com/uk-news/2017/dec/26/government-admits-losing-thousands-of-papers-from-national-archives

  2. No texto faz-se referência a Hiroshima e Nagasaki!

    Alguém aqui consegue relacionar o lançamento destas duas bombas atómicas com a 'Golden Lily Operation' e o 'Yamashita's Gold' bem como o facto dos Japoneses não terem sido julgados por crimes de guerra?

    1. Olá Daniel Ricardo!

      Confirmo: a primeira imagem é do bombardeio de Colónia.
      E também a segunda é, a da catedral.

      Ao procurar imagem de Dresden encontrei, na maior parte dos casos, fotografias de escassa qualidade ou que não rendiam a ideia, por isso decidi incluir estas.

      Deveria ter introduzido legendas que explicassem a troca: peço desculpa pela confusão.

      No entanto, agradeço sinceramente o reparo 🙂

      Abraçoooo!!!!

    2. Introduzi a legenda na segunda imagem, a da catedral de Colônia. decidi manter a imagem de abertura assim como está, sem legenda, pelo impacto visual a mesma: lembro mais uma vez aqui aqui se trata do bombardeio de Colónia, mas é complicado determinar com absoluta certeza de qual deles.

      Os primeiros bombardeiros começaram em meados de 1942, mas os danos maiores foram infligidos mais tarde: num período tão longo, Colônia também se tornou o "lixão" das bombas em excesso durante as viagens de ida e volta dos bombardeiros britânicos.

      Durante os ataques de 9 de Julho de 1944, que matou 4.377 pessoas, foi destruído a maior parte do centro histórico (um património com mais de 2000 anos de idade) em 77 minutos.

      Abraçoooo!

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