Origens – Parte IV

O tempo de leitura estimado deste artigo é de 5 minutos

Pois é. Até aqui vimos como o Universo e o nosso planeta se formaram.
Talvez. E é um talvez bem grande, pois há algo no ar.

O problema é que o mundo científico tem atitudes repetidas e previsíveis; o que se está a passar agora já aconteceu no passado. Que se passa agora? Passa-se que desde os trabalhos de Albert Einstein, a Teoria da Relatividade tornou-se não apenas doutrina científica mas verdadeira fé. Não é possível contradizer, nem sequer questionar: a dúvida não é uma opção. E quem decide ir contra a corrente fica marginalizado, ridicularizado, excluído.
O mesmo que aconteceu com a Igreja e Galileu.

Já visto

Há algo que não bate certo, mas mesmo assim não é possível pôr em causa a Relatividade. Mesmo os evidentes fracassos.

Fracassos? Isso mesmo: fracasso.
Reparem: para explicar o Universo (até mesmo a existência dele), os cientistas têm que admitir a existência duma não bem identificada Matéria Obscura, algo que deve estar aí, no espaço, porque caso contrário as coisas não fazem sentido: não poderia existir nem funcionar um Universo com apenas as coisas que conhecemos, e a Matéria Obscura torna-se absolutamente necessária.

“Tá bom”, pode pensar o Leitor “um pouco de Matéria Obscura que mal pode fazer?”.
“Um pouco”? Estamos a falar de 90% do Universo. Isso mesmo: desconhecemos 90% do Universo, coisa que sintetizamos com o termo Matéria Obscura.


Não chega. É precisa a Matéria, sim senhor: mas a energia?
Problema: não temos energia suficiente para explicar o funcionamento do Universo.

Não temos? Pouco mal: eis a Energia Obscura. O que é isso? Ninguém sabe, mas a comunidade científica não tem dúvidas: Matéria e Energia Obscuras têm que estar aí, em qualquer lado, porque caso contrário as contas de Einstein não batem certas.
É como afirmar: não entendemos 90% do que se passa, mas apesar disso está tudo claro.

E se alguém disser “Desculpem, mas porque não procurar sem ter como base a Relatividade?” então são apenas gargalhadas e exclusão.

Isso, realço, não significa de todo que a Ciência seja coisa errada. Se eu posso escrever num ecrã e o Leitor pode ler num outro é porque existe a pesquisa científica. Mas não podemos esquecer que a Ciência é conduzida por homens, com todos os vícios danados deles.

Voltaremos sobre este assunto cedo ou tarde, porque se for verdade que os astrofísicos não entendem o comportamento das galáxias, é também verdade que outros conseguem explica-lo de forma muito razoável.

Por enquanto, voltemos ao nosso pequeno planeta.

Os Mamíferos

Assim, vimos que a vida surgiu e que as bactérias dominaram incontestadas ao longo de…de quanto? Não muito, apenas 2 mil milhões de anos.
Depois as formas de vida evoluíram, nasceram organismos mais complexos, aconteceram coisas bem esquisitas, chegaram os dinossauros e, por fim, apareceram os mamíferos. E é este o assunto que interessa, pois a série “Origens” quer falar das nossas origens, as da raça humana. E o homem é um mamífero.

Pelo que, a Terra formou-se há 4.500 milhões de anos e o homem apareceu quando? Antes começamos por falar dos Mamíferos, pois o homem faz parte desta classe. Então mudemos de pergunta: os mamíferos apareceram quando?

Não podemos ter a certeza absoluta, mas a mais antiga espécie de mamíferos encontrada nos fósseis é aquela do Megazostrodon. O nome assusta um pouco, mas de “mega” este longínquo parente não tinha mesmo nada: aliás, era bem pequeno, entre os 10 e os 12 centímetros de comprimento. O aspecto? Praticamente um rato, apenas um pouco mais magro. Idade? 200 milhões de anos.

200 milhões? Isso mesmo. Mas a Terra não tem 4.500 milhões de anos? Isso mesmo. Significa que a quase totalidade da existência do planeta se passou sem mamíferos? Isso mesmo. Significa que a quase totalidade da vida na Terra não incluiu a nossa classe? Isso mesmo. Mas Deus não tinha criado a Terra para que o homem pudesse habita-la? Assim foi dito. Mas antes de entregar as chaves preferiu esperar um bom bocado, pelo visto…

Os mamíferos, como dito, são a classe do homem. E, como tal, desde o início deve ter sido uma classe de sucesso. Talvez. Ou talvez nem por isso. Aliás, é exactamente o contrário.

A vida dos primeiros parentes era bastante feia. Doutro lado, tentamos imaginar: estamos a falar dum ser do tamanho dum rato cujo objectivo era sobreviver num ambiente dominado pelos dinossauros. Vida dura, sem dúvida, na qual a melhor forma de passar o dia era não dar muito nas vistas; por isso os primeiros mamíferos eram todos pequenos, discretos, faziam pouco barulho, nada de manifestações, nada de Occupy Jurassic.

Mas os dinossauros desapareceram uns 65 milhões de anos atrás e os mamíferos começaram a prosperar, a multiplicar-se e a crescer em tamanho e variedade. E entre os mamíferos apareceram os Primatas. Sempre parentes, mas um pouco mais chegados.

O fóssil mas antigo de Primata pertence aos bichos definidos Plesiadapis: vividos uns 60 milhões de anos atrás, surgiram na América do Norte e na Europa, os Plesiadapis eram bastante parecidos (mas não aparentados) com os esquilos, viviam nas árvores e comiam fruta e folhas.

Segundo a teoria da evolução, os Plesiadapis foram os primeiros entre os Primatas, os primeiros duma linha evolutiva que chegou até nós.

O que é um Primata? É um bicho que tem as seguintes características:

  1. uma dentição não especializada, isso é, apta para dietas carnívoras, vegetais e McDonald’s;
  2. visão a cores, com olhos frontais para avaliar as distâncias de maneira tridimensional
  3. cinco dedos em cada pata, dos quais um (o polegar) oponível

É provável que a mais importante destas três tenha sido a última, o polegar oponível, que permite uma habilidade invulgar da extremidade da pata. Experimentem convencer um porco a agarrar um garfo. E mesmo que consiga, o que faria um porco com um garfo? Mas vocês não têm nada de mais inteligente para fazer?

Ipse dixit.

5 Replies to “Origens – Parte IV”

  1. Olá Max: estou acompanhando a série, e hoje resolvi imprimir, encadernar bonitinho uns 10 exemplares e mandar para a professora de Ciências da escola pública onde a mariazinha estuda, dizendo a procedência, claro.
    A criançada tem muita curiosidade nestes assuntos e tu te revelas um professor dos primeiros anos até o pós graduação. Isso é muito útil.
    A propósito, penso que essa frase deste último texto poderia servir como tema para redação livre: "Mas Deus não tinha criado a Terra para que o homem pudesse habita-la? Assim foi dito. Mas antes de entregar as chaves preferiu esperar um bom bocado, pelo visto…"
    E assim, vou incluir, ao final de cada texto, algumas sugestões para a professora explorar/estudar o assunto com as crianças.Não é uma boa ideia? Abraços

  2. Ai… Ai, Ai… "Mas Deus não tinha criado a Terra para que o homem pudesse habita-la?" Então não foi o BIG BUM que criou o Universo, logo este Planeta onde vivemos e não sei porque raio lhe damos o nome de TERRA? Algo a que temos aversão pois cimentamos e alcatroamos TUDO!!!

Obrigado por participar na discussão!

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